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“Vou tentar, Dora.” Era tudo que podia prometer, afinal se B¹ e B² realmente tentassem matá-lo no meio da noite, ele teria que revidar de algum jeito. Entrar no carro para ir para casa foi outra coisa que o fez ter que conter seus instintos sacanas, por alguma razão achava que nenhum dos cunhados acharia legal se ele dissesse que podiam sentar no colo dele, ou pior, mandasse Bianca o fazer. Então ele apenas tentou ficar o mais longe possível dos garotos e perto da porta. “Podemos vê-la mais tarde, acho que vou gostar dela.” Ficar algumas horas fora do radar dos cunhados seria bom também. Agradeceu quando o sogro estacionou o carro e apressou-se a descer. Pensou em se oferecer para carregar as coisas, mas Rosanne já lhe dava aquele sorriso com o qual ele poderia se acostumar bem rápido – ele não tinha certeza se aquilo era porque ela simpatizava mesmo com ele ou por consideração a Bianca, de todo modo ele estava muito grato por isso. Ele retribuiu o sorriso da senhora e assentiu ao comando, seguindo Bianca assim que ela começou a se dirigir a casa. Aproveitou para olhar os arredores, prestando atenção em fotos de família e coisa do tipo. Mas seu item favorito acabou não sendo algo inanimado. “Mimi? O que, vai me dizer que você era fã de Digimon?” Exclamou surpreso, estendendo a mão para acariciar a gata. “E não é que achei garotas amorosas nessa família? Tia Ro e Mimi aqui são anjos!” Queria pegar a gata no colo, mas se conteve. “cachorro boicotou o comitê de boas vindas?”
Tyler teve que se esforçar muito mais dessa vez para não rir e acompanhar o passo da garota. Infelizmente toda sua determinação foi por água abaixo quando viu a cena que os aguardava no quarto. Quando ouvira o nome do cão tinha imaginado que fosse um animal grande, talvez um São Bernardo, não uma bola de pelos do tamanho de um gato. Ele teve que rir. E riu muito. “Por Poseidon, Princesa,” Imitou o tom que o pai dela usara para chamá-la, zombando. “Me diga que esse pompom de líder de torcida não é a grande ameaça aos seus quadros. Por favor, me fale que ele encolheu durante o verão.” Teve que deixar a zombaria de lado para seguir a namorada e Mort pela casa.
Em seguida se encaminharam ao jantar e novamente Tyler teve que agradecer aos céus por seus sogros – e sorrir marotamente para seus cunhados. “Acho que vai ser difícil não repetir, Dona Ro, só o cheiro já está me dando água na boca.” Sentou-se a mesa, esperando que os outros se servissem para fazer o mesmo. “Acredite, senhor, eu estou muito agradecido e aliviado! Lá nos EUA temos esse mito que os pais da namorada sempre te esperam com uma espingarda em mãos e torta, nem sempre a torta sendo para comer. Então eu me considero mais que sortudo.” Sorriu para Bianca e logo voltou-se para os pais dela. “Biru me disse que o senhor gosta de baseball, verdade? E a senhora também, Ro? Minha mãe tentou uma vez, mas acabou derrubando minha tia-avó…” Contou, tentando conhecer todos melhor. “Bianca aqui melhorou muito, rebater funciona bem como terapia da raiva.”
Ah, sim, sou um grande fã dos Capitales. Levo as crianças nos jogos desde que eram... - olhou para os filhos. - Bem, crianças. Já Rose... - A mãe cortou Mortimer com um gesto de descaso. - Nunca fui muito fã de esportes. Mas Bianca nos contou que você joga em um time, Ty, isso é ótimo. Os dois ali sempre quiseram tentar, mas acabaram não se dando bem no time da escola. - Contou, sinalizando os filhos, que se remexeram levemente na cadeira, porém se quer abriram a boca. Bianca imaginou se os pais não teriam passado algumas instruções para seus irmãos, para garantir que se comportassem quando Ty chegasse. Não gostava de vê-los parecendo desconfortáveis daquele jeito, mas se a opção conversar incluía serem mal educados com seu namorado, então ela preferia que ficassem quietos mesmo. - Amanhã levaremos você para conhecer melhor a cidade e podemos parar no parque para uma partida, o que acham? - Mortimer olhou em volta, animado. - Assim eu poderei analisar seu desempenho como jogador e conferir o progresso da princesa. - Piscou para os dois, e Bianca sorriu, concordando com o pai.
Quando terminaram de jantar, ela ajudou a mãe a recolher tudo rapidamente, enquanto os garotos continuavam sentados à mesa e Mortimer tentava fazer com que os filhos e Ty batessem um papo. - Então, rapaz, conte para esses dois como é jogar num time de verdade. Danny até que é um bom arremessador, mas Nico só serve para levar tacadas da irmã... - Ouviu o pai falar e se segurou para não rir. Pobre Nico. Bianca achou melhor não encará-lo naquela hora, só de imaginar sua provável expressão. Dustan entrou saltitando na cozinha logo em seguida e começou a cheirar os pés de Ty. - Olha só, parece que o bolota gostou de você. - Disse Mortimer, e Dustan confirmou sua frase pulando no colo do garoto. Bianca e a mãe riram. - Ei, porque não tiramos uma foto? Esse dia merece ir para o álbum de recordações. - Rosanne foi buscar a câmera e voltou mandando os garotos fazerem uma pose. - Cheguem mais perto um do outro, isso, assim. - Ergueu a câmera para bater a foto e Bianca ficou atrás da mãe, rindo baixo. Ty e Danny seguravam Dustan, e Danny até sorria levemente. Mortimer abraçava Ty pelo ombro e parecia tão feliz quanto uma criança em dia de Natal. Já Nico continuava com a carranca, mas aquilo só tornava a foto mais hilária. - Pronto, vou mandar revelar. Ah, filha, vá tirar uma foto com o Ty, também. - Rosanne sorriu para ela, incentivando Bianca a sentar-se ao lado do namorado. O pai e os irmãos abriram espaço e ela foi até Ty, abraçando-o de lado e sorrindo para a câmera. - Awn, que pombinhos lindos! - Sua mãe parecia realmente emocionada. - Esperei tantos anos por isso... - Baixou a câmera, admirando a foto que tirara. - Tá bem, mamãe, não precisa chorar. - Bianca se levantou, puxando Ty consigo. - Okay, me desculpem. Vocês devem estar tão cansados. Vão tomar um banho e ir dormir, sim? Amanhã nos divertiremos mais, Ty, querido.
Bianca subiu as escadas com o garoto ao seu lado. - Você pode tomar banho primeiro, vou pegar toalhas para você. - Disse, indo em direção ao quarto, quando ouviu passos atrás de si. Virou-se para dar de cara com os irmãos. - Hey. - Sorriu para eles, um pouco nervosa. - Só queríamos avisar que a mamãe e o papai não nos deixaram montar guarda no corredor a noite, caso alguém resolva trocar de cama, mas ficaremos de olho mesmo assim. - Disse Nico, encarando Ty. - Guys, por favor, vocês não precisam fazer isso. - Bianca suspirou, revirando os olhos. - Só estamos cuidando de você, pequena. - Danny passou o braço ao redor de seu pescoço e beijou sua testa. Então os dois foram para o quarto do mais velho. - Está vendo como eles são, não é? Vai ter que tomar cuidado se quiser ir ao banheiro de noite. - Tentou trazer um tom de brincadeira à voz para amenizar a situação, embora o que estivesse falando fosse verdade. Entrou em seu quarto e pegou as toalhas, entregando a ele. - Prontinho, estarei te esperando aqui. - E aproveitaria sua breve ausência para esconder melhor a coleção sagrada de pokebolas.
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Conversar era bom para distrai-lo e não o pensar demais sobre seu iminente encontro com os Folchart. Ty era usualmente um cara relaxado, era bom em “socializar” e nada tímido, porém nunca tivera que enfrentar vários desconhecidos, sendo que dois destes, já desgostavam dele de antemão. No entanto, ele concentrou-se no papo ameno que mantinha com a namorada, deixando de lado qualquer neurose. Quando finalmente saíram do avião e ele pode esticar as pernas doloridas, só teve tempo de agarrar suas malas na esteira e dar uma olhada rápida no aeroporto, antes da namorada apertar sua mão do jeito que sempre fazia quando estava nervosa. A diferença era que daquela vez ela parecia nervosa por ele. “Toda a Biru family, hein? Sem problemas, eu ficaria mais feliz se dissesse que eles tinham vindo em um trenó puxado por alces, mas aceito apenas a comitiva real.” Brincou para demonstrar que estava ‘ok’ com tudo, mesmo que estivesse um tanto ansioso para descobrir como a família dela era. Havia muita gente no aeroporto naquele horário, mas não precisou tentar adivinhar quem eram os Folchart porque logo ouviu um grupo gritar o nome de Bianca. Ela se apressou até eles e Tyler preferiu ficar um pouco para trás, andando a passos lentos para dar a eles um momento de privacidade – e observar um pouco também.
Se posicionou atrás da garota, caprichando em um sorriso educado enquanto aguardava que as apresentações começassem. Bianca o puxou para frente e logo indicou quem era quem, antes do homem mais alto do grupo, o pai dela, se adiantar com a mão estendida para cumprimentá-lo. Ty apertou a mão do sogro com firmeza. “Famoso aqui também? Vou ter que dar a minha agente uma promoção porque ela está fazendo um ótimo trabalho de divulgação.” Disse em tom de brincadeira, apertando a mão do sogro. “Obrigado, Sr. Mort. É um prazer conhecê-lo.” A próxima foi a mãe de Bianca e ele agradeceu mentalmente pela boa acolhida, enquanto retribuía o abraço da mulher. “O prazer é meu, Sra. Ro! Se não tivesse vindo nunca iria acreditar que era mesmo a mãe da Biru ali, da primeira vez que ela me viu quis jogar coisas em mim, não abraçar.” Os próximos foram os cunhados e enquanto Daniel parecia estranhamente simpático, apertou-lhe tão forte a mão que Ty soltou uma risada irônica. Nico parecia mais que ganhara uma multa de estacionamento, tão feliz era sua expressão, mas Ty expandiu o sorriso e quando Mort sugeriu que partissem, ele abraçou os dois pelos ombros. “Estava meio nervoso para conhecê-los, mas agora acho que vamos nos dar muito bem, B¹ e B²!” Só que não. Mas preferia manter-se bem humorado e ignorar a animosidade. Soltou os cunhados antes que eles tivessem chance de realmente tentarem o acertar, e se aproximou de Bianca para cochichar. “Você não acha que vão tentar me matar na primeira noite, acha? Pensei que teria tempo para um plano de fuga…” Indagou andando pelo estacionamento.
Prendeu a respiração ao ver Tyler abraçar seus irmãos, sem saber se ele se sentia confortável mesmo ou se estava fazendo aquilo apenas para provocar os dois. Bianca dissera que estava tudo okay, mas ele deveria saber que não estava tão okay assim. Daniel enrijecera, sem saber como reagir, e Nicolas parecia ter levado um soco na barriga ao invés de um abraço amigável. Se Tyler não os soltasse logo... Felizmente, o garoto teve o bom senso de fazê-lo logo em seguida, e só então Bianca conseguiu voltar a respirar normalmente. "Eles estavam prestes a te matar agora mesmo", ela pensou em responder, mas se conteve. - Apenas continue com o bom humor inicial... Mas a uma distância segura. - Aconselhou, caminhando ao seu lado pelo estacionamento. Seu pai colocou as bagagens no porta-malas e abriu as portas do carro, e os quatro jovens tiveram que se espremer no banco traseiro. Bianca tomou o cuidado de sentar entre os irmãos e Ty, só por precaução.
Quando entraram no condomínio, Bianca apontou uma casa antes da sua. - Hellen mora aí. - Informou. Mortimer abriu a porta da garagem com o controle e estacionou o carro. - E aqui estamos. - Rosanne estava especialmente radiante, sorrindo para Ty como se ele fosse uma figura realmente importante visitando sua casa. Era assim mesmo que mães deveriam reagir a primeiros namorados das filhas? Bianca tentou não rir. Eles entraram em casa pela porta da garagem e logo as luzes da cozinha foram acesas. - Filha, por que não mostra a casa para o Ty? Seu pai vai ajudar vocês com as malas e vocês dois - apontou para os filhos - me ajudem a servir o jantar, sim? - Bianca assentiu para a mãe e puxou Ty até a sala, onde encontraram a gata, Missy, dormindo no braço do sofá. - Ei, Mimi. - Bianca foi até ela, acordando-a. A gata abriu os olhos lentamente, espreguiçando-se. - Dê as boas vindas ao Ty. - Acariciou-a a trás da orelha, incentivando o namorado a fazer o mesmo. - Onde está o Dustan? - Dirigiu a pergunta à cozinha. - Sua mãe não te contou? Dustan tomou o seu quarto para ele quando você se foi. - Disse Mortimer, que trazia as malas. - Mas o quê? Meus quadros! - Bianca correu para as escadas, levando Ty consigo. A porta de seu quarto estava aberta, e ela encontrou Dustan brincando com um boneco de borracha no tapete. Seus quadros e o restante de suas coisas, porém, estavam intactas. Ela respirou aliviada. - Achou mesmo que íamos deixar o bolota bagunçar as suas coisas, princesa? - Mortimer riu, colocando a mala da filha no chão do quarto e beijando sua testa em seguida. Os dois mostraram o resto da casa para Ty e o quarto de hóspedes em que ele ficaria, e então desceram para jantar.
Os irmãos já estavam sentados a mesa e Rosanne apenas terminava de distribuir os talheres quando eles entraram na cozinha. - Ah, ótimo, chegaram bem a tempo. - Sorriu, fazendo com que todos se sentassem. - Podem se servir. Comam direitinho os dois, viu? Porque comida de avião não sustenta. E não quero saber de timidez caso queira repetir, ein, Ty? - Tocou o ombro do garoto, sentando-se por último. - Aproveite bem porque ser o alvo dos paparicos da Rose é para poucos, rapaz. - Brincou Mortimer e Bianca sorriu para o namorado. - Garoto sortudo.
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A viagem até Portland não chegara a ser cansativa se considerada a seguinte até o Canadá, com aproximadamente 13 horas de voo e duas conexões. Se estivesse viajando sozinha, Bianca precisaria de um livro ou do caderno de desenhos, mas a companhia de Ty já era mais do que o suficiente para entretê-la. Imaginando que ele estaria ainda mais nervoso por estar prestes a conhecer a sua família do que ela estivera, tentou fugir de qualquer assunto que se relacionasse aos seus irmãos malucos ou possibilidades de ataque de amigas insatisfeitas. Pelo menos tinha certeza de que, ao menos pela parte dos pais, tudo estava okay. Era essa sua única garantia de que aquela viagem não iria pelos canos.
Quando os dois desembarcaram no aeroporto de Quebec, já ao cair da noite, Bianca segurou a mão do namorado. - Acredito que todos eles estejam aqui para nos receber, mamãe, papai, Nico e Danny. Não sei como está se sentindo em relação a isso, mas pode relaxar, ok? O plano é que tudo corra bem. - Tentou soar o mais confiante possível, apertando de leve sua mão antes de soltá-la para pegar as malas. Empurrando-as em um carrinho exatamente como haviam feito em Portland, eles caminharam pelo salão do aeroporto até o local em que os familiares aguardavam os passageiros. - Bianca! - Ela ouviu gritarem o seu nome e virou-se na direção do som, vendo os dois irmãos correndo até ela, com os pais logo atrás. - Nico! Danny! - Sorriu, diminuindo a distância entre eles com passos largos até que estivesse cercada pelos irmãos, que a abraçavam um de cada lado. Não demorou para que os pais os alcançassem também, e logo aquilo se tornara um abraço em família. - Senti tantas saudades de vocês. - Disse, mas não se prolongou muito, sabendo que Ty ainda estava atrás de si. Virou-se para ele e sorriu, puxando-o pela mão até estarem de frente para os quatro Folchart. - Mãe, pai, Nico e Danny, esse é o Tyler. - Apresentou-o, animada. O primeiro a se pronunciar foi seu pai, dando um passo a frente para apertar a mão do garoto. - O famoso Tyler Lynch, finalmente. Seja bem vindo à Quebec, rapaz. - Em seguida sua mãe apressou-se em abraçá-lo. - É um prazer conhecê-lo, querido. - Ela sorriu. Então foi a vez dos irmãos cumprimentarem seu namorado. Daniel foi surpreendentemente gentil, até mesmo sorrindo, apesar de seu aperto de mão ter parecido forte demais aos olhos de Bianca. Já Nicolas não conseguiu disfarçar a careta muito bem, mas foi ignorado por todos. - Bem, aposto que estão cansados e com fome, vamos logo para casa dar um jeito nisso. - Mortimer pegou o carrinho e partiu para o estacionamento, fazendo um gesto para que o seguissem.
I'll go anywhere with you - @Fonch. [finalizado]
Assentiu esperando que ela decidisse falar mais dos amigos da terra gelada. Arqueou um pouco o sobrolho ao ouvir a primeira descrição, se a tal Jessie era parecida com Bianca, existia uma grande chance de ela tentar estapeá-lo logo após se conhecerem. Hellen já parecia alguém com quem teria de ser mais gentil, usualmente ele se dava bem com pessoas tímidas por conta do contraponto que faziam, esperava que esse fosse o caso. “Você joga vôlei?” Indagou um tanto surpreso, nunca tinha pensando na namorada como uma grande esportista, mas agora que parava para pensar, podia visualizar com facilidade ela nesse esporte. “Eu gostaria de ver qualquer dia.” Só tinha dó das adversárias que a enfrentavam quando irritada – Biru tinha uma mão pesada.
“Okay, vou lembrar disso. Deu sorte, o clima do Oregon é bom, então na volta podemos passar no mercado e você terá um monte deles para se empanturrar.” Ty brincou. Não haviam tantas criança ali como de costume, de fato, o local estava bem calmo, provavelmente por conta do horário. No centro havia uma fonte, assim como vários bancos e mais atrás, perto dos canteiros, ficavam as árvores frondosas que abrigavam um tipo de parquinho rústico. Ouviu Bianca resmungar algo e voltou a fitá-la. “O que?” Mas ela já parecia ter se focado em outra coisa, apontando eufórica para um dos balanços. “Você não pode estar falando sério!” Ele conteve uma risada, deixando que ela o arrastasse até o balanço. Era engraçado como Folchart poderia ser incrivelmente emproada as vezes, para em outras agir como uma criança animada – ele gostava disso. “Tome cuidado, se chegar cair vai ficar toda suja e eu serei obrigado a registrar isso.” Brincou, mas mesmo assim atendeu o pedido dela, ficando atrás da garota. “Segure firme.” Puxou o pneu para trás, tentando dar a maior distância possível. “Um, dois…Vai!”
O impulso foi forte o bastante para fazê-la alcançar uma boa altitude e ele ficou fora do caminho para não ser acertado na descida. De vez em quando indo empurrar mais uma vez para manter o balanço. Duke o encontrou, e Ty o manteve por perto, apontando para a garota. “Nossa criança está se divertindo, acha que devíamos trollá-la e deixá-la presa lá?” O cachorro só o olhou impaciente. “Certo, seu chato, vamos pegá-la.” Encaminhou-se até o balanço, se posicionando de modo a pegar o pneu quando ele voltasse. “Opa, calma ai, Biru-Biru.” Deu a volta para ajudá-la a descer. Em vez de pegá-la pela mão, a puxou para um abraço. “Troll ou não, estou feliz por ter vindo.” A beijou por um instante. “Mas vamos antes que reclame que estou sendo gay e alguém ouça.”
*********
Quando retornaram a casa, Sylvia já os esperava com um monte de álbuns e ordens para que ele guardasse a comida que trouxera – sorvete e morango que comprava no mercado da esquina – na cozinha, enquanto ela e Bianca tinha um “papo de nora e sogra”. “Mãe, sem exagerar.” Pediu, recebendo um sorriso divertido em resposta. “Bianca, sente aqui e ignore o baixinho, ele é muito tímido as vezes.” Ty saiu a contragosto, deixando-as conversar. “Aqui quando ele tentou fugir de casa, mas acabou acampando no quintal. Eu dei a ele uma bússola pra ele depois, só pra emergências.” A foto em questão mostrava Tyler com cinco anos, com expressão de quem andara chorando. “Acho que foi assim que ficou obcecado por fazer mapas, ele não gosta de perder o controle das coisas.”
Segurou firme na corda e tirou os pés do chão, sendo impelida para a frente logo em seguida. Bianca riu como qualquer criança teria feito, alcançando uma altura razoável apesar de seu tamanho. O céu azul da tarde parecia puxá-la e então trazê-la de volta para o chão, enquanto folhas da árvore rodopiavam ao seu redor. Definitivamente não precisava ser criança para adorar aquilo. Ty voltava para empurrá-la quando o impulso enfraquecia e ela sorria para ele, até que ele a segurou para descer. - Isso nunca perde a graça. - Riu, esticando os braços para o garoto. - Também estou feliz por estar aqui. - Retribuiu o beijo. - Isso, não precisamos demonstrar toda a sua gayzisse para a sua vizinhança, certo? - Brincou, afastando-se para segurar a sua mão. - Vamos.
De volta ao apartamento, Bianca foi recebida por uma Sylvia pronta para mostrar-lhe fotos de Ty quando menor, rodeada de álbuns que ela deveria ter separado enquanto os dois estiveram fora. Ty foi guardar o sorvete e os morangos que eles haviam comprado na volta na cozinha e Bianca sentou-se no sofá ao lado da sogra, mirando as páginas do álbum que ela segurava aberto em suas mãos. Assim que identificou o namorado aparentando ter uns 5 anos na primeira fotografia, exclamou um típico "awwwwwn". - O quintal foi o máximo que conseguiu alcançar na sua tentativa de fuga, Ty? - Disse em tom alto o suficiente para que o garoto a ouvisse da cozinha e riu, voltando a analisar a foto em seguida. - Mas eu sou prova de que ele se aperfeiçoou bem nisso, sem os mapas dele nós teríamos nos perdido pelo menos umas três vezes no camp. - Contou à Sylvia, esperando que ela virasse a página do álbum para continuar. E assim Bianca passou as horas seguinte: comendo sorvete com morango, vendo as fotos de Ty desde os primeiros meses até os 10 anos e exclamando incontáveis "awwwns", ouvindo as histórias das traquinagens do namorado quando criança e aproveitando para provocá-lo com brincadeiras sempre que possível, afinal, não podia deixar passar oportunidades tão raras de trollagem.
Mal notara que o tempo havia passado até que a luz que entrava pela janela começou a enfraquecer, o céu lá fora escurecendo lentamente com as manchas do por do sol. Afastando gentilmente Duke, que repousava a cabeça em seu joelho, Bianca ofereceu-se para ajudar Sylvia com o jantar. Não sentia mais nenhum receio com relação a sogra aquele ponto, muito pelo contrário, afinal elas haviam se dado muito bem. E não queria ajudá-la apenas por educação, mas porque de fato se sentia a vontade para isso. Não mentira quando dissera mais cedo a Ty que estava feliz por estar ali; ela realmente estava.
I'll go anywhere with you - @Fonch.
“Na verdade o nome dele é David Michael, mas todo mundo já o chamava de Mickey, por causa das orelhas, quando o conheci. Mas normalmente eu o chamo de Jerry.” Continuou a andar, virando em uma esquina que os levaria mais rápido até o parque. “Ei, nada de usar esse tom de ‘mas poderia ser diferente!’, eu não ligaria se fossem amigos.” Disse com um dar de ombros. Okay, talvez ele preferisse que ela estivesse cercada de meninas à garotos, mas não era controlador a ponto de achar que ela não deveria ter nenhum amigo homem. Ele mesmo tinha vários amigos do sexo oposto, seria hipocrisia da sua parte tentar impedir Bianca de fazer o mesmo.
Lançou um olhar a garota após ouvir a pseudo explicação dela sobre suas amizades. “Como você consegue falar e não dizer nada ao mesmo tempo, Dora? Eu perguntei como seus amigos eram e você me deu uma lista de nomes…Está tentando encobrir os atos das suas amigas ativistas extremistas que jogam ovos e papel higiênico na casa dos ex-namorados?” Estava brincando, claro, mas de fato ficara um tanto confuso com o que ela dissera. Sabia que era difícil definir alguém em palavras, porém preferia ter algum tipo de dica para saber o que enfrentaria a seguir. No entanto os contornos verdes das “cercas” do parque já estavam a vista, e Ty não sabia quem estava mais ansioso para alcançar o lugar: Duke ou sua namorada doida por sorvete. “Parque e depois sorvete na…” Lembrou de repente de algo que lhe tinham dito. “Mas espera, sorvete não é seu favorito, fiquei sabendo. Então o que é? Talvez tenha aqui também.” Esperava ter soado apenas curioso, não contrariado por ter se equivocado, afinal era culpa dele que presumira sobre os gostos de Bianca, ela nunca lhe confirmara aquilo. Desviando o olhar da garota, encorajou Duke para que ele fosse brincar com os outros cachorros que já lhe eram conhecidos.
Adentrando o parque foram recebidos pelo mini labirinto de arbustos bem podados que havia ali, eram baixos o bastante para que ele pudesse ver o caminho a frente sem problemas. Era fim de verão então a maior parte das flores havia sumido, deixando só as mais resistentes para trás, entre elas o cultivo mais popular da cidade, as rosas. “Não temos tulipas aqui, mas temos dessas o ano todo.” Apontou para uma rosa amarela que estava a poucos centímetros de um agrupamento de brancas. “Só não tente pegá-las. Os vigias não ligam, mas até as mais bonitas são cheias de espinhos.”
O que, quer uma descrição detalhada deles agora? - Riu. - Jessie é a mais parecida comigo, somos do tipo que completa as frases uma da outra, sabe? Hellen é mais tímida, ela só se solta depois que lhe damos chocolate. Katie e Jonathan são irmãos, eles eram do nosso "time" de vôlei que papai criou para jogar nos amistosos do bairro. Nós ganhamos muitas vezes, mas como não eram competições de verdade, nada de medalhas. - Deu de ombros. Não que se importasse com isso, já que o objetivo dos jogos era apenas se divertir, e isso ela sempre fazia. Resolveu ignorar a última parte da pergunta de Ty ao invés de dizer que suas amigas, principalmente Jessie, provavelmente jogariam ovos e papel higiênico nele caso não o aprovassem. Mas ela não chegava a cogitar essa hipótese, não de verdade. Se Tyler conseguira conquistar Bianca, conseguiria conquistar todas elas com a mesma facilidade. Assim, contanto que elas não acabassem se apaixonando também, estava tudo okay.
Sorvete não é o meu favorito? - Franziu o cenho. - Ah, está falando do meu vício por morangos? Ok, eles realmente conseguem se sobrepor a sorvete para mim, o que não é pouca coisa. - Riu. Eles chegaram ao parque e Duke foi logo ao encontro de seus colegas. Iam de pequenos chihuahuas a grandes labradores como ele próprio, e Bianca de repente sentiu saudades de seu poodle bagunceiro, Dustan. Felizmente, o veria novamente em breve. Os arbustos que ladeavam a trilha do parque eram floridos e tudo ali parecia bem cuidado, sem resquícios de qualquer degradação à natureza, o que consequentemente fazia o ar ser mais puro a medida que avançavam pelo pequeno labirinto. Bianca imediatamente ligou isso ao camp, o que causou um aperto em seu peito. - O verão acabou rápido demais. - Murmurou, percebendo que dissera em voz alta o que deveria ter sido apenas um pensamento. Sem querer parecer triste quando estava passeando com o namorado, Bianca foi logo colocando um sorriso no rosto para disfarçar, e em seguida encontrou algo que realmente a animou.
Ei, Ty, olha! - Apontou para uma árvore numa área sem arbustos com um balanço de corda preso aos galhos. Era igual ao dos filmes, daqueles que pareciam alcançar grandes alturas. Impressionantemente, não havia nenhuma criança brincando ou se quer ao derredor. Seria possível que preferissem passar os últimos dias de férias jogando vídeo-game em casa do que passeando no parque? Ou quem sabe fosse apenas o destino convidando Bianca a um de seus brinquedos favoritos desde a infância. - Vem, vamos lá. - Puxou a mão do namorado, avançando apressadamente até a árvore. Sentou-se no balanço e começou a dar impulso com os pés. - Me ajude, Ty!
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“Duke aqui já é velho e esperto demais para correr atrás de gatos.” Abriu a porta para que seus acompanhantes passassem e saiu do apartamento. O dia estava claro, mas nem de longe tão quente como era normal no verão de Potland, não havia tanta gente na rua ainda, mas mesmo assim ele avistou alguns rostos familiares. Andava distraído, acenando de vez em quando para um ou outro conhecido. Estranhou quando sentiu o aperto da mão de Bianca na sua aumentar conforme andavam e lançou um olhar discreto a ela, pensando se a umidade da cidade não a estava incomodando ou se ela apenas estava inquieta por conta de estar em território desconhecido. “Mesmo você sendo uma criatura maléfica que confraterniza com a minha mãe maligna, ainda assim vou te mostrar onde tem o melhor sorvete da cidade, então pode se acalmar.” Brincou, esperando deixá-la mais confortável.
Duke parou para fuçar a raiz de uma árvore e Ty se concentrava em dissuadir o cão, quando a voz da namorada o chamou. “O que?” Virou-se para enxergar a que ela se referia e foi quando viu uma menina loira acenando para eles. Deixou um riso leve escapar e apressou-se a puxar a namorada e Duke até onde a menina estava. “Julie tampinha!” Soltou Bianca para abraçar a amiga rapidamente. “Pensei que você e Mickey ainda não estivessem aqui…” A garota negou com a cabeça. “Voltamos mais cedo, Oklahoma já estava um gelo!” Tyler estava prestes a perguntar onde seu outro amigo, Mickey, estava quando percebeu seu lapso. “Oops, estou sendo mal educado aqui. Desculpem!” Deu um sorriso de desculpas, voltando-se para olhar para Bianca e gentilmente empurrá-la para frente de si. “Biru, essa é a Julie, neta da Sra. Flemming da padaria, ela e Mickey são os melhores jogadores de Halo da vizinhança. Depois de mim, claro. Julie, essa é Bianca. Pintora, lançadora de celulares, rainha da neve e minha namorada nas horas livres.” Esperou que as garotas se cumprimentassem. “Hey! Prazer em conhecê-la! Pensei que o Tyler voltaria do acampamento com um monte de bugigangas, não uma namorada. Mas acho que ele está evoluindo…” Julie era um tipo animado e falante, vivia há dois quarteirões dali e ela e o namorado faziam companhia a Tyler nos fins de semana. Porém, ela mal começara a falar e parara abruptamente. “Ei, o que foi?” Ela acenou começando a andar de costas. “Esqueci de ir buscar o fermento da vovó, ela vai me matar. Vejo vocês depois!”
Ty não pode deixar de rir. “Como vê, eu só tenho amigos normais. Eu te apresentaria o Mickey, mas temos que correr ou não vai ver o melhor da paisagem.” Voltou a agarrar a mão da garota, começando a andar. “E sabe o que seria legal? Me contar dos seus amigos, você nunca fala deles e começo a achar que são um bando de feministas que vão me bater com cartazes.”
Bianca foi levada para o outro lado da rua em direção a garota que acenara. Ty soltou sua mão para cumprimentá-la devidamente e ele e "Julie tampinha" iniciaram uma conversa que, obviamente, não fazia grande sentindo para Bianca. Estava prestes a pigarrear para chamar a atenção do garoto ou apresentar-se por conta própria quando Ty pareceu se tocar de sua falta de modos. Apesar de achar que ele poderia ter omitido a parte do "lançadora de celulares", sorriu para a garota ao estender a mão para cumprimentá-la. - Prazer, Julie. - Mas mal teve tempo de começar uma conversa com ela, ou se quer concordar com a "evolução" de Ty, e a garota já se afastava. Riu. - Então corra lá. Até mais, Julie! - Acenou, observando-a correr para longe.
O nome dele é mesmo Mickey, ou esse é só mais um dos seus apelidos criativos? - Perguntou, voltando a ser guiada por Ty. - Porque a única imagem que me vem a cabeça é do Mickey Mouse. - Tentou imaginar qualquer semelhança que o amigo do garoto poderia ter com o rato da Disney para acabar apelidado de Mickey, ou quão fãs seus pais deveriam ser do desenho animado no outro caso. - Meus amigos? Ah, não se preocupe, não são todos tão doidos assim por lá. - Riu. - Mas é verdade que tenho mais amigas, como você já deve ter presumido. - Conteve um suspiro. Seus irmãos sempre haviam sido insuportáveis com aquele assunto, dizendo que ela não precisava de nenhum amigo além deles dois, os primos, e um ou outro que acabavam aprovando. Felizmente, agora tudo seria diferente. - Minha melhor amiga é a Jessie, desde os 11 anos. Com certeza te apresentarei a ela. Tem também a Hellen, minha vizinha. A Katie e o Jonathan... Mas não tenho muito o que dizer sobre eles, você irá conhecê-los. - Deu de ombros. Eles caminharam mais uma quadra até que Bianca pudesse ver um espaço verde mais a frente. Ty dissera que era um jardim bom para se passear com Duke e também algo sobre uma paisagem bonita, mas o que grudara mesmo em sua cabeça fora a menção ao lugar com o melhor sorvete da cidade. - So... Vai ser parque primeiro e depois sorvete ou...?
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“Uma aposta?!” Sylvia parece prestes a cair na risada, o que seria ainda mais embaraçoso. “Em minha defesa digo que ela já estava muito a fim de mim nessa época. Só quis dar um incentivo. E não ir de boné foi ideia da Eca.” Argumentou mesmo sabendo que elas mal lhe prestavam atenção. Sua mãe ainda parecia estar achando tudo muito divertido e Bianca parecera esquecer da timidez anterior em favor de tirar uma com a cara dele. Bem, pelo menos elas estavam se dando bem. “Pelo menos assim ele conseguiu te convencer antes de ficar careca. Me lembre de agradecer a Belle por isso depois. Me poupou muito tempo o conseguindo encontros as escuras.” Aparentemente sua mãe também tinha ouvidos seletivos agora. O pior era que ele não duvidava que ela estivesse falando sério sobre os encontros. Abaixou a cabeça para evitar o olhar da namorada antes que ela pudesse fazer algum comentário engraçadinho. “Na verdade, é bem comum entre os judeus essas coisas, mas eu estava esperando Tyr aprontar de novo para usar isso como castigo. Brianna O’Malley está solteira…” Foi assim que ela começou a contar sobre uma das dezenas de garotas que conhecia, aproveitando para salientar quando Brianna tinha jogado uma bandeja com bolinhos nele no meio de uma festa quando ambos tinham oito anos, e desde então a garota e ele nunca tinha se dado bem.
Quando o almoço acabou, Sylvia já tinha o embaraçado o bastante para suas orelhas estarem vermelhas de rubor. “Mãe, que tal guardar um pouco para mais tarde?” A mulher deu de ombros, lançando um olhar divertido com Bianca. “Ele não fica uma fofura quando está vermelho? Vamos deixá-lo em paz um pouco antes que ele reclame que o estou envergonhando demais.” Ela piscou para o filho. “Agora levem o Duke para uma volta enquanto eu arrumo tudo, mais tarde os deixo lavar os pratos mostro as fotos de bebê do baixinho.” Decidido isso, ela praticamente os enxotou da cozinha.
“Contente agora que mamãe me desmoralizou e sabe que não tem que ter ciúmes de ninguém nessa cidade?” Podia ter menciona que apesar de Brianna ter jogado bolinhos nele, ela tinha tentado o agarrar atrás das arquibancadas ano passado, mas era preferível uma namorada troll bem humorada do que uma ciumenta irritada. “Agora vamos, a umas seis quadras daqui há um jardim onde não ligam de passearmos com crianças.” Apontou para Duke.
Bianca estava mesmo achando tudo aquilo muito engraçado, mas se conteve ao perceber que já rira demais. Ty deveria estar com vontade de se esconder debaixo da mesa àquele ponto, pois só com o canto dos olhos ela já podia ver suas bochechas vermelhas. Ouvir Sylvia comentar sobre possíveis encontros as escuras para o filho também a fez pensar em seus pais, cada vez mais preocupados por ela nunca ter arranjado um namorado - até agora. Eles muito provavelmente teriam pensado em marcar encontros para ela também, apesar de não as escuras, para ver se finalmente desencalhava. Reservou alguns segundos do almoço para orar pedindo que os pais não inventassem de agradecer a Tyler por tê-la salvo de ficar para titia, ou já podia ver suas bochechas queimando tanto quanto as do garoto queimavam agora.
Terminou de almoçar e agradeceu a Sra. Lynch pela comida, que estivera realmente muito boa. - Ele fica mesmo uma fofura. - Concordou, sorrindo para Ty e levantando-se em seguida. Saiu da cozinha bastante animada não só por poder passear um pouco lá fora, como também com o fato de que veria fotos do namorado bebê quando voltasse, o que sem dúvida renderia uma nova sessão risadas e fofura. Ela estava adorando aquela viagem. - Ah, qual é, ela não te desmoralizou... Tanto assim. - Riu, mas estava mesmo contente por saber que não precisava ter ciúmes de ninguém ali, até porque não era um sentimento fácil de lidar. - Okay. Ei, Duke, vem cá, garoto. - Bateu nas pernas para chamar o cachorro e passou a mão em sua cabeça quando ele se aproximou. - Vai colocar uma coleira nele ou ele é um menino comportado que não precisa dessas coisas? - Perguntou, esperando Ty responder antes de levar Duke consigo para fora do apartamento.
O bairro de Ty era bastante tranquilo, assim como o seu em Quebec, o que a fazia se sentir mais a vontade, quase como se todas aquelas árvores ou as pequenas lojas lhe fossem de fato familiares. Ou talvez fosse apenas a presença de Ty ao seu lado e Duke se divertindo entre eles que a tranquilizava. Foi só quando outras pessoas começaram a cruzar com eles na calçada que Bianca começou a ficar um pouco inquieta, apertando a mão do garoto. Sabia que muitos ali deveriam conhecê-lo e se perguntava o que pensariam quando o vissem de mãos dadas com uma completa estranha. Provavelmente teria de passar por um novo processo de "agrade os conhecidos do Ty". Não que fosse um grande problema. A não ser, é claro, que muitas meninas começassem a surgir e... Mal pode concluir o pensamento, do outro lado da rua, uma garota pareceu reconhecer Ty, parando de andar e acenando para ele. - Ahn... - Bianca chamou a atenção do namorado distraído puxando levemente sua mão. - Acho que tem alguém te chamando ali.
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“Se olhar bem, vai ver que a maioria não tem muito valor. Aquela ali consegui por ficar tipo em segundo lugar em uma olimpíada de matemática da quarta série. Acho que recebi por pena.” Riu baixo, apontando a medalha pequena envolvida em uma fita azul. Certo que a maioria dos troféus era por causa do baseball, mas ele não julgava algo assim tão especial, afinal muitos deles tinham sido ganhados pelo time todo, não só ele. “Nah, nem todo mundo pode ser super talentoso e ter uma mãe que guarda tudo, como eu. Mas estou surpreso por não ter nenhum troféu por lançamento de celular, no Canada eles não tem premiações assim ainda?” Brincou, voltando a erguer-se para andar pelo quarto. “Para ser honesto, esperava que você tivesse uma parede cheia de fitas medalhas de honra, coisas de filha de Atena e tal.”
Sentou ao lado dela e maneou a cabeça negativamente. “No way. O escritório é ótimo, tem um sofá-cama e fica perto da cozinha. Além do mais vou poder dormir aqui o resto do ano.” Deu de ombros, fitando a garota de lado. “Mas se ficar com medo dos fantasmas no meio da noite, eu deixo você dormir no pé do meu sofá-cama. Sabe, ela mentiu, nem que a casa caísse ela acordaria, mamãe dorme como um morto.” Bateu de leve seu ombro contra o da garota, piscando para ela de forma brincalhona antes de levantar-se, puxando consigo. “Outra coisa, ela sempre esquece de avisar.” Guiou a garota até a cozinha, espiando a mãe que terminava de arrumar a mesa cantarolando completamente errado uma música. “Hey, Paris Hilton, precisa de uma mão ai?” A mãe nem pestanejou diante da brincadeira, só os mandou lavar as mãos e se sentarem para comer. Logo a comida estava servida e Sylvia olhava de Tyler para Bianca com uma expressão divertida. “Então, por que não me conta como se conheceram, Biru?”Ty quase riu ao ouvir o apelido, mas fingiu concentrar-se na comida. “Admito que fico curiosa sobre como o Tyr conseguiu isso. No primário ele era tão desajeitado que as meninas corriam dele. Por um tempo pensei que morreria sem netos.” Disso não riu, na verdade quase engasgou com a comida. “Ei, eu tinha dez anos e garotas eram nojentas!” Protestou e a mãe o ignorou, se focando em Bianca. “Me diga, ele não foi com aquele boné velho para o primeiro encontro, foi? Eu já o avisei que isso o deixará careca mais cedo.”
Riu. - Não, infelizmente isso ainda não é modalidade olímpica por lá. E eu tenho alguns certificados para comprovar minha inteligência, mas na minha parede você só verá quadros e desenhos. - Deu de ombros, imaginando que seu quarto não seria nada surpreendente para Ty quado ele chegasse lá. A não ser que encontrasse sua coleção secreta de chaveiros de pokebolas, a qual fez uma nota mental para lembrar de esconder melhor. - Tem certeza? Então tudo bem, aproveitarei sua colcha do Superman. - Sorriu. - Ahn, acho que terei que lutar contra os fantasmas sozinha. Prefiro não arriscar. - Disse, apesar de saber que ele estava brincando, ainda sentia-se envergonhada pela insinuação da Sra. Lynch.
Levantou-se com ele e o acompanhou até a cozinha, rindo baixo da cantoria de Sylvia, e sentou-se a mesa após lavar as mãos. Bianca serviu-se e começou a comer com Ty, mas a mãe do garoto parecia mais interessada em observar os dois do que em almoçar. Estava com o garfo a meio caminho da boca quando Sylvia a chamou e Biru, o que a fez abaixá-lo novamente para rir. Não conseguia acreditar que o apelido chegara até sua sogra. Ergueu as sobrancelhas ao ouvir a descrição de Ty no primário e lançou-lhe um olhar divertido, ainda rindo. Aparentemente Sylvia era o tipo de mãe que adorava expor os aspectos e momentos mais hilários da vida do filho sem se importar com quanto aquilo o constrangeria. Bianca não conseguiu resistir a acompanhá-la. - Bem, quando eu o conheci ele me levou para comer lasanha, então teria sido um bom começo... Mas terminou com eu quase jogando o prato em sua cabeça. Está claro que a fase do primário não passou completamente e ele ainda causa más primeiras impressões nas garotas. - Encenou um suspiro desapontado e balançou a cabeça. - O truque que ele usou para me fazer aceitar um encontro foi uma aposta de beisebol, acredita? Mas ele não apareceu por lá com o boné, deve ter seguido seus conselhos, Sra. Lynch. - Sorriu para ela, apenas esperando pela reação de Ty e pelo que mais Sylvia acrescentaria de engraçado à conversa.
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Chegando ao carro, guardou a bagagem rapidamente e virou-se para a mãe, estendendo a mão. “Deixe comigo, faz tempo que não dirijo. As senhoras podem bater papo o resto do caminho.” Sylvia só lhe lançou um olhar zombeteiro, dirigindo-se a porta do motorista. “Eu dirijo, Tyr. Você faz companhia a sua canadense no banco de trás.” Ele abriu a boca para protestar, mas Bianca já entrara no carro e sua mãe já ligara o motor do mesmo. Emburrado, entrou no carro e logo estavam em movimento. “Quieta, Dora, eu sou mais alto que você. Mais alto que as duas!” disse a ultima parte alto o bastante para mãe o ouvir, mas ela apenas retrucou com um “sempre será um baixinho para mim!” que ele preferiu ignorar, voltando sua atenção para a namorada. “Não é nada espetacular. Tirando Duke que é uma relíquia ambulante, o resto é bem simples.” Deu de ombros. Provavelmente a casa dela no Canada era muito mais imponente que o apartamento dele. “Por que? Está pretendendo fuçar minhas coisas?” Arqueou as sobrancelhas de modo indagador, escondendo uma risada. Não sabia bem o que ela esperava ver lá, mas duvidava que fosse o que ela acharia.
O veículo estacionou na garagem do prédio e eles seguiram de elevador até o terceiro andar, onde Sylvia os guiou até o apartamento, abrindo a porta. “Bem, como imagino que o Baixinho te obrigue a comer lasanha todo dia junto com ele, decidi fazer algo diferente. Espero que gosto de carne assada.” A mulher avisou, enquanto avançavam pelo lugar e ela indicava a cozinha com um gesto. Duke veio cumprimentá-los e Ty abaixou-se para afagar o cão. “Sentiu minha falta, cara? Essa é a Biru-Biru, de brincar, não de morder.” Incentivou a menina a fazer carinho no cachorro também. “Bianca, você fica no quarto do Tyr e os meninos ficam no escritório.” A mãe continuou com as instruções. “Assim eu posso ouvir se tentarem fugir para a cama errada no meio da noite.” Ela piscou para Bianca e Ty olhou feio para a senhora que parecia prestes a rir. “Agora vá mostrar a ela o quarto. Já os chamo para comer.” Ele balançou a cabeça negativamente para a mulher, mas tomou Bianca pela mão, guiando-a até o quarto. “Bem vinda a suíte real. Por favor, não tocar na coleção, é muito rara.” Apontou a estante cheia de gibis. Haviam livros também, mas em menor quantidade. Seus troféus e medalhas eram expostos aqui e ali. Havia uma escrivaninha e cadeira ao canto. A cama de solteiro estava bem arrumada com uma colcha velha com o brasão do Superman – obrigado por isso também, mamãe. “Decepcionada?”
Estou ansiosa mesmo assim. - Afirmou, sorrindo. Já sabia que a casa de Ty era simples, mas tinha certeza de que era acolhedora. Com dois moradores como aqueles, era impossível que fosse de outra forma. - Ah, descobriu os meus planos! - Fingiu estar desapontada, mas logo piscou para ele. - Eu vou mesmo fuçar em tudo, prepare-se. Mas não farei bagunça, Sra. Lynch, não se preocupe. - Dirigiu-se a mulher no volante em seguida, sorrindo para ela pelo espelho retrovisor.
Bianca entrou no apartamento, olhando ao redor. - Está ótimo assim, Sra. Lynch, obrigada. - Observou-a ir até a cozinha e depois virou-se ao ouvir passos rápidos do labrador que se aproximava. Ty se ajoelhou para cumprimentar o cachorro e Bianca riu. Nunca tivera medo de cachorros, mas sentiu-se mais encorajada a afagar o animal também depois que Ty instruiu-o a não mordê-la. Abaixou-se ao lado do namorado e tocou o focinho do labrador, lendo seu nome gravado no pingente da coleira azul. - Oi, Duke. Prazer em conhecê-lo. - Fez carinho em suas costas largas e sorriu para Ty em seguida. Virou-se para Sylvia que voltara a falar e congelou na posição em que estava por alguns segundos. - Ahn... Okay. - Disse baixo, constrangida, e levantou-se devagar, segurando a mão do garoto. Eles foram até o quarto e apenas depois de dar uma boa olhada no local foi que Bianca voltou a relaxar e sorrir. - Mas o quê? De forma alguma. - Soltou sua mão e começou a andar pelo local, tocando quase tudo que chamava a sua atenção, sem conseguir conter-se em apenas observar. - Olha só quantos troféus e medalhas... - Comentou, impressionada. Sabia que o namorado jogara no time de beisebol do colégio e sabia que ele era bom, mas não que participara de tantas competições e vencera. - Se eu te contar que a única medalha que ganhei na vida foi por jogar xadrez, vai me achar muito nerd? - Lançou um breve olhar para ele e riu, voltando a fuçar em suas coisas. - E é aqui que eu vou dormir, então. - Sentou-se na cama e alisou a colcha do Superman. - Sabe, eu poderia dormir na sala sem problemas, não precisa sair da sua magnifica suíte real por minha causa. Até porque deve estar com saudades de dormir aqui.
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Apesar de não ter demonstrado durante a viagem - ou pelo menos ela esperava não ter deixado transparecer -, sentia-se um pouco nervosa por estar prestes a conhecer a mãe do namorado. Já ouvira o bastante sobre Sylvia para saber que não havia realmente com o que se preocupar - nem de longe a inquietação que Ty provável e infelizmente deveria sentir com relação a sua família canadense -, mas apesar de já estar acostumada a ser apresentada e ter de agradar os conhecidos do garoto, aquela era uma situação singular pela qual jamais havia passado antes. Só esperava que desse tudo certo.
Suas bagagens estavam em um carrinho que impressionantemente não era difícil de empurrar. Ela e Ty caminharam em direção ao salão do aeroporto em meio a todos os outros passageiros que haviam desembarcado junto deles, e Bianca vasculhou o local com o olhar em busca da mãe do garoto. Assim que a encontrou, um sorriso largo se abriu em seu rosto. A reconhecera mais porque ela realmente lembrava Ty do que por qualquer recordação que tivesse de fotografias. E, é claro, havia a placa de "Baixinho, mamãe está aqui!" para colaborar com a identificação. Bianca lançou um rápido olhar a Ty só para constatar a careta em seu rosto e riu baixo, apressando o paço até sua mãe. Seu leve receio quanto aquele encontro pareceu subitamente desaparecer quando Sylvia sorriu, observou-os e a abraçou em seguida, elogiando seus olhos. - Obrigada, Sra. Lynch. - Ela riu, retribuindo o abraço. - É um prazer finalmente conhecê-la. Ah, e eu adorei a plaquinha. - Sorriu. Bianca não tinha certeza se fora a intenção de Sylvia deixar o filho constrangido ou não, mas só de imaginar que poderia ver as bochechas do namorado corando novamente na presença da mãe, agradecia mentalmente por ter aceitado fazer aquela viagem. Não por maldade, mas porque realmente achara fofo quando conseguira deixá-lo sem graça com o episódio do desenho guardado em sua carteira.
Sylvia levou-os até o estacionamento de uma forma que a fez lembrar Ty atuando como guia no camp. Eles eram mesmo muito parecidos. As bagagens foram ajeitadas no porta-malas do carro e Bianca acomodou-se no banco traseiro, observando a breve tentativa do namorado de ser o motorista da vez, que não durou muito mais do que alguns segundos até que Sylvia o mandasse sentar no banco de trás com a garota. - Deixe a mamãe dirigir, baixinho. - Disse a ele quando as portas foram fechadas, sorrindo. - Mal posso esperar para conhecer a sua casa.
Cheguei! [flashback]
Estou sim - faz cara de brava, mas sorri e retribui quando ela a abraça - Você sumiu.
Eu sei, deveria ter aparecido mais nos últimos dias do camp, agora me arrependo. - Suspira. - Mas pelo menos vou poder me despedir do pessoal aqui.
Cheguei! [flashback]
Acha que só Clary sente sua falta, é, Folchart?
Actually estou com medo porque eu supostamente deveria ajudá-la a organizar tudo e acabei chegando mais tarde que todo mundo... Está dizendo que sente a minha falta, Belle? Awn, venha cá. - Abraça a garota.
Cheguei! [flashback]
Sinto muito, Biru, vou ter que mandar meus cupcakes atrás de você.
Ah não, Belle! Pensei que poderia contar com você para me ajudar a me esconder da Clary. - Brinca.
Cheguei! [flashback]
Só espero não receber ameaças de morte pelo atraso.
Estamos quase chegando...
Lembra que eu disse que o Tyler tem um péssimo senso de humor? Está aí a prova. - Disse, dando um leve soco no braço do amigo. Quando terminou de comer, Grant levantou-se e levou o prato até a pia, fazendo o mesmo logo depois com os pratos de Bianca e Tyler. - Tudo bem, crianças. Nós entendemos. - Amanda e Christopher levantaram-se para cumprimentar os dois novamente e sorriram. - O prazer é todo nosso e podem aparecer por aqui quando quiserem. - Grant foi para o lado dos amigos e sorriu para eles. - É melhor irmos, Clary vai realmente nos matar se não aparecermos por lá. Vão de carro comigo ou preferem chamar um táxi?
Ei, não é péssimo, você que não o compreende. - deu de ombros, levantando-se para passar o prato a Grant. - Sim, sinto muito não podermos ficar, mas hoje vai ser corrido. Obrigado novamente, estava tudo perfeito. Foi um prazer conhecê-los. Se um dia forem a Portland, adoraria que me visitassem. Você e minha mãe poderiam trocar receitas e contar histórias embaraçosas minhas e do Grant, seria ótimo. - sorriu, estendendo a mão para cumprimentar seus “sogros” novamente. - Vamos nos arriscar a andar com você, afinal vamos para o mesmo lado.
- Levantou-se para se despedir dos pais de Grant. - Gentileza de vocês. Se um dia quiserem visitar o Canadá, também serão muito bem vindos na minha casa. - Sorriu. - Isso tudo é medo de nos assustar no volante, G? - Brincou. - Vamos com você, sim. Até mais, Sr. e Sra. Fildgan, obrigada novamente por tudo.