ϟ Irritert
Então de acordo com as palavras dele, a tal pessoa era do sexo masculino e alguém que havia marcado tanto a vida de Freyr a um ponto que ele não poderia esquecê-lo. Que interessante… Ela gostara de conhecê-lo. Porém talvez nunca conseguisse encontrá-lo, onde quer que esteja, assim desistira logo. Mal sabia Irina que ele já estava morto faz alguns meses, além de ter sido um demônio também.
Perguntou-se como ele deveria estar se sentindo agora. Ainda parecia triste, por isso a garota continuara preocupada, apesar de o desespero estar passando aos poucos. Ainda não sabia exatamente o que fazer, mas… Esperava que tudo desse certo. Mesmo que Freyr não acreditasse que seu azar poderia melhorar. Mesmo que estivesse sem esperanças. Se por acaso no passado havia perdido as esperanças de ter sorte, então agora a loira teria esperanças por ele. Se o mundo ainda insistisse em ferrar sua vida, então Irina iria consertar a vida dele. Era isso que amigos faziam uns pelos outros? Mesmo que não fosse, não importava. Só iria fazer e pronto.
Conforme os pensamentos passavam por sua cabeça, inconscientemente acabara entrelaçando os dedos nos dele. Bem, Freyr não parecia ligar, então estava tudo bem em fazer aquilo. A loira achava aquele um, toque extremamente íntimo por alguma razão, e nunca o fizera com ninguém. Nem com Reo. Nunca deixara o irmão fazer isso. Mas agora, fazê-lo lhe dava segurança. Não interessa se é um toque íntimo ou não, desde que sinta mais segurança.
Ela queria salvá-lo. Queria cuidar dele. E não somente queria, como era o seu dever fazer isso. Quem se importa com ela ser somente uma menina de 13-14 anos baixinha e ele um cara alto e grande? Ninguém. E mesmo que alguém se importe, não é da conta dele, pois o assunto é somente dos dois. Se Freyr não queria isso, Irina também não se importava.Quer ele ou não, iria fazer o que quisesse. Era sua responsável, afinal.
Limitou-se a escutá-lo, sem dizer nada. Até demorara um pouco para processar suas palavras, e finalmente perceber que ele havia aceitado a sua segunda opção e escutado o que havia falado… Realmente havia aceitado a opção dela e iria vencer esse cara que tanto o atormentava. Sentiu seu rosto esquentar e acabara sorrindo, realmente feliz com isso. Não podia nem expressar direito em palavras, apenas estava contente por ele ter decidido assim.
— Sim, tem que mostrar para ele. E… E… E eu vou te ajudar, mesmo que você não queira a minha ajuda. Eu quero fazer isso, e também quero que você consiga! Não pode deixar o azar te vencer. — Ela parou de falar e fungou, encarando o lençol da cama. — Eu estava preocupada. Eu não quero que o Freyr fique triste e se renda por causa disso. Não quero vê-lo conformado com isso, porque você é importante pra mim, então…
Ela estava sendo muito legal com ele. Mais que isso até. Ela estava sendo gentil e ele estava se sentindo até um pouco confortado com a gentileza dela. As mãos dele tinham ficado estranhamente frias depois do "incidente" e era um pouco confortável segurar a mão dela, que estava tão quente contra a dele. O toque não era ruim e, de alguma forma, ajudava a clarear um pouco sua mente depois de todas aquelas sensações dolorosas.
Então, é claro, Freyr não devia acostumar-se com aquilo. Até então todos os que tinham lhe mostrado bondade tinham ido embora. Ou algo pior que isso. Bem pior, no caso de alguns... Ele sabia que o azar não ia deixar barato o fato de ele ter uma amiga. O azar não afetava apenas ele mesmo e, mesmo que fosse o caso, não era corajoso ou altruísta a ponto de dizer que não se importaria se fosse. Porque ele se importava. Por mais que não quisesse admitir, ele já estava mais do que cansado de ser repetidamente uma fonte de infortúnio para tudo ao seu redor. Diziam que ele era um demônio agora, mas não podia evitar ser tão... Humano, ao mesmo tempo.
Irina iria embora em algum momento de alguma forma que ele não queria imaginar. O azar tinha sido pior nos últimos meses como nunca antes. Ele queria pensar que não ia acontecer algo tão horrível como o que acontecera naquela noite outra vez, mas quem podia garantir, no fim das contas? No fundo, ele não era uma má pessoa. Nunca gostara de retribuir atraindo má sorte para as pessoas que se aproximavam dele.
-- Ser uma exorcista parece bem complicado, huh...? -- murmurou. Ele sabia, é claro, que não era esse o motivo. Irina tendia a dizer a verdade até mais do que deveria e ele sabia, apesar do pouco tempo que havia passado junto dela, que ela realmente o considerava seu amigo. Ela iria querer ajudá-lo, mesmo que ele não fosse seu demônio. Mas ele não gostava quando o clima ficava tão pesado a ponto de ele mesmo, insensível como era, sentir. Então ele tentou aliviar um pouco: -- Então eu ainda tenho um instinto assassino. Eu não durmo há cerca de seis semanas, acho que meu mau humor é justificável.
Inconscientemente, ele apertou um pouco a mão dela. O aperto foi tão leve que talvez ela nem tenha sentido. Ele só não queria soltar. Mas suspirou e o fez. Só que antes sentiu também que devia ao menos mostrar a ela que estava levando-a a sério. Ele a olhou nos olhos.
-- Bom, você é meu rei ou coisa parecida, então acho que vou seguir seus conselhos. Eu só não prometo nada. -- Não podia prometer, é claro. Ele não acreditava que fosse conseguir qualquer coisa naquilo tudo. Mas podia tentar. Se ele tentasse, talvez o esforço fosse o suficiente para que o azar não fosse tão grave assim.















