Não, eu não posso te amar.
E não tem nada a ver com você.
Eu adoraria, juro.
Adoraria um amor imperfeito,
feito de silêncios curtos e reconciliações longas.
Adoraria os pequenos dramas,
as brigas bobas que terminam com um riso cansado e um abraço apertado.
Viraria meu mundo de cabeça pra baixo pra caber no teu.
Rasgaria as paredes do meu caos pra te abrigar.
Adoraria te amar.
E mais ainda, ser amada por você.
Mas não posso.
Desculpa.
Tem partes de mim que faltam.
Outras, foram quebradas — e não têm conserto.
Não importa o quanto você insista que quer tentar,
que não se importa com os estilhaços,
que sabe amar com cuidado.
Não posso correr o risco de quebrar o que já está rachado.
Não posso permitir que o pouco que me resta
seja o que destrói o que ainda há em você.
Não vou carregar essa culpa.
Por mais que eu te queira.
Por mais que você me queira.
Então a gente segue,
nessa dança muda e desajeitada,
fingindo que não sentimos,
que o que há entre nós não pulsa,
fingindo que o amor é só um detalhe —
mas não nosso.
E seguimos, até o dia em que um de nós
canse de fingir
e vá embora sem olhar pra trás.
No mais,
eu só espero que você encontre alguém
que te ame com todos os teus defeitos,
com todas as tuas doçuras tortas.
Alguém que não seja tão covarde quanto eu.
Alguém que te ame
como eu poderia amar —
se não tivesse tanto medo de tentar.

















