Me lembro de quando nos conhecemos, e de como tudo era muito especial, e eu gostava de estar contigo e parecia que você sentia o mesmo por mim. No nosso primeiro encontro tinha gostado muito do seu sorriso, mas ainda mais de saber que você também reparava as músicas que as outras pessoas escutavam e foi legal quando você ficou batendo seus pés no mesmo ritmo que o meu. Não tinha sido nada surpreendente, mas como eu nunca gostei de coisas grandiosas, aquilo era o necessário pra desenvolvermos algo que seria especial, e  sério, foi especial.
No nosso segundo encontro você tinha cabulado aula e fomos bem cedo pro centro, e óbvio que o metrô estava extremamente lotado, mas por consequência disso ficamos tão grudados que em um ouvido escutava seus batimentos e no outro ouvia alguma das músicas do seu celular ( era Caetano), e mais uma vez foi especial.
Desse dia em diante tivemos alguns -muitos- encontros especiais e eu estava começando a sentir coisas que ate então eu não tinha sentido, mas me contive muito pra dizer, ja que você sempre foi mais reservado e eu não queria te assustar.
Mas ao passar dos dias, foram muitos os abraços e os beijos, até que os nossos corpos se encontraram, e naquele momento eu sentia que estava no lugar certo, com a pessoa certa e nada de ruim poderia acontecer. Eu realmente gostava das coisas quando estava contigo. Gostava de estar no seu quarto quando estávamos vendo desenho- ou pelo menos tentando-, gostava de dormir na sua cama enquanto você trabalhava, gostava de sair contigo no frio, gostava de te ver tocando violão ou falando sobre música, que aliás, você sabia muita coisa, mas foi uma pena que você não soube gostar de tantas coisas em mim.
Nunca senti que te amava, na verdade eu tinha certeza que não era amor. Éramos jovens demais pra sentir isso, mas cara, era mesmo bastante carinho e afeto. Era tanto sentimento bom que até hoje eu não entendo como as coisas acabaram desse jeito ou o que eu fizemos pra mudarmos nosso jeito um com o outro.
Foram reclamações, foram respostas secas, arrogância e um descaso que me fizeram querer terminar tudo. Terminar todo aquele sofrimento que era estar com alguém que nao parecia feliz, e para a minha surpresa, você chorou. Chorou igualzinho a mim quando lembrava de nós, mas aquilo não me fez ficar bem, pelo contrário, eu me senti o pior ser humano por causar algo ruim em alguém que eu gostava tanto, e por saudade ou comodismo voltamos. Mas por falta de paixão, terminamos. Tentamos ser amigos, mas nem para isso erámos bons. Você mais uma vez era muito pro pouco que até então julgava que eu era.
Poderia ter sido melhor, mais bonito e menos doloroso, mas parecia que você sabia exatamente como me depreciar, e era bizarro, pois parecia que gostava disso. Poderia ter dado certo, mas como você mesmo disse, eu não era bonita, era arrumada. Você gostava de mim, mas queria viver a vida. Você estava só comigo, mas na sua viagem -mental e real- se caso aparecesse alguém, você não poderia dizer não. Você se importava comigo, mas nunca quis me ajudar. Você não queria me ver triste, mas me entristecia. Você gostava de mim, mas na verdade gostava de ter alguém gostando de ti. Nunca mais nós dois, nunca mais você, nunca mais isso tudo. Pode ir embora.