There's no room for mistakes | Evangeline + Valentina
Eve ouviu a resposta da mulher, mas desta vez não retrucou. Seus olhos claros focalizaram os escuros de Valentina por alguns breves segundos enquanto a mais nova pensava por que a professora estava sendo tão compreensiva e boazinha assim. Evangeline tem uma enorme dificuldade em aceitar que algumas pessoas simplesmente são bondosas e ponto final. Para ela, há sempre uma segunda intenção egoísta que está por trás da bondade.
"Isso não é motivo para se desculpar, querida. Sei que esse tipo de coisa dói muito." Disse a professora Bennet.
É, dói como o diabo. Pensou a aluna respirando fundo para recuperar seu equilíbrio psicológico. Neste momento, Valentina se inclinava para ela e dizia que iriam cuidar disso para fazer a dor ir embora. — Claro. Pior do que isso aqui não pode ficar, de qualquer forma. Eve sibila e volta a olhar para a professora, tirando o foco visual do chão, onde antes estava.
Evangeline estava consciente de sua respiração enquanto a professora cuidava de sua ferida. Seus olhos azuis estavam um pouco arregalados, atentos a tudo que a bela Valentina fazia. As mãos dela eram tão delicadas e femininas. Teria a professora algum namorado ou noivo? Talvez. Talvez ela seja daquelas que vão para Hogsmead encontrar-se com seu amor. Amor. Esta é uma estúpida, sem dúvidas. Enquanto Valentina abria o remédio, Evangeline ousou conferir com o olhar a região abaixo do pescoço dela, onde parte sutil dos seios estava exposta. Não era muito, mas com o vislumbre que teve a jovem já pode concluir que sim, ela deve ter um namorado. Por que uma mulher como Valentina - bela, doce e tão atraente - seria solteira?
O alívio para a dor veio praticamente instantaneamente após a aplicação da poção. Evangeline ficou se perguntando que poção era aquela, sua mente queria descobrir sem precisar perguntar à professora, mas a pergunta de Valentina chegou aos seus ouvidos e a distraiu de sua tarefa. — Eu mesma posso fazer, claro. Não é difícil. Apesar do orgulho expresso naquela recusa, Eve tinha um tom de voz leve. Ela recolheu sua mão devagar, trazendo-a para junto de seu próprio corpo. — A senhorita me libera, por favor? Prefiro ter privacidade. Não querendo soar tão rude, completou: — E também preciso trocar minhas vestes. O argumento de Eve era plausível, uma vez que suas roupas estavam respingadas de sangue.
Valentina quase ri com as palavras da menina. Esta tinha razão, com um corte feio como aquele, não tinha como ficar pior. A sorte de Evangeline é que, apesar do corte ter feito um estrago, não fora fundo o bastante para ser sério, de forma que a própria professora podia cuidar dele. Se o cenário fosse outro e se fosse até mesmo outro aluno, Valentina provavelmente não teria o mesmo comportamento que teve. Só vira o que aconteceu, isto é, a jovem entrando no armário, porque ela lhe atraiu o olhar. Pessoas bonitas sempre atraiam o olhar da mulher.
- Como quiser, senhorita Grimes. – a mulher diz no mesmo tom leve dela. Valentina via o orgulho no olhar da jovem e sabia que já havia feito muito, que Evangeline lhe permitira fazer muito. E ela não estava sendo tão fria como antes, tivera mais tato dessa vez, o que agradava a professora. Erguendo-se da cadeira que estivera sentada e limpando a mão na regata preta que usava, a qual já iria ser lavada mesmo, Valentina questiona: – Com quem a senhorita teria aula agora? – após uma resposta, ela prossegue: – Ok. Irei conversar com seu professor e explicarei que a senhorita teve que se ausentar da aula ao meu pedido. Dessa forma você não terá nenhuma complicação. – um sorriso prestativo surge nos lábios nos lábios da mulher. – Vamos. Eu te acompanho até a porta.
E é isso que a professora Bennet faz. Acompanha a garota até a porta e, após pedir de forma professoral que ela não ficasse circulando pelos corredores, a fim de evitar problemas, a assiste ir embora. Encostada no batente, Valentina observa as costas e o andar da menina até que ela suma de vista. Os dois irmãos Grimes eram belos e cada um deles tinha algo que atraia a professora. Era até incrível como Evangeline e Gregory podiam ter tantas semelhanças e ao mesmo tempo serem tão diferentes. Ainda pensando nos dois alunos é que Valentina fecha a porta e vai juntar as coisas. Colocaria a sala em ordem e, então, iria para seu quarto tomar um banho. Após uma corrida matinal como a que teve, refrescar-se era um ótima ideia.
~ FIM DE TURNO ~











