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Fichamento do texto “Software Livre: O posicionamento dos veículos de divulgação tecnológica”, de Jefferson Sérgio Paradello - Por Gabriel Monteiro
Para ouvir ao som de Linux Ghost - はいSuburban Decayノー
O texto de Jefferson Sérgio Paradello, enviado para o INTERCOM, é inspirador por muitos motivos. Formado em jornalismo na Unasp, dá para perceber, pelo texto, que ele tem ótimos trabalhos e que é reconhecido, algo que quero bastante em minhas produções. O artigo fala do surgimento dos softwares livres e de sua invisibilidade midiática no Brasil. O próprio princípio de software livre é inspirador devido à sua tentativa de subversão do sistema capitalista (assim como o próprio Vaporwave, meu objeto de estudo), além das versões piratas do próprio Windows. Surgindo de uma primeira fonte, os softwares livres foram sendo modificados ao longo do tempo (e essa é uma de suas características mais lindas, pois é construído coletivamente e vai sempre se transformando).
Infelizmente, eles possuem pouquíssima visibilidade na mídia brasileira, mesmo o Linux sendo o mais usado do mundo. Mas isso faz todo o sentido, pois o Brasil ainda é muito culturalmente influenciado pelos EUA. Um dos exemplos de visibilidade deles na mídia é o do Diário do Nordeste. Lembro quando eu era criança, por volta de 2005/6, quando o jornal lançou uma coletânea semanal de livrinhos gratuitos que falam sobre e ensinavam a usar o Linux. Só tive esse sistema por um dia, que por sinal foi meu único acesso. Ele parecia bom, mas não conseguia utilizá-lo, pois era muito novo e era um sistema completamente novo para mim. Porém, esse texto me fez ter vontade de dar mais uma chance, pois a ideologia desses sistemas é realmente inspiradora.
Joyous Windows
LIVE WHILE YOU’RE YOUNG
GODLIKE
『 ❀悲しみのビジョン❀ 』
Fichamento do texto “O Culto do Amador (Introdução)” de Andrew Keen – Por Gabriel Monteiro
Para ler ao som de DR. CODEINI - WHAT HAVE I DONE
Ao pesquisar mais sobre Andrew Keen, já achei o que imaginava: é um escritor bastante conhecido por suas críticas à Web 2.0, formado em história. Quando vi o nome do livro (que já tinha ouvido falar), achei que se trataria de uma análise ou apologia ao amadorismocomo forma de produção através da internet na atualidade. Porém, deparei com uma crítica bem pesada ao tema. E ao longo do texto discordei do autor do autor várias vezes, apesar de concordar com uns poucos pontos.
Para começar, Keen é bastante elitista. É preciso questionar problematizar quando um autor tenta defender hierarquias na cultura, delimitando o que é e o que não é cultura, ou o que é de boa ou má qualidade. Acredito que a cultura é realmente feita por todos nós e para nós, não sendo apenas alguns produtos específicos aos quais é atribuído maior ou menor valor. Para o autor, a sociedade da Web 2.0 é como um grande infinito de macacos com uma infinita tecnologia, que pode acabar dando em algo “produtivo”. Nossas produções, segundo ele, são em sua maioria inúteis, pois em nosso amadorismo não possuímos a qualidade de um profissional. A sociedade estaria ficando cada vez mais fútil e estaríamos nos dirigindo a um colapso cultural, em que não seria mais produzido nada de útil.
Vamos por partes. Não somos macacos, somos animais racionais, com subjetividades e complexidades que nunca serão de todo compreendidas pela ciência. Podemos produzir culturalmente coisas boas ou ruins, mas isso é um aspecto subjetivo, ou seja, que muda de acordo com quem está consumindo. Não temos a mesma técnica de um profissional, mas isso não significa que não haja espaço para os amadores. Como o próprio Chris Anderson dizia em seu texto A Cauda Longa (que Keen inclusive critica), existem vários tipos de trabalhadores amadores na internet, que não possuem a mesma técnica, mas que têm a chance de produzir, e esse é o diferencial. É muito radical pensar que chegaremos num mundo em que os profissionais irão se extinguir, e isso tudo é conversa de empresários frustrados e que não veem mais como salvar suas empresas. E provavelmente Keen está do lado deles, visto que em meio aos seus argumentos que defendem os “pobres” profissionais e empresários de sucesso são encontradas falhas. Ele critica incansavelmente os produtos culturais vindos da internet, julgando-os como fúteis ou sem valor, além de serem alienantes, não permitirem uma aprendizagem consistente e não trazerem alta qualidade como os produtos da mídia, que supostamente trariam elevado conhecimento, qualidade e confiança.
Assim, o autor parece ignorar completamente a Teoria Crítica da Comunicação, da Escola de Frankfurt, que já dizia bem antes da internet que a Indústria Cultural (que Keen chama de “guardiões da cultura” é alienante e seus produtos feitos para distrair a sociedade, impondo um pensamento acrítico com produtos que dedicam-se apenas a um lazer, sem muitos esforços mentais. A própria Teoria Funcionalista da Comunicação afirma que uma das funções da comunicação é manter seu produto em baixa qualidade, para que a massa inteira possa consumi-los, quando na verdade, para os frankfurtianos, isso seria justamente para alienar o proletariado. Logo, Keen acaba se contradizendo em seus argumentos, visto que os produtos midiáticos sempre foram assim. Talvez agora com a internet e a democratização dessa produção cultural possamos ter, quem sabe, produções ainda mais ricas e diversificadas, devido aos vários nichos e possibilidades. Além disso, a mídia já poderia ser considerada fútil muito antes da internet. Na verdade, o conceito de fútil deve ser questionado. Será que o fútil é simplesmente fútil? Se a futilidade é uma característica tão intrínseca à sociedade, isso com certeza tem um motivo e dever-se-ia analisar essa perspectiva, que por sinal muito me interessa. Ao invés de simplesmente se julgar como fútil ou de baixa qualidade o vídeo de alguém dançando às músicas (também muitas vezes julgadas como fúteis) de Britney Spears, como o autor diz, por que não procurar saber o impacto da Britney na sociedade e o motivo desse impacto? É tudo uma questão de abrir a mente para as perspectivas.
Ao criticar Anderson, Keen diz que a internet irá extinguir o talento, pois esse será impossível de se localizar. Para mim, a Web 2.0 não acabou com o talento. Ela apenas fez com que mais pessoas participassem dessa produção, algumas delas com grandes talentos que não deixarão de ser percebidos. Essa plataforma parece ser melhor do que a da mídia antiga, em que um seleto grupo de pessoas tinha visibilidade e o conteúdo era bem mais fechado e controlado. Na verdade, creio que Keen e muitos outros estejam com medo de que a facilitação ao acesso da produção na mídia acabe com os profissionais e principalmente com o controle da mídia e com a própria forma de se fazer comunicação. E eu espero que essa democratização possa sim trazer mudanças positivas como já tem feito.
Mas é claro que nós, estudantes e profissionais de comunicação, não vamos querer perder uma vaga de emprego para quem não é graduado. Não acho que os amadores irão tomar todas as rédeas da questão, e nem deveria ser assim. Esse é um futuro muito ficcional criado por Keen. Creio que o mercado atualmente possua espaço para ambos, visto que um precisa do outro e a criatividade pode salvar qualquer um. Keen previu debochada equivocadamente que a internet não traria muita renda significativa através de publicidade. Não precisa ser um expert para perceber que atualmente a situação mudou completamente, e a publicidade comanda a internet.
Concordei com o autor quando ele fala que a sociedade passa, por conta da Web 2.0, por uma onda de autopromoção e narcisismo digital, apesar de que ele comete um erro gravíssimo e problemático ao achar que isso justifica os casos de pedofilia e abuso na internet. Nada justifica.
Gostaria de terminar o fichamento pontuando que foi graças à Web 2.0 e suas potencialidades e possibilidades que o vaporwave pôde surgir como movimento artístico inteiramente vindo da internet. Através do brega e daquilo que aparentemente é fútil e ridículo, seu audiovisual passa a mostrar, sutilmente, um conceito: a subversão do sistema da indústria cultural. Não podemos subestimar a criatividade e a capacidade dos amadores (que são, no caso, a maioria dos produtores do movimento). O vaporwave é produto da democratização da internet, da voz que foi dada aos amadores, dando a estes a oportunidade de publicar suas produções e críticas. Sabemos que a cauda longa, os wikinomics, a convergência e a democratização não são teorias perfeitas, mas qual delas é, não é mesmo? Toda essa conversa da democratização tem seus pontos falhos, mas não podemos deixar de dar esse crédito.
Imagem
The Poppy Programme_洗脳
m a c i n t o s h p l u s
I have some friends but I feel so lonely nowadays
I always pretend to be happy and I always laugh the hardest and talk the most but the truth is that I’m getting more and more exhausted rip
(sorry for this , just needed to get this off my chest , no one cares anway)
Fichamento do texto “Cultura Livre” de Lawrence Lessig – Por Gabriel Monteiro
Para ler ao som de ░▒▓【ALL CAPS AND αւτ kεÿ CΘᕸEᔕ™】░▒▓ - Vaporwave Is All Just Diana Ross Slowed Down At Different Speeds
Quando fui procurar mais sobre Lawrence, professor de direito em Harvard, descobri algo que ligou todos os pontos e fez todo o sentido: Lessig é um dos fundadores do Creative Commons, sistema de licenças que permite que os clientes escolham como serão definidos os seus direitos de propriedade intelectual e criativa, fazendo algumas concessões e permitindo a cópia de suas produções em um determinado nível. Faz sentido, já que ao longo de todo o texto, Lessig defende a cultura livre, a internet livre e o equilíbrio entre os interesses daqueles que possuem o copyright e os daqueles que estão reproduzindo ou pirateando esse conteúdo.
Lawrence Lessig (fonte)
De fato, o autor defende a pirataria (em alguns casos) e a distribuição dos bens culturais (a cultura livre), usando diversos exemplos para ilustrar, justificar ou criticar determinados casos. Logo no primeiro capítulo, aponta para Disney como um dos primeiros exemplos da indústria cultural a piratear obras anteriores, apesar de algumas de suas fontes já terem perdido o copyright devido ao tempo. Cita, ainda, o caso dos doujinshis, recriações dos mangás japoneses que não pedem permissão aos copyrights. Dizem que tudo que é criado vem de algo já criado anteriormente; são as referências. Não podemos simplesmente colocar tudo sob o copyright, já que precisamos sempre de obras passadas para criar outras. E muito além disso, estamos falando de cultura! E como ele mesmo coloca, a cultura deve ser livre, compartilhada. O questionamento (que perdura todo o texto) é: “o quão livre deve ser essa cultura?”, o que já aponta para sua perspectiva de equilíbrio.
No segundo capítulo, Lessig passa a falar do exemplo da fotografia: se fosse acertado que os fotógrafos (que aqui eram piratas) deveriam pedir permissão do que estão fotografando e fosse atribuído um copyright a isso, o rumo da fotografia seria completamente diferente. Sua contribuição social não teria sido a mesma; a inclusão social da fotografia não teria permitido todo o aprendizado e a revolução que levou ao ponto em que estamos, com selfies instantâneas em câmeras digitais. Inclusive, é nessa parte do texto que o autor adentra no tema da inclusão da sociedade no estudo da mídia, não apenas quanto à técnica, mas quanto às relações com os meios de comunicação e ao conhecimento de como funciona a mídia e de como podemos lidar com ela. Isso é algo que defendo muito que seja colocado nas escolas, desde cedo (mas não é nada interessante para o governo e para a própria mídia, então isso é bem difícil de acontecer). É o Lessig chama de alfabetização midiática, que vai além dos textos e trabalha as mais diversas formas de expressão da mídia para que os alunos possam tanto aprender as técnicas como saber consumi-las e analisá-las, para que não nos tornemos meros receptores passivos da comunicação de massa. Mais adiante, ele começa a falar do nascimento dos blogs e sua revolução na internet. De fato, os blogs marcam o início da Web 2.0 (caracterizada pela participação geral na produção de conteúdo), e como o autor diz, trouxeram mudanças na própria democracia de alguns países, devido ao fato de a internet ser um meio mais livre, apesar de ter sido uma visão romanceada e demasiadamente positiva da questão. Porém, é inegável que os blogs e os posteriores avanços tecnológicos permitiram discussões mais livres e troca de conteúdos numa escala extremamente maior. Uma parte que me chamou atenção nesse capítulo foi a que ele fala do ciclo e ritmo de vida dos blogs, que são diferentes dos meios de comunicação, e imagina como seria no futuro a relação dos jornalistas (e por que não publicitários?) com esses meios. Será que ele imaginava que apenas uma década depois, nós, profissionais da comunicação, estaríamos nos apropriando dos blogs e redes sociais e os mais diversos aparatos em favor da mídia?
No terceiro capítulo, Lessig basicamente conta a história do estudante que foi processado pelo copyright devido ao sistema de compartilhamento interno da universidade em que ele estudava, sendo condenado a pagar uma multa exorbitante. É um caso claramente revoltante, e aqui ele volta a questionar se isso é realmente válido e se não seria melhor a procura de um equilíbrio entre as duas forças. É obviamente claro o lucro exagerado que RIAA obtém. O processo foi insensato e pareceu uma espécie de “vingança” com os piratas, realmente tomando o garoto como bode expiatório. O que eu particularmente gostei nesse capítulo, e no seguinte, é que pude entender melhor como funciona em termos econômicos e burocráticos a indústria cultural, mais especificamente a fonográfica.
O quarto capítulo foi um dos meus preferidos. Aqui, o autor faz uma análise de quatro ramos da indústria cultural (cinema, música, rádio e TV a cabo) para comprovar que todos eles (que atualmente lutam e cobram horrores num processo em defesa de seus copyrights) nasceram da pirataria. Passando por toda a história desses quatro exemplos, o que se pode perceber é que todos eles começaram burlando o sistema de copyright, o que mostra que se o controle fosse 100% intolerante, a produção cultural seria muito fraca, a criatividade não seria estimulada. Coloca-se mais uma vez a questão do equilíbrio entre as forças.
É no quinto capítulo que se estendem as discussões. Na primeira parte, Lessig defende seu ponto de vista sobre a pirataria. Para ele, a pirataria no que concerne a downloads ilegais de produtos com copyright é uma prática terrível e criminosa, o que é meio irônico, já que defende o p2p. Por mais que ele faça questão de explicar detalhadamente, na segunda parte, que o p2p é um caso especial e que mesmo com os downloads ilegais há um incentivo e um lado positivo para os detentores do copyright, nos serviços comuns de download também achamos músicas antigas e que não são mais comercializadas (como o tipo C) e baixamos músicas para experimentar (como o tipo B), antes de comprar ou não. Mas, talvez, na época de 2004 os serviços comuns de download não fossem tão completos assim. De qualquer forma, são muitas coisas a serem pontuadas nesse capítulo.
Primeiramente, acho que os downloads ilegais não prejudicam tanto assim a indústria fonográfica. Sim, geram quedas, mas que não afetam tanto os bilhões que ela recebe. Além disso, acredito que os downloads ilegais trazem sim muita publicidade e visibilidade para um artista, por mais que Lessig tente derrubar esse argumento no texto. Sou frequentador de comunidades que envolvem música pop e sou um amante dessa cultura. Aqui no Brasil, muitos ouvintes de música pop baixam as músicas ilegalmente para ouvir, e em apenas uma noite um álbum pode ir lá pra cima nas paradas, dependendo da visibilidade e recepção que ele terá entre os ouvintes. Mas é claro que o autor não previa as redes sociais e o crescimento exponencial dos efeitos do compartilhamento de conteúdo. Tampouco sabia que existiria redes pagas de streaming de grande sucesso como Spotify ou Netflix. Talvez a perspectiva dele seja outra atualmente.
Em segundo lugar, o autor é norte-americano e claramente não conhece a vivência dos países subdesenvolvidos. Os amigos dele podem ter condições de comprar os álbuns que baixam, mas muita gente aqui no Brasil, por exemplo, não tem. O mercado de produtos piratas ainda é o mais acessível pra boa parte da populaçãp, que ainda compra em feiras e camelôs. Mesmo a classe média não consegue comprar todos os produtos culturais que deseja. Eu nunca teria dinheiro pra comprar todos os álbuns que baixo ilegalmente. Se eu conseguir comprar 10%, já é bastante coisa.
E em terceiro lugar, os downloads ilegais contribuem com a criatividade de quem quer produzir, mas não possui fácil acesso. Artistas precisam de referências e não podem simplesmente sair comprando tudo que precisam pra se inspirar. O download ilegal gera novas produções culturais.
Claro que tem o lado ruim para os artistas e detentores dos copyrights, mas o tempo só tem mostrado que eles podem receber esse valor (e muito mais) em outras formas de publicidade. Muita gente usa o youtube pra ouvir música, por exemplo.
Depois de discorrer sobre as relações de cão e gato entre os detentores de copyright e os piratas processados, Lessig termina o capítulo fechando mais uma vez na questão do equilíbrio entre os dois lados. Fica nítido o conceito do Creative Commons, que procura justamente essa harmonia, com ganhos para ambos os envolvidos.
Não posso deixar de pontuar que o texto foi muito bom de ler, proveitoso, e que irá me ajudar diretamente no meu artigo. O Vaporwave nasceu da internet e do download ilegal. Suas músicas, muitas vezes, possuem samples de hits de décadas passadas e de comerciais, ou seja, produtos com copyright. Os produtores alteram a voz dos cantores, deixando-a mais grave, e desaceleram o ritmo da música, e o interessante é que isso é feito justamente para burlar o copyright, pois isso faz parte do conceito subversivo do movimento. A música “ リサフランク420 / 現代のコンピュー”, de Macintosh Plus, que pode ser considerada como uma das maiores representantes do movimento é nada mais, nada menos do que um sample de “It’s Your Move”, da Diana Ross. O Vaporwave é o próprio exemplo de pirataria que burla o copyright em busca de criar algo novo, com muita criatividade, diretamente dos meios disponíveis na internet e que ficaram muito mais acessíveis com o processo de inclusão digital e facilitação das técnicas!