Este é um exercício de terapia cognitiva. Toda vez que eu me afligir com alguma coisa, vou escrever aqui ao invés de reproduzir comportamentos compulsivos.
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Este é um exercício de terapia cognitiva. Toda vez que eu me afligir com alguma coisa, vou escrever aqui ao invés de reproduzir comportamentos compulsivos.
Almost 2016 and I still believe Zutara
2018 and I still on that shit
2025 and still here
Já tem um tempo que eu converso com minha terapeuta sobre minha mãe. Há um tempo atrás eu falei sobre o bingo da história da mãe abusiva e tive que explicar:
Toda vez que eu assisto algum filme ou leio alguma história em que a mãe e filha antagonizam em algum momento, eu me identifico.
Mãe narcisista? Filha se sentindo rebaixada pela figura materna? Relacionamento abusivo? Ambiente controlador? Se desdobrar para preencher expectativas?
BINGO
Eu consigo me enxergar de diversas formas nestas relações. Porém, ao contrário do que acontece na maioria dos filmes, eu tenho dificuldade de imaginar um final feliz para mim e minha mãe.
Há muito tempo atrás, existiu uma novela chamada "Amor à vida". Nesta novela, o vilão, Félix, tinha ciúme da irmã e fazia TODO tipo de maldade para infernizar a vida dela. Ao longo da trama, criaram um plot de que o Félix era assim porque ele sofria rejeição do pai, porque o Félix era gay (enrustido).
Através de vários acontecimentos na trama, o pai do Félix (que também era péssimo) quase morre e fica totalmente dependente dos outros. É a partir desta situação que Félix encontra uma forma de se redimir e conciliar com seu pai.
A cena é muito comovente, porque simplifica e resolve a motivação dos personagens. Félix só queria ser amado pelo pai e o pai só precisava enxergar que o Félix era capaz de amar.
Porém, este final é totalmente fantasioso.
Félix pegou a bebê recém nascida da irmã e jogou numa caçamba. O pai do Félix era homofóbico, largou a família para viver com a amante, apesar dos alertas e desviou dinheiro do hospital em que era presidente.
Ninguém era santo.
No entanto, a novela coloca bastante purpurina e açúcar por cima para nos convencer que amor resolve e redime tudo.
A vida real é essa. Nem todo amor familiar, amor parental ou filial pode justificar abusos, relações insalubres ou atitudes atrozes.
Através do processo de afastamento que venho passando e a tomada de consciência de que eu era uma pessoa numa relação tóxica e narcisista, eu relembro minha vida com uma lente mais triste e ressentida. Existem inúmeras coisas que eu gostaria de poder voltar no tempo e mudar, mas não posso mais.
Posso apenas mudar meu presente. E é extremamente doloroso, porque mesmo quando a família é nociva, somos levados a pensar que esta dor faz parte, porque de outra forma pode ser pior.
Minha mãe falava que nessa vida eu só poderia contar com ela. Quando meu padrasto se separou dela, ela repetiu isso. Quando ela brigava com meus tios, falava a mesma coisa. "Não dá para confiar nos outros". "Não acredite em fulano". "Ciclana não é sua amiga".
Fui adestrada para pensar que minha mãe era a única pessoa capaz de me dar a alento e confiança. No entanto, a vida inteira ela provou o contrário. Qualquer segredo, confissão ou pensamento genuíno podia virar arma contra mim, ser alvo de censura ou chantagem.
Parte de mim ainda acha que eu estarei sozinha no mundo se eu estiver sem minha mãe. Eu chamo essa parte de "botãozinho que minha mãe consegue apertar e eu não sei onde está".
Mas a verdade que eu tento racionalizar o tempo todo é que: "eu sempre estive sozinha para mim mesma".
Existe a Velma que a minha mãe gosta e a Velma da Velma. As duas raramente podiam coexistir. A Velma da Velma escondia e tinha vergonha dos seus hobbies. A Velma que a mamãe gosta abriu mão de namorado, de projetos pessoais, para agradar e servir aos outros.
O namoro atrapalhava a estudar para o vestibular, para preencher expectativas.
O grupo de estudos no sábado era um empecilho para viajar na sexta feira e passar o fim de semana no sítio.
O evento de anime não pode ser no mesmo dia que a mãe da Velma ia fazer a festa de aniversário da Velma da mamãe, onde a família inteira iria para beber.
A Velma da mamãe era boazinha e baixava a cabeça para aceitar presentes que não gostava e não podia pedir nada que queria.
A Velma da Velma só aprendeu a fazer o que que queria sem medo aos trinta. Ela ainda está aprendendo que ninguém vai brigar com ela se a Velma quiser ver o filme sozinha. A Velma de verdade está aprendendo que a opinião dos outros pouco importa.
A Velma de verdade ainda está aprendendo a fazer a raiva dissipar. Ela se olha no espelho se achando linda, mas ainda lida com o diabinho sussurrando "pode ser que alguém discorde".
A Velma está brotando e crescendo, com muito esforço.
Definindo objetivos (de novo, de novo e de novo)
Eu sei que é um erro se pesar após o fim de semana, mas de toda forma, eu precisava começar de algum lugar.
Hoje, 27 de março: 127,6 kg.
Objetivo: alcançar os 125 kg.
Gente, hoje eu peso 125, mas já beirei os 124,5. Não vamos desanimar
De longe
Todo dia a gente faz uma escolha.
Às vezes a escolha é feita por você, às vezes os outros fazem você escolher.
Por muito tempo eu vivi na segunda opção. Autonomia não era algo valorizado, mas sim vilanizado.
Aos poucos, venho consolidando essa escolha.
Tenho me afastado da minha família materna a cada segundo que passa. Eu já sou distante da minha família paterna, então está sendo uma ruptura bem drástica.
Eu ligo uma vez por semana para a minha avó. Não tenho conversado com minha mãe. Se meus tios falam algo comigo, respondo de forma polida, mas totalmente indiferente. A única pessoa com quem tenho um remoto carinho é uma prima mais nova que eu, mas não mantenho contato constante.
Cada dia que passa, acho mais difícil manter contato de forma permanente com as pessoas. Tirando meu marido as pessoas para quem mando memes no Instagram, não converso com ninguém.
Não tenho confidentes próximos ou pessoas com quem desabafar, que não seja minha terapeuta.
Às vezes me pergunto, de forma distraída: “o que será que eles estão pensando de mim?”
ou eu me pego imaginando minha família materna inteira reunida num almoço de domingo, perguntando à minha mâe:
"- E a Velma, não tem dado notícia?
penso na minha mãe fazendo beiço, dando de ombros e balançando a cabeça negativamente e dizendo:
-Não conversa, não manda mensagem. Depois que saiu de casa, casou e me largou de lado. Não sei o que que eu fiz para ela."
A imagem é nítida na minha cabeça, porque sempre ouvi esse tipo de coisa. Na minha família e no meu contexto comunitário, as pessoas são criadas dentro de um ninho. Podem crescer, mas se se atrevem a sair deste ninho, pois é um ultraje.
Tudo que ultrapassa a "comunidade" é visto com olhos tortos. Mudar para longe, ir para outra cidade, até mudar do bairro que seus pais moram, parece uma desfeita. A nossa criação cristã e católica tem dificuldade de lidar com o afastamento, a distância, a autonomia.
Estimulam que você cresça, mas dentro dos limites do espero e do projetado para você. Se você sair deste controle, é terrivelmente preocupante.
Tenho um primo mais ou menos da mesma idade. 8 meses de diferença. Largou a faculdade, tinha uma oportunidade de carreira no exército, mas largou para ser bartender. Por algum motivo, ele ainda continua sendo acolhido e "bem visto".
Tive alguns percalços, mas tirei meu diploma e hoje tenho uma carreira estável. O problema é que a carreira fui eu quem escolhi. Não fiz concurso, não virei "empresária". Troquei de empresa quando necessário e consolidei experiência para estar hoje numa empresa de renome e que me valoriza. Se um dia eu for demitida, ainda terei toda a minha trajetória na bagagem para me virar.
Porém, isso não parece o suficiente para ninguém da minha família materna, porque saí daquilo que me foi projetado.
Quando eu me casei, acharam que eu ia dividir meus fins de semana entre meus sogros e minha família materna. No final das contas, não quero gastar meu tempo com nenhum dos dois.
NÃO É POR FALTA DE AMOR E AFETO.
É simplesmente porque eu gosto mais de passar tempo comigo.
Comigo, com minha casa, com minha família, com meus bichos, minhas plantas, minha roupa suja que preciso colocar na máquina.
Às vezes eu sinto falta, da minha tia bêbada falando bobagem, da minha prima mais velha fazendo graça pra todo mundo, do meu tio mais velho contado casos de quando ele era moleque, da minha avó contando os maiores absurdos que ela já cometeu quando era sacoleira no Paraguai.
Mas hoje eu tenho muita clareza que eu me agarro a estes momentos de forma afetuosa porque as demais lembranças não eram agradáveis.
Toda festa, todo encontro era rodeado de tensão de ter alguma briga.
Pessoas bêbadas brigam por muito pouco, e todo mundo na minha família tem algo reprimido que eles guardam até o momento oportuno para descarregar no outro por qualquer razão.
Os momentos que eu achava agráveis eram aqueles em que nenhuma briga acontecia. Então os momentos em famílias só estavam sendo bons porque ninguém brigou, e não porque todo mundo se ama e sabe a aproveitar a companhia um do outro.
As vezes em que me machucaram ou me usaram para machucar outra pessoa foram tantas que hoje sou incapaz de ver graça em estar junto deles.
Minha mãe e minha tia já saíram na porrada porque eu saí mais cedo da festa de aniversário da minha avó.
Quando eu tinha quatro anos, meu tio me colocou de cabeça pra baixo, próximo a um pastor alemão (cachorro), de "brincadeira" e minha avó falou pra eu não ficar triste ou chateada, porque meu tio estava bêbado.
Tem outras milhares de coisas e microcoisas que aconteceram durante muito tempo e que hoje eu vejo que não preciso relativizar só porque são meus parentes.
EU NÃO PEDI PARA NASCER.
EU NÃO PEDI PARA VIR NESTA FAMÍLIA.
EU NUNCA PLANEJEI MINHA VIDA PARA CONSERTAR AS DOS OUTROS.
Por isso, hoje eu acredito que não devo absolutamente nada para a minha família.
Não devo nada a minha avó, apesar de ela ter pagado meu colégio.
Não devo nada a meus tios e tias, apesar do tempo que passamos juntos.
Não devo nada à minha mãe, apesar dos sacrifícios que ela fez para me criar.
Apesar de tudo, a escolha foi deles e não minha. Não é porque eles optaram por dedicar tempo e valor em mim que eu preciso corresponder "à altura".
O que meus parentes projetavam para mim não é o que quero para mim. Dar carinho, casa e comida é uma obrigação de quem quer dar a vida a alguém e não uma caderneta de dívida que aparece quando você nasce.
Ainda assim, não significa que eu não ame eles.
A diferença é que eu me amo mais.
Toda vez que eu vou na casa de familiares, fico extremamente ansiosa com o que vão falar ou se há possibilidade de briga. Me arrumo de forma exagerada, para que não falem nada de mim, penso nas respostas que preciso dar, imagino o que fazer em caso de confusão. É stress do começo ao fim.
A minha mãe, especialmente. Mas isso é tema para outro desabafo...
A mensagem que eu deixo é a seguinte, mesmo que você acredite que você precisa retribuir seus pais ou sua família por qualquer coisa, leve em consideração se você está entrando neste custo.
Aniversários, sogros e minhas relações familiares
Eu não vim de um ambiente familiar muito saudável. Na verdade, ninguém possui um ambiente familiar perfeito. Porém, no meu contexto, eu vivi uma relação tóxica com minha mãe, que tem uma relação tóxica com minha avó, que tem uma relação tóxica com todos os outros filhos e eles tem relações tóxicas entre si. As festas de família sempre terminavam em briga, ao ponto em que isso só mudou na hora que elas pararam de acontecer. Mas ao invés de brigas, discussões e gritarias, o desfecho de qualquer evento familiar é uma trocar de alfinetadas e acusações por mensagem ou ligação. Para piorar, muitas vezes o pivô da confusão era/é minha mãe e isso refletia em mim.
Isso e outras coisas me tornaram uma pessoa muito aversa a encontros familiares, e sempre que eles acontecem, eu fico muito tensa. Isso não é só com minha família, mas também em festas nas casas de amigos ou na casa de namorados, marido, etc. Onde tem parente, eu fico extremamente apreensiva.
A família do meu marido, por outro lado, segue o caminho contrário da minha. Primeiramente, ninguém bebe. Isso já deixa o ambiente menos hostil. Porém, além disso, todos, primos, irmãos, tios, sobrinhos, etc, possuem relações de cumplicidade, amizade e carinho. Eu venho tentando me acostumar com este tipo de relacionamento, pois eu nunca o tive.
Porém, por mais que o tempo de convivência tenha aumentado e eu tenha me acostumado com algumas coisas, não me acostumo com outras. Uma coisa é aprender a lidar com as minhas questões, outra é abrir mão de princípios ou sair da minha zona de conforto.
Como disse anteriormente, em muitos casos, as brigas na minha família tinham minha mãe ou eu como ponto central. Na ocasião do planejamento do aniversário da minha avó, houve uma discussão entre meus tios e minha mãe, pois era uma festa grande, porém foi proposto que cantassem parabéns para mim também, pois nossos aniversários são próximos. Ao longo dos anos eu fui perdendo meu interesse em festas de aniversário, justamente porque são um gasto que nem sempre eu podia ter, além de que sempre poderia ser outra oportunidade para brigas. Dessa vez foi a mesma coisa.
Minha mãe e minha tia discutiram antes do aniversário por conta deste parabéns (que eu disse várias vezes que não fazia questão) e depois da festa, elas discutiram novamente e saíram na porrada. Minha mãe e esta tia em específico, tem uma relação extremamente conturbada e tóxica. Foi uma festa em um sítio, eu fui embora mais cedo pois estava com um namorado da época e íamos para outro lugar. No dia seguinte, minha mãe chegou em casa toda roxa. Ela tinha apanhado muito da minha tia. Eu tento não sentir raiva da decisão da minha mãe de não prestar queixa, pois foi uma decisão dela, porém o motivo da briga tinha sido o fato de que eu saí mais cedo (ao menos é isso que dizem).
Eu tenho plena consciência de que não é minha culpa, pois as questões da minha mãe e minha tia são outras, eu acabei sendo utilizada de desculpa. Só que daquele dia em diante, ficou muito claro para mim que eu não devia ficar abrindo brecha pra esse tipo de coisa acontecer. Eu já não era muito fã de aniversário, daquele dia em diante ficou ainda menos atrativo. As poucas vezes que eu fiz festa depois daquele dia, foi para amigos, foi na rua e nunca para família. Mesmo assim, foram lapsos.
Porém, a família dos meus sogros gosta muito de aniversário e fazem questão de ter festa, chamar as pessoas, etc. No primeiro ano de casa nova, eu me senti compelida a fazer a festa de aniversário. Segundo meu marido, mesmo que eu não fizesse a festa, eles iam vir em casa para me dar parabéns.
Bom, já que eu ia ser obrigada a receber as pessoas, queria ter controle da situação e escolhi data e hora. Já que ia vir a família do meu marido, chamei a minha família, que é só minha mãe. Para minha mãe não se sentir sozinha, ela trouxe meu primo, sobrinho dela, que é criança.
Pra quem tava de fora, achava que correu tudo certo. Porém, para mim foi terrível. Agora, com tempo de terapia e mais maturidade, percebo que em todas essas ocasiões familiares, minha mãe se recusava/recusa e se socializar com a família do meu marido para me isolar deles. Meu primo ficava perambulando pela casa suspirando, esperando que ligassem o videogame pra ele (sendo que a sala estava ocupada com os convidados). Eu tinha que olhar os convidados, as bebidas, servir as bandejas, enquanto meu marido ficava jogando com os irmãos dele (e quando eu pedi ajuda, ele achou ruim). Pedi pra minha mãe fumar na garagem, pois não gosto que fumem no apartamento. Ela me fez passar vergonha na frente dos meus sogros, fazendo chantagem emocional e me desrespeitou, fumando na área.
Esse pesadelo também se repetia nos aniversários do meu marido e essa coisa que minha mãe fazia de tentar me isolar também aconteceu na festa de casamento do meu cunhado, que eu fiquei TÃO TENSA de ter ela na festa que não consegui aproveitar 1 segundo sequer.
Deste ano em diante, eu decidi não fazer festa de aniversário. Eu e meu marido concordamos então que no meu aniversário, que caiu num feriado, iríamos viajar. Para mim estava tudo maravilhoso, pois ele me deixou escolher o destino e iríamos para um lugar que eu gostava muito mais do que ele. Eu disse “iríamos”, pretérito imperfeito.
Todo final de semana somos obrigados a almoçar na casa dos meus sogros (se você não vai, eles se autoconvidam para ir na sua casa, então considero isso uma obrigação velada). Pouco mais de um mês antes do meu aniversário, comentei casualmente que iria viajar no meu aniversário. Meu sogro brincou “Vai fazer igual o Tio Fulano, ele também viaja pra não fazer festa pra ninguém”. Eu devia ter respondido “é isso mesmo” ao invés de só rir sem graça.
A três semanas da viagem, comentei casualmente que iríamos para a cidade X por conta do meu aniversário. A duas semana da viagem, meus sogros enviam no grupo da família uma mensagem “Vamos para a Cidade X no feriado”.
Só isso. Não falaram nada sobre nos encontrarmos nem nada. Só isso. Há algum tempo atrás, tentaram planejar uma viagem inteira com a família e não conseguiram articular. Toda vez que eles vão viajar para algum lugar, eles compartilham conosco (filhos e noras), nos convidando a ir. Já fizemos viagens em família em outras oportunidades, pasmem, para participar de festas de aniversário de primos que moram em outra cidade. Há algum tempo minha sogra fica lançando esse papo com os filhos, de viajar a família inteira.
Tudo indica que eles se autoconvidaram para essa viagem. Ir para a cidade X para mim era pra ser uma concretização de uma liberdade que eu nunca tive. Já fui obrigada a cancelar planos e compromissos quando eu era mais nova, pois minha mãe queria fazer a festa para ter um pretexto para beber. Eu fiz festas para calar a boca das pessoas e fiz a festa ano passado por me sentir compelida a fazer. Então para mim era pra ser um momento de empoderamento. Eu ia viajar para um lugar que eu escolhi, quando eu queria, para fazer o que eu quisesse.
Só para contexto, a cidade X é uma cidade turística pequena. E mesmo que não fosse, tenho certeza que meus sogros ficariam pressionando para nos encontrarmos e fazer passeios juntos. Nesse contexto, eu sei que é extremamente complicado ficar negando este tipo de coisa ou ter que ficar fugindo. A gente não deve nem tem nada a esconder dos meus sogros, mas não queríamos ficar passando por este tipo de desgaste.
Eu também não poderia falar “viajem para outro lugar, eu escolhi ir pra cidade X primeiro e não convidei vocês”. Então decidimos ir para outro lugar e não falar nada com eles. Foi até melhor, pois na cidade Y gastamos menos da metade do dinheiro que gastaríamos e aproveitamos bastante. Mas foi uma situação completamente desnecessária de se passar. Fora que não sei quando terei a oportunidade de viajar novamente.
A uma semana da viagem, comentamos casualmente no almoço obrigatório que iríamos pra cidade Y ao invés da X. Eu e meu marido havíamos combinado de falar que houve um erro na reserva e estava em cima da hora. Meus sogros ainda se dispuseram a ajudar e tentar achar uma vaga na pousada onde eles estavam, mas afirmamos que já tínhamos pago a reserva no outro hotel e não tinha ressarcimento (verdade). O meu sogro brincou com minha sogra: “Alá, mudaram de cidade porque a gente vai”.
Eu ainda me arrependo MUITO de rir sem graça ao invés de mandar a real.
Desde esse evento, eu tenho estado extremamente irritadiça toda vez que vou na casa dos meus sogros. Esse desabafo inclusive foi escrito à base de muitos suspiros pra não chorar ou gritar. Eu já conversei sobre tudo isso com minha terapeuta, mas eu ainda não sinto que superei essa questão. Por sorte, tenho um parceiro que me apoia, compreende e suporta. Porém, é algo que só eu consigo resolver e ainda não consegui conversar com meus sogros.
Eu não gostaria de conduzir o relacionamento com eles da mesma forma que hoje eu conduzo com minha mãe. Na verdade, se possível, eu não queria evitar conviver com ninguém, a menos que a pessoa se recuse a deixar de ser cuzona. Minha mãe, eu sei que ainda não está disposta a mudar. Mas será que realmente não dá pra tentar isso com meus sogros?
Definindo objetivos (de novo, de novo e de novo)
Eu sei que é um erro se pesar após o fim de semana, mas de toda forma, eu precisava começar de algum lugar.
Hoje, 27 de março: 127,6 kg.
Objetivo: alcançar os 125 kg.
26 de abril, hoje eu pesei 125,7 kg. Vamos ver se até o fim da semana eu me estabilizo neste patamar e vamos pra próxima meta.
Um desabafo muito rancoroso 2 - o inimigo agora é outro
As redes sociais criaram uma forma muito peculiar de interação social. Em busca de criar algum vínculo com você, a pessoa compartilha todo tipo de conteúdo possível que se relacione a algo que você possa gostar.
Minha mãe por exemplo, sempre me manda memes da Branca de Neve, pois era meu filme favorito na infância. Eu tenho uma prima que me manda inúmeros vídeos de piadas de vida de casada, marido x mulher, etc, pois eu sou a única prima casada da nossa geração. Eu tenho uma amiga que só me manda coisa de sacanagem, porque no ensino médio a gente só falava "daquilo". Eu tenho duas primas e uma amiga que só mandam meme de bobajada, dentro do meu estilo de humor.
Nesses casos, eu acho que tá tudo certo. Às vezes ocorre de todo mundo me mandar o mesmo vídeo em ocasiões diferentes da semana, imaginando que eu vou rir daquilo. Essa semana eu ri seis vezes da mesma bobagem, teve semana que me mandaram o mesmo vídeo seis vezes e eu não vi a graça que todo mundo viu. Mas segue o jogo, esta é uma dinâmica do nosso mundo moderno.
Porém, tem uma tia do meu marido que me envia só coisa de dieta. "10 maneiras de usar o vinagre de maçã pra emagrecer", "Receita de bolo sem gluten, sem farinha, sem leite, sem açúcar, sem forno e fitness", "Não coma carboidrato à noite". Ela fazia isso de vez em quando, mas tem ficado mais frequente.
Tem dias que eu tenho a paciência de JÓ de explicar que esse negócio do vinagre de maçã é charlatanismo, que glúten, lactose, farinha não engordam, que carboidrato não tem ciclo circadiano, etc. Eu fazia muita questão de dar essas explicações porque eu sei que muita gente erra no cuidado à saúde por pura ignorância e até porque algumas destas dicas podem ser perigosas.
Porém, além de eu não ser cursinho popular pra ficar dando aula de graça, vai enchendo o saco. Se ficasse só mandando bobagem, eu me daria por cansada em algum momento e ficaria por isso. Só que não ficou só por isso.
Há uns dias eu postei um vídeo do meu cachorro IDOSO indisposto a sair pra passear. Totalmente normal. Coloquei a legenda em tom de brincadeira: "Hoje não tem passeio, pois quem tem que passear não tá querendo ir".
Essa tal dessa tia, respondeu ao storie assim: "Mas será que era o cachorro que não queria ir ou a dona inventando desculpa? Hoje eu não fui na academia e pus a culpa no meu parceiro que não foi comigo". Eu remoí muito a audácia dela. Refleti várias vezes se eu não estava sendo implicante ou intolerante, porém no final, eu não queria deixar barato. Respondi ao comentário da seguinte forma: "o momento de passeio do cachorro é um, minha academia é outro. Um eu não fui fazer, mas o outro eu fiz". Eu nem fui na academia naquele dia, mas foda-se. Se ela se achava legitimada a fazer aquele tipo de comentário, eu deveria me sentir a vontade pra responder para me defender.
Porém os comentariozinhos continuaram. Eu tenho a clareza que a ofensa tá comigo. Sou eu que fico com raiva, dentro da minha cabecinha e não ela. Ter raiva é beber veneno esperando que o outro morra. Então simplesmente desativei os comentários no meu Instagram inteiro. Quer falar comigo? Só por mensagem.
Quando eu comecei a achar que estava tudo tranquilo e eu ia ter PAZ DE ESPÍRITO, o telefone do meu marido toca. Ele viu o número e tinha que atender. Ele trabalhando, numa quinta a tarde, colocou no viva voz e continuou digitando.
"Oi meu bem, é sua madrinha. Tô te ligando porque tô muito preocupada com você. Você tem que fazer uma academia, tem que correr atrás de se cuidar, procurar um médico, piriri, pororó... porque a sua esposa tá indo na academia e vocês tão comendo salada, que eu vi, pipipi, popopó..."
Eu já estava me arrumando pra ir na academia, me arrumei mais depressa ainda, pois queria ir pra longe. Quanto mais eu ouvia ela falar, mais raiva eu tinha.
Eu simplesmente não conseguia acreditar que a pessoa ligou com o único propósito de meter o bedelho na vida alheia. Descontei toda a raiva que eu senti daquela ligação na academia.
Porém eu fico remoendo este conjunto de atitudes o tempo todo.
Não é só essa pessoa que manda conteúdos de dieta para mim. Tem uma tia minha que também me manda, assim como minha mãe me mandou semana passada uma receita de torta fit, que jamais irei fazer. Eu genuinamente acredito que na maior parte do tem as pessoas não enviam estas coisas por mal.
Só que com esse caso absurdo e extremo, eu percebi que essas interações são um pouco diferentes de simplesmente enviar um post pra alguém do assunto que a pessoa posta.
Eu amo cozinhar. Eu adoro a descarga de endorfinas que os exercícios me proporcionam. Porém não são necessariamente meus traços de personalidade ou meus principais pontos de interesse. Então porquê algumas pessoas ficam me mandando este tipo de conteúdo?
A resposta pode até ser subjetiva, mas é simples: tudo que revolve em torno do nosso corpo, é interpretado como coisa pública. Como as pessoas interpretam que emagrecimento é uma questão de saúde, elas se sentem convidadas a participar deste aspecto particular da sua vida, sempre que lhes convém.
Repito e destaco: sempre que lhes CONVÉM. E qual é o porquê disso? As pessoas querem impor suas convicções sobre as outras o tempo todo, sem que para isso elas tenham que refletir sobre suas próprias contradições antes de se impor ao outro. Explicando de outra forma:
Minha mãe sempre me cobrou que eu me preocupasse com a minha imagem e sempre colocava o meu peso como uma questão que eu deveria tratar. Eu, enquanto criança, que não trabalhava, não tinha dinheiro pra comprar a comida, não ia ao supermercado, só poderia contar com a comida que tivesse à disposição, certo? O que eu tinha à disposição em casa? Biscoito recheado, achocolatado, leite fermentado, farinha láctea, bolo com calda, misto quente, cachorro quente, pipoca de micro-ondas, macarrão instantâneo. Nas refeições, apesar de ter salada, o prato principal era arroz com lasanha, arroz com pizza, purê, angu, canjiquinha com creme de leite e por aí vai.
Ela queria me impor uma imagem do que eu deveria ser e um comportamento que ela desejava de mim, mas não me dava as condições para alcançá-las.
Na adolescência, tentava usar os shakes emagrecedores. Minha mãe comprava sem cerimônia, porém não deixava que eu usasse como substituto de refeição (como ele é projetado pra ser). Tinha o almoço e tinha a shake de sobremesa. O shake no lugar do achocolatado no lanche e etc. E na hora que eles viam que eu não emagrecia, falavam que a culpa era minha.
Quando eu fiz a bariátrica, minha mãe se convenceu que deveria me dar Nutren durante minha recuperação. Nutren é um hipercalórico utilizado para pessoas que não podem se alimentar adequadamente (como idosos, traqueostomizados, etc). Ela dizia que eu estava muito fraca.
Nos primeiros meses após a cirurgia, pedi gentilmente que ela evitasse comer junk foods perto de mim, pois por conta das restrições do pós cirúrgico eu poderia me sentir frustrada. Ela concordou, assim como celebrou e estimulou todo o processo da cirurgia. Um belo dia, ela pediu uma bela de uma pizza e comeu ao meu lado durante o jantar. Na época eu consumia cerca de 80g de alimento por refeição. Eu chamei a atenção dela, pedindo que se ela fosse pedir, que não comesse na minha frente. Ela se sentiu ofendida, disse que estava na própria casa e que não era obrigada a lidar com as consequências da minha cirurgia e que isso era responsabilidade minha, pois eu não ia conseguir me isolar do mundo pelo resto da vida.
Ora ora, se ela queria tanto que eu emagrecesse e ficasse "bela e esbelta", porque ela estava tão incomodada? É porque deixou de ser conveniente. Na hora que ela começou a ter que comer salada e carne junto comigo todos os dias, ficou inconveniente. Na hora que eu deixava de ir em algum lugar porque queria ir na academia, ficou inconveniente.
Mas ela deixou em algum momento de exigir que eu continuasse na dieta? Que eu continuasse me exercitando? Deixou de fazer terrorismo quando eu comecei a ter reganho de peso? Não.
Na minha visão, este comportamento da minha mãe, segue a regra geral da sociedade. A sua saúde serve de premissa para que as pessoas possam dar opiniões não requisitadas.
Uma coisa é ir no médico, perguntar alguma coisa online, outra coisa é se sentir legitimado a dizer alguma coisa porque você tem opiniões sobre algum aspecto da vida de outra pessoa. Ser educado é uma obrigação, ser babaca é uma opção.
Eu discordo fortemente desta ideia de que só o fato de você postar alguma coisa online dá o direito a alguém de te dizer alguma coisa negativa ou te pormenorizar. Mesmo levando em conta que as redes sociais nos induzem a um sistema recompensa por conta de likes e comentários, ninguém quer se expor com o simples intuito de ser xingado ou rebaixado. E isso não é a mesma coisa de ser criticado.
Porém, por tudo que eu já expliquei aí em cima. Eu não sei se eu estou recebendo críticas, mas sim palpites. E palpite pra mim, só na loteria.
Um desabafo muito rancoroso.
Ultimamente, tenho postado nas minhas redes sociais um pouco da minha alimentação e um pouco da minha rotina de academia. Todas as vezes, eu tomo cuidado de mão atrelar a minha rotina a um estilo de vida fitness ou "saudável". Inclusive, quando eu posto minhas comidas, se eu me dedico a escrever algo na legenda, é majoritariamente sobre a história daquele prato e alimento, e não se ele é saudável, sem lactose, sem fritura ou se é cheio de antioxidantes. Eu faço questão de evitar estas linguagens, porque eu não coaduno com este estilo de vida.
Eu não vou ser hipócrita de dizer que eu não gosto de likes, comentários e elogios, mas o tipo de validação que eu busco não tem a ver com ser fitness, mas com minhas conquistas pessoais. Quando eu tinha 22 anos, eu fui diagnosticada com câncer. Tive que sair às pressas da cidade e da universidade em que eu estava estudando para poder me tratar. Depois deste episódio, a saúde se tornou um valor muito caro para mim. Porém, isso não estava descolada da realidade onde estava. Eu convivi uma vida toda com uma família e sociedade que me cobrava vorazmente que eu tivesse um corpo magro, que eu me alimentasse melhor e fosse mais vaidosa, na mesma medida em que faziam terrorismo alimentar, chantagem e minavam minha autoestima. As mesmas pessoas que reclamavam do meu excesso de peso, reclamaram do quanto eu tinha emagrecido depois de uma cirurgia bariátrica, hoje estão de novo falando que eu tenho que me cuidar. Antes mesmo de me dar um bom dia, boa tarde, falam da minha roupa ou do meu peso, como se o que importasse sobre mim fosse apenas a minha imagem, não como eu estou. Sem levar em conta os inúmeros episódios depressivos que eu tive na faculdade, a ansiedade que desencadeia na compulsão alimentar, trauma coletivo da pandemia, um relacionamento que fez conviver com uma família que tinha uma cultura alimentar totalmente incompatível com o estilo de vida que eu precisava levar, e por aí vai.
Eu tenho plena consciência de que meu corpo e minha saúde são de responsabilidade minha. Porém, isso não anula as forças externas que influem sobre mim. Ninguém existe no espaço tempo sozinho. A vida inteira é um tensionamento destas relações. Nos últimos anos, eu venho deixando estas e várias outras coisas me sobrepujarem. Porém eu estou, a pequeniníssimos passos, voltando a tomar o controle. Voltando a criar consciência, voltando a me exercitar, voltando a cozinhar da forma que eu preciso e não só aquilo que eu gosto. Tem dias que eu consigo fazer tudo direitinho, tem dia que não. Tem vez que eu volto pra buscar o balde, tem vez que eu me agarro nele e continuo viva. Tem dia que vou dançando e cantando até a academia, tem dia que eu brigo comigo mesma e me arrasto.
Nesses dias que eu supero cansaço, preguiça ou tristeza, ocorrem pequenas vitórias. Eu quero compartilhar estas conquistas, eu gosto de compartilhá-las. E não é porque eu preciso da validação de alguém, mas porque são passos importantes pra mim. E eu sei que tem gente que também se sente motivada e se inspira com essas coisas, assim como eu passei um bom tempo me cercando de conteúdo de saúde, física e mental, de nutrição pra me inspirar a sair de onde eu estava. Me acalenta pensar que o fato de que eu posto a enquete todo dia ajudou alguém a voltar ou não faltar na academia. Eu vibro quando alguém fala que fez a receita que eu passei. Se eu estiver ajudando alguém, eu fico extremamente feliz, porém isso é só uma consequência, porque eu venho fazendo o que faço e posto, porque eu estou cuidando de mim, por mim mesma. E pasmem, eu só estou fazendo isto hoje, agora, aos 30 anos.
Como este processo foi extremamente custoso para mim, em vários sentidos, eu tenho achado muito difícil tolerar coisas que eu aturei a minha vida toda e me afetaram muito. Eu ainda não tenho a capacidade de simplesmente ignorar e apesar de aprender esta habilidade ser muito útil, não resolve o problema da escrotidão humana. Se eu pudesse escolher, preferia ser combativa e colocar as pessoas nos seus lugares.
Tem algo que preciso tirar do peito, mas se fosse em público feriria vários egos
Eu não me sinto confortável com meu corpo. Muito disso tem a ver com o meu peso. Também não estou confortável com meu peso. Porém muitas gente não conseguem entender a diferença entre os dois. Veja bem: O meu peso afeta minha aparência e minha saúde. A forma e estado do meu corpo afeta minha autoestima.
A minha experiência com a bariátrica me mostrou que a redução de peso afeta muito a autoestima, pois meu corpo passou a ser aceito em vários lugares onde antes ele não era aceito. Consegui ter vários tipos de roupa, ter mais disposição e saúde, além de me sentir mais confiante nas relações interpressoais.
Porém, a vida inteira tive muita insegurança com meus braços, por conta do excesso de gordura. Após a cirurgia, esta questão se agravou, pois ficaram flácidos e com o excesso de pele.
Portanto, durante a época em que eu era mais magra, estava satisfeita com meu peso, mas não com o meu corpo.
Hoje em dia, estou insatisfeita com meu peso, mas confortável com meu corpo, na medida em que comecei a compreender melhor as transformações que ocorreram nos últimos tempos e identificando aquilo que posso mudar ou não, dentro das minhas possibilidades. Ainda possuo algumas questões, especialmente com o braço, mas nada que afete minha saúde mental ou que seja capaz de minar minha autoestima. Apesar de frustrada com a perda de roupas, entendo que isso é parte do processo de ganho de peso e que isso pode ser mudado com meu próprio empenho.
Recentemente, eu fiz uma tatuagem (a primeira), que é uma alteração corporal. Decidi que ia fazer a tatuagem durante uma conversa com bastante cerveja, porém o evento só aconteceu mesmo quase um ano depois. Ou seja, não foi no impulso. Nunca tive opiniões forte contra ou a favor de tatuagem, mas estava totalmente aberta à experiência, tanto é que fiz uma tatuagem sem muita preocupação com significado ou simbolismo, pois queria mesmo era curtir o momento.
Os receios que eu tinha com a tatuagem, na verdade, diziam mais respeito a emprego e minha mãe. No ramo onde eu trabalho, tatuagens e piercings são malvistos e portanto devem ser cobertos.
Escolhi um local onde poderia cobrir com uma blusa ou maquiagem, para que eu não fosse discriminada. Quanto à minha mãe, ou eu escondia durante um tempo ou eu mostrava de uma vez.
Antes da tatuagem, eu achava que iria demorar meses até estar totalmente preparada para conseguir confrontá-la. Porém, toda vez que vejo esta tatuagem, me sinto muito empoderada e dona do meu próprio corpo.
Ontem fui visitá-la, levar algumas lembranças que eu havia comprado durante uma viagem que eu fiz e ela começou a jogar olhares e lançar comentários, que eu prontamente rebati.
Posso não estar contente com meu peso e meu estado de saúde, mas sou feliz com meu corpo e com a autoestima que tenho atualmente. E isso é algo que não estou mais disposta a abrir mão ou ter medo de defender.
O meu desejo, na verdade, é que as pessoas entendam que a relação com o corpo, o peso e a autoestima não são diretas, mas DIALÉTICAS. É possível sim ter uma boa relação com um outro e não com outro e vice-versa e versa-versa, vice-vice. Lembrando também que estas relações são subjetivas ou seja, não importa sua opinião, mas o que a pessoa tem com seu corpo.
Várias comidas.
Definindo objetivos (de novo, de novo e de novo)
Eu sei que é um erro se pesar após o fim de semana, mas de toda forma, eu precisava começar de algum lugar.
Hoje, 27 de março: 127,6 kg.
Objetivo: alcançar os 125 kg.
Riscamos o primeiro item da lista
Semana passada, fui na terapia e comentei sobre várias coisas. Família, emprego, saúde, meu relacionamento, casos da infância, minha relação com meu padrasto, etc.
Recebi uma notícia da terapeuta: o primeiro item da lista foi resolvido. Minha mãe é uma pessoa narcisista e que passou a vida inteira me manipulando. Nossa relação tóxica é algo que se estende por toda a minha família materna.
Minha terapeuta disse que já tem algumas sessões que eu falo com mais segurança e com menos choro sobre minha mãe. E isso é verdade. Eu aprendi a responder ela, descobri que estando afastada estou conseguindo minar as manipulações e me preservar.
Riscamos o item primordial da lista. Eu precisava aprender a lidar com minha mãe para poder resolver outras questões que eu tenho. Aí a terapeuta me perguntou uma coisa que eu fiquei com muita dificuldade de responder.
O que você quer resolver agora?
Eu fui praticamente desarmada. Eu sei que tenho várias questões a tratar, mas não tinha certeza do próximo passo. Porém, chutei que eu preciso tratar minha individualidade.
Nem sei se é isso mesmo que eu quero resolver, mas com certeza é um problema com o qual eu lido todo dia.
Entenda, eu não sou uma pessoa submissa, sem personalidade ou apática, muito antes pelo contrário. Tenho várias preferências, vontades, crenças e posicionamentos aos quais em apego.
Porém, por conta da criação dada por minha mãe, uma grande parte dessas expressões foi suprimida ao longo do tempo. As coisas que ainda sou capaz de expressar e fazer, eu ainda faço com extrema preocupação do que as outras pessoas vão pensar ou são carregadas com algum tipo de culpa.
Ainda tenho dificuldade de receber um elogio, toda vez que vou investir em algum hobbie, fico pensando na mãe metafórica aparecendo na minha casa e fazendo comentários me julgando e deixo de fazer coisas que gosto por conta do meu parceiro. Ex: gosto de ver filmes e ele não gosta, então como ele não vai me acompanhar, não assisto nada. Também em sinto mais confortável sendo prestativa, altruísta do que fazendo coisas para mim (egoísmo no bom sentido).
Talvez, pelo fato de eu ainda pautar minha vida nos outros, minha individualidade está prejudica e isso respinga na autoestima. Não é que eu não tenha amor próprio, mas é difícil fazer coisas para mim mesma.
Espero que seja isso mesmo que eu tenha que tratar.
Um passo de cada vez.
Ontem fui na terapia e mostrei meu planner. Tenho anotado tudo que eu como e o contexto geral do que eu estou comendo (o que estou sentindo ou fazendo no momento). É claro que estou fazendo estas anotações para mim mesma, como uma terapia cognitiva, mas ter alguém de fora olhando e avaliando sempre traz um pouco de apreensão. Tenho compulsão alimentar, desencadeada por episódios de stress. Eu já sabia que tinha a compulsão, mas anotar me fez identificar quais episódios tem mais impacto. Tenho percebido que cobranças no trabalho são um grande gatilho, então vou trabalhar para contornar isso. Hoje em dia eu entendo que tenho uma autogestão fraca, que faz com que eu seja cobrada diversas vezes o tempo todo. Eu sempre entrego tudo no prazo, mas a verdade é que às vezes eu procrastino, outras vezes eu dou prioridade às entregas erradas e acabo me desdobrando nos 45 do segundo tempo para conseguir entregar tudo. Tem dado certo no trabalho, mas a que custo, para minha vida pessoal?
Não posso ter chocolate em casa. Ou eu vivo uma vida sem chocolate ou eu como compulsivamente. Não existe terceira via.
Insano pensar que esse prato equivale à mesma quantidade de calorias de 2 snickers
Insano pensar que esse prato equivale à mesma quantidade de calorias de 2 snickers