Já tem dona, bj requalque.
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I'll always belong to you. @Mayerson
Ficou meio sem jeito com as palavras da menina e fez uma careta. “Ora essa, Vic, você sempre está bonita, não sou eu que mudarei isso com uma simples fotografia.” Seu braço permanecia no ombro dela, de forma protetora e carinhosa, onde se encaixava perfeitamente, como se fosse feito para estar ali. Victoria parecia-lhe tão frágil que ele tinha medo que pudesse quebrá-la só de tocar nela, mas ao mesmo tempo tinha uma vontade imensa de apertá-la contra si.
Não sabia ao certo que tipo de carinho possuía pela garota. Era normal sentir um grande afeto por uma amiga, certo? Ainda mais se fosse a irmãzinha de sua namorada. Mas às vezes sentia-se mal exatamente por ela ser a irmãzinha de sua namorada. Não estava traindo Eileen ou nada do tipo, mas era normal passar mais tempo com a cunhada do que com a garota que ele mantinha uma relação amorosa?
O sentimento de culpa sumiu assim que ouviu a voz da amiga novamente. Ela estava brava com ele, ou pelo menos tentava soar assim, considerando que o tom de voz mantinha certa preocupação e ele não conseguia imaginar aquele rostinho adorável com expressão irritada. Mas pelo tom de voz, sabia que ela estava falando sério. “Me desculpe, Vic. Prometo que vou comer um cheeseburger duplo o mais rápido possível.” fez um gesto afirmativo com a cabeça, para que ela soubesse que ele levava a sério sua preocupação. “Podemos comprar alguns bolinhos também. Para enganar a fome, pelo menos por ora, enquanto não vou para casa. E depois eu te acompanho de volta para casa e talvez fique um pouco lá. Você sabe, dizer um oi para Eileen e tudo o mais.” Deu-lhe um sorrisinho. Estavam andando depressa para que ele pudesse comer logo, assim imaginava, e a preocupação da garota desaparecesse.
“E já que vou para sua casa, podemos fotografar você lá. Você tem uma caixa de bonecas e pelúcias, certo?” ergueu uma sobrancelha, tentando se lembrar de ver algo no quarto da garota. Não conseguia se recordar de já ter estado no quarto dela, de fato, mas toda garota tem bonecas e pelúcias, pelo menos era o que ele pensava. Elas deviam gostar de guardá-las como recordação ou enfeite. “Mas tudo bem. Se você não tiver, acho que sua irmã não se importará de nos arrumar algumas, não é? Estou pensando em transformar você em uma boneca.” Passou a mão pelo cabelo macio dela e sorriu. “Vai ficar perfeito. Poderemos pendurar as fotos por toda a casa.” Deu um soquinho de leve no queixo dela, carinhosamente. “Isto é, você não acha que Eileen ficará com ciúmes das fotos, ou acha? ela não vai se importar nem impedir você de pendurar suas fotos pela casa, acredito.” Mordeu o lábio inferior, pensativo. Seu braço deslizou pelo ombro até o antebraço da menina. “Uma menina tão bonita não pode ter sua casa privada de fotos dela própria.” Outra vez, lá estava o sorriso cúmplice que era dirigido apenas a ela. “Mas para garantir… Esse será o nosso segredinho. Pelo menos, por enquanto.” Chegaram a lanchonete e ele deixou que ela entrasse primeiro, cavalheiro. Repetiu a si mesmo que só estava sendo gentil com a irmã caçula de sua namorada.
Podia sentir sua pele queimando onde ele lhe tocava, juntamente com o seu rosto, com o elogio. Sabia que era bonita. Tinha escolhido o seu receptáculo cuidadosamente. E, mesmo que Phillip tivesse sido uma grande parte na sua decisão, ainda não o teria feito se Victoria não fosse um espécime exemplar. Ela era uma demônio. Era suposto escolherem humanos que atraíssem outros humanos, para facilitar a sua missão. Era quase que surreal como bastava um rostinho bonito para induzir até o melhor humano, no caminho que ela pretendia.
Mas, a coisa estranha naquilo tudo, era que quando olhava nas orbes brilhantes de Phillip quase que desejava que ele lhe resistisse. Tinha trabalho nele por meses, era verdade. Incansavelmente, até. O seu pequeno desafio pessoal. Mas também o tinha conhecido. A pessoa que ele era... Não desejava o destino dela para ele. Não o conseguia. Considerava aquilo uma benção, era verdade. Era imortal, forte. Ninguém a podia magoar. Mas, apenas era uma benção, pela sua crueldade. Sempre tivera um certo prazer em ver os outros sofrerem, até mesmo quando era humana, no seu próprio corpo. Não conseguia imaginar Phillip fazendo esse trabalho. Ele era demasiado... Bom. Nunca tinha conhecido um humano assim em toda a sua existência. E talvez fosse isso que a fascinasse tanto. A possibilidade de o quebrar. Mas, por outro lado, não se sentia capaz de o fazer sofrer. Sua alma estava confusa, dois lados dela combatendo por domínio e ela não tinha ideia de qual ganharia no fim.
A última coisa que ela queria era que ele fosse em casa delas, dar um oi para Eileen. De novo, aquela sensação familiar, que sempre surgia quando ele mencionava o nome de sua irmã. Uma mistura de ciúmes, inveja e o mais puro asco. Não entendia como ele conseguia amar alguém assim, tão... Sem graça. Mas havia sempre a pequena esperança que talvez fosse ela quem ele amasse de verdade. Só não tinha a coragem necessária para o dizer ainda. "Eileen não está em casa." Ofereceu-lhe um sorriso torto. A mentira saiu naturalmente, sem qualquer esforço necessário para a fazer parecer credível. "Mas você ainda me pode acompanhar até casa. Você sabe que eu odeio andar por ai sozinha." Fez um pequeno biquinho, tentando parecer o mais inofensiva possível, coisa que não era difícil, considerando o seu receptáculo. Claro que ela tinha a força necessária para desfazer qualquer humano que a tentasse atacar. Mas ele não precisava de saber desse pequeno detalhe.
"Eu tenho pelúcias e bonecas sim." Respondeu, meio a contragosto. Não conseguia entender a necessidade que ele parecia ter de mencionar Eileen em todas as conversas que tinham. Só queria que ele esquecesse aquela idiota por um segundo e lhe prestasse a atenção que ela merecia. Sorriu, enquanto ele lhe explicava sua ideia. Mordiscou o lábio inferior, um pouco irritada, com os gestos dele, a tratando como se fosse uma criança. Todos aqueles pequenos socos, o jeito que acariciava seu cabelo... Só a faziam sentir mais impotente perto dele. Não importa o que fazia ele não conseguia parar de vê-la como a irmã menor da namorada dele. Havia momentos, poucos e espaçados, que ela via um brilho confuso nos olhos dele, mas esses terminavam tão rápido como surgiam. Ele realmente era um desafio. "Podíamos fazer algo um pouco mais assustador. Como uma boneca quebrada. Possuída por um demônio." Abriu um sorriso de lado. A ironia na sua frase era quase dolorosa. "Você sempre me usa nesse tipo de ensaios, todos adoráveis. Quero fazer algo mais sério, Phillip. Algo mais... Adulto." Olhou diretamente nos olhos dele quando pronunciou as palavras e mal terminou, entrou na lanchonete, esperando que a frase dela tivesse o efeito pretendido. Procurou uma mesa, se sentando na primeira que encontrou livre, esperando que alguém viesse anotar o seu pedido. "Se você não gostou da minha ideia, tudo bem. Só acho que seria mais interessante." Deu de ombros, enquanto fazia o seu melhor olhar inocente.
Bad company @Younderson
Parecia ser um dia comum, um dia como qualquer outro. E de fato era, pelo menos para o jovem Christopher. Não fazia contato com outros de sua espécie há alguns dias. Não tinha vontade de sair de seu quarto para sentir os raios solares penetrando em seus poros. Nem mesmo sentia vontade de visitar as festas mais badalas da cidade. O garoto recusava os convites, mesmo que cordialmente, com frequência. A única pessoa com quem podia contar naquele momento, Katherina Green, estava ocupada com, provavelmente, assuntos escolares.
Rolou na cama, notando que havia um emaranhado de pensamentos dos piores tipos dentro de sua cabeça. Foi então que percebeu que não podia ficar entre aquelas quatro paredes por mais um segundo. Vestiu a primeira camiseta limpa que avistou e, também, sua calça jeans menos surrada. Teve dificuldade ao colocar o tênis. Se olhou no espelho por alguns segundos e odiou a bagunça que viu. Fez o que pode para conter seus fios rebeldes, mas não teve muito sucesso. Bufou e fechou a porta de forma abrupta assim que saiu.
Teve cautela ao atravessar as ruas do Brooklyn, afinal, não queria que algum enxerido o visse nos arredores do lado mais desprovido de, basicamente, tudo, não queria que sua reputação fosse manchada por um descuido bobo. Perambulou sem rumo nas ruas do lado mais rico e, obviamente, o lado mais sombrio. Ao mesmo tempo que ansiava por popularidade, Christopher sabia como aquelas pessoas eram e o garoto tinha uma ótima definição para as mesmas: vazias. Bom, pelo menos vazias de personalidade, porque suas casas eram cheias de mordomias, muitas vezes, desnecessárias. O garoto riu sozinho, sentindo desgosto daquele povo que, infelizmente, tinha de manter contato.
A caminhada tinha lhe rendido um parada feliz ao Starbucks. Adentrou o lugar, notando que estava praticamente vazio. Gostava de fazer visitas diárias ao Starbucks, sempre conseguia organizar seus pensamentos ali e ainda tomava um belo café. Foi até o balcão e fez o pedido de sempre, Frappuccino e alguns muffins, e foi aguardar sentado sozinho em uma mesinha que tinha suporte para até três pessoas. Era perceptível que o lugar estava quase desprovido de seus semelhantes, algo fora do comum. Talvez porque não era “horário de pico”, então as pessoas estavam ocupadas demais trabalhando. Aquilo sendo ou bom ou não, fez com que Christopher notasse uma presença certamente intrigante. Uma garota sentada há poucos metros de distância dele, também sozinha, chamou sua atenção. Deveria ter sua idade, mas o rosto possuía traços infantis, não deixando de ser bonito. Tudo nela chamava atenção, sua face, seu cabelo, seu corpo pequeno e até mesmo suas vestimentas.
O garoto tentava não encará-la por muito tempo, principalmente por aquilo ser grosseiro de sua parte, mas não conseguia, nunca tinha visto alguém com tal beleza em sua vida. De vez em quando olhava para o balcão, fingindo checar seu pedido, só para que seus olhos deslizassem na direção daquela menina estranha.
Era uma manhã como todas as outras... Tirando o pequeno detalhe que a pequena Henderson não tinha qualquer coisa para o ocupar. Suas aulas tinham sido canceladas, sua professora aparentemente adoecido repentinamente. Não que ela estivesse reclamando. Se havia algo extraordinariamente entediante de possuir um corpo de adolescente, era o fato de continuar a ser obrigada a frequentar escola, ouvir fatos que já sabia há anos. Entrou no starbucks, ansiando por uma bebida quente. Apesar de parecer estranho que uma garota da sua idade sentisse tal necessidade de cafeína, a demônio dentro dela era bem mais antiga que isso. Sempre fora um prazer especial, aquele sabor amargo. O seu pequeno vício sempre que estava possuindo algum humano. Fez o seu pedido, sem muita preocupação. Não olhou sequer duas vezes para a pessoa que estava servindo, apenas pagando e procurando um lugar onde pudesse repousar por um pouco.
Se sentou numa das mesas, a máquina nas suas mãos, o seu cappucino esquecido do seu lado. Passou lentamente as fotos, um sorriso bonito nos seus lábios, enquanto as via. A maioria delas era apenas de paisagens, mas algumas em especial tinham Phillip e seu sorriso encantador. Podia nunca ter mexido numa máquina antes de possuir aquele corpo, mas aquele talento parecia-lhe vir naturalmente, um pequeno extra daquele receptáculo. Sabia o que fazer sem sequer pensar duas vezes. E algumas daquelas fotos conseguiam captar a beleza pura do garoto, até o brilho no seu olhar. Certamente, guardaria aquilo para sempre.
Olhou em sua volta, observando o local. Certamente, estava um pouco mais vazio do que o normal, mas ela não estava pronta para reclamar. Nunca fora adepta de lugares muito agitados. Um garoto em especial lhe chamou a atenção. Podia jurar que o conhecia de algum lado, mas não fora isso que fizera seus pensamentos se desviarem para ele. Ele parecia não ser capaz de desviar o seu olhar, ao ponto de ser até um pouco desconfortável para a demônio. Por muito que tentasse disfarçar, ela ainda podia sentir seus olhos focados em si. Suspirou. Mais valia acabar com aquilo de uma vez. Se levantou, caminhando devagar para a mesa dele.
"Você quer alguma coisa?" Perguntou, diretamente, arqueando suas sobrancelhas em curiosidade. Victoria não era uma pessoa que achava que rodeios eram necessários, fosse para que fosse. O melhor era sempre ser o mais direta possível no seu discurso para ter a certeza que as pessoas entendiam claramente sua intenção. E, naquele caso, sua intenção era saber porque aquele garoto a estava encarando de lado fazia uma meia hora. "Eu sei que sou bonita, mas ficar me encarando é um pouco de mau tom." Desta vez, pronunciou as palavras com um sorriso brincalhão nos lábios, apenas com uma ponta de arrogância nele. Além de que era mais que tempo de começar trabalhando em algumas almas humanas por ali. Não sentia nenhuma presença naquele garoto, nada de errado. Aparentemente, ele era um humano perfeitamente normal. Um lugar tão bom quanto todos os outros para começar. "Você é Christopher Young, certo?" Algo no seu cérebro deu um pequeno clique e reconheceu o rosto de garoto da Gossip Girl. Se não se enganava, ele era até bastante popular em St Judes. Definitivamente, uma alma interessante para conquistar. "Victoria Henderson. Prazer em te conhecer."
I'll always belong to you. @Mayerson
“É, acho que ela esqueceu de mencionar. Mas tudo bem.” Ergueu um dos cantos da boca, em um sorrisinho sem graça. Se recordava de deixar um recado para a mais velha das irmãs avisando que precisaria de uma parceira para um projeto. Imaginou que Victoria iria, pois ela não o deixaria na mão nunca. E Eileen não tinha por fotos a mesma paixão que ele – a paixão que compartilhava com Victoria.
Sentiu o rosto esquentar quando viu os olhos da loirinha fixos nele. Phillip abaixou a cabeça, evitando olhar diretamente para ela. “Ela… era só uma velha amiga. Era boa, bem… fotografável. Mas ela não é você, então…” mordeu o interior da bochecha, sem conseguir controlar o sorriso que escapava por seus lábios. “Não sei, acho que é porque nos damos tão bem e gostamos da mesma coisa aí fica mais fácil e mais natural, sabe, quando trabalhamos juntos.” Enfiou as mãos nos bolsos para contê-las, pois tinha certo medo de onde elas poderiam ir se ele não as escondesse. Aquele rostinho adorável continuava focado nele e tão perto. Ele tinha vontade de guardá-la em uma caixinha e ficar olhando para ela, como se fosse uma bonequinha.
Às vezes ele acreditava que ela era uma bonequinha. Talvez por ser a irmã mais nova de sua namorada, não tinha certeza, mas não conseguia aceitar que ela era uma pessoa real. Não sabia bem o porquê, talvez por sua graça e elegância, ela podia ser facilmente confundida com uma boneca que ganhara vida. Ele cogitou fotografar algo do tipo mais tarde. Victoria em uma caixa de bonecas. Rodeada de pelúcias e outras bonecas. Seria um cenário perfeito para ela. Podia imaginar um álbum só de fotos deste tipo.
Eles poderiam tirar as fotos naquele exato momento, ele só precisava terminar de editar e revelar suas fotos e comer alguma coisa. Assim que ela informou as horas percebeu que estava na sala há mais de duas horas e seu estômago começou a roncar, como se a menção de uma refeição o tivesse deixado faminto repentinamente. Entretanto o mais provável era que ele tivesse ignorado o estômago por causa das fotos.
“Talvez eu tenha me empolgado um pouco com o projeto e me esqueci de comprar alguma coisa…” fez uma careta. Victoria estava sorrindo, ainda, o que o deixou meio sem graça. Toda vez que olhava para ela sentia como se ela pudesse enxergar seus pensamentos. “Mas agora eu mataria por um cappuccino.” Pegou sua mochila e guardou suas coisas lá, depois passou a alça pelo ombro e fez um gesto de cabeça para saírem do laboratório. Mais tarde, quando Victoria tivesse outro compromisso, ele voltaria e concluiria seu trabalho. “Quer saber, eu tive uma ótima ideia de fotos para você. Na verdade, um álbum inteiro. Vai ficar incrível.” Olhou para ela e imaginou-a novamente no cenário da caixa de bonecas. Podia imaginar também os quadros que ela penduraria pela casa com suas fotos. Se perguntou se Eileen gostaria ou sentiria ciúmes ou sequer ligaria para as fotos. “Eu posso te contar enquanto comemos. Acho que você vai gostar. Se gosta tanto dos meus projetos assim.” Deu-lhe uma piscadela e sorriu, passando o braço pelo ombro da garota enquanto a conduzia para fora da escola.
Não estava tudo bem. Longe disso. A vontade de matar a irmã querida do seu receptáculo estava maior do que nunca, ao ponto de a fazer querer deixar Phillip falando sozinho apenas para estrangular aquela vadiazinha. Quem ela pensava que era? Não dava a mínima para que ela achasse que tinha algum direito sob o garoto. Era óbvio quem ele preferia naquela história inteira. Não duvidava nem por um segundo que havia qualquer outro motivo para ele estar com Eileen além de pura comodidade. Não era possível, pelo menos no seu cérebro, que uma pessoa tão incrível como ele fosse se apaixonar por uma garotinha sem sal que nem ela.
Os ciúmes queimavam no âmago da sua alma, mas manteve o sorriso nos lábios, tentando se mostrar o mais impassível possível. Não o conseguia evitar. Apenas o pensamento de alguém se aproximar tão intimamente de Phillip, partilhando algo que era deles a fazia querer quebrar alguma coisa. Especialmente da vadia que se atrevera a tocar-lhe. Sentiu seu rosto aquecer perante aquelas palavras. 'Ela não é você'. Uma fagulha de esperança se acendeu dentro dela. Talvez ela não tivesse de fazer nada. Talvez ele já gostasse dela e não tinha coragem de dizer nada por causa de Eillen. Talvez houvesse esperança para eles. "Sim, sem dúvida. Além de que adoro posar para você, você sempre me faz parecer tão bonita." Confessou, uma pequena risada tímida ecoando na sala, sem que ela se apercebesse que escapara. Ele fazia sentir-se uma criança, perdida na sua primeira paixão. Mais do que isso, ele fazia-a sentir-se humana de novo.
Não gostava de se sentir assim. Na verdade, muito pelo contrário. Fazia sentir-se fraca, inferior. Estava deixando aqueles sentimentos humanos a afetarem, os mesmos que jurara abandonar para si mesma, quando fora aceite por Lúcifer. Queria servir a causa mais do que tudo, deixar o seu senhor orgulhoso. Mas dava por si perdendo mais tempo pensando no garoto Mayer que em qualquer missão que lhe fosse dada. Na verdade, no tempo inteiro que passara naquela dimensão, não tinha garantido qualquer alma. Apenas atormentando sua irmã e, de um certo jeito, perseguindo o garoto.
"Você sabe que isso não é saudável, Phillip." O repreendeu, deixando que seu sorriso sumisse dos seus lábios por uns segundos, para ele ver que estava falando sério. Mais do que qualquer outra coisa, se preocupava com ele. Com uma simples vida humana. Como conseguiria roubar a alma de alguém que nutria uma preocupação tão sincera pelo seu bem estar? Sabia o que lhe esperava no inferno. Seria realmente capaz de o trazer consigo? "Mas um cappucino me parece ótimo." Acabou por suavizar seu tom. Nunca conseguia ficar chateada com ele por muito tempo, não importava o motivo. "Me conte tudo sobre ela. Tenho saudades que você me fotografe, mesmo que prefira estar atrás da máquina." Deu uma curta risada, entrelaçando o seu braço no dele e começando-o já a arrastar para fora da sala. "Vamos logo, você precisa de se alimentar."
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Era mais um dia normal e monótono na escola, ele estava no laboratório de fotografia (como sempre) revelando seu mais novo trabalho: fotos que tirara de Amber Thompson para um de seus projetos – e ele estava pensando em dar as fotos para ela depois que garantisse um A, para que ela fizesse um book ou coisa do tipo. Garotas gostavam dessas coisas: fazer poses e tirar fotos. Entregue uma câmera a elas e quando devolverem voltará com a memória repleta de fotos de meninas sendo meninas.
Ouviu alguém bater na porta e disse para que entrasse. Não tinha ideia de quem fosse, já que ninguém ficava muito tempo em uma sala de aula e se ficasse não duraria muito, pois não gostavam da companhia dele. Deveria ser porque ele não falava muito e se focava em suas fotos.
Surpreendeu-se ao ouvir seu nome e arregalou os olhos quando reconheceu a voz. Depois sentiu um par de braços ao redor dele e seu coração acelerou. O que ela estava fazendo ali? Quando Victoria se afastou, ele sorriu de volta. “Ei, eu achei que você viesse para minha aula outro dia. Você sabe, tema livre para fotografar, eu pensei em fotografar você, sabe, de parceria para um novo projeto.” Ele apontou com o queixo para seu caderno, onde estavam as anotações da aula. “Mas aí acabei fotografando uma amiga.” Deu de ombros, como se não tivesse sentido falta dela.
Não voltou os olhos para as fotos. Revelara algumas que julgara mais espontâneas, mas ainda faltava boa parte das fotos e ele não conseguia tirar a atenção da caloura. Ele gostava da companhia da irmã mais nova de sua namorada porque podia ser ele mesmo com ela. Não que fingisse ser outra pessoa perto de Eileen, mas tinha um tipo de pressão interior; sentia que precisava responder às expectativas dela para com ele. E com Seth, precisava ser mais… como Seth: extrovertido e popular (não que ele conseguisse; na maior parte do tempo, apenas ficava de companhia e sorria).
Mas Victoria… ela entendia sua paixão por fotografia e não reclama dele ficar isolado demais em seus projetos. E quando conversam, flui naturalmente, de modo que ele não precisa forçar risadas. Por isso, não podia simplesmente deixa-la de lado e focar no trabalho. “Eu ia terminar meu projeto, mas… Podemos sair daqui e comer alguma coisa, o que você acha? Aliás, que horas são?”
Tentou se recordar do pedido de Phillip, sem muito sucesso. Não tinha a menor ideia quando ele a tinha chamado para assistir a sua aula. Se soubesse, certamente teria aparecido. Não lhe parecia que houvesse uma maneira melhor de passar seu dia do que sendo fotografada pelo garoto, captada através da lente de uma forma que apenas ele conseguia fazer. Ele era talentoso, sem qualquer sombra de dúvida. A capacidade dele de captar sentimentos através de uma simples fotografia era surreal. Podia passar horas apenas passando os olhos pelas milhares de fotografias já tiradas por ele, apenas para descobrir novos detalhes em todos elas. Sabia que estava cruzando uma linha perigosa, a qual não sabia se seria capaz de retornar. Sua obsessão era excessiva, no fundo, ela sabia disso. Mas continuava mentindo para si mesma, dizendo que estava apenas mantendo as aparências, conseguindo mais uma alma para Lúcifer. O motivo pelo qual ela passava tanto tempo o perseguindo, era apenas por querer algo que não lhe pertencia. Só isso. Era uma mentira boa o suficiente para a fazer continuar... Pelo menos, por enquanto.
"Eileen deve ter esquecido de me passar o recado." Abriu um sorriso plástico, uma reação automática sempre que mencionava o nome da irmã, especialmente na presença do outro. Enquanto, ele continuasse pensando que ela era uma irmã boa e simpática, não teria qualquer problemas em se manter por perto. Receava que se ele descobrisse a verdade, a expulsasse de sua vida, tirando-lhe qualquer chance que ela teria de reaproximação. Victoria tinha passado meses fingindo afeto por a garota do mesmo sangue que ela. Porque ela não conseguira, uma demônio poderosa? "Que amiga? Aposto que ela não era uma modelo tão boa quanto eu." Deu uma risada tímida, tentando não deixar seus ciúmes passarem muito para o seu exterior. Era estranho o quanto possessiva ela conseguia se sentir, com algo que não era seu em primeiro lugar.
Observou o seu rosto bonito, deixando-se encantar pelo seu sorriso, enquanto ele continuava falando. Notava sempre que era um pouco mais brilhante, mais sincero quando estava com ela. Não fazia ideia do motivo e se conteve para não ler a sua mente para descobrir a razão. Por algum motivo, parecia-lhe errado fazer isso com Phillip. Queria conquistar a sua alma do jeito certo, do jeito mais difícil que havia. Sendo ela própria. Não havia outro desejo superior a esse na sua alma. Queria revelar-lhe a sua verdadeira natureza, confessar-lhe que fazia semanas que não era Victoria ali, mas sim, outra pessoa. Mas teria de esperar para o fazer. Não poderia arriscar se denunciar. Não ainda.
"Não quero interromper seu projeto, Phillip..." Murmurou, com um meio sorriso. "Mas não consigo resistir a um convite seu. Quase cinco. Acho que está na altura de você fazer uma pausa de todo o jeito. Você sequer almoçou?" Perguntou, um sorriso bonito nos seus lábios. O conhecia o suficientemente bem para saber que não seria impossível que o garoto simplesmente tivesse esquecido de comer, demasiado absorvido no seu trabalho para lembrar de qualquer outra coisa.
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Caminhou pelos corredores de St Judes, confiante. Sabia que os olhares de todos estavam em si. Era estranho ver uma garota por ali, especialmente dentro da escola. Fora fácil fazer com que a deixassem entrar. Seus poderes eram superiores à vontade de qualquer humano, especialmente a de um estúpido porteiro numa escola. E, mesmo sem eles, duvidava que não conseguisse o que queria. Era quase surreal o que um rostinho bonito e inocente conseguia por aqueles dias. Podia ver todos à sua volta simplesmente se derretendo por ela. Mesmo sem a possessão, Victoria Henderson era uma das pessoas mais manipuladoras que New York já tinha conhecido. Parecia saber exatamente o que dizer e fazer para que todos ao seu redor a obedecessem, seguissem suas ordens sem nem a questionar um segundo. Fora o que chamara a sua atenção para aquele corpo em primeiro lugar. A garota era jovem, mas já tinha aquela capacidade de cativar todos ao seu redor, manter uma máscara cuidadosamente talhada para não deixar ninguém ver o quanto cruel era de verdade. Quase que merecia sua admiração. Apenas quinze anos e já demonstrava tanto potencial. Mesmo sem a intervenção dela, não duvidava que a garota já tivesse o seu lugarzinho reservado no inferno nem por um segundo.
Tinha escolhido aquele receptáculo cuidadosamente. E, a verdade, a qual nunca admitiria para ninguém, é que fora as relações de Victoria Henderson que a fizeram tomar sua decisão final. Em especial, uma delas. Phillip Mayer o namorado da sua própria irmã. Se já tinha ficado interessado no garoto antes de possuir aquele corpo, o seu interesse só tinha duplicado depois. Era apenas sua segunda vez numa missão térrea. Se tinha sido difícil separar os seus sentimentos dos da primeira humana que possuíra, daquela vez estava sendo trezentas vezes pior. Victoria era mais forte, mais decidida. Podia sentir o afeto pelo garoto e, aos poucos, começava passando para si mesma. Era horrível. Nunca sentira nada assim e se recusava a deixar aquilo continuar. Tinha uma missão e pretendia cumpri-la. Sempre tinha desprezado qualquer um que se deixava levar por aqueles sentimentos humanos, achando impossível que isso fosse acontecer com ela. Era um demônio. Agiria como um.
Mas apesar de sua decisão, ali estava ela. Caminhando para o laboratório de fotografia de St Judes, o único lugar que tinha certeza que acharia Phil. Era inevitável. Sentia uma atração natural por ele, uma vontade de estar na sua companhia incontrolável. Claro que mentia para si mesma. Phillip tinha uma alma pura, bondosa. Tudo o que ela queria era corrompê-la o suficiente para terem um novo aliado. Um pequeno desafio pessoal. Não estava em nada relacionado com os sentimentos dela pelo garoto. Nem um pouco. Finalmente, alcançou o lugar que procurava. Bateu na porta, esperando uma resposta do outro garoto para entrar. Sabia que se entrasse no momento errado, podia arruinar a revelação de qualquer foto dele. Quando ouviu um 'Entre' um pouco distraído, não o hesitou em fazê-lo, abrindo a porta e colocando o seu melhor sorriso no rosto. "Phillip!" Exclamou, dando alguns passos apressados em direção a ele e entrelaçando o seu pescoço, abraçando-o com vontade. Podia sentir o odor característico dele, fazendo-a sorrir involuntariamente. Era algo almiscarado e o doce que ela simplesmente não conseguia evitar se não adorar. Se afastou dele, o mesmo sorriso nos lábios, colocando ambas as mãos atrás das costas, cruzando seus dedos, na sua melhor pose de inocência. "Eileen me falou que você ia passar o dia todo aqui sozinho." Uma mentira. Eileen não tinha dito uma palavra para ela, mas não se importava. Não era como se ela fosse descobrir. "Decidi te fazer um pouco de companhia. Espero que não se importe. Você sabe que eu adoro te ver trabalhar."
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