Seu nome é DRACO, mas para aqueles que o conhecem — e são poucos, muito poucos — ele é apenas O DEVORADOR. Sua habilidade se resume ao ato de roubar — ou, para ser mais preciso, ao ato de COMER — as memórias das pessoas. Com um toque rápido, o Devorador consegue acessar o arquivo de memórias da vítima e sequestrar uma delas para si mesmo. Uma lembrança de infância, um segredo guardado a sete chaves, um momento de amor — tudo desaparece em direção ao seu estômago, que se sente saciado logo depois. Digamos que passar fome nunca foi uma preocupação.
Ele também é um dos MENTORES (técnicos) da Mansão Umbra, no entanto está frequentemente mancomunado a missões de ESPIONAGEM — o que significa que o seu tempo disponível para o exercício da mentoria pode ser afetado. Ainda assim, sempre que possível, Draco retorna à Mansão e se dedica a treinar os discípulos para o RECONHECIMENTO TÁTICO e para a ENGANAÇÃO, além de conciliar isso com uma de suas funções mais importantes: assegurar que a localização e a existência da ilha permaneçam ocultas, eliminando qualquer indício — devorando qualquer memória — que possa levar os inimigos até eles.
headcanons
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01. Talvez Draco tenha um pequeno problema com álcool. Um pequeno problema, é claro. Nada muito grave a ponto de comprometer suas funções ou torná-lo incapaz. E, ainda assim, o problema está lá. Parado. Constante. Um companheiro de longa data que nunca o abandonou definitivamente, mas que apreciava sumir de tempos em tempos apenas para retornar duas vezes pior. Ao crescer nas ruas, aprende-se cedo que a sobrevivência do indivíduo também depende dos seus momentos de lazer. Enquanto alguns encontram consolo em um abraço, Draco, com não tanto acesso a esse tipo de conforto, busca refúgio no fundo vazio de uma garrafa.
02. O rapaz foi uma criança que se perdeu na Costa da Califórnia, nos EUA, após o naufrágio do cruzeiro reservado por sua família para uma viagem. É certo que seu nome verdadeiro não é Draco Callisthenes Mormodemos — com certeza seus pais, pessoas práticas e sem muita criatividade, o teriam nomeado de forma comum, como Joel ou Peter. No entanto, Draco preferia não pensar nisso. Preferia não pensar em pessoas mortas. Na verdade, ele optava por ignorar o "John Doe" que as autoridades lhe atribuíram em seu caso, ao invés de continuar usando um nome que claramente sinalizava a qualquer americano: "Ei, olhem aqui! Sou órfão de um desastre desconhecido. Talvez um imigrante ilegal. Não estou tentando roubar seu emprego, então não me encare assim."
03. Draco coleciona pequenos objetos aleatórios que ele encontra durante suas missões de espionagem ao redor do país. Esses itens — como um botão perdido, uma moeda antiga, um pedaço de tecido colorido ou até mesmo uma folha seca e desbotada — são guardados em um pequeno baú de utilidades embaixo da sua cama. Ninguém tem permissão de tocar.
04. Se fosse honesto, ele reconheceria que é anormal ver alguém tão desleixado em uma posição de mentoria, especialmente considerando que alguns de seus próprios discípulos têm idades semelhantes à sua. Não podemos dizer que a resistência possui a liberdade de ser comparada a uma instituição respeitável como uma universidade, onde títulos e anos de experiência em pesquisa são mais valorizados. No entanto, Draco acha insano pensar em si mesmo como uma espécie — na verdade, uma mutação; dessas mutações de filme de terror, onde o inimigo extraterrestre aparece todo desfigurado e coberto por bolhas de pus — de professor.
𝒾 𝓃 𝓈 𝓅 ℴ. characters.craig tucker (south park). rue bennet (euphoria). ash lynx (banana fish). phillip gallhagher (shameless). shego (kim impossible). reid (serpent & dove ). nástenka (noites brancas). music. in all my dreams i drown (the devil's carnival). dark is the night (tёмная ночь, lit. dark night).
pés descalços pela manhã ; cesto de roupa suja transbordando ; lençóis bagunçados sobre a cama; livros inacabados ; cinzeiro com cigarros ; o cheiro persistente de café ; mentiras que parecem genuínas ; o eco de um teatro vazio ; pedir desculpas constantemente enquanto repete os mesmos erros ; olheiras ; uma garrafa de whiskey vazia ; um frasco esquecido de analgésicos sobre a pia.
𓂅 ⋯ ⠀› Deixou escapar um riso incrédulo e anasalado, revirando os olhos e virando a cabeça de um lado para o outro como se pudesse encontrar uma câmera de pegadinha. Draco era tão teatral que parecia com algo inventado apenas para pressionar um nervo em Tyrone. ❛ De onde eu venho isso se chama preguiça e dormir no ponto. E por aquelas bandas também dizem que camarão que dorme, a onda leva, então fica esperto. Se a onda te levar, o castelo de areia do Larc caí. ❜ Arqueou as sobrancelhas, repetindo uma das tantas pérolas de sabedoria das senhoras de seu bairro. Apesar dos olhares reprovadores que começou a receber delas após seu trabalho, Tyrone ainda recordava seus ensinamentos com carinho, quando brincava na rua e aceitava tomar chá com biscoitos junto delas, ouvindo todas as fofocas do bairro.
Aquele cara parecia ser problema e Tyrone não duvidava de que tinha mexido com seu jogo, então prestou atenção ao receber suas cartas. Se apoiou na cadeira e passou a organizá-las na mão com a testa franzida, concentrado na tarefa e nem ao menos percebendo o olhar analisador do outro percorrendo sua aparência.
Seu cenho franziu ainda mais com o arrancar do esparadrapo e a revelação da marca. ❛ Tu quase enfaixou metade da cara igual o Homem Invisível só por causa desse cortezinho? ❜ Arqueou uma sobrancelha, um pouco mais incrédulo. Parecia ser esse o dom de Draco: deixá-lo cada vez mais incrédulo. ❛ Deixa eu entender: aí o cara fez o quê aí? Te cortou com uma faca de pão? ❜ Riu, querendo o desenrolar da história. ❛ Me pegaram na rua uma vez e eu tive que substituir uns dentes. ❜ Compartilhou, esperando que servisse como alguma estranha forma de consolo.
Pegou o copo com a mão livre, erguendo-o e analisando o conteúdo. ❛ O que você está bebendo aqui? ❜ Mas, mesmo sem resposta, já estava virando e sentindo o conteúdo descer queimando por sua garganta. A sensação conhecida lhe deixou mais afável e confortável no cômodo de modo quase instantâneo, desabou na cadeira como se fosse uma poltrona macia e não um assento de madeira duro qualquer. ❛ Não sei o que é, mas é coisa boa. Pelo menos de bebida você entende, Cachinhos Dourados. ❜ Draco poderia não ter cachinhos, e eles poderiam não ser tão dourados, mas era a lei que qualquer pessoa minimamente loira se tornasse Cachinhos Dourados aos olhos de Tyrone.
Ele assistia a garganta de Tyrone reverberar com um riso rouco, seus lábios revelando o brilho dourado do ouro nos dentes. Draco se sentia mais para o esquisito que fica na sombra dos grupos populares, o tipo de pessoa que observa a diversão dos outros sem nunca se arriscar a fazer parte dela, do que para o garoto invisível no ensino médio. Por uma noite, ele gostaria de fingir que poderia se encaixar; que poderia retribuir um sorriso quando alguém sorrisse para ele, como se fosse algo comum e acontecesse todos os dias do ano. É isso o que as pessoas fazem? Ele se perguntou, sentindo suas bochechas doerem com o esforço do sorriso, enquanto encarava as cartas em seu deque. Com um movimento rápido, pincelou uma delas e a colocou sobre o monte na mesa.
"Hmmm... Eu acho que o castelinho de Larc é mais firme do que parece..." Draco estalou a língua contra o céu da boca. Sem manilha, sem às. Ok, ele não estava indo muito bem naquele jogo. Se dependesse do Joker para ganhar, era bem capaz de levantar as mãos e desistir ali mesmo. " ... além disso, eu sou muito bom no que faço. Muito obrigado." — e ele realmente era. Até certo ponto. Se não contasse aquela vez em que fora capturado em uma missão de espionagem no setor de marketing da StarGate… bom, ele era ótimo, sim.
"Pra começo de conversa..." apontou dramaticamente para a cicatriz no supercílio. "... foi a coisa mais sangrenta que eu já enfrentei na vida, ok? Não subestime o poder traumático que essa coisinha teve. Sou uma pessoa sensível, oras." Era uma mentira, claro. Na melhor das hipóteses, uma mentira branca. Mas ele não se importava com isso, nem com as possíveis consequências. O que importava era construir uma persona interessante o suficiente para arrancar de Tyrone, pelo menos, um olhar de reconhecimento. Quando o fizesse… Bem, ele ainda não tinha decidido o que faria depois disso, mas sabia que queria fazer alguma coisa. Em breve. "Deixando claro, foi um soco. E, ouch, ele doeu. Tinha um anel na mão."
Na mesma hora que a palavra "mão" escapou dos lábios de Draco, ele desceu o olhar para a mão de Tyrone, cada dedo adornado com anéis. Se essa fosse uma mesa de pôquer, onde um palpite valesse mais que qualquer quantia, Draco apostaria que Tyrone só usava tantos anéis porque tinha uma carta de ilegalidade escondida sob a manga. O cara tinha o cheiro de perigo, um tipo de perigo que Draco reconhecia com a mesma facilidade com que identificava uma rua movimentada em Oakland. Era quase natural, essa sensação de ter sido um garoto de doze anos perambulando pelos bairros, recebendo um ou dois "hei, Jhon" dos traficantes da esquina.
Foi até um dos armários e começou a vasculhar, suas mãos movendo-se rapidamente até que finalmente exclamou um "achei!" com o sorriso de quem acabou de resolver aquela equação foda de Einstein. Com um gesto rápido, ele pegou um litro de Coca-Cola. Ainda mais rápido, Draco retornou à mesa, mordendo a tampa da garrafa e cuspindo-a no chão da cozinha com um gesto preguiçoso. "Ok, você vai amar isso." o rapaz agarrou um copo e despejou metade de refrigerante e metade de Bacardi. Depois, deslizou o copo até o alcance de Tyrone, fazendo questão que o outro enxergasse o gesto como a coisa teatral e cheia de drama que era. Se na história de Cachinhos Dourados ela tivesse tido dois comas alcoólicos por misturar analgésicos de farmácia com White Horse e gelo de coco sabor maracujá... aí sim aceitaria aquilo. "Voilá."
Ayla cruzou os braços, o semblante outrora ameaçador, agora com uma sobrancelha arqueada, buscando ler o rótulo da garrafa borgonha nas mãos de Draco. Prontamente, saltou de seu assento, indo até um dos armários ao passo que a cozinha começava a ser esvaziada com o cair da noite. Alcançou com destreza duas taças, algumas das poucas que ainda haviam sobrado na mansão, e foi até a frente do rapaz. "Você diz isso como se tivesse opção, Draco." Sorriu de canto, os olhos cortantes indo em direção à garrafa e de volta ao olhar do outro. "Vamos transformar isso em um acordo de negócios, então: algumas taças do vinho por alguns copos do bourbon 12 anos que tenho escondido no quarto. É pegar ou largar". Disse, estendendo uma das taças a ele.
Draco abriu e fechou a boca, como um peixe fora d'água. Não que fosse novidade — ele nunca fora bom com palavras. O silêncio sempre lhe parecera uma opção mais segura, e as pessoas costumavam elogiar essa sua habilidade de saber a hora de calar a boca. Mas Ayla… Que droga. Essa garota instigava o lado orgulhoso de Draco a querer revisitar todas as sessões que teve com a fonoaudióloga, apenas para conseguir lhe dar uma resposta sarcástica à altura.
"Touché. Aceito o acordo." murmurou, inclinando a cabeça, desistindo da ideia. Talvez um sorriso fosse suficiente para passar a impressão de que ele ainda tinha controle da situação. Contentou-se com arrancar a rolha do vinho com a boca e cuspi-la em algum canto da cozinha. Isso, pelo menos, sabia fazer muito bem. "Você nunca muda, né?" Draco encheu as duas taças, o líquido escuro vibrante contra o vidro. Uma vez, derramou um pouco por engano em sua camiseta branca e pelo menos três dos internos perguntaram com preocupação se ele tinha levado uma facada. Com o pensamento, o garoto levantou seu queixo, finalmente travando o olhar nos olhos penetrantes de Ayla — e chegou à conclusão, com certa ironia, de que ela seria a primeira a lhe dar uma facada se fosse preciso. "Acho que esse tanto de álcool não vai te deixar chegar aos quarenta. Vamos torcer para o fígado aguentar até lá."
A raiva demonstrada por Draco fez o corpo de Sophia reagir. Ela deu um pequeno salto, seu corpo ficou tenso e deu um pequeno salto para trás. O tom fazia relembrar os homens que ficavam irritados com ela ou até mesmo, o homem que ordenava sobre ela, que quando Sophia dizia não ele não ficava feliz.
Ao sentir a mão a tocar no seu braço, Sophia afastou-se de Draco "Acho melhor não." Respondeu, seu tom um bocado tremeroso. Ela não queria que Draco lhe toca-se, que Draco voltasse a ver as suas memórias. Se isso fosse fazer ele ficar irritado com a situação.
Ele dizer que estava a segura, a fazia sentir ainda menos segura. Stargate estaria á procura dela, de certeza que estava há procura, e isso a fazia questionar se eles não poderiam encontrar a ilha. "Ninguém está seguro em lado nenhum..." Murmurou para ela mesma. "É melhor ir embora..."
Draco engoliu um suspiro de frustração, sua garganta fazendo um barulho engraçado ao passo que ele engolia, o pomo-de-adão movendo para cima e para baixo. Ele sabia que não conseguiria descansar a cabeça no travesseiro se não tivesse terminado o que pensava em fazer naquele momento. De repente, ele tomou uma atitude. A urgência fez com que sua mão se movesse, os dedos tocando levemente os de Sophia — rápido e imperceptível para quem estiver prestando atenção entender, algo que ele havia aprendido com a prática da espionagem na mansão.
Foi tudo muito rápido. As memórias estavam lá, flutuando, e Draco as roubou todas — três meses inteiros — convertendo-as em energia para seu estômago, deixando na boca o gosto metálico de sangue. Honestamente; traumas eram os piores de engolir. Se pudesse escolher o cardápio de Sophia, evitaria esse tipo de lembrança — mas não havia escolha. Era melhor que estivessem com ele. Melhor dentro do seu estômago do que pulsando nos pensamentos da fada, cutucando feridas que nunca se fechariam por conta própria enquanto permanecessem dentro dela.
Ele coçou levemente a garganta, pigarreando. Não havia apagado a lembrança que conscientemente a levou até a mansão Umbra com os próprios pés, mas não restaria nada além de um breu escuro sempre que sua mente tentasse acessar o que acontecia quando ela entrava para dentro daquelas salas; daquelas reuniões, com a Stargate. Nada de investidores. Nada de mãos. Nada de toques. Ao menos, no que dizia respeito aos últimos três meses.
"Desculpa. Esbarrei em você. Foi instantâneo." Draco mentiu, oferecendo a ela um sorriso. "Como está se sentindo?"
cheguei atrasado para o ask-game, afinal somos todos filhos do carnaval do brasil. mas estou aqui de volta à todo vapor. estarei mandando para quem curtir esse post!
Ayla podia sentir em seus ossos que estava sendo observada. Em uma mansão repleta de espiões, aquilo não era uma ocorrência incomum - para seu desgosto. Podia sentir alguém analisando cada um de seus movimentos. Fitou o cômodo, finalmente percebendo a presença de Draco, que quase misturava-se às paredes do local. A Yardin franziu o cenho, levando o olhar ao do rapaz e sustentando-o ali antes de disparar. "Você sempre olha assim para todo mundo ou só para quem pode te enterrar vivo?" Chiou. Foi uma pergunta um tanto passivo-agressiva de sua parte, de fato, mas não podia negar que o homem lhe dava calafrios. Seus poderes, mais especificamente, eram o que Ayla temia. Algumas vezes em sua jornada vilanesca pela mansão umbra, encontrava pessoas que tinham capacidades que criavam um enorme alerta em sua mente, e Draco era um deles, junto com outros extraordinários capazes de forçá-la a fazer algo ou entrar em sua cabeça. Não sabia se a abordagem hostil lhe seria útil, mas o simples fato de estar sendo observada por um dos infames espiões de Umbra foi o suficiente para dar-lhe nos nervos.
Quando você gosta do silêncio tanto quanto alguém como Draco, você começa a reproduzi-lo em todo lugar que vai, em cada porta que abre lentamente, porque o som da madeira rangendo acabaria com aquela ilusão de que seu corpo não é apenas algo feito de algodão e vento. Talvez Draco tenha se acostumado demais a desperdiçar horas do seu tempo enfurnado no dormitório, deitado na cama, os olhos embaçados graças a uma garrafa vazia que sempre tinha em suas mãos naquelas horas do dia. Talvez isso tenha sido o suficiente para fazer o resto das pessoas o esquecer, porque, aparentemente, o mero sinal de sua presença podia ser um ato de provocação — como provocou Ayla agora.
"Uh? Eu nem estava olhando pra você, garota."
Ok, isso foi uma mentira. A cozinha nem era tão grande assim, e com certeza haveria alvos mais interessantes para focar se ele estivesse realmente disposto a evitar olhar para ela — o freezer estava aberto bem na sua frente, afinal de contas. O problema é que era difícil. Draco só tinha um olho funcional. E Ayla não era exatamente o tipo de pessoa que passava despercebida por onde entrava. O feitiço dela já funcionara uma vez, e olha onde os dois estavam agora. Ele se concentrou em fechar a geladeira com um baque, retirando dela uma garrafa de vinho pela metade.
"Eu estava, na verdade, me perguntando se você quer um gole. Então eu me arrependi de pensar isso, porque você não merece a minha gentileza e consideração."
⚠️ repostando a reply por conta do tiro de shadowban que me ocorreu.
@forthwarner
Droga ⸺ pensou Draco, olhando nos olhos negros de Warner, cheios de ceticismo e de preocupações práticas que, sem dúvida, tinham toda a razão. Draco sabia que, se não fosse tão lógico e equilibrado em suas emoções, esses olhos negros estariam gritando "onde é que você está com a cabeça?".
"Eu sei que isso parece uma péssima ideia…" porque é; uma mosquinha acrescentou, na imaginação dele. "… mas escute isso!"
O rapaz passou os próximos minutos em silêncio, sem saber se estava procurando palavras ou apenas tentando descobrir quais delas queria dar a Warner em explicação. Honestamente, Draco era péssimo com palavras. Não era de se admirar que as freiras do orfanato tiveram a compaixão de arrumar uma fonoaudióloga quando ele tinha nove anos, porque era estranho uma criança falar tão pouco. "É uma escolha!", ele rebatia, desde que aprendera a ser teimoso, como se pudesse se convencer de que o problema não estava ali realmente por baixo dos panos. Mas estava — e nesses momento vinha à superfície.
"Não é que eu não tenho controle. Eu tenho, juro. É que a coisa fica complicada com mentes resistentes, entende? Tipo… tipo... ah, facilita essa pra mim, Warner!"
Draco lambeu os lábios, fazendo uma careta visível. Suas mãos se juntaram de forma automática, as palmas batendo com um estalo ao passo que ele pedia "por favor" com uma carinha cheia de autopiedade.
"O máximo que pode acontecer é você ficar com uma dor de cabeça forte por... hmmm, digamos, uma semana? Olha, cara, eu não sei por quanto tempo exatamente, mas sei que você pode me fazer de gato e sapato no pior dos casos. Que tal?"
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@doublevvp
Draco já foi — não que ele deixou de ser, também — um adolescente que ia à escola pelos becos de San Diego, segurando com possessividade o fone de ouvido que não queria dividir com as outras crianças do orfanato. Ele nunca quis se misturar com elas; e todos sabiam que, para ele, Pearl Jam era a coisa mais próxima de Deus que o homem poderia encontrar na Terra.
"Nossa. Isso é revoltante. Fique sabendo que eu mandava cartinhas de amor para o Kurt Cobain." respondeu, torcendo o nariz para o comentário sobre a jaqueta, mas sem se incomodar em rebater o maltrapilho. O rapaz apenas mexeu os ombros, forçando o seu melhor tom de indiferença porque, no fundo, Tyrone cravou uma flecha certeira ao alvo. Acontece que Draco passava seu tempo livre na Umbra se dedicando a ser o maior aliado da bagunça. O que parecia eficaz quando o assunto é afastar as pessoas. Tyrone, ao examiná-lo — uma calça jeans rasgada e uma camiseta branca, a gola suja com creme de barbear — percebeu que não tinha nada de interessante para adquirir dele.
"O desleixo faz parte do disfarce." a voz saiu arrastada, paciente. Draco ajustou-se na cadeira, as cartas brincando entre os dedos antes do barulho do papel deslizando pela madeira preencher o silêncio entre os dois. "E o ócio, meu caro, faz parte do trabalho."
Ele tomou um momento para respirar. Um momento que se arrastou, transformando-se em um minuto inteiro. Tempo suficiente para que seu olhar deslizasse lentamente por Tyrone — pelos ombros largos, pela aparência marcada pelos anos, pelos olhos escuros e além deles; como buracos negros, puxando sua consciência para o limbo do desconhecido, ao passo que, lentamente, Draco levantava as suas sete cartas, e as trazia para perto dos lábios, escondendo metade do seu rosto. E escondendo o sorriso.
"Aqui?" Draco apontou para o esparadrapo. Em seguida, pincelou a ponta, arrancando-o do rosto. O som do adesivo descolando ecoou, e ele fez uma careta, com os olhos se ajustando lentamente à luz. Não havia nada ali além de uma pequena cicatriz perto da têmpora — pálida, discreta, o tipo de marca que você só percebia se inspecionasse com atenção. "Um mês atrás, a porcaria era útil." começou, girando o esparadrapo entre os dedos antes de jogá-lo sobre a mesa. "Foi um cara no posto de gasolina. Ele estava convencido de que eu devia cinco dólares para a mãe dele. Um drama daqueles."
Ok, tudo bem. Ele admitia. À essa altura, negar seria um esforço desnecessário. E Draco particularmente odeia tudo que significa um esforço desnecessário. O movimento da sua língua tinha se tornado desinibido, ele se sentia especialmente corajoso, e as pálpebras pesavam sobre os olhos — o que significa que Draco já havia bebido pelo menos três copos, sozinho entre as paredes do seu quarto. Ele preguiçosamente serviu uma dose à Tyrone. E, preguiçosamente, encheu o copo até a borda.
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@sophiapixie
Draco detestava congelar na frente das pessoas. Era uma daquelas coisas que o deixavam profundamente irritado, e que admitia ao outro o quão incomodado ele estava com o que quer que tivesse causado aquela reação para fora dele. Quando passava tempo assistindo a um filmes e os personagens faziam isso, Draco imediatamente mostrava uma careta à tela, perguntando-se, com uma dose de ceticismo, se não poderia fazer melhor que eles — apenas para que a vida real respondesse cuspindo em sua cara: não, ele não podia fazer melhor.
O problema era que Sophia não precisava daquilo. Ela não precisava daquela atmosfera de tensão, daquela dureza que inundou os músculos de Draco e o fez passar uma mão no pescoço, apenas para tentar ajudar a destravá-lo. Não ajudou. Acontece que ninguém ficava normal depois disso. Não depois de ver… essa violência… droga. Ele achava que, por ter crescido no subúrbio de Oakland, na Califórnia, algo dentro dele tinha se tornado imune às atrocidades do homem. Aparentemente, também pensou errado.
"Você está brincando?! Não precisa explicar nada. Sério. Deus. Eles são doentes."
Então, a raiva veio. Por ela. Por tudo. Pelo mundo inteiro. Sophia tinha um rosto delicado, de boneca, e nada além de palavras gentis na ponta da língua. Ela não merecia ter passado por aquilo… nem deveria ter chegado perto de algo assim… aquelas pessoas… tantos rostos…
Draco estendeu a mão, segurando seu braço com um cuidado ainda maior do que antes. Ele tinha medo que ela quebrasse como vidro. "Acho melhor começarmos o mais rápido possível", disse, a voz firme, mas suave. "Você está segura agora. Você está mesmo."
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@toonkngdm
Se alguém tivesse perguntado a Draco um mês atrás, ele teria respondido sem hesitar que a ideia de usar um esparadrapo o tempo todo era uma merda chata. Se existia algo pior do que ser tratado com arrogância por uma atendente de supermercado, seria ter que carregar no rosto uma espécie de tapa-olho que precisava ser trocado a cada oito horas, com todos os rituais de cuidado que isso implica. No começo, foi uma tortura se adaptar, mas… agora? Agora aquilo parecia quase normal, quase instintivo, como se todo mundo ao seu redor também usasse um esparadrapo no olho de vez em quando. E, por mais que a ferida já estivesse totalmente curada — um corte cicatrizado, que ia do começo do supercílio até o final do olho direito —, Draco não tinha pressa de se livrar da coisa. Não tão cedo.
Assim, ele limitou-se a balançar a cabeça, sem muita vontade de entrar em detalhes ou explicar a situação ao garoto. Falar sobre a própria vida nunca fora uma de suas especialidades. "O pano tá ótimo", respondeu, batendo o indicador contra o tecido do esparadrapo. "Só vou trocar à noite."
Pelo menos, Draco nunca precisou compartilhar mais do que o absolutamente necessário para manter uma conversa agradável. Ele observou o sorriso de Leslie com uma vontade estranha de que o garoto se lembrasse de tudo como um piscar de olhos, por mais impossível que isso soasse até para os próprios ouvidos; enquanto Leslie, encolhido na poltrona, com as pernas quase coladas ao peito, rabiscava algo que Draco não conseguia ver de onde estava — deitado no sofá em frente.
"Eu não faço coisas de vilão. Eu reúno informações. Visito laboratórios, mergulho nas produções dos filmes dos heróis, ouço uma ou outra coisa ilegal que eles fazem na Stargate e, voilà: nós atacamos onde dói. Se chama espionagem. E você? O que quer aprontar por aqui?"