⸻ L O A D I N G F I L E . . . A Y L A Y A R D I N
A família de Ayla vem de uma das mais antigas dinastias de Ancara, na Turquia. Os Yardin sempre possuíram tudo - terras, prédios, barcos, aviões. Tudo graças ao passado sombrio da família na prospecção de metais e minerais, junto com o poder e dinheiro da família, sempre veio um rastro de destruição. Não que eles permitiriam que qualquer um falasse algo sobre - parte da família de Ayla era também composta por políticos famosos, garantindo a livre exploração dos bens sem quaisquer consequências. O populismo escancarado virava, também, a opinião pública a favor dos Yardin sempre que necessário. O maior escândalo que já passaram, na verdade, não foi quando uma das empresas do conglomerado causaram a erosão e deslizamento de uma cidade inteira, mas quando Osman, o pai de Ayla, casou-se com uma forasteira - pior que isso, uma americana. Heather o possuía na palma da mão, e foi assim que Ayla nasceu em meio a uma enorme fazenda no Texas depois do casal mudar-se para a terra natal materna. Tudo começou a piorar, porém, assim que a Yardin nasceu. Os pais, que casaram-se em um impulso e logo após foram chocados pela notícia da chegada da filha, passaram a mostrar suas reais personalidades, não mais o lado doce de Osman e a natureza encantadora de Heather. Ayla cresceu em um campo de batalha. Não havia noites silenciosas na casa dos Yardin, apenas discussões que começavam com sussurros cortantes e terminavam com portas batendo e vidros estilhaçados no chão da cozinha. Tudo explodiu no dia em que finalmente Heather, depois de anos de micro agressões e brigas constantes, pediu o divórcio. Era o aniversário de 18 anos de Ayla, apesar da data ter sido esquecida por ambos os pais, e ela viu Osman erguer o punho para sua mãe pela primeira vez. Foi em uma noite sufocante de verão no Texas. O calor era intenso, e os nervos de todos na casa borbulhavam. O estopim final foi o punho de seu pai contra o rosto frágil de Heather. Foi o suficiente para que barulho do soco ecoasse pelas paredes de mármore da casa. E então, algo mais. Os quadros pulavam das paredes, as louças finas arremessavam-se dos armários, tudo parecia tremer. Tudo estava pronto para ruir. Um terremoto. E, por alguma razão, Ayla sabia que vinha dela. Como se todo seu ódio e rancor, sua força, fossem transmitidos até o chão em que pisava, aquela casa amaldiçoada, fazendo tudo vibrar até ruir. Ayla gritava para que o pai parasse, que não tocasse mais em sua mãe. Com o seu coração, ela desejou que tudo fosse ao chão, que acabasse de uma vez, e foi assim que a mansão dos Yardin começou a ruir ao seu redor.Quase milagrosamente, os três saíram vivos da situação, apesar de machucados e assombrados pelo que tinha ocorrido. Todos perceberam que a garota havia sido a responsável pela tragédia, que ela era uma das aberrações sobre as quais ouviam na TV.
Os Yardin jamais permitiriam uma dessas coisas em seu meio, seria um escândalo, um arrependimento maior do que o casamento dos pais havia sido. A partir daquele dia, Ayla se rebelou, e eventualmente, não mais suportando as expectativas de sua família, ou suas brigas incansáveis, e os olhares tortos, murmúrios, lamentações, cortou o contato com os pais, e fugiu. Os primeiros dias foram um caos. Sem dinheiro, sem destino, sem ninguém para ajudá-la. Passou noites em motéis baratos, dormiu em postos de gasolina, roubou comida quando precisou. Mas não demorou para perceber que, no Texas, havia algo que sempre valia dinheiro: lutar. Ela descobriu uma espécie de clube da luta por acaso, num armazém abandonado, com cheiro de suor, sangue e cigarro barato, escondido atrás de um ferro-velho. Não era um lugar para pessoas comuns. Era um lugar para quem não tinha mais nada a perder. Inicialmente, ela apenas perdia, como o dono do local mandava. Era feita de saco de pancadas, mas tinha o lucro das apostas ao final da noite. Até começar a treinar, e a usar novamente seus poderes. No fundo, cada golpe que acertava, cada adversário que derrubava, era uma forma de descontar a raiva que carregava desde sempre, aquela era a real Ayla, não era uma perdedora, era uma força da natureza. O seu dinheiro começou a triplicar quando ela mostrou a verdade para o dono do clube, como no dia em que saiu de casa, ela controlou os poderes tempo o suficiente para fazer a terra tremer. Dias depois, uma rocha levitar, e mais tarde, todo o balcão de granito do bar. Passou a usar, ainda que em pequenos flashes, os seus poderes nas lutas. Quando o oponente menos esperava, ela tirava um pedaço do chão de cimento cru e o fazia levitar por tempo o suficiente para defendê-la de golpes, ou simplesmente os batia com as pedras, nocauteando-os. Passou de perdedora oficial a favorita em alguns meses, e a plateia também aumentou drasticamente, firmando seu nome com o passar dos anos. Foi assim que chamou a atenção de Crimson, que a convidou para ser mentorada na Mansão Umbra.
No início, não sabia se aceitaria, por não se identificar tanto com o ethos e o maniqueísmo do conceito de heróis e vilões. Para ela, todos eram igualmente seus adversários, ou uma ameaça, ignorando o princípio de bem e mal. Porém, a ideia de não se esconder mais e poder usar toda a sua ira, enraivecer os pais, e melhorar seus poderes a convenceu. Afinal, se havia algo que aprendera em toda sua vida, era que não havia justiça, só poder. E ela o queria. Queria ser reconhecida por tê-lo, mas não como os pais, saqueando o planeta por algumas meras notas de dinheiro, e sim por grandeza. Ela teria o controle de sua própria vida, e não se importava com o custo da glória.
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