Quer saber? Quando meus pais, foi mal, pai e madrasta, brigavam sem parar e todo mundo se afastava de mim sem eu saber o motivo, eu ficava sempre achando que tinha algo de errado comigo. No final, não é que eu ´tava certa? Não, sério.
Ok, para você entender, é preciso saber que eu tenho vinte anos e sou filha de Éris. Esqueçam a porra do meu nome, também, podem me chamar de H. Enfim, a porra é que todo mundo brigava sem parar, aí numa saída para acampar meu pai e minha madrasta brigaram tanto que simplesmente vazaram e me deixaram para trás? Tipo, ‘tava chovendo para caralho e era uma menina de dezessete anos sozinha na floresta. Sorte a minha que um sátiro ‘tava passando por lá, sério. E tipo, nem era por coisas aceitáveis, tipo o fato de eu pegar mina, sabe?
Foi por causa de mim mesmo.
Minha mãe explicou depois, num sonho. Não tinha noção da minha capacidade de gerar esse desconforto, essa discórdia, só de chegar num ambiente. Hoje? Posso simplesmente desligar esse botão e acabou, mas eu não quero e ponto.
Ah! Foi nesse sonho que eu ganhei minhas adagas. Quer dizer, sei lá? Só sei que quando acordei, elas ‘tavam lá, em forma de canivete.
Enfim, sei lá. Podia ser uma história engraçadinha, mas não é. Olha… Eu não pedi para ser uma semideusa, sério. Nem queria. Mas ‘tamo aí.
MAIS
BÁSICO
APELIDO: h;
SEXUALIDADE: panssexual;
CIDADE NATAL: berlim;
GÊNERO: mulher cis;
LÍNGUAS: alemão e inglês;
RELIGIÃO: budista;
EDUCAÇÃO: ensino médio completo;
BEBE, FUMA OU USA DROGAS? casualmente.
PERSONALIDADE
MÚSICA FAVORITA: psycho de jin dogg & over kill (fuji trill&knux), violence de obituary;
SIGNO: câncer;
MBTI: istp;
GOSTA: the sims 4, filmes de ação e aventura, café, água;
NÃO GOSTA: lixo no chão, pessoas espaçosas;
HÁBITOS RUINS: procrastinação, tomar café em demasia;
TALENTO SECRETO: montar casas no the sims 4, compor músicas;
HOBBIES: ler e escrever webtoons, jogar e-games, assistir séries, tocar violão e guitarra, desenhar;
MEDOS: de boneca, de vomitar, tempestades e de cobras;
Diga-se de passagem que sua vida já não estava sendo fácil.
Se sua vida fosse um livro de aventura, não haveria leitor esperançoso o suficiente para o final. Todos já estariam confortáveis com o seu final triste ou já teriam largado a leitura e deixado-a na beira do precipício. Quem sabe deixá-la pender no além entre o ruim e o péssimo fosse melhor do que a confirmação da tragédia. Contudo, os possíveis leitores de sua aventura miserável como herói já estariam cientes de algo que ela havia demorado a perceber: Heidi nem mesmo era a protagonista de sua própria história.
@olympusfall-demigods
Desde a queda do Acampamento Meio-Sangue, crescente era o sentimento de não pertencimento, algo existente mesmo antes, enquanto vivia naquele lugar que deveria considerar casa: a casa de dois andares e três quartos. Ir para o Acampamento Jupiter parecia o inferno. Fingir-se colega de um grupo de semideuses romanos que ela sabia não serem capazes de mexerem os dedos para ajudar qualquer situação que envolvesse gregos era como sua punição por qualquer pecado que viesse a cometer.
Não culpava Quíron, por exemplo. Ele havia dado o seu melhor para aliviar a tensão, ela reconhecia, mas odiava o olhar de decepção que ele tinha em seus olhos cada vez que se tratava da filha de Éris. Por algum motivo, todos ao seu redor tinham o péssimo hábito de colocar uma extrema confiança nas coisas que fazia, como se estivesse realmente destinada a grandes atos. Spoiler: não estava, mas Heidi não achava em si coragem o suficiente para dizê-los.
Heidi sempre foi mesquinha. Guardava para si seus fatos, suas verdades. Entretanto, nesse caso, ainda que tentasse manter em segredo a realidade do que era, difícil se tornava esconder o fato claro como o dia sob a luz do sol: não era nada não fosse uma causadora de problemas.
Ela reconhecia a discórdia quando a via, ela sentia de longe o sabor da briga, o cheiro do conflito, e a forma como a desconcórdia se espreitava entre paredes finas causava na loira arrepios que lhe corriam o corpo inteiro. Heidi tratava do desajuste como um velho conhecido, talvez por isso achasse melhor lidar com as situações de seu dia-a-dia com raiva e pouca vontade, tremendo-se por completo a cada oposição que lhe surgisse. Havia sido sempre assim, ainda que hoje, longe e por sorte (leia-se de maneira irônica) abençoada pelo amor familiar, receba diariamente fotos de Hugh, Victor e Marianne, tal qual uma família perfeita.
Ainda não havia contado a novidade a eles, não achava em si a maneira de conectar-se com palavras que diziam ei, então, eu sei que vocês são bem ocupados e que adoram fingir que gostam de mim, mas logo logo estarei morta. Não havia visto na sua realidade chance alguma de sobreviver ao que viria a seguir, o ataque ao acampamento durante o jogo das bandeiras era razão suficiente para que desacreditasse em sua capacidade.
De que servia, se não para causar discórdia?
A cicatriz em seu rosto que Heidi recusava-se a fitar no espelho era sinal óbvio de que nunca seria mais do que apenas aquilo.
Talvez nem mesmo junto dos outros semideuses devesse estar. Se fugisse, talvez encontrasse paz. Por isso, cogitou, cogita, juntar-se às Caçadoras, buscar entre elas algum tipo de conforto. Em seu mundo utópico, faria o juramento ao que sorria para Ártemis e imediatamente sentiria-se em casa. Contudo, nem mesmo isso era capaz de fazer, com Ártemis sumida, em cativeiro, e as caçadoras sem uma liderança adequada.
O destino parecia tratar de si como uma piada.
E, assim talvez, por conhecer bem a discórdia e o conflito, é que ela não conseguia acreditar em Hécate. Não via verdade em suas ações, não conseguia acreditar em alguém traidor assim como não conseguia nem mesmo acreditar no suposto amor, carinho, afeição que sua mãe tinha por si. Não encontrava razões o suficiente em si e na realidade que lhes envoltava para acreditar em Hécate, ainda que tivesse trazido junto de si Circe, uma figura importante no plano maior das coisas, e Bianca Di Angelo.
Uma traidora para sempre seria uma traidora. Ela franziu o cenho.
Não conseguia enxergar como ambos Lupa e Quíron de nada fariam para negar a aproximação da deusa, mesmo após terem assistido de camarote a forma como ela havia se voltado contra eles no momento em que mais precisavam. De certa forma, ainda que quisesse acreditar que tinham o apoio da deusa, mesmo que maneira confusa e entre linhas tortas, Heidi não conseguia se deixar aceitar.
Semideuses não podia contar com a ajuda de deuses, isso era aprendido logo cedo. Nem mesmo de seus parentes. Ajuda divina dificilmente vinha se não havia algo que quisessem em retorno. Por isso também sentia pelas crias da deusa da magia. Ter que lidar com a causadora da discórdia já era o suficiente. Ter como mãe uma traidora deveria ser como uma sentença única e marcada em sua pele para sempre. Não compartilharia, contudo, suas opiniões nem com Belen, tampouco com Rebecca. Temia a reação que pudessem vir a ter, não sabia o quão fundo haviam caído no papinho ensaiado da deusa da magia e da encruzilhada. Sua especialidade era trapacear e encarcerar semideuses em dúvida. Não era confiável por natureza, tais quais os filhos da Discórdia.
Heidi suspirou e girou a adaga que tinha em mãos, percebendo, então, que há longos minutos encarava o alvo à sua frente. Ela tornou a franzir o cenho, encontrando o centro do alvo. Se haviam escolhido aceitar as desculpas esfarrapadas de uma deusa, não iria morrer sem tentar. Recusava-se a padecer como covarde, recusava-se a fazer disso o final de seu livro. “Pronta?”, o semideus que lhe treinava perguntou, apreensivo e ela assentiu, então lançou a adaga vendo-a cravar num movimento sutil sua lâmina afiada na madeira utilizada e reutilizada do alvo e suspirou. Não, não simplesmente desapareceria. “Pronta.”
Dessa vez, Heidi tinha feito sua decisão. Lutaria por seu lugar, lutaria para achar pertencimento no mundo. Ainda que não fosse a protagonista desde o início, sendo essa a Discórdia, tomaria o que era seu por direito.
Apenas Heidi sabe o temor de encontrar cães soltos no Acampamento. Ela queria perguntar a Connor se ele também estava tendo a mesma reação a esses animais, ainda assim, não havia sobrado tempo. E lá estava ela, novamente, se deparando com um animal de quatro patas e um focinho adorável. Seu corpo paralisou, ela sabia que não havia a menor possibilidade de sofrer um ataque da mesma magnitude que o ataque de Cerberus, ainda assim seu corpo paralisou ao encontrar os olhos grandes de jabuticaba do bichinho. “E-Ei”, chamou, trêmula. Então pigarreou e soltou os canivetes (nem mesmo percebeu que os segurava). “Ei, garoto, o que está fazendo p-por aqui?”, perguntou ansiosa e viu quando ele deu o primeiro passo na sua direção, depois outro e outro, sem desistir, mesmo quando tentou se distanciar, até que o focinho gelado encostou sua perna e Heidi gemeu de dor, quase como se tivesse levado uma mordida. “Só não me machuca, ok?”, pediu baixinho e deixou um carinho breve com as mãos trêmulas logo ali na orelha caída do bicho, uma oferta de paz, tentando distrair-se de sua respiração ofegante.
Apoiou-se no balcão para ouvir com atenção o que Heidi lhe contava sobre o show e multidões, Becca sabia o que ela passava pois ela mesma não gostava de ficar no centro das atenções, então podia imaginar o quão deveria ser constrangedor ficar em um palco na frente de todos. “Acredito em você, só de pensar em estar no seu lugar ali naquele palco já me da vontade de vomitar de nervoso, então, imagino como foi difícil. Mas o que importa é que no final das contas deu tudo certo.” comentou a ruiva com um sorriso ao final da frase. Ficou esperando a semideusa contar o que havia acontecido de tão ruim, a outra parecia receosa em contar o acontecido e quando Heidi soltou o que havia ocorrido, uma risadinha percorreu nos lábios de Becca. Era no mínimo engraçadinho em como ela conseguia entender Heidi perfeitamente nesses quesitos. “Bem, eu não vejo como beijar alguém seja algo tão ruim assim Heidi, mas a parte dele lhe desafiar e depois fugir é no mínimo… Tosca.” com certeza Becca deixaria de fora da conversa o fato de que conhecia bem Daniel e que ele era seu ex, não tinha intenção de fazer com que a conversa ficasse constrangedora para ambos os lados. “Mas a pergunta que não quer calar é… E aí, você gostou?” a pergunta continha certo tom de brincadeira enquanto o sorriso de Rebecca era brincalhão também. Não queria que ela ficasse tão desconfortável, então optou por um rumo mais divertido. Porém na sua vez de abrir-se, sentiu levemente o rubor subir pelas suas bochechas, passando as mãos pelos fios ruivos meio nervosa. “Hm, o Aro.” falou a filha de Hécate encolhendo os ombros. “E nesse caso, sortuda sou eu.”
Becca era um doce, Heidi deveria imaginar que ela não veria nada de tão péssimo em beijar alguém. Mas aos seus olhos, beijar Daniel havia sido a pior coisa a lhe acontecer, logo após o encontro com o cãozinho do capeta. Ela franziu o cenho, ao menos concordava com Becca quando ela lhe disse que havia sido tosco fugir após lhe desafiar. Era o que mais lhe emputecia. “Ele é tosco”, pontuou brava. Irritadiça. Nem mesmo conseguia acreditar no que dizia, pois Daniel havia se mostrado qualquer coisa menos tosco ao lhe desafiar diariamente com nariz erguido, pouco ou nenhum medo da morte ao lhe mirar duas flechas. Então é claro, o susto. O coração disparou a medida em que sua expressão se fechou e Heidi voltou-se desacreditada para a ruiva, descrente do que ouvia de alguém que considerava sua amiga. “Se eu gostei?”, repetiu a pergunta, apenas para garantir que havia ouvido-a corretamente. O tom de brincadeira e sorrisinho no rosto de Rebecca denunciava que sim, estava em dia com sua audição. Heidi não tinha parado para pensar se havia gostado, tampouco pararia para decidir tal absurdo. Preferia continuar a xingá-lo enquanto andava para lá e para cá no Acampamento, passos firmes e ódio marcando seu rosto. “Becca, nem vou me dar ao trabalho de te responder. Ele é um idiota”, murmurou baixinho, revirando os olhos e então rindo, porque sabia que ela não fazia por mal. Contudo a verdade é dolorida quando não se está preparada, Heidi não conseguiu conter a faísca de decepção que brilhou em seus olhos. Aro e Becca? Uhhh. Awkward. “Oh”, sussurrou surpresa, baixinho, e então franziu o cenho. “Eu acho que os dois são sortudos, nesse caso”, explicou-se e tentou dar o melhor de seus sorrisos. É claro, ela nunca teria chance com nenhum dos dois e estava tudo bem.
ao vê-la caída, deixou um suspiro lhe escapar, aliviado, podia sentir que ela era uma oponente forte, então, estava satisfeito por ter conseguido ganhar. usou do sol que brilhava ainda acima deles para curar seu ferimento¹ ², vendo queimar a ferida até desaparecer em seu rosto e então dirigiu-se até ela. “fique tranquila, amorzinho… sou filho de mercúrio, mas legado de apolo.” piscou para ela e se agachou ao seu lado com um sorrisinho no rosto, deixando a espada curta de lado. “com licença.” disse baixo, levando suas mãos à coxa dela, analisando o corte. sorte que era uma lâmina semi-cega. talvez ele tivesse exagerado um pouco. “isso vai doer um pouquinho.” avisou, trazendo a luz solar que pelo seu corpo num brilho singelo que percorria suas veias até as pontas dos dedos e curando³ a ferida da garota com o calor do corpo celeste. “prontinho!” ofereceu uma mão para ajudá-la a se levantar.
Precisou usar mais de sua força para evitar um xingamento do que Heidi alguma vez imaginou. Franziu o cenho e o assistiu usar de suas habilidades para curar-se, resistindo a vontade de reclamar sobre como todos poderiam usar as habilidades legais que tinham para algo que realmente seria útil. “Não me chame de amorzinho”, pontuou em um tom baixo, como uma ameaça. Tampouco estava em posição alguma de ameaçá-lo. Apesar de assentir, Heidi não o olhou enquanto as mãos dele tocavam sua coxa, fitando o chão de maneira insistente, murmurando apenas um: “Faça isso direito”, junto de um chiado silencioso. Ao final, era difícil não se surpreender com a falta de ferimento em sua pele, então ela mordeu o lábio inferior para resistir ao sorriso e ignorou a vermelhidão que surgiu em seu rosto. Ele havia ganhado, certo? “Obrigada, embora não tenha feito mais do que sua obrigação.”
🤖 Os olhos esverdeados da romana analisaram cuidadosamente o rosto feminino depois daquela incerteza em sua resposta, respirando fundo antes de olhar brevemente por cima do ombro alheio por alguns segundos e soltar um suspiro — Sabe que essa sua resposta foi uma tremenda mentira, não é? Parece que além de sobrecarregada, você está preocupada também… e é totalmente compreensível, rainbow dash — comentou colocando uma mão no bolso da calça, mordendo o lábio inferior levemente antes de negar com a cabeça — Não, não está. Pode ficar tranquila. Quer treinar? Podemos treinar juntas, prometo que te deixo ganhar.
Heidi encolheu os ombros. Era uma péssima mentirosa, apesar de tudo. E isso não parecia segredo para Lorelei. “Rainbow dash”, ela focou no apelido, com uma risadinha soprada de surpresa e até mesmo certa apreciação. Diferente de quaisquer outros apelidos que recebia, deste Heidi até gostava. “A gente não tem tempo para se sobrecarregar, não com tantos problemas e deuses indo e vindo em suas opiniões”, se referia a Hécate, mas não a citaria com certeza. A situação lhe frustrava. “Eu não preciso que me deixem ganhar”, murmurou a contragosto a mentira. Não valia de nada em batalhas. “Pode ser.”
Umedeceu os lábios, rapidamente, consciente da sutil aproximação. Continuou parado, observando os lábios vermelhos curvados no que deveria ser prazer e orgulho por sua escapada estratégica do beijo. Arrependeu-se instantaneamente de ter mencionado a apresentação. Não porque, de fato, se arrependia de tê-la elogiado. Muito longe disso, tinha se divertido com o show e sabia apreciar um bom artista. Mas o comentário havia feito Heidi recuar ao lugar em que estava inicialmente, e aquilo fez surgir um vinco entre as espessas sobrancelhas de Atlas.
—Claro que sim, todo mundo assistiu. — Comentou, observando as maçãs do rosto da garota ganharem um novo tom rosado, logo percebendo que, novamente, a estava constrangendo. Apressou-se a melhorar o cenário, então. — E todo mundo gostou, babe. — O riso reverberou pelo peito, achando graça da acusação que poderia muito bem ser verdadeira. Em outra circunstância, ele definitivamente falaria algo como aquilo da boca pra fora, mas daquela vez estava sendo sincero. Deu de ombros, diminuindo a distância entre eles de forma quase imperceptível. —Depende. Funcionou? — Perguntou, arqueando as sobrancelhas e deslizando os óculos escuros para o topo da cabeça.
Orgulhava-se de ser alguém comumente firme em suas decisões, de não se deixar com facilidade em papinhos bem ditos e olhares interessados, ainda assim, Heidi via-se mergulhando mais e mais no tom de voz usado por Atlas. Acabou por morder a pontinha da língua na tentativa de conter um sorrisinho pequeno que lhe escapou os lábios, olhos atentos ao rosto do mais alto, atenção escorrendo até os lábios dele, brilhando após serem recém umedecidos. Extremamente atraente, ela suspirou baixinho. Talvez não fosse tão ruim assim se deixar levar pela conversa fiada do outro. “Todo mundo gostou?”, perguntou incerta, fazendo de tudo para ignorar o que o apelido lhe causou. Novamente, via-se escapando de sua normalidade. Ainda assim, ainda que a aproximação não lhe tivesse passado totalmente despercebida, Heidi não recuou, apenas inspirou o perfume alheio e sorriu brevemente. “Se eu dizer que funcionou...”, murmurou a possibilidade como se faz um desejo a uma lâmpada de um gênio, sutilmente, evitando soar sedenta, o medo de que o desejo não viesse se tornar realidade. Então tentou conter o risinho, mordiscando apenas o suficiente o lábio para evitar que ele lhe escapasse. “Você vai esquecer esse jogo?”, indicou com o queixo a mesa e os jogadores que ainda o esperavam, seus dedos delicadamente segurando a barra da camiseta que ele usava, puxando-a brevemente como para firmar a aproximação. Aquela era sua deixa. Não quebrou contato visual, ainda que as bochechas queimassem e fizessem-na sentir calor que não existia.
“Sincera.” comentou a semideusa ao observar a expressão de Heidi ao responder aquilo, normalmente Rebecca não sabia muito o que dizer naqueles momentos porém arriscou-se em fazer Heidi sentir-se melhor. “Bom, então vou tentar distraí-la hoje com papos totalmente sem graça para tentar melhorar essa sua cabeça quente.” respondeu ela com um sorrisinho em face. Terminou de cortar uma fatia do bolo e oferecer uma a semideusa, pegando também assim um pedaço pra si mesma. “Nervosismo em estar tocando para uma multidão huh? Imagino, mas se serve de consolo, você foi ótima no palco. A banda toda, aliás, vocês animaram bastante a galera e o som de vocês estava bastante agradável.” elogiou e logo em seguida fez uma expressão de surpresa ao ouvir que ela fizera merda, não imaginava Heidi fazendo merda. “Fez merda? Que tipo de merda?” perguntou Becca enquanto comia um pedaço do bolo, sentindo o gosto excepcional do mesmo. “Isso aqui ‘tá realmente muito bom. Uau.” fez o elogio quando já havia engolido o bolo. “Por mim foi bastante boa, fui com Belen, encontrei alguns amigos, bebi bastante e… Fiquei com meu melhor amigo. Foi incrível. Eu já tinha ficado com ele antes, claro, mas acho que basicamente essa é a minha única novidade da festa.” contou ela retirando a parte da qual saíra furtivamente da festa com ele antes da mesma acabar, certo detalhes não precisavam ser explanados, achava Becca.
“Quando não sou?”, perguntou baixinho, uma careta ganhando sua expressão. Talvez por isso não era exatamente bem quista pelos outros campistas. Então, a careta transformou-se em um sorriso sem jeito na direção da ruiva. “Confio na sua capacidade”, brincou e tomou o bolo em mãos. Não tinha exatamente a maior vontade de comê-lo, ainda assim provou um tiquinho, apenas para saborear o doce. “Pois é, ouvi alguns elogios também. Não muitos, mas eles me tranquilizaram. Ainda assim, subir naquele palco foi certamente a coisa mais difícil que eu já fiz e eu já apanhei do próprio cão do capeta”, murmurou dando de ombros. Não era de fato uma comparação justa, ainda assim eram situações diferentes com dificuldades diferentes. Heidi deixou os pensamentos vagarem com o elogio, sorrindo tímida em que as bochechas se avermelhavam. “Eu...”, ok, agora era a hora de contar a besteira que havia feito? Ela podia confiar em Becca, certo? “Eu... Er, bebi demais. E fui desafiada, você sabe que eu odeio ser desafiada”, suspirando, a filha de Éris tentava não reviver as cenas com tanto ardor, assim a raiva era menor. Ela fechou os olhos e mordeu o lábio inferior ansiosamente, tomando coragem para contar de uma vez só antes que a vergonha tomasse conta de seu ser. “Eu beijei um menino. Filho de Somnus. Daniel”, disparou rapidamente, cabeça baixa. “Ughhhh, ele me tira do sério, Becca. Sério! E ele ficou me desafiando, aí fugiu quando eu fiz”, ela revirou os olhos e balançou a cabeça, irritada só de lembrar da cara de tacho do infeliz. “Sério?”, por sorte, Becca havia se divertido o suficiente para entretê-la. “Quem é o sortudo?”, perguntou curiosa, olhos brilhando. Batia no fundo um pouquinho da tristeza de perder uma das pessoas que gostava, mas nada que ela não fosse capaz de superar.
Estar perto de Heidi depois do que aconteceu na noite da festa era uma sensação, ao mesmo tempo, boa e inquietante, pois ele achava-a incrível… No entanto, a parte inquietante se remetia ao fato de que Daniel não sabia muito bem quais eram seus sentimentos por ela pelo fato de que eles estavam bem confusos para o rapaz desde aquele dia do campos de Marte. Ele tentou entendê-los, mas, parecia que toda vez que tentava, as sensações tornavam-se cada vez mais complicadas. E isso era algo que nunca tinha acontecido com o filho de Somno. Ele odiava ficar confuso, pois lembrava da época antes de conhecer sua mãe. A única coisa que parecia acalmá-lo era estar perto de Ju, o pégaso que estava cuidando naquele dia. Ele pensou que não escutaria a voz alheia até que seus ouvidos deram atenção para o som que lhe causava um certo arrepio pelo seu corpo. — Somos dois. Não é nada divertido isso. — Murmurou em concordância com as falas dela, enquanto suspirava lentamente. Umedeceu seus lábios com o que foi dito e Daniel estava em um impasse. Sabia que poderia dizer a verdade, ou o que ele acreditava que fosse, mas não sabia como colocar em palavras. Era como se tivesse em suas mãos as instruções, e só faltava o modo de preparo. Seu olhar manteve no corpo alheio e tentou respondê-la devagar: — Não é que eu não queria. Na verdade, talvez eu quisesse, eu estou confuso… Eu só não pensei que realmente ia fazer. Pensei que me achasse repugnante, Heidi. Então, te pergunto, por que me beijou? —
Heidi encarou-o, cenho franzido, confusa. De repente, nem mesmo reconhecia a figura a sua frente. Repentinamente, insegura com suas próprias escolhas, encolheu os ombros e cruzou os braços a rente do peito, maltratando o lábio inferior. Além do mais, a situação havia voltado para si de uma forma que ela nem mesmo sabia ser capaz. A pergunta ecoava em sua mente: por que havia o beijado? Claro, ela sabia que sua competitividade tinha boa parte da culpa por trás dos motivos do beijo, além disso, estava bêbada. E ela o achava repugnante! Quer dizer, talvez não exatamente dessa forma. O achava insuportável, talvez. Irritava-se fácil só de olhá-lo nos olhos, a voz alheia deixava-a alerta o suficiente para que estivesse sempre prestes a dar um soco em alguém. Mas por que mesmo o havia beijado? Porque queria provar sua coragem, sim. Além disso, estava bêbada, mas bebida alguma lhe dava vontade de beijar pessoas daquela forma, tampouco dava a abertura necessária. E até que ele não havia sido tão babaca assim naquela noite. Heidi bufou e balançou a cabeça. E, ei, ele realmente disse que talvez quisesse que ela o beijasse? Ugh. “Porque você me desafiou e eu odeio ser desafiada”, respondeu simplista. Não era mentira, mas não era toda a verdade. Ela nem mesmo sabia toda a verdade. “E... E-Eu estava bêbada”, gaguejou baixinho, apertando ainda mais os braços ao redor de seu corpo. “E-E p-porque eu q-quis, oras!”
🤖 Fazia um tempinho que Lorelei não ia parar os campos de Marte lutar treinar um pouco, ela preferia ficar nas forjas, achava muito mais calma do que qualquer outro lugar, no entanto, com tudo o que parecia estar acontecendo e da guerra iminente que cada vez estava mais próxima, era melhor a filha de Vulcano desenferrujar um pouco. Achava que o local deveria estar vazio pelo horário ser um pouco mais tarde do que geralmente os semideuses treinavam e por isso, não conteve a surpresa em ver Heidi por ali – Hey, não esperava encontrar alguém aqui – comentou erguendo a destra para afastar alguns fios do cabelo ondulado do rosto – Também preocupada com toda a merda que está acontecendo? - indagou parando na frente da garota com os olhos verdes analisando cuidadosamente seu rosto.
Estar em sozinha era como uma benção, Heidi aproveitava-se cada segundo do seu dia em que estava ela, seus pensamentos e somente isso. Era isso que ela buscava nos Campos de Marte, encarando os equipamentos de treino. Ainda assim, a companhia por vezes podia ser bem-vinda. “O-Oi”, gaguejou, quando ouviu Lorelei se aproximar. “Não preocupada, não. Também”, murmurou incerta. Era aquela a palavra certa? Não sabia. Ela mastigou o lábio inferior e encolheu os ombros. “Na verdade, sobrecarregada é a palavra certa”, e estava mesmo. Ela apertou o cabo da espada com certa força, sentindo a maneira nada familiar com que ele se moldava a si. “Enfim. Estou atrapalhando?”
sentiu a lâmina cortar seu rosto ao que ela o acertou, reclamando um um ‘ouch’ breve, sentindo o sangue descer por sua bochecha, mas não respondeu quando ela concordou com sua proposta, usando sua reação rápida para usar da pouca distância entre eles devido ao golpe em seu rosto para agachar-se em uma postura melhor, mirando com a lâmina à perna da garota ( dado 15 ) ao que rolava para tomar a traseira dela em combate, girando nos calcanhares, voltando a empunhar a lâmina da forma normal e subindo com ela ao rosto dela, errando o golpe ( dado 2 ). “o bom é que nem vai precisar decidir.” provocou-a.
Foi o sangue que fez com que perdesse a atenção, não a rapidez, ela tentou justificar. Foi o sangue escorrendo do mais novo corte que havia ganho em sua perna que fez a espada cair de sua mão e ela dar-se por vencida, franzindo o cenho na direção de Dio. Culpava também sua recém intolerância a qualquer ferimento que recebesse, ainda assim ela mordeu o lábio tão forte para conter o xingamento que sabia ter cortado a pele. “Ugh, não precisava fazer assim também”, reclamou baixinho, sem saber se era da frustração ou da dor que de repente se fez presente e ela sentou-se no chão para olhar o corte. Não que realmente estivesse brava com ele devido ao ferimento. Apenas por conta de seu ego derrubado. “Agora seja um cavalheiro e me ajude com isso aqui”, disse a contragosto. Não iria admitir que havia perdido, embora não fosse segredo algum.
Daniel respirou fundo. A noite, após o beijo inesperado de Heidi, tinha se tornado cada vez pior. Ele tentou relaxar um pouco ao escutar a banda voltar a tocar, mas acabou entrando em uma briga com Franz que, infelizmente, acabou só ganhando naquele acontecimento. Depois de ter passado um bom tempo com uma bolsa de gelo em seu olho para aliviar a dor que sentia, Daniel com seus óculos vermelho voltou para a festa onde encontrou o seu amigo Aro tendo uma discussão com o rapaz que resultou em uma briga… Agora, Daniel tinha dois olhos roxos tentando usar as habilidades de maquiagem da galera de Vênus com o objetivo de encobrir, mas parecia que tudo estava em vão. — Olha, foi uma longa noite, então, não preciso explicar o que houve… depois. — A última palavra saiu deixando um gosto agridoce em seu paladar. Daniel sabia que tinha agido como um covarde, mas, em sua defesa, ele ficou muito surpreso com o ato… Após ter entregado os óculos, ele desviou o seu olhar para a crina do pégaso acariciando levemente. — Eu tenho cuidado, principalmente, com coisas que não me pertencem. — Ele estava ignorando o assunto, pelo menos, tentando. Mas, sabia que não iria conseguir fugir do assunto por muito tempo, por isso acabou dizendo sem pensar: — Eu não tenho culpa, se você me beijou do nada… Quer dizer, eu não achei ruim, eu só fiquei surpreso. — Encarou-a no final com um olhar perdido.
Colocou o óculos pendurado na jardineira jeans que usava, cenho se franzindo, então ela preferiu prestar atenção ao pégaso logo a sua frente. Assim, conseguia conter um pouco da irritação que sentia com relação ao maior. Não deu-se ao trabalho de respondê-lo, porque sentia-se exausta; havia passado maus bocados com os pensamentos intrusivos que tomaram conta de si, palavras sussurradas na madrugada que ela sabia que eram verdadeiras, ainda assim não queria acreditar. Não totalmente. Aquilo que havia acontecido com Daniel só servira para deixá-la ainda mais insegura, a ponto de novamente tornar-se incapaz de olhar nos espelhos que tinha no chalé, cobrindo-os uma segunda vez apenas naquele mês infernal que vivia. “Olha,” bufou irritada e tocou o focinho do animal, acariciando-o delicadamente.. Sempre se dava bem com animais e os pégasos, cavalos, não eram exceção. “Não ache que eu estou me divertindo com a situação”, pontuou e procurou as palavras corretas. Não podia mentir que a falta de reação alheia havia lhe drenado a vontade de brigar, em partes. “Só acho que se você tivesse me dito que simplesmente não queria, teria sido muito mais decente da sua parte. Fugir como um covarde foi...”, ela divagou. Havia feito com que ela se sentisse uma idiota e inútil. “Enfim.”
Jasmine odiava quando tinha que frequentar o senado, o que era quase todas às vezes que se reuniam. Ela não podia opinar, a menos que tivesse ligação com uma profecia, então precisava sentar por horas e horas, ouvindo debates que não lhe agradavam os ouvidos, apenas para no final decidir se cabe ou não perguntar aos deuses. A maioria das vezes não cabia. No final do dia, ela estava mentalmente exausta e precisando se afogar em uma banheira com excelentes sais de banho. Estava relaxando na água quando escutou um grito, o que a fez olhar rapidamente para onde havia deixado sua arma, até notar que era Heidi. ❝Di immortales, Heidi. Minha alma saiu do meu corpo agora.❞ a coreana disse, colocando a mão no peito para senti-lo disparado, mas logo abaixando a mão novamente deibaxo da água, virando o torso para olhar a filha de Éris. ❝O que aconteceu?❞
Heidi fechou os olhos, apertando a toalha contra o tórax, incapaz de olhar para a mulher na banheira. O corpo inteira queimava com vergonha, rosto se avermelhando como um tomate, faltando pouco para que entrasse em combustão como resposta. “Eu...”, gaguejou e então abriu os olhos, contudo evitava olhá-la, por uma mistura de vergonha e respeito. “Eu achei que estava sozinha”, explicou-se numa voz frágil, respiração entrecortada. Não iria indicar o seu corpo seminu como explicação para o fato de que estava prestes a desmaiar de vergonha, mas era visível pela forma como ela apertava a toalha contra si. “Hm, não sei. Só me assustei.”
Ao entrar no chalé Becca já foi logo procurando nos armários algum talher para cortar o bolo que Heidi trouxera, ouviu o que ela tinha para dizer e virou-se arqueando uma sobrancelha, incerta sobre a frase que a amiga lhe falara. “Claro que preciso agradecer, não se é todo dia que recebe um bolo bom desses de graça.” sorriu para ela enquanto voltava já com o talher. “Ainda mais do meu sabor favorito.” completou ao que foi em direção ao bolo na superfície para cortar o mesmo. “Espero que faze-lo tenha realmente esfriado a sua cabeça.” disse com sinceridade e então recordou-se da festa e do porque ambas não haviam se visto por lá. “Ah! Verdade, eu hm, saí da festa antes dela acabar.” deu de ombros levemente e tirou sua atenção do bolo para Heidi. “Mas e aí, como foi a festa para você?”
“Não esfriou”, admitiu, bufando. Era só nisso que ela conseguia pensar nos últimos dias. Sua curiosidade aumentou quando Becca contou-lhe do acontecido, sobre como havia saído antes dela terminar e virou-se para a ruiva com olhos esperançosos. Alguém que tinha que ter alguma história boa saindo disso, visto que esse não era o caso. Tentou fingir que não estava tão brava assim quanto realmente estava, sem muito sucesso. “Uma merda. Eu quase desmaiei naquele palco, depois... Bebi demais”, a dor de cabeça ainda era uma memória vívida em sua cabeça. Lhe doía, ainda que já tivessem passado alguns dias. “E ainda fiz merda. Ai, Becca...”, ela suspirou, sentindo as bochechas se avermelharem ao lembrar do seu acontecido e pegando o suéter que usava, usando-se do comprimento dele para cobrir o rosto. “Espero que para você tenha sido melhor. Como foi?”
dio apenas se divertia com as reações de heidi, não fazia por mal, era assim com qualquer pessoa, preferia espalhar amor a ódio, mas com ela às vezes exagerava um pouquinho só para ver até onde ela o suportaria. manteve o olhar atento na garota, mas, ao ouvir ela falar, distraiu-se tentando conter o riso, um erro infeliz já que ainda tentava se acostumar com a lentidão de seus movimentos agora que estava enfraquecido. sentiu a lâmina cortar levemente sua roupa, talvez ferindo sua pele por baixo do local, dando graças que as armas de treino eram menos afiadas, mas evitou algo pior ao levantar, em instinto, sua arma contra a dela. “hmm… então que tal apostarmos?” perguntou, dando um passo atrás, retirando sua lâmina do caminho para tentar fazê-la perder o equilíbrio, no mesmo movimento já girando a espada em sua mão e passando com o corte contra a lateral dela ( dado 13 ) ao que se movia com o jogo de pés ao lado dela, desviando-se de sua espada. levou o indicador ao queixo, como se pensasse. “um beijo. se eu ganhar é isso que eu quero.”
Heidi perdeu a concentração com a simples ideia de realmente apostarem. Não é que como se achasse que iria perder, tinha plena consciência de que toda a discórdia que carregava podia levá-la até o final, mas nos últimos dias sentia-se desconectada com essa parte de si, as emoções flutuando, habilidades fracas. Além disso, ela não tinha a mesma prática com a espada do que tinha com uma adaga. Mas ainda assim havia sido devagar demais para reagir. O corte em si, claramente ferindo sua pele, a ardência fazendo-a grunhir, trouxe de volta á tona. “Você deve estar muito confiante... Ou ser muito idiota”, murmurou cheia de raiva e avançou para tentar atingi-lo com a lâmina (dado 5), lenta demais. Bufou irritadiça com o erro e voltou a mover-se outra vez, sem deixar chance para que ele lhe atacasse novamente, dessa vez mirando o rostinho bonito de Dio com sua lâmina (dado 12) e sorrindo como resposta. “Feito. Um beijo, se você ganhar. O meu prêmio eu decido depois.”
Ao mesmo tempo que ouviu a resposta de Heidi a ruiva fechou seu livro, marcando a página onde estava para ler depois, levantou-se do chão em que estava sentada e foi em direção a amiga. “Poxa, que pena. Por um momento eu realmente achei que era para mim.” brincou ela tentando fazer uma feição mais séria porém logo em seguida soltando uma risada mais baixa. “Se é o meu favorito, mal posso esperar para provar um pedaço.” comentou sentindo o cheiro agradável do bolo. “Vem, vamos entrar para podermos comer um pouco, um bolo agora cairia bem. E ah, muito obrigada Heidi.”
Seguiu-a de pertinho, deixando os all stars na porta como de costuma. Sua meia verde de bolinhas roxas deixava clara o quanto gostava de tais cores. Ela preferia ficar descalço do que usar tênis para lá e para cá, a esse ponto Becca já devia estar acostumada. “Não precisa agradecer, eu estava um pouco... Hm, sei lá, hoje. Resolvi fazer um bolo para esfriar a cabeça e quando vi era o seu favorito”, explicou-se, dando de ombros. Deixou o prato que continha o doce na primeira superfície que encontrou, então suspirou. “Nem consegui conversar contigo na festa”, comentou, incerta.
“isso é se você conseguir ganhar de mim, amorzinho.” mesmo que seu porte fosse mais magro que a maioria, não apresentando músculos totalmente definidos, ainda havia treinado sua vida toda como qualquer bom romano. bateu com a parte chata da lâmina algumas vezes contra o ombro da armadura leve enquanto a esperava e, ao ouvi-la falar, não pôde deixar de sorrir. “estou sempre preparado.” deu alguns passos até uma parte mais livre da arena, pondo-se em posição. não seria o primeiro a atacar. “pode vir.”
“Amorzinho”, ela repetiu com o tom carregando de ironia e um leve beicinho se formando ao final da palavra. Odiava apelidos carregados como aquele, cheio de graça e tonzinhos. A pior parte era que Dio era conhecido por ser inteiro daquela maneira. Ela pesou a espada em mãos, certamente desacostumada. Eram bem maiores do que suas adagas, mas tinha que confiar nos seus instintos e na vontade que tinha de vencer. “Eu tenho certeza de que vou ganhar de você”, estreitou os olhos e suspirou. Ajeitou-se frente a ele e desferiu o primeiro ataque (dado 8). Faltou pouco para que a espada lhe escapasse e Dio foi capaz de se defender, mas ela estava satisfeita e a proximidade deu-lhe liberdade para sussurrar, cínica: “Poderia até apostar.”