[TW/ALERTA DE GATILHO: DISTÚRBIOS ALIMENTARES, DEPRESSÃO, ANSIEDADE]
setembro, 2021. talvez não o fim do mundo. mas com certeza alguma merda parecida.
quem impera é o caos. eu tô perdendo tudo. eu perdi tudo. tanto tempo de pandemia (quase 2 anos). foram dois anos. eu perdi dois anos. perdi a minha saúde. física. mental. doenças e transtornos que eu nunca teria previsto para mim agora. para ninguém vivendo na casa dos seus 20 anos.
não, eu só tenho 23 anos.
eu tinha um relacionamento amoroso. um amor. eu perdi. ele se tornou insustentável. porque, assim como em todos os meus outros relacionamentos, ninguém está bem. o adoecimento vem, de um jeito ou de outro. "burnout" se tornou corriqueiro. 2, 3 ou 6, 7 reais por hora de trabalho.
minhas amigas não podem me consolar.
eu não consigo trabalhar. não consigo mais ser estudante também. eu sou um verme? parasitário? sugando tempodinheirorecursossaúdevida da minha mãe. implorando para ela me ajudar a ter a minha vida de volta. eu não consigo.
às vezes eu tomo todos os meus remédios, faço todos os meus exames. e, por um tempo, furo paredes, coloco pregos. faço ligações e planos pro futuro. esboço sorrisos.
às vezes eu tomo todos os meus remédios, faço todos os meus exames. e não saio da cama. não tomo banho. arranco todos os meus cílios, puxo meus cabelos. rasgo minha pele cogitando rasgar também a rede e pular da janela. sinto meus pés frios, não sei de onde vem. eu já fiz tanto (eu já tomo tanto remédio). durmo.
e se eu dormir e amanhã eu for outra pessoa? provavelmente eu vou ser outra pessoa. a que fura paredes ou a que quer furar o próprio crânio? quem sou eu (senão uma mistura dos remédios agindo no meu sistema?), eu sou alguma coisa?
eu queria poder ajudar minha mãe (culpa culpa culpa culpa culpa)
eu queria poder ajudar as minhas amigas (culpa culpa culpa culpa culpa)
eu não posso dizer que entendo nada, eu não faço nada. verme. parasitário. sem trabalho, sem perspectiva, sem estudo, sem vida.
o brasil morre de fome. ingrata. você tem tudo (eu tenho tudo). sua mãe faz qualquer coisa por você, e mesmo assim você continua (ingrata).
o brasil morre de fome, e você voltou a querer enfiar o dedo na garganta. você perdeu tudo, você perdeu o seu controle. não faz mais sentido você estar aqui.
minha terapeuta me diz que tá tudo bem, que sente orgulho de mim, que eu sou forte. que não tem nada de errado (em ser eu?).
mas a que me ama me diz que precisa ir embora (porque eu sou uma carga). e eu sei que onde eu chego, onde eu vou, eu levo comigo. me tornei mais imensa e pesada do que nunca nesta pandemia (eu sei. me fizeram olhar nos números da balança). engoli todos os meus sentimentos. suguei tudo e todos.
ela me pediu pra ir embora.
(daqui, de todos os lugares).