———— Àquela altura da comemoração, Astrae já estava começado a sentir o peso de ter se metido em tantos compromissos. Parecia muito mais fácil participar de clubes da alta sociedade quando se tinha um batalhão de empregadas bem pagas pelo marido para realizarem todas as suas vontades, e não quando era ela a responsável por todo e qualquer problema que surgia em meio à festividade. Gaspard a iludira com a pose de bom moço e marido complacente, era verdade, e ela estava farta da vida que levava antes mesmo do episódio, mas não poderia dizer que o desgraçado não dispusera o mundo aos seus pés. O melhor de tudo? Ela não tinha que pagar por nada. Poderia ser apegada demais ao próprio dinheiro, mas quanto mais tivesse, mais parecia inclinada a querer mais. Voltando à realidade, sorriu debilmente para um dos componentes da barraca, acenando para que ao menos descansasse um pouco. A mesma voz insistente em sua cabeça a desgraçava a todo instante, as palavras martelando em sua cabeça ao tratar de outras pessoas. Se fulano estivesse no seu lugar, estaria aguentando e ainda com um sorriso no rosto. Revirando os olhos, a careta de cansaço era perceptível por qualquer um que passasse pela bancada, e Astrae teve que forçar a mão para que mantivesse a cabeça ereta enquanto apoiava o cotovelo sobre a mesa. Assim que encontrou os olhos da loira, entretanto, Drina se forçou a se manter ereta, os olhos brilhando ante a visão, talvez adquirindo coloração mais esverdeada. A menção à garrafa trouxe uma sombra de sorriso aos lábios da morena, e ela fingiu pensar por alguns segundos antes de responder Victoria. “Pensei que eu fosse sua diversão, cariño. Estou ultrajada! Como você pode me trocar por uma garrafa barata de tequila mexicana?” Caçoou, incapaz de levar a outra à sério. Ela, por exemplo, estaria lidando com o tanto de responsabilidades que a morena acumulara de forma exemplar, e isso trouxe um franzir de cenho que durou alguns segundos antes de forçar um sorriso, amabilidade aparentemente a tocando quando perto de Victoria. “Vou aceitar, entretanto, um terço da garrafa como pagamento por essa falta de respeito com sua salvadora.” Arqueou uma das sobrancelhas, inclinando-se sobre o balcão tempo o suficiente para que tocasse na garrafa. Nunca estivera ligada a pessoas no geral —— nem mesmo a Cassian, se é que pôde ter algum tipo de relação mais amena com o pai ——, mas era diferente com a loira, e aquilo a irritava. Não gostava de selar vínculos muito fortes —— atrapalhavam o julgamento ——, e sentia que era exatamente isso o que estava fazendo em Seven Sins, mas também era incapaz de se manter distante do maldito lugar, fosse por medo ou curiosidade. As almas loucas do instituto em pouco a interessavam, e ela sabia que estava ali por teimosia, mas, por aquele momento, tomou a garrafa da mão da loira, sorvendo um pequeno gole antes de devolvê-lo a ela, os olhos jamais se distanciando meros centímetros da Louvier.
♦ — ••❝ Ficou aliviada quando a resposta de Astrae foi seguida por um sorriso. Nem de longe Victória gostaria de ser mal interpretada. Adorava a companhia dos irmãos mais do que bebidas, mas é claro que adorava sobretudo a mistura de ambos. Simples ideia fez a loira sorrir. Conseguia imaginar claramente a língua vagando pelo corpo de um dos seis em um jogo de body shot. - Você é minha diversão honey, sempre que quiser... - Murmurou, baixo o bastante apenas para a morena ouvir. Piscadela fora oferecida para a outra, um sinal claro de insinuação enquanto também inclinava-se sobre o balcão. Língua percorreu extensão de próprio lábio inferior ao tempo que deixava, sem desviar os olhos da morena, um copo sobre o balcão. - Temos a noite toda para acabar com essa garrafa, e com a outra, que está em meu quarto... - Piscou o olho esquerdo outra vez, enquanto os dentes eram pressionados sem muita força contra o lábio inferior. Respirou fundo antes de deixar o outro copo que carregava sobre o balcão, aproveitando-se da mão direita livre para levá-la ao rosto da morena. Palma da mão acomodava a bochecha da outra, e Victória afagou levemente. - Precisa de alguma ajuda? - Questionou, abaixando a mão do rosto da garota para segurar a garrafa de tequila com ambas as mãos. Os olhos desviando-se dos da morena pela primeira vez na noite enquanto servia um copo para cada.