Dia primeiro do mês passado foi ao ar pelo Channel 4 da Inglaterra a sétima e aguardada última temporada do seriado Skins. Desde sua estréia em 2007, Skins fez grande sucesso entre o público jovem, que acompanhava a vida de vários personagens que viviam na cidade de Bristol. Seis temporadas, três gerações, muitas drogas, sexo, dilemas familiares, problemas de aceitação e sexualidade, entre outras coisas. Skins sempre teve o mérito de ser realista em vários aspectos e de fácil identificação.
O seriado sempre teve um modus operati: a cada duas temporadas os personagens eram trocados, esses novos cenários e elenco era chamado de 'geração'. Cada personagem tinha um episódio em que era o protagonista e pelo menos um episódio para todo mundo, 'Everyone'. A primeira temporada de cada geração era normalmente mais leve - as amizades e descobertas, todos os dramas pesados e tensões ficavam na segunda temporada.
Por um tempo foi cogitado se fazer um filme de Skins, mas a idéia ficou de lado e foi decidido uma sétima temporada. Mas ao invés de introduzir uma nova geração ao público, os criadores decidiram contar mais um pouco da história de três personagens icônicos: Effy (Skins Fire), Cook (Skins Rise) e Cassie (Skins Pure). A comoção foi geral, principalmente porque dois deles são parte do elenco original da série.
Segundo o que eu acompanhei pela internet durante essas seis semanas, os fãs não se decepcionaram com os novos episódios, mas uma reclamação foi constante -- principalmente aos episódios da Cassie -- sobre a falta de outros personagens antigos. É meio unanimidade o grande carinho pela primeira geração, então ver Cassie sem Sid pode ter sido complicado. Não narrativamente, afinal todos os personagens antigos e novos sustentam suas histórias, mas existiu a ansiedade de saber que mesmo sem aparecer, eles seriam citados e saberíamos por onde estivarem ou estão. Ledo engano. O único personagem que faz uma citação direta aos eventos que vimos em suas respectivas temporadas é Cook (Jack O'Connell), que conta que uma vez matou um homem. Os únicos rostos conhecidos além dos protagonistas acontece em 'Fire' de Effy, que traz junto Naomi e Emily, talvez não acrescentem muito a história, mas dão um tom mais humano a Effy -- que sempre foi sozinha e independente.
Skins também não deu muitas pistas do que os personagens andaram fazendo esse anos e quando davam era tudo meio vago, mas não importava -- como se nada de fato muito significativo tivesse acontecido a eles. Cook, Cassie e Effy como personagens são resultados diretos de suas respectivas tramas, aquelas que acompanhados entre 2007 e 2010. Eles mudaram, cresceram, a vida não necessariamente foi amigável com eles, mas sempre tivemos as respostas do porque eles serem como foram mostrados.
Saímos de Bristol e vamos para Londres. Além da inconfundível Londres, Skins visualmente nunca esteve tão bela: fotografia impecável e arte igualmente impecável. As cenas de Cassie na praia perto da casa de seu pai são um colírio para os olhos. A qualidade de produção se mantém igual em todos os episódios e é um dos pontos com que faz o espectador acreditar que o seriado acabou bem.
Os dois episódios de Skins Fire, protagonizado por Effy foram os dois primeiros a irem ao ar. Effy parece ter deixado a vida louca de lado e arrumou um emprego careta de secretária em uma empresa que trabalha com investimentos. Mas logo a secretária consegue uma posição de inveja na empresa quando sem querer descobre uma informação valiosa de um amigo que trabalha no ramo, Dom (Craig Roberts, o Oliver Tate de Submarine) e que tem um amor não correspondido pela protagonista. Logo Effy é vista como a nova queridinha do chefe, com que também acaba tendo um caso. Mas a vontade de se manter ao topo, acaba custando bem mais do que ela -- e o espectador -- podia esperar.
Num primeiro momento é de estranheza com essa nova Effy, que aos poucos mostra que ainda tem grandes trejeitos antigos. Mas particularmente, e eu sei que tem muita gente que acha o mesmo, Effy estava chata como sempre. O segundo episódio de Fire tem uma das cenas de sexo mais bizarra de todas as temporadas, protagonizada por Effy e Dom.
Certamente os episódios mais esperados, Skins Pure foi ao ar nas semanas seguintes. Cassie volta dos Estados Unidos e além de trabalhar como garçonete mora em um prédio de qualidade duvidosa. Ela vai levando a vida até que descobre que tem um stalker, alguém anda tirando fotos suas e publicando em um site. Depois de investigar, Cassie descobre que seu stalker é um de seus colegas de trabalho, Jakob (Olly Alexander). Com uma solidão e um falso senso de certo e errado, Cassie acaba criando uma conexão com Jakob, deixando com que ele a fotografe, mas o deixando também fazer parte de sua vida. Mas tudo se desfaz quando ele apresenta comportamentos de teor possessivo sobre ela.
Pure foi a seqüência que mais me incomodou, dessa vez eu não consegui ver a Cassie como ela sempre foi retratada pelas fãs: como essa criatura adorável que adora falar 'oh wow'. Mas uma Cassie que debaixo daquela timidez e quietude pede ajuda e a gota da água foi sua amizade com seu stalker, como se ela visse os atos dele como um ato de alguém que se preocupa com ela, não como invasão de privacidade e crime. Mas Bryan Elsley e Jess Brittain não seriam irresponsáveis em deixar essa questão assim e na sequência tomam rumos melhores para os personagens.
Cook de Skins Fire mora em Londres e é um traficante de drogas. Apensar de lidar com substâncias ilícitas, Cook parece se manter longe delas e tenta ficar na sua. Tudo ia relativamente bem, até que ele se envolve com a namorada do chefe, Charlie (Hannah Britland) e com medo de ser descoberto decide fugir, levando a namorada Emma (Ester Smith). Mas no meio do caminho, ele recebe um telefonema de Charlie, pedindo socorro e decide buscar ela. Os três vão parar na casa de campo dos pais de Emma, mas o chefe de Cook e namorado de Charlie, Louie (Liam Boyle) vai atrás deles. É sem dúvida o episódio mais triste de todos, mas também ao meu ver o melhor. Jack O'Donnell mostra ser um grande ator e com presença na tela.
Skins pode se ir tranquilamente, sabendo que fez um bom trabalho todos esses anos e que não fez uma última temporada "nas coxas". Nos resta agora apenas assistir as reprises.