You see me rolling they hatin' — Prongs & Wormtail.
Eles não deveriam estar por ali.
Tecnicamente, o mundo encontrava-se em iminência de guerra e prelúdio do caos. Todos os dias, quando realizava sua leitura matinal do Profeta Diário, havia alguma notícia sobre desaparecidos e ataques cujo sistema operacional dos aurores chamava de aleatórios. Ele sabia que nada disso era verdade e estavam apenas tentando controlar a euforia da população. Por mais que jogassem nos seus ombros a alcunha de irresponsável, Potter nunca foi do tipo que se deixa afundar no próprio mundo e vira as costas para a realidade.
Possivelmente pagava alto o preço por seu egocentrismo variado e autoestima desafiadora das leis do quanto alguém pode se amar sem que soe absurdo, mas de modo algum ter uma boa perspectiva de si mesmo e tentar dar o melhor de si removia sua visão dos arredores. Do que estava perto, longe, não tinha muita diferença desde que fosse importante. E para ele, um amigo precisando de ajuda sempre se configurou na categoria de "coisas extremamente importantes". A pessoa da vez era nada menos do que um companheiro de desventuras, um irmão, por assim dizer. Peter Pettigrew andava carregando um semblante ainda mais confuso que o habitual - e acreditem, isso quer dizer muita coisa se tratando do rapaz. Poderia jogar a culpa naquela sextanista, mas preferiu nunca o fazer em voz alta.
No entanto, ao contrário de Sirius - com quem poderia dialogar abertamente sobre qualquer coisa na frente dos outros - o transformo de roedores pedia por uma abordagem tão surdina quanto sua mutação. O colega podia até se sair bem enganando os demais, porém, James sempre soube que por trás daquele rosto se escondiam problemas muito maiores do que os seus. Peter não tinha uma família como a sua para ajudá-lo em momentos difíceis, tampouco sentia-se bem o suficiente para conquistar posições elevadas por conta de sua aparência física. Em detrimento do consenso geral, o headboy tinha pleno conhecimento acerca das inseguranças do melhor amigo e tentava ao máximo, amenizá-las.
Ele não tinha, obrigatoriamente, de ser o mais bonito de Hogwarts para conseguir a garota que quisesse. Ele também não devia a ninguém se as notas fossem medianas, visto que poderia apostar todos os seus galões que o menor conseguiria se dar bem em qualquer profissão; afinal de contas, a máxima de Peter sempre fora o esforço. Esforço para se sobressair, para ser alguém. Acontece que ele não aparentava esforço algum, no exato momento, em prol de relaxar. Estavam juntos sob o que pareciam ser milhares de partículas com todas as cores misturadas, elas fluoresciam e ganhavam forma acima das suas cabeças adicionando um manto psicodélico ao estabelecimento conhecido pelo nome de "The Rolling Stone".
Após uma breve conversa com Peter na calada da noite, não foi muito difícil convencê-lo a aparatar sob seus cuidados. Quis fazê-lo uma surpresa, e depois de subornar a entrada com alguns galões extras, ambos se encontravam no camarote do estabelecimento - apesar do gryffindor preferir muito mais a pista, pois o calor humano sempre lhe fez muito bem. "C'mon, relax your shoulders and man up tonight, or I'll have to personally beat whatever is bothering you lately out of your tiny damn body!" Ele falou um tanto perto do amigo, sendo a acústica do lugar potente demais para permitir conversas numa distância segura.
"I'm probably being stupidly paranoid, but it's for good. We need a break, my friend. You need one. To relax and all the stuff we can't do at school. You lead tonight, tell me what you need and I'll get it for you. And last not least: drinks are on me." Finalizou, ajustando a metragem da própria jaqueta de couro que tinha insistido em subir por alguma razão desconhecida, logo após isso automaticamente um dos braços foi contornar os ombros do menor. Aquela seria uma grande noite no que dependesse do seu empenho pessoal.