MESTRADO na Europa: História da Ananda.
Para continuar a edição de Estudando na Europa, hoje vou mostrar a entrevista com Ananda Casanova que tem uma história inspiradora fazendo o Mestrado em educação ao ar livre, vem ver!
Foi a Ananda que me fez pensar nessa história toda de entrevistas e ela respondeu tão bem que eu não sinto necessidade de explicar mais nada. Vou publicar direto aqui as minhas perguntas e as respostas da linda da Ananda Casanova:
Quando decidiu morar fora do Brasil? Era um sonho antigo ou foi surpresa?
Eu sempre tive o sonho de passar um tempo fora do Brasil. Eu já havia morado em Buenos Aires, Argentina, por três meses durante um intercâmbio do mestrado, em 2012. Foi um experiência transformadora e só me fez querer mais. Quando voltei pro Brasil comecei a procurar oportunidades que me viabilizassem esse sonho: doutorado pleno no exterior, voluntariado, cursos de idioma, o que fosse.. Até que uma amiga que morava na França me indicou o programa Erasmus Mundus, oferecido pela União Europeia, como uma oportunidade pra fazer o doutorado. Eles não tinham nenhum curso que me interessasse. De curiosa, fui conferir a lista dos mestrados e encontrei um super interessante, sobre educação ao ar livre. A ideia de fazer um segundo mestrado nunca (nunca!) havia passado pela minha cabeça, mas a proposta do programa era tão interessante que decidi arriscar. Isso foi no final de 2013. Acabei sendo selecionada e em agosto de 2014 vim pra Europa.
Como foi o planejamento para se mudar? Foi fácil ou difícil? Alguém te ajudou?
Foi um processo "agridoce": fácil e difícil ao mesmo tempo. São dois anos de curso, dois anos longe do Brasil, no mínimo. Por isso, eu tinha uma série de detalhes burocráticos pra dar conta: encerras contas em banco, fazer procurações, encerrar meu mestrado no Brasil. Ao mesmo tempo, preencher todas as documentações e contratos pro mestrado europeu, porque recebi bolsa de estudos. Tive cerca de 5 meses pra me preparar. Acho que o mais difícil foi ir entrando aos poucos nesse universo internacional, aprendendo à distância como funcionava o sistema em outros países (universidade, bancos, transporte, etc..). Não precisei de visto, então isso facilitou bastante. Desafiador mesmo, no entanto, foi o lado psicológico.. apesar de estar muito feliz e entusiasmada com a ideia de passar dois anos fora, com bolsa de estudos, tinha dias em que eu parava e me perguntava, assustada, como ia ser. Deixar amigos e família e sair sozinha, sabendo que ia encontrar um grupo de pessoas desconhecidas que seriam (e estão sendo) minha família por todo o tempo do curso. E ainda tinha que juntar uma grana extra pra pagar a passagem e bancar meu primeiro mês fora, até começar a receber a bolsa.
Onde está morando no momento? Mora sozinha ou com amigos?
O mestrado é "itinerante": em cada semestre moro num país diferente. Primeiro foi a Inglaterra, segundo a Noruega e então, Alemanha. Desde janeiro vivi em Oslo, Noruega, mas exatamente nesse momento eu estou sem casa :D
Meu semestre acabou aqui, então vou passar o verão "mochilando" pela Europa, a partir da semana que vem. Em agosto me mudo pra Alemanha. Moro em casas estudantis, organizadas pela universidade. O grupo do mestrado é formado por alunos do mundo todo. Somos 18 ao total. A universidade é responsável por nos oferecer moradia.
É um programa de mestrado chamado Transcultural European Outdoor Studies (algo como Mestrado Transcultural Europeu em Estudos Outdoor). O tema é a educação ao ar livre (outdoor education), que visa experiências educativas em meio à natureza, desde programas de aventura (montanhismo, escalada, canoagem, etc) até atividades escolares fora da sala de aula.
Criei um blog pra contar um pouco do que estou vivendo no mestrado: https://anandacasanova.wordpress.com
Precisou fazer o IELTS? Que documentação foi necessária? Tinha igualdade de diploma com o diploma brasileiro?
Sim, era uma das exigências na seleção. Além do exame de proficiência, tive que enviar meus diplomas do Ensino Médio e graduação, traduzidos oficialmente para o inglês; carta de recomendação; carta de intenção; currículo, etc.
Meu diploma foi avaliado de acordo com o sistema alemão de ensino (a universidade sede do programa é alemã); em outras palavras, eles consideraram principalmente a carga horária pra ver se era equivalente com o mínimo necessário.
Sente muita diferença no sistema de ensino do local onde está comparado com o Brasil?
Estudei na Inglaterra e Noruega até agora, dois dos países mais ricos do mundo. Então, é claro que a primeira diferença foi de infra-estrutura e disponibilidade de capital pra viabilizar atividades acadêmicas. Por outro lado, senti falta das organizações estudantis, que não tinham a mesma intensidade e atuação política como acontece no Brasil - ao menos não nas universidades pelas quais passei. Em relação ao ensino no programa, tem semelhanças e diferenças. É semelhante no sentido acadêmico: há protocolos a cumprir, discussões a fazer, artigos pra escrever.. faz parte do modo como a vida acadêmica funciona. O que vem sendo diferente é o nível de informalidade que temos com nossos professores e o estilo de ensino, mas acredito que isso seja uma peculiaridade do meu curso. Como estudamos educação ao ar livre, fazemos muitas atividades práticas, saídas de campo, expedições..graças a infra-estrutura que a universidade oferece.
8- Sentiu alguma diferença cultural? Qual?
As principais diferenças foram em termos de estrutura social e valores. Pontualidade, organização, cumprir agendas, por exemplo. Aqui na Noruega o povo que conheci era bastante tímido e contido, não rola uma aproximação assim de primeira. São um povo bastante honesto também, a integridade moral e o cumprimento das regras são levados bastante a sério. Por outro lado, isso me fez sentir muita falta da espontaneidade e criatividade latino-americana.
9- Deseja acrescentar algo que pensas que ajudará pessoas que estão buscando alternativas de estudo fora do Brasil?
Lembro que quando estava me preparando pra vir, muitos amigos me disseram o quanto eu era corajosa em fazer isso, "largar tudo" e partir para o desconhecido. Na real eu nunca me vi como corajosa, mas determinada em fazer um sonho antigo acontecer. Acredito que seja isso: fé nos sonhos e suor na camisa pra fazer eles acontecerem. Tem várias possibilidades de bolsas de estudo no exterior, seja para uma pós-graduação ou um aprofundamento do idioma, financiados por instituições internacionais e voltados para o público internacional. O Erasmus Mundus é uma delas. Pode parecer uma coisa impossível e distante, mas não é. Procurem se informar e, quando acharem algo que seja interessante, acreditem. É possível :)
Gente, tem mais algo pra falar? A história da Ananda super me inspirou, fiquei boquiaberta e com o coração palpitante. Vejam o blog dela também que conta com mais detalhes cada experiência que ela está tendo!
https://anandacasanova.wordpress.com
Depois dessa nem preciso lembrar que o mundo é nosso né? Se joguem queridos! Beijos!