Play Hard || Liam & Liana
Liam faltara o treino de espada e, por seu um aluno tão bom, se premiou com aquela oportunidade, apenas para que pudesse participar da batalha que seus irmãos criaram. Tinha certeza absoluta ao dizer que, quando criança, aquele era um dos jogos que mais jogava, tanto no orfanato em que vivera até os sete anos, quanto na casa de seus pais adotivos, sendo este um jogo tão simples, barato e divertido que vinham caixas aos montes do jogo em doações para a instituição. E seus pais adotivos prezavam sempre a boa entrosarão da família e promovia, dentro da casa mesmo, pequenos torneios com jogos diferentes toda semana, sendo Twister o que mais se repetia. Liam ainda conseguia ver vividamente na mente, flashs da sua infância no orfanato, onde tinha a própria representação com seis, sete anos, encolhido em algum canto com um livro, sendo chamando com um aceno por alguma criancinha da instituição para completar o time. Não gostava de lembrar-se dessa parte do passado, mas Liam tinha que admitir que, modéstia parte, sempre fora bom na brincadeira.
Sobrara apenas ele e Liana no chalé para a partida, e enquanto encarava o tapete de plástico e alongava-se brevemente, apenas o suficiente para estalar as juntas dos dedos, braços e pernas. Não estava tão preocupado com a partida, seguro de que, graças aos membros grandes ― braços, pernas e tronco que compunham seus 1,85 m de altura ―, conseguiria alcançar mais os círculos coloridos do que a baixinha ao seu lado. Teria apenas que se retorcer um pouco, ter a resistência de aguentar permanecer em algumas posições, que em grande maioria seriam constrangedoras, e ganharia sem problema algum o jogo. Inclinou o pescoço sobre o ombro direto e depois sobre o ombro esquerdo, ouvindo o estalo e sorrindo para a meia-irmã antes mesmo de voltar seu rosto para ela. Abaixando a cabeça e encarando a expressão “ameaçadora” da irmã, Liam riu baixo, aproximando-se do tapete e soltando para Liana, ainda com o sorriso no rosto em deboche. ― Ah, vou. Claro que vou. ― Olhou para o irmão que giraria a roleta e assentiu com a cabeça, sinalizando que estava pronto. Voltou-se para a irmã, erguendo uma sobrancelha em desafio e tentando reprimir o riso que tentava escapar-lhe os lábios. ― Se está tão confiante assim de que irá ganhar, por que não começa? ― Fazendo um gesto amplo para que a garota se aproximasse mais do tapete, Liam viu o outro irmão girar a roleta pelos cantos dos olhos.
“Mão esquerda, amarelo.” Ouviu o irmão dizer ainda encarando a roleta, só depois se voltando para os dois em expectativa enquanto Liam ainda encarava Liana com a expressão de desafio e o braço erguido indicando o tapete, induzindo-a a ir em frente e começar, e querendo realmente ver se a garota tomaria o passo à frente. Estava disposto a começar, confiante de que tanto fazia se ele ou ela fosse primeiro, porque sabia que ganharia quase de lavada da irmã. Esperou para ver se ela tomaria a iniciativa de começar, já em posição de “ataque”, que se resumia a joelhos flexionados e coluna curva, apoiando os braços nos joelhos. Encarava Liana com expressão de pura diversão, seus olhos caindo na coxa machucada da garota e sabendo de que aquilo era apenas mais um fator que justificava sua iminente vitoria.
Liana se limitou a revirar os olhos para o irmão, apesar de ter um sorriso nos lábios. Tudo bem, Liam não acreditava no seu potencial, mas ela não iria deixar que ele pensasse estar na vantagem. Tudo bem, ela estava com a perna machucada e que dificultava um pouco seus movimentos, mas ela já conseguia ter maior liberdade ao executá-los, então não se importaria em suportar um pouco de dor para conseguir se manter estável e firme ao tocar naquelas bolinhas. Parecia estúpido ser competitiva em relação a um jogo de crianças, mas a filha de Atena queria provar que era tão capaz quanto os outros, que não precisava de pena ou que alguém a subestimasse. Quando Liam fez um sinal claro para insinuar que ela deveria começar, a garota fez uma falsa reverência, logo depois se levantando e franzindo o nariz para ele, mostrando a língua logo depois. Aproximou-se do tapete, ficando de frente para a parte mais larga, aguardando o comando do outro irmão.
Assim que o comando apareceu, a menina analisou seus caminhos, onde seria melhor colocar a mão. Se ela ficasse na ponta, seria mais fácil agora, mas depois ela teria que virar o corpo para completar os outros movimentos. Se colocasse a mão em uma das bolinhas do meio, poderia ser mais difícil no começo, mas talvez depois facilitasse para ela se esticar e alcançar as outras bolinhas, além de –pelo menos ela esperava que sim – dificultar as tentativas do irmão. Com um sorriso no canto da boca e a estratégia montada, Liana deu a volta no tapete, ficando de frente para a parte menos larga, começando a se abaixar. A perna protestou um pouco, como se a pele estivesse se esticando, mas a semideusa ignorou, limitando-se a juntar levemente as sobrancelhas.
A campista ajoelhou-se ao lado do tapete, pousando a mão esquerda ao lado dos joelhos, para ganhar maior equilíbrio, e esticou o braço o máximo que podia, alcançando uma bolinha quase exatamente no meio do tapete. Ergueu a cabeça, pendendo-a um pouco para o lado, olhando para Liam aguardando sua vez. Em outras ocasiões, ela ficaria um pouco constrangida pela sua posição, quase de quatro no chão da cabine, mas não só estava apenas com seus irmãos, como também conhecia o jogo e as críticas que ele recebera, então sentir vergonha só a atrapalharia. Esperou o irmão girar a roleta que daria o comando de Liam, e quando finalmente parou, ela olhou para o outro filho de Atena, esperando o movimento dele. “Mão esquerda, azul”.















