I feel something so right doing the wrong thing · @Zoey
Zoe nunca quis tanto fazer uma coisa como a que estava fazendo naquele exato momento. Mas não significava que não estava nervosa e tão incerta em relação a fazê-lo. Suas mãos suavam e não conseguia parar de olhar para os lados para ter certeza de que ninguém estava olhando. Era o que lhe delatava, mas tinha tão pouca gente na rua e a maioria estava tão ocupada àquela hora do dia que não era surpresa ninguém ainda ter vindo tirar satisfações com a garota. Soltou o ar pela boca de forma irregular, enquanto tentava transformar um grampo de cabelo em uma chave da forma mais discreta possível. Claro que as mãos suadas atrapalhavam, fazendo o grampo escorregar varias vezes da mão no meio da transformação e o nervosismo que a impedia de criar uma imagem clara na cabeça de como seria a chave da grade. Até porque não sabia muito bem como era uma chave de uma grade. Respirou fundo, tentando mais um formato de chave e enfiando na fechadura. Entrou metade, a partir daí, emperrou. Com algum esforço, tirou-a dali, apoiando o quadril na grade, e tentando criar outro desenho para o objeto em sua mão.
Tinha tentado fazer uma coisa como aquela pouquíssimas vezes, mas sempre era com a chave especifica que tinha que reproduzir em mãos ou tinha o desenho do objeto vivo em sua memoria, testando até onde iam suas habilidades. Mas nunca teve a pressão de ter que achar o desenho da chave antes do dono chegar ou antes de alguém perceber a movimentação estranha. O cabelo começava a tapar seu campo de visão. Soltou o ar de um vez só pela boca, dando uma pequena pausa no trabalho e apoiando a testa entre duas barras de ferro da grade, olhando para além dela, vendo uma mota novinha, em perfeito estado, estacionada a poucos metros. Nunca teve ao certo alguma coisa para roubar, tendo em vista que sempre que queria alguma coisa ou podia transfigurar objetos até ter o que queria ou podia transfigurar papel em dinheiro e simplesmente comprar, mas, uma moto, era algo completamente fora de contexto. Era dinheiro demais para uma garota de dezessete anos carregar e, bem, não tinha que ser maior de idade para comprar uma? E de qualquer forma, comprar não teria tanta adrenalina quanto roubar. O grampo escorregou de sua mão mais uma vez, parando do outro lado da grade. Bufou alto, fechando os olhos e os cobrindo com as palmas das mãos, tentando resgatara paciência e a calma há muito perdidas. Logo depois se ajoelhou no chão, enfiando as mãos para depois da grade e tateando até pegar o grampo, para logo voltar a tentar transfigurar o objeto na chave.













