a glimpse of the silhouettes, a night that they never forget ; macvance
A chuva inesperada que havia começado naquele momento caía forte do lado de fora do pub. Emmeline sentira o primeiro pingo caindo sobre ela enquanto discutia com o homem pela intervenção e procurava por sua varinha, que havia voado para longe dela após um feitiço que a desarmou, restando a ela o combate corpo-a-corpo – no qual ela não levou a melhor.
Sua roupa pingava água, o mesmo acontecia com seu cabelo. Não havia permanecido na chuva por mais de cinco minutos e ainda assim parecia que ela havia mergulhado de roupa e tudo em uma piscina. Quando se aproximou do balcão e tirou sua jaqueta notou que a camisa branca não havia sido a melhor escolha para aquela noite. O tecido branco agora era transparente, deixando visível tudo o que havia por baixo, ou seja, deixando claro que seu sutiã era preto e de renda.
“Eu não pedi pra você se meter na briga.” Respondeu em um tom mal humorado para o homem. Em momento algum Emmeline havia pedido por socorro, estava conseguindo se defender bem mesmo sem a varinha. Mas então ele havia aparecido conjurando um feitiço a distancia que havia pegado de raspão em Vance, fazendo com que a jovem se afastasse. E então a briga passara a ser dos dois homens. Sem varinha em mãos e não podendo entrar no meio do duelo restou a ela apenas assistir os rastros dos feitiços que iam e vinham, vez ou outra acertando um dos dois.
Apenas dentro do pub e com a luz já iluminando todo o ambiente que Emmeline pode notar o corte na manga esquerda de sua camisa, feito pelo feitiço que havia a acertado de raspão. Revirou os olhos ao ouvi-lo questionar se ela estava esperando por um garçom. “Não, não estou esperando por um garçom.” Respondeu enquanto dirigia-se rapidamente até o lado de dentro do balcão, onde ele estava. Procurou entre as garrafas por uma em especial, sabia que ela estava ali, já havia visto Sybill guarda-la algumas vezes. Esticou-se para alcançar a garrafa no fundo da prateleira, virando-se novamente para o homem com a vodka já em mãos. Pegando um copo, serviu-se de uma dose generosa do firewhiskey que ele havia bebido antes dela. Dobrou a manga de sua camisa, deixando à mostra o corte em seu braço que fora o responsável por ter manchado boa parte do tecido branco de vermelho. Segurou a rolha da garrafa com os dentes e a puxou, destampando a mesma. Sem pensar duas vezes virou uma quantidade da bebida sobre o corte, mordendo o lábio inferior com força para aguentar. “Pode colocar na minha conta.” Falou enquanto respirava fundo e finalmente sentia o corte deixando de arder.
Novamente serviu-se de firewhiskey, se beber faria sua dor de cabeça ir embora, para que ficar apenas na primeira. Quanto mais álcool correndo por seu sistema sanguíneo, mais rápido se livraria da dor de cabeça daquela noite – a da manhã seguinte talvez fosse pior, mas ela realmente não queria se importar com tal detalhe naquele momento. E logo sem nem pensar duas vezes encheu novamente o copo, bebendo a terceira dose de uma vez. Talvez por não ter comido nada durante o dia todo a bebida começou a fazer efeito antes do que ela imaginava. Pela primeira vez na noite havia se permitido de fato observá-lo e constatou que ela não era a única com a roupa transparente depois de tanta chuva. A regata branca dele agora estava colada na pele dele, deixando aparente todos os detalhes do corpo dele. Relutantemente deixando de observar o peitoral dele, Emmeline subiu seu olhar para o rosto tendo sua atenção rapidamente capturada por um corte em seu supercílio. Sem avisá-lo do que faria, a jovem rapidamente alcançou um guardanapo de pano sobre o balcão e o molhou de vodka. “Essa é por sua conta.” E antes mesmo que ele pudesse perceber o que estava acontecendo, apertou o pano cheio de bebida contra o corte dele.
Walden era naturalmente um cara rabugento, cuja avareza já havia rendido vários bordões entre os clientes do pub (como aquele que ela havia insistido em repetir, malditos fossem Stan e Amy por contá-lo por aí), porém naquele momento a raiva que sentia era descomunal. Se suas garrafas não fossem tão caras e preciosas para seu bolso, de certo estaria fazendo feitiços ricochetearem em todos os cantos pra extravasar a vontade de gritar de frustração. Pra falar a verdade, seu incômodo maior não era nem tanto de ter perdido dinheiro pr'aquele cara, mas era justamente ter perdido isso para ela. Por culpa dela. E como se não bastasse, o destino ainda havia enfiado aquela mulher maluca em seu caminho de novo, e lá fora Walden bancar o herói para depois não ganhar sequer um obrigado dela. Mas sim uma porrada de palavrões e de quebra um corte em seu supercílio por culpa de um feitiço antes do homem fugir de novo, e a chuva vir para completar o serviço.
Seu estado era deplorável. A jaqueta que largou no balcão estava ensopada, assim como a regata branca que àquele momento era transparente, grudando em cada centímetro do peitoral de Macnair. Pra ajudar, a adrenalina ainda corria em seu sangue e tornava sua respiração pesada, fazendo com que fosse difícil fazer duas coisas ao mesmo tempo. Como beber e respirar, após ouvir a voz ingrata dela lhe acusando novamente. “Excuse me?” Bradou irritado em meio a um gole da dose de firewhisky, tossindo depressa enquanto falava. “Você é uma ingrata, sabia disso? Mas que merda, eu salvei você. Eu nem queria, mas eu salvei.” Frisou o termo de modo totalmente incrédulo, deixando claro que sua real vontade fora largar ela pra lutar pela vida. Pelo menos teria se livrado de tomar uma chuva e ainda ganhar cortes que agora começavam a arder igual o inferno.
Walden fez uma careta, servindo-se de outra dose farta de firewhisky e deliberadamente ignorando a existência da ruiva até que ela adentrasse seu espaço no balcão, lhe fazendo virar depressa para ela e tossir outra vez. Mas antes que pudesse retrucar ao que ela dizia, seus olhos turvos pela rapidez com que ingerira a bebida lhe fizeram piscar depressa, enxergando na meia luz dos lampiões próximos do balcão a sombra dela e de detalhes a mais. Como o fato de que a camiseta dela também parecia grudada demais. Macnair meneou a cabeça, buscando se livrar de ter sua raiva distraída por aquilo, e acabou por mover a varinha para que a garrafa enchesse seu copo mais uma vez, virando-o em apenas um gole e encostando-se no balcão para fitar a ruiva novamente e rolar os olhos enquanto assistia em primeira mão a tentativa da mesma em cuidar do raspão no braço. Uma obra que Walden nem sabia que havia feito.
“Pelo amor de Merlin, você ao menos sabe fazer isso?” Resmungou enquanto olhava-a morder os lábios pelo toque do álcool no corte. Que diabos, ela nem precisava morder a boca daquele jeito, o que ela queria fazer? Walden quis fingir que não olhava para nada mais, porém o movimento da respiração dela fazia com que seus olhos fossem rapidamente guiados para a transparência do tronco dela, cada curva delineada ali, a camiseta molhada marcando perfeitamente a lingerie embaixo. “Sabe o que você devia fazer? Tirar isso, não tá ajudando em nada.” Simplesmente disse, contendo o impulso de percorrer os próprios lábios com a ponta da língua, e rapidamente desviando o olhar para servir-se de outra dose.
Esta descera rapida demais em sua garganta, fazendo Walden fechar os olhos e fazer uma leve careta, o corte no supercilho doendo subitamente. Levou a mão livre ao mesmo e o sangue manchou seus dígitos, lhe fazendo levá-los depressa contra a regata colada e limpar ali, praguejando pela sujeira e tentando descolar o tecido de seus músculos. Mas que saco, além de tudo ainda teria que pegar um resfriado por culpa dela? A raiva queimou sua língua outra vez e o riso irônico surgiu com a piadinha dela, Macnair então ergueu o olhar que antes estava em sua própria camisa molhada para fitá-la quando tudo aconteceu. Rápido demais para que sua mente embriagada pudesse reagir.
Walden só percebeu quando a ruiva se aproximou, e no segundo seguinte sentiu que havia levado um murro bem em seu olho, quando na real ela havia simplesmente grudado um guardanapo com vodka em seu machucado. Um guardanapo. Com sua vodka. Na porcaria do seu machucado. “What the fuck!” O grito veio antes que pudesse conter, e na pressa de colocar a mão no corte que sangrou e ardeu de modo insuportável, Walden derrubou a varinha e a garrafa do balcão. O copo caiu de sua mão e também se estilhaçou. Assim como seu controle.
Sem pensar, seu corpo avançou depressa contra o dela, rapidamente colando seu peitoral úmido contra dela e assim a segurando contra o balcão. Se estivesse um pouco mais sóbrio, teria notado que as mãos não apertavam os ombros dela, mas, sim, a cintura. “Caralho, o que deu em você?! Você é louca?!” Perto demais, simplesmente exclamou no tom rouco e irritado, empurrando todo seu tronco contra o dela e perguntando outra vez. “É assim que você me agradece?! Qual o seu problema?”














