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Just trying to draw anything
“Minha professora diz que frio não existe, existe a ausência do calor. Então, saudade também não deve existir, existe a ausência de você.”
— Escambo.
me diz que não da pra você
me diz que não sente o mesmo
vai, me fala tudo oq sente
só não mente, pra mim
ou vou acreditar
isso vai matar em mim
mas passa
prefiro a dor momentânea
à frustração constante
as vezes minha maturidade é apreciável
“Existem dias que eu não quero responder ninguém, falar com ninguém, ver ninguém. Existem dias que eu só quero ficar sozinha com meus pensamentos, tentar organizar tudo aqui dentro e respirar. Não é egoísmo, não é chatice, é só meu jeito meio louco de tentar não enlouquecer.”
— Sarah Lima
tem essa dorzinha na minha cabeça que não sei diferenciar se é real ou projetada, questiono se adoeci ou se me transformei numa enfermidade ambulante,
por vezes fecho os olhos com força para diminuir a dor e outras vezes fecho os olhos com força pedindo que a dor tome conta de mim até não restar mais nada,
tem essa outra dorzinha dentro de mim que já não sei mais onde fica, ela me mostra que ainda tô viva e que tenho forças para supera-la, há dias que isso me torna grata, em outros momentos eu odeio que ela e tudo exista,
minhas dorzinhas que de pequenas não têm nada são frutos dessa parte dentro de mim que eu converso todos os dias e que ninguém conseguiu alcança-la para acalma-la também, ora ela me mantém de pé, ora é ela que me derruba.
mas o que mais me assusta é que não sei mais o que fazer com tudo isso. eu não sei mais. eu não sei.
eu não sei em que momento a gente se desconheceu. em que momento todas as coisas que nos uniam em uma imagem e conexão se transformaram ou se revelaram tão frágeis.
eu não sei em que momento a gente se desconheceu. se foi quando o teu despertar não amanheceu pregado ao meu bom-dia. se foi quando a tua saudade se esqueceu do meu formato no mundo ou da minha esquisitisse na vida. se foi quando não saberíamos mais dizer qual data nos carrega em tempo constante. se nós fizemos. se nós falamos. se nós estivemos. se nós fomos.
o fato dado e consumado é que simplesmente eu não sei em que momento a gente se desconheceu. não teve um soar melodramático. uma cena de um comportar triste e findavel. não houve o fim para nos avisar que se acabou. descobrimos a morte nos olhos de uma vida nova. distantes. repentinamente. inalcançáveis.
eu não me lembro mais se você continuava a perdurar o sorriso depois de uma gargalhada. não me recordo se você preferia preto ou branco ou cinza. a tua música preferida. o nome do teu primeiro animalzinho. a última vez que você leu um livro. a tua energia no universo. a tua fala.
eu não sei em que momento a gente se desconheceu. mas há uma eternidade entre o espaço de abrir os braços e não se lembrar mais do aconchego. porque dentro desse espaço eu te conheci. e dentro desse espaço você me conheceu. e dentro desse espaço a gente se conheceu junto. e dentro desse cantinho que o peito protegeu do desconhecimento/desconhecido eu ainda te tenho. e eu ainda te conheço. você ainda me alcança. eu talvez te entenda.
a gente se desconheceu. mas toda vez que lembro o teu nome é como se fosse fresca a sensação da estação onde a gente ainda se conhecia. e era lindo.
— eternidadepoetica