a sensação de andar em uma corda bamba, fotos de família guardadas no fundo de um baú, a necessidade de ter seus passos aplaudidos, piadas que conseguem esconder a sua ansiedade, um banho com velas aromáticas depois de um dia cansativo, posteres de filmes de romance colados na parede do quarto, o silêncio como um inimigo mortal.
【 ele/dele, pedro novaes 】 ⸻ Boas vindas à Mansão Umbra, VINÍCIUS "VINI" FONSECA! Você chamou a atenção de Larc Crimson com a habilidade de AEROCINESE há OITO MESES. Desde então, foi batizado como WINDWALKER e ocupa o cargo de DISCÍPULO. Embora tenha apenas VINTE E SEIS ANOS, suas responsabilidades como vilão não serão um peso fácil para carregar, afinal, deixar JACKSONVILLE, FLÓRIDA, e ignorar sua INGENUIDADE E DEPENDÊNCIA, permanecendo apenas DEDICADO E BEM HUMORADO, é um fardo enorme até para um extraordinário. ( connections )
𝐈. ⠀ 𝙸𝙽 𝙳𝙴𝙿𝚃𝙷 ⠀ [ ... ]
Os Fonseca são uma família de circo que ensinou aos seus filhos todos os seus truques desde cedo. Isso não incluía apenas as acrobacias e o equilíbrio que eles deveriam demonstrar no trapézio, mas também as formas fáceis de ganhar dinheiro batendo carteiras de turistas distraídos e participando de esquemas de extorsão. Vinícius gostava do trabalho no circo, seu peito sempre se estufava quando ouvia os aplausos do público, e mesmo que não entendesse exatamente porque sua família enganava as pessoas, não pensava muito naquilo quando recebia tapinhas nas costas do seu pai. Ele vivia por aquilo: aprovação.
Assim que os seus pais descobriram qual era o seu poder, decidiram que tinham encontrado uma mina de dinheiro. Seus irmãos olhavam para Vini com inveja e raiva, uma pontinha de ressentimento, mas ele não conseguia enxergar muita coisa quando as duas pessoas mais importantes da sua vida demonstravam orgulho de cada truque que ele conseguia fazer com o auxílio do seu poder. Criaram um circo da própria família, e as pessoas iam para os shows apenas para ver o que Vini conseguia fazer, tirando fotos com ele antes que se tornasse famoso. Se sentia como um animal em uma jaula, mas ainda assim, feliz.
O contrato com a Stargate não demorou para chegar. Seus pais não ficaram tão contentes quando ouviram pela primeira vez que o circo não poderia mais receber o filho extraordinário, mas só precisaram olhar o dinheiro que iriam ganhar com um herói, para logo colocarem sorrisos em seus rostos. Os primeiros meses foram incríveis, cada comentário que lia na Internet sobre suas missões, cada matéria de revista escrita sobre ele, cada selfie que tirava com um fã na rua. Mas ele se sentia ainda mais preso. Ninguém ao seu redor se importava realmente com ele, nenhuma das suas respostas em entrevistas era realmente sua.
Quando um garoto imigrante foi vítima de um crime de ódio em sua antiga comunidade, Vini realmente achou que a empresa deixaria ele fazer algum tipo de pronunciamento, demonstrar apoio. Mas o que aconteceu foi que as autoridades descobriram que havia sido a ação de um extraordinário que tinha colocado o rapaz no hospital. A Stargate logo começou um ataque à reputação do rapaz, não apenas pintando o seu herói como vítima, mas também usando Windwalker como uma arma em seu favor. Ele precisou ficar ao lado de Razor, o agressor, e sorrir para fotos, basicamente ser o cartão de “mas eu tenho amigos que são filhos de imigrantes…” Claro, isso aumentou sua popularidade entre os conservadores, mas também mexeu bastante com a reputação que havia criado.
O ano seguinte foi marcado por uma parceria infernal para ele, ouvindo as reclamações nas ruas todas as vezes em que era visto com Razor. Windwalker não era mais um herói, apenas algo que permitia que o outro herói fosse um enorme babaca. Sua necessidade de ser adorado, de ser colocado em um pedestal, lhe fez agir sem pensar. Depois de ouvir mais um comentário imbecil do outro, usou o seu poder para manipular o ar, impedindo que ele conseguisse encher os pulmões. Não conseguia ouvir nada ao seu redor além do som do próprio coração batendo e as tentativas de Razor de respirar. Em pouco tempo, estava acabado.
Ao contrário do que imaginava, não foi preso e nem perdeu o seu lugar. A empresa simplesmente apagou qualquer prova de que ele havia sido o responsável pela morte, inventando uma história sobre como Razor tinha morrido heroicamente para salvar o seu país. A culpa que Vini sentia era enorme, mas ainda maior era a raiva em ver que o outro tinha se transformado em um mártir, recebendo muito mais empatia do que ele realmente merecia. Por um tempo, seguiu o script inventado pela Stargate, prestando as suas condolências e inventando histórias que demonstravam a honra do outro, mas ele logo foi sendo deixado de lado. Depois de usar seu poder de forma tão letal, Vini tinha medo de perder o controle novamente, chegando ao ponto de se recusar a cooperar. Foi descartado como um qualquer pela Stargate.
O convite de Larc Crimson surgiu semanas depois, e apesar de não saber se os seus ideais eram semelhantes ao do outro extraordinário, o homem prometeu que como um discípulo, ele poderia reaprender os seus poderes, não sentir mais medo do que suas habilidades eram capazes de fazer. Vini aceitou ir com ele, e durante os últimos oito meses, descobriu que talvez ser um vilão não está tão longe da sua realidade.
𝐈𝐈. ⠀ 𝙷𝙰𝙱𝙸𝙻𝙸𝚃𝙸𝙴𝚂 ⠀ [ ... ]
Aerocinese ⸻ Se trata da capacidade de manipular o ar, o que ele consegue fazer ao controlar, gerar ou absorver o elemento. Dessa forma, é capaz de produzir explosões e ondas de ar, rajadas de ventos, assim como também consegue diminuir a resistência do ar. Por conta da sua habilidade de navegar pelas correntes de ar, é capaz de voar apenas por um curto período de tempo. Controlar grandes volumes de ar ou ventos fortes pode ser perigoso por exigir muita energia, o que pode causar fadiga.
@nemcesis disse: ❛ was it you? did you do all this? ❜
andava perdido por aquela mansão, mais uma vez. tinha certeza de que havia feito o caminho certo, mas agora estava na ala dos dormitórios dos técnicos ao invés da biblioteca. caramba, será que nunca iria conseguir entender a planta daquele lugar? vinícius começou a se xingar enquanto andava, qualquer pessoa que lhe visse teria a certeza de que o rapaz tinha perdido a cabeça, mas enquanto se lastimava, algo chamou a sua atenção na porta do 002. alguém tinha tido o trabalho de colar vários papéis ali, matérias de jornal sobre o incidente que tinha tornado o nome de renée ainda mais famoso. sabia que alguns moradores gostavam de pregar peças, ele mesmo já tinha sido alvo de algumas delas, mas achava que existiam limites, até mesmo para vilões. um pouco chateado, começou a arrancar aqueles papéis, grato por nenhuma marca estar sendo deixada para trás. quando apenas quatro deles ainda estavam colados, a porta se abriu e ele deu de cara com renée. sabia que parecia culpado. “ não, prometo que eu acabei de chegar e já encontrei isso aí. estava terminando de tirar, ” ele mostrou para ela a pilha de papéis rasgados que estava na sua mão. “ aposto que deve ter sido um discípulo em um desafio, uma besteira assim. ”
@aylayardin disse: ❛ i can't leave you alone for one minute, can i? ❜
vinícius tinha gasto as últimas duas horas do outro lado da ilha, tentando usar os seus poderes para levantar vôo, mesmo que apenas por alguns segundos, mas a cada sessão que se passava, ele ficava ainda mais certo de que nunca mais conseguiria utilizar as suas habilidades com a mesma naturalidade de antes. tentava não deixar aquela frustração transparecer no resto do seu dia, mas era quase impossível limpar a mente de todas as suas preocupações quando cada centímetro daquela ilha era um lembrete do seu objetivo final. andou de volta para a mansão pelo mesmo caminho de sempre, seus passos muito mais pesados que o normal, uma cara emburrada que só iria melhorar quando ele se alimentasse da última maravilha feita por um dos outros vilões. ao adentrar o salão principal, ele nem mesmo notou que seus pés sujos de lama não tinham sido limpos no tapete, e agora ele deixava um rastro no chão que ainda estava molhado, indicando que alguém tinha realizado a tarefa há pouco tempo. só foi parar ao ouvir a voz de ayla, mas o desastre já estava feito. “ caramba, olha pra isso. foi sem querer, eu juro, ” vinícius tentou se justificar, coçando a cabeça em frustração. era incrível como até inconscientemente, o rapaz estava sempre envolvido em alguma besteira. “ o seu poder também envolve controle de lama? ayla, não tem como você me dar uma forcinha aqui? ”
@mvninaveneno disse ❛ in about a minute, you'll be sorry you didn't listen to me. ❜
ele não tinha medo de nikova. certo, talvez só um pouquinho. em sua defesa, ele temia a maioria das pessoas que ocupava aquela mansão, sabendo que poderiam lhe partir em dois com o mínimo de esforço, mas vini também se obrigava a dar um voto de confiança para todos eles (talvez nem todos, mas essa é uma história diferente). tinha se esbarrado com ela nos seus primeiros dias na mansão, suas mãos foram em direção a pele dela, com o intuito de evitar que fosse ao chão, mas logo recebeu um comando que havia seguido desde então: não tocá-la. ele não sabia o que aconteceria se o fizesse, e ela não ficou muito tempo para que vini pudesse perguntar. por mais que ele fosse o tipo de pessoa que acabava invadindo o espaço dos outros, mais por animação do que realmente desrespeito, não achou que tinha motivos para desobedecê-la... até agora. estava passando na frente de uma das salas quando percebeu nikova sentada em um sofá, a posição do seu pescoço fez uma careta aparecer no rosto de vinícus só de imaginar que ela acordaria com uma dor terrível. podia ter seguido em frente, mas resolveu entrar na sala, seus passos silenciosos. passou algum tempo pensando antes de esticar o braço, seus dedos foram pausar quando quase tocavam a pele do seu ombro. “ desculpa, pensei que você estava dormindo e não queria que acordasse com uma dor terrível. ” ele disse já dando alguns passos para trás. podia lhe perguntar o que teria acontecido se ela estivesse realmente dormindo e ele tivesse lhe tocado, mas não achou apropriado. “ já peguei no sono na cadeira da enfermaria e a dor parecia pior do que o quê me levou pra lá. ”
⸻: ember observou vinícius por um instante, como quem tentava decifrar um enigma fácil demais para ser verdade. então, com um sorriso enviesado, soltou quase como uma provocação: ❛ — você é um bom garoto, não é? ❜ havia uma certa malícia na pergunta, um teste disfarçado de brincadeira. ela já sabia a resposta, mas queria ver como ele reagiria a ouvi-la em voz alta.
quando a conversa mudou para seu próprio treinamento, ela não fez questão de mascarar a verdade. dois anos naquela mansão e, no fim, parecia que só tinha aprendido a existir dentro daquilo. adaptação, controle… mas nada que realmente a fizesse sentir que estava indo para algum lugar. talvez fosse a falta de confiança, embora ela não estivesse pronta para admitir isso em voz alta. ❛ — só mais do mesmo. ❜ respondeu de forma simples, sem muito entusiasmo. seu mentor devia estar nada orgulhoso dela.
❛ — e você? ❜ redirecionou o assunto sem aviso, os olhos ainda sobre ele. ❛ — veio parar aqui por vontade própria ou só foi levado pela correnteza? ❜ inclinou um pouco a cabeça, interessada na resposta. ❛ — porque, se for o primeiro caso… você estaria disposto a fazer o que te pedirem? mesmo que possa custar mais alto? ❜ o tom era leve, quase despreocupado, mas o olhar de ember analisava vinícius com atenção. no fundo, ela já sabia a resposta também. ele era o tipo que cumpria ordens sem hesitar – até mesmo para uma 'simples' discípula como ela.
era muito fácil ler o rosto de vinícius porque ele sempre deixava as suas emoções transbordarem, então não foi uma surpresa quando as suas bochechas ficaram rosadas depois da fala de ember. “ eu sou o que precisarem que eu seja. ” tentou desconversar, e ainda que percebesse a malícia no tom de voz dela, não deixava de ser uma verdade. queria ser bom, em todos os sentidos, mas achava que isso não estava mais no seu destino. voltou sua atenção para a conversa quando ela voltou a falar, e se surpreendeu com as poucas palavras. uma das questões que lhe fazia se sentir deslocado ali dentro era a percepção de que a maioria dos discípulos mal podia esperar para terminar o seu treinamento e participar dos seus próprios ataques, enquanto a última coisa que vinícius queria era usar as suas habilidades para coroar seu posto de vilão. “ essa era a minha única opção, não era como se fossem me aceitar em outro lugar depois... bom, larc me prometeu um recomeço aqui. ” não achava que a sua história era muito diferente daquela vivida por tantos outros ocupantes da mansão, ainda que ele não soubesse se teria feito aquela mesma escolha caso tivesse uma opção diferente. “ eu estou pronto para fazer qualquer coisa. foi-se o tempo que a minha consciência servia para algo. ” uma pequena mentira. sim, ele seguiria as ordens de qualquer um para sentir que fazia parte do grupo, mas a sua consciência ainda iria sussurrar a sua insatisfação no fim da noite. “ isso já é um teste? ” ele perguntou em um tom divertido, apesar de nunca saber quando ember estava falando sério.
❝ se tivesse de apostar diria que poderes não são fruto de magia e misticismo… ❞ os lábios se curvaram num sorriso doce, raro para uma mulher habitualmente emaranhada a própria raiva. ❝ sou uma cética, vini, mas cada um acredita no que quer ❞ não pretendia julgar o rapaz, embora duvidasse que qualquer entidade sobrenatural vagasse pelo bosque, ou quiçá a ilha. ❝ está gostando do treinamento? sua sorte de não me ter como mentora ❞ provocou, os dedos esguios passando pelo cabelo preto, alinhando ele brevemente conforme observava o rapaz. ❝ parece que está precisando de um bichinho de pelúcia, ou de um namorado, ou namorada, não um colega de quarto ❞ para renée, uma pessoa fechada, era difícil imaginar a ideia de dividir um quarto voluntariamente, ela preservada demais pela privacidade conquistada. ❝ céus, você é grandinho o suficiente para arrumar a cama, não me faça chutar seu traseiro ❞ brincou, a única chance de bater em vini era num tatame na sala de treinamento, algo que ele devia ter se acostumado. ❝ acha que sou assustado? ❞ os olhos carmesim cintilaram numa provocação, consciente da reputação que havia ganho. ❝ normalmente as coisas são mais bonitas e interessantes quando deixamos elas na nossa cabeça… a realidade tende a desapontar ❞ num movimento súbito, renée agarrou o braço de vini. ❝ vêm, vou te mostrar um lugar legal, sem fantasmas, prometo ❞ e então começou a guiá-lo em direção ao lago, uma parte deste escondida sob o luar.
deu de ombros. ele nunca tinha passado muito tempo pensando em como tinha sido escolhido para ganhar aqueles poderes, duvidava que se tratasse de intervenção divina ou algo do tipo, mas também não tinha uma hipótese mais prática para dividir. “ está dando tudo certo, logo vou conseguir derrotar você em um duelo. ” falou brincando, não precisa entrar em detalhes sobre como ainda estava tendo dificuldades com as suas habilidades. “ o que eu estou perdendo? que tipo de mentora você é? espera, deixa eu adivinhar... durona, mas com um coração escondido? ” fez uma expressão pensativa. teria sido divertido ser mentorado por renée, mas imaginaria que passaria as primeiras semanas chocado demais em ser ensinado por uma celebridade e não prestaria atenção em muita coisa. “ acho que você quer que a gente pense que você é assustadora. mas ainda assim, não testaria minhas chances contra você. ” e não acharia que precisaria testar tão cedo. ele não tinha qualquer pretensão de entrar para a lista de desafetos dela, muito pelo contrário, se sentia cada vez mais confortável na sua presença. “ prometa que você também não vai me transformar em um fantasma. ” vini não pensou duas vezes antes de segui-la, fosse por ingenuidade ou porque realmente confiava em renée.
Ele arqueou uma sobrancelha, um brilho no olhar enquanto mantinha o ritmo da caminhada. Vinícius parecia ter aquele jeito despretencioso de jogar verdades no ar, como quem não espera realmente encontrar todas as respostas, mas ainda assim continua perguntando. Era... Interessante.
-- Não sei se um propósito precisa ser encontrado. - Comentou, quase como se estivesse pensando em voz alta. - Talvez seja algo que a gente constrói, peça por peça, até parecer que sempre esteve ali. Não tem percebido contruir nada?
A frase pairou entre eles por um instante antes de Maddox soltar um riso breve, quase inaudível, com a resposta bem-humorada do outro.
-- Então era isso o tempo todo. - Murmurou, finginfo surpresa. - Você me atrai para um passeio inocente, ganha minha confiança e, no final, tenta me subornar com álcool caseiro. Um plano maligno digno de nota.
Ele jogou as mãos para dentro dos bolsos do casaco, o vento noturno bagunçando um pouco seus cabelos fazendo-o finalmente perceber que estavam fora da mansão.
-- Mas, já que mencionou... Eu realmente espero um coquetel decente. - Acrescentou, virando o rosto para encará-lo de lado. - Não sou um homem difícil de agradar, mas se seu drink for horrível, vou considerar isso uma ofensa pessoal.
O desafio era brincadeira, mas Maddox tinha um jeito de dizer as coisas que tornava difícil saber onde terminava a ironia e começava a expectativa real.
“ tenho construído mais inseguranças, talvez? ” ele devolveu com um tom de voz divertido, demonstrando estar apenas brincando. mas era verdade que apesar daquela pose extrovertida, para além da fama de ser alguém que conseguia (ou tentava) fazer amigos por onde passava, vinícius também tinha os seus medos. não se tratava apenas simplesmente de assombrações e aranhas, ainda que os dois fossem assustadores na mesma medida, mas mais o temor de que aquela nova vida não conseguisse lhe fazer tão feliz quanto a anterior. “ bom, eu precisava de alguém que provasse as minhas novas combinações e fosse totalmente sincero sobre o sabor. você parece mesmo do tipo que não mentiria. ” riu. sabia fazer um bom coquetel, mas era apenas isso, um. todas as outras vezes em que tentou preparar uma bebida diferente, percebeu que a sua falta de talento para cozinhar tinha também sido transferida para as habilidades como bartender. ainda bem que não estava nos seus planos próximos largar a mansão para trabalhar em algum bar de nova iorque. “ e qual é o seu talento secreto? algum truque de festa? ” perguntou tentando adivinhar o que podia ser.
Maddox acompahou Vinícius com um olhar discreto, os passos calculados enquanto começava a seguí-lo. Havia algo curioso no jeito do outro rapaz -- sua naturalidade ao falar, a forma despreocupada como aceitava a presença de um estranho ao seu lado. A maioria das pessoas ficaria mais cautelosa, mas Vinícius parecia confortável com o silêncio, como se já estivesse acostumado a caminhar na companhia de alguém sem precisar preencher cada espaço vazio com palavras.
A caminhada foi tranquila no início, apenas o som abafado dos passos contra o chão e o vento cortando o silêncio. Mas logo o outro falou, a pergunta carregando a leveza quase despretenciosa. Maddox desviou o olhar para a escuridão à frente, refletindo por um instante antes de responder.
-- Acho que um resort seria mais... Convidativo. - Disse, o canto da boca erguendo-se em algo próximo de um sorriso contido.
Deslizou as mãos pelos bolsos do casaco, sentindo o peso do metal escondido ali -- um hábito, um conforto silencioso. Seu olhar vagou pela paisagem ao redor, sombras projetadas pelas luzes esparsas da ilha.
-- Mas talvez seja questão de perspectiva. Seguindo a sua, provavelmente estamos muito encrencados. - Completou, contendo ainda mais o sorriso que forçava se formar.
-- Sei lá... - Respondeu, mas ponderando. A naturalidade de Vinícius não era familiar para Maddox Slade. - Aqui tudo tem uma sensação de propósito, de conquista e vingança. Ainda não tenho uma opinião formada. - Assentiu, refletindo por um instante reavaliando o motivo pelo qual está ali. - Espera... - Maddox interrompeu os passos. -...tá tentando se convencer de que esse lugar pode ser um resort ou só querendo ver se eu sou o tipo de pessoa que gosta de areia e coquetéis com guarda-chuvinha?
A provocação era sutil, dita em tom curioso levemente divertido. Maddox não se importava tanto com a resposta -- o que realmente interessava era em como o rapaz reagiria à pergunta.
vinícius se forçou a não interromper o outro. existia um feedback que ele estava sempre recebendo das pessoas, fossem elas amigos ou mentores, e se resumia basicamente em calar a boca. bom, talvez estivesse exagerando, o que queriam lhe dizer realmente era que ele deveria falar menos e prestar mais atenção no que os outros diziam. não era algo que vinha com naturalidade para ele, sempre falando por cima dos seus irmãos, como a família barulhenta que eram, mas o rapaz vinha tentando seguir esse conselho. “ acho que essa é a chave de tudo. ” falou deixando que ele concluísse o pensamento. “ encontrar um propósito. mas não acho que seja tão simples quanto aparenta, nem mesmo tenho certeza se encontrei o meu nesses oito meses. ” não deveria ser novidade para ninguém que o rapaz ainda estava um pouco deslocado ali dentro, mesmo que acreditasse estar criando amizades com aquelas pessoas. ele depositava tanta confiança nos outros, sabendo que existia a possibilidade de quebrar a cara mais pra frente. “ ei, não achei que você iria descobrir o meu plano com tanta rapidez. ” vinícius deu risada, levantando as mãos como se estivesse se defendendo das acusações. ficava feliz em ver magneto mais descontraído, o passeio parecia mais proveitoso do que ele imaginava. “ eu faço um bom coquetel. se você arranjar o guarda-chuvinha, qualquer dia desses deixo você provar. e prometo que essa não é uma tentativa de envenenamento. ”
por mais que toda a sua experiência com a stargate seja um assunto bastante delicado, ele nunca gostaria de esquecer da primeira vez que salvou uma pessoa. vinícius nem se lembra direito do que estava acontecendo ao redor, apenas dos pais de uma garotinha correndo ao seu encontro, abraçando a menina como se nunca mais desejassem soltá-la. ele estava pronto para voltar para a base quando sentiu uma mão delicada tocar a sua, e virou o rosto para ver a menina sorrir antes de abraçar as suas pernas. o carinho dela, a gratidão dos pais... ele sentiu que estava fazendo a diferença e que podia se acostumar com aquilo. é um lembrete do que ele acreditava ser a sua vocação, uma sensação que ele não sabe se vai experimentar de novo.
What is their body language like when they talk to somebody? Are they the type of person to stand close to the other? Do they keep eye contact? Are they the type to touch the other on the shoulder or arm?
vini é o tipo de pessoa que acaba invadindo o espaço dos outros, não para tentar intimidar alguém, mas apenas porque ele fica investido demais na conversa. ele também gesticula muito com as mãos, especialmente quando está falando sobre algo do seu interesse, e você precisa tomar cuidado para não acabar com um olho roxo depois dele lhe acertar sem querer. sempre procura o olhar da outra pessoa, a não ser que esteja nervoso demais ou tentando soltar uma mentira.
🐾 Scar: If they were given a position of power, what's the first thing they would change? If already in a position of power, are they worried about being usurped or assassinated?
a ideia de que precisa realizar um ataque no fim do seu segundo ano tem sido uma fonte de pensamentos pouco positivos para vínicius. então, se lhe fosse dada uma posição de poder dentro da mansão, a sua mudança provavelmente seria que eles não precisem realizar ataques de tempos em tempos, evitando que civis acabem mortos.
[ long island iced tea ] if they had the chance to redo their life, what would they do differently the second time around?
vinícius gosta de pensar que teria tido mais honra, feito a sua voz ser ouvida durante todas as vezes em que ele discordou da postura da stargate, mas a verdade era que ele provavelmente não teria matado razor, teria assegurado que o seu futuro continuaria sendo ser adorado por todas aquelas pessoas. isso, no entanto, é algo que ele nunca admitira para alguém (ou para si mesmo).
☄️ COMET - what do people assume about them? are they right?
a maioria das pessoas assume que vinícius é alguém ingênuo, o que é verdade até certo ponto. a sua necessidade de ser adorado faz dele uma vítima muito fácil de manipulação, sempre acreditando no melhor das pessoas. mas também existem muitos momentos em que vinícius consegue perceber que a pessoa com quem está conversando tem segundas intenções, no entanto, ele quer continuar sendo útil e conquistar o seu espaço, por isso, se deixa ser usado de qualquer forma.
[ grasshopper ] what / who would they dress up as for halloween?
vinícius não tem muita criatividade para pensar em fantasias, então sempre acaba indo como wally. seu sonho é achar alguém que queira combinar fantasias dos seus filmes favoritos com ele, como rick e evelyn de a múmia ou hércules e mégara.