l'enfer nous a envoyé la maladie la plus perverse et nous, les humains, l'avons appelée "amour". (Conny Cernik)
Doug Jones

blake kathryn

PR's Tumblrdome
art blog(derogatory)
macklin celebrini has autism
No title available
EXPECTATIONS
Xuebing Du
KIROKAZE
Keni
untitled

No title available
🩵 avery cochrane 🩵
Jules of Nature
No title available

No title available

❣ Chile in a Photography ❣

titsay

@theartofmadeline
"I'm Dorothy Gale from Kansas"

seen from Uzbekistan

seen from India

seen from Israel

seen from United States
seen from United Kingdom
seen from Bangladesh
seen from Germany

seen from Malaysia

seen from Germany

seen from Malaysia

seen from Chile
seen from Albania
seen from Nepal
seen from Bangladesh
seen from United States
seen from Ukraine

seen from Lithuania
seen from Saudi Arabia
seen from United Kingdom

seen from Türkiye
@wsxguk
l'enfer nous a envoyé la maladie la plus perverse et nous, les humains, l'avons appelée "amour". (Conny Cernik)
Easy come, easy go. { GuKou }
Meus dedos desvencilharam da cortina morosamente, eu nem se quer depreendera que havia tocado ali segundos após o som emitidos para amedrontar o estudante. A disparada energética do licantropo fez meu tronco rodopiar paulatinamente até que me pusesse devidamente adiante da cama, ainda que recuado, e daquela figura com a qual compartiria o quarto. Ele ria elevadamente ainda que ceifasse partes do barulho entoado, tentando, em vão, aplacar o som com aquele objeto. Assim que Kou se sentou e solicitou minha companhia com aquele gesto culturalmente unanime, unicamente me acerquei em passos sossegados e breves. A cama quase não se moveu quando me sentara no colchão.
O que desejas falar, petiz?
Os pés tocavam o assolho. O corpo estava igualmente virado pra fora da cama. Destarte, meu rosto se encontrava virado para a lateral, mantendo-o sob minha mirada.
Seize: Allons prendre un verre? ( @wsxdaehyun )
Se havia algo que desgostava era, usualmente, acordar excessivamente cedo. Naqueles dias minha desordem noturna parecia se exacerbar. Quiçá por, primeiramente, não ser habitual dormir em uma cama de casal; secundariamente, ser peculiar dividir não só o espaço, como até mesmo onde dormia. Prontamente o sono corria de mim, deixando-me madrugada a dentro acompanhado da solitude, percorrendo os corredores e cômodos de convivência despovoados do hotel devido o horário inabitual, claro. Então, no tempo vago, desenhava e observava a movimentação, ou a ausência desta. Até que, naquele fim de noite em particular, decidira fazer diferente. Toquei no quarto de numeração 1023. Esperava encontrar Yoshikawa Nao, quem não via há um bom tempo, diga-se de passagem. Contudo o docente abrira a porta, visto que a discente não se encontrava.
Quer ir ao bar beber alguma coisa?
Frente aquele inusitado evento, convidei-o para a primeira coisa que se passara em minha mente. Acaso uma bebida fosse o que precisava para, finalmente, ter uma boa e longa noite de sono.
Un baiser est le début du cannibalisme. (Georger Bataille)
Easy come, easy go. { GuKou }
O riso brotara em meus lábios naquele entardecer. Declaro, desde já, que estava exaurido pelo preparo das aulas. Era minha incumbência atualizar e amoldar as atividades propostas no ano letivo anterior para que se encaixassem harmonicamente no que se iniciava. Ainda, alego que de modo algum concebera rir a cargo daquele evento beneficente do Instituto Wonsan. Sobretudo porque, para mim, era vagamente excêntrico ‘vender’ pessoas. Mesmo sob a título de um bem mor, a caridade ou proteção ambiental. Participei meramente porque já havia me esquivado da atividade precedente, de falar sobre si, sobre a pele que se habitava. Até tentara. Sem êxito, entretanto. Me vira diante de um quadro composto por tantos traços negros, de tamanhos, espessuras e texturas dessemelhantes, que se transfigurara em uma obscuridade plena e caótica. Era isto que me tornara?
Encontrava-me em minha sala, que se transfigurara praticamente em um ateliê pessoal por, usualmente, confundir a teoria com a prática. Afinal, o que era arte senão a práxis? Eventualmente produzia ali, no ápice da fadiga. Naquele dia, em particular, outra vicissitude me tirara aquele peso nos ombros fomentado pelos ócios do ofício. Uma fração de uma folha de papel ofício se iluminara dentre a mesa abarrotada de anotações pessoais e livros acadêmicos. A autoria era daquele aparelho que se ocultara por entre os documentos, plenamente perdido. A ironia era que simpatizava com o status daquele objeto, sentia-me igual frente copiosos deveres, diga-se de passagem. Assim, decidi tomar um leve descanso e conferir o que era, afinal, meu celular continuou recebendo notificações. Cerca de umas quatro seguidas, ou mais.
Meu celular se assemelhava, em demasia, com seu proprietário: sossegado, tangenciando o impassível. As ligações e notificações nem se quer o fazia vibrar. Quiçá a falta de exasperação em minha vida fosse tamanha. A falange deslizou da esquerda para a direita, destravando-o e pondo meu código de segurança composto por 4 (quatro) números. Enquanto isso, meu corpo pesara naquela cadeira de escritório preta e aconchegante. Recostei completamente, reclinando para trás, ao passo que o aparelho entre minhas mãos foi para a linha de minha visada.
E, aí sim, veio o riso. Finalmente.
O fundamento era nada menos que Ishihara Kou. O estudante denunciava seus votos para o leilão, quiçá por não captar que os lances deveriam ser direcionado à administração da instituição. Era adorável. O cômico não era sua equivocação, quiçá fosse a insistência permanente do licantropo. Ademais após tudo que lhe confidenciava. Se é que poderia nomear de tal maneira de tão fechado que era.
Pela quantidade de lances que atingiam meu celular, conjecturei que minha única doação não surtiria efeito algum, ele seria meu acompanhante. Ou melhor, eu seria o dele. Com aquela asserção em mente já me preparava para uma semana de invasão de privacidade. Alguns pessoas, eventualmente, viam esta oportunidade positivamente; para mim, a companhia excessiva soava como a invasão. Quiçá por quando petiz o desejar e nunca ter. Aplacar faltas, suturar feridas sempre deixava marcas. Em meu caso, uma autonomia rígida que beirava a repelir o convívio social.
Não custava tentar. Reiterava em meus pensamentos em concomitância ao preparo de um kit emergencial: sketchbook, tintas, papeis, pinceis e os livros cuja leitura exercia antes de dormir. Aqueles itens eram o suficiente para uma pequena dosagem de sanidade mental em tempos de angústia exorbitante. De resto selecionei algumas vestes, formais e informais. Mais das primeiras do que as segundas. Objetos de higiene pessoal, de identificação e as tecnologias devidamente necessárias para garantir segurança e serenidade a uma viagem. Tudo compunha uma mala harmônica em que cada peça era milimetricamente calculada em uma espécie de obsessão pelo esteticamente belo, naquela caso, o simétrico.
Deixar para traz Wonsan me permitia, ainda que ligeiramente, ser mais informal. Viajei com uma blusa de manga preta, calça jeans e tênis, bem como fazia uso de boné, objeto que raramente utilizava no campus. Os fones de ouvido assessoravam a viagem amena. Quando percebi, já estava rente a porta do quarto de hotel. Que começassem os desafios. O pensamento cortou a linha de raciocínio, invadindo-me, ainda que, recorrentemente, redarguia para deixar de encarar aquele episódio como algo exacerbado. Quiçá assim ele realmente não o fosse.
O quarto parecia vazio. Aquele fato intrigante conferira algumas marcas no cenho, ainda que este estivesse bem coberto pelo boné de coloração escura, que deixava os fios longos para trás e a visão plenamente livre de qualquer interrupção. Intrigado, captei os detalhes do ambiente. O ar condicionado estava ligado. O olhar correra pela cômodo até me deparar com pistas extras. Uma cama levemente amassada, como se alguém houvesse sentado; uma mala; pés.
A última descoberta fez a arcada dentária esbranquiçada aparecer, os dentes pontudos e excessivos deram o ar da graça por míseros segundos. As rodinhas cessam de deslizar pelo piso, deixando a mala colada a parede. Encostei a porta, retirando a mochila quase vazia das costas. Ainda, puxei o fone do celular, fazendo a música ecoar por aquele quarto, começara a tocar Welcome To The Machine de Pink Floyd. Atirei o aparelho contra a cama, para o som ficar estável, e somente assim caminhei em passos calmos. O som das passadas encoberto pela melodia.
Pela posição dos pés era clara a disposição do corpo de Kou. Aproveitei o lado cuja porção da cortina se fazia maior para aproximar-me nesta direção, longe de sua visada. Se é que ele fosse espiar. Agora minha presença era ocultada pelo, sendo este o único objeto entre o corpo do mais baixo e o meu. Aproximei os lábios grosso da região em que, possivelmente, se encontraria sua audição, pronunciando seriamente contra a cortina. Indubitavelmente ele escutaria devidamente, não só por meu timbre de voz ser rouco porém forte o suficiente para se destacar na música do ambiente. Bem como pelo tecido ser leve, ainda que escuro o suficiente para aplacar os raios solares para os hospedes e, naquele caso, impedir que Kou previsse sua aproximação.
Bu.
Recuei apenas uma passada, aguardando qual seria a reação do petiz ao susto que o conferira.
O cunho maldoso embutido naquele oração chegava a ser chistoso. Os cantos dos lábios foram paulatinamente sendo ligeiramente repuxados para cima. Deveria redarguir sem tardar, alegando que fazia suas orações quando acontecera o blackout e, ainda, que o vivaz estudante, tomado pelo temor, lhe trancara dentro daquela capela. Todavia, a mudez parecia florescer a imaginação do outro, portanto apenas dava corda, assistindo aonde aquela pequena pipa iria parar. O quão longe iria. O quão mal ele conjecturava que seria? Uma projeção, quiçá. Se falava acerca da capela e suas fragilidades, bem como de seus usuários, era por haver refletido previamente acerca disto.
Alarmante. Embora não sobejamente. A retirada da máscara atentava para que havia ainda algo de normalidade naquela personalidade sui generis. Zero, como chamavam-no, respondia a sua autoridade, mesmo que para que assim, e somente assim, pudesse negá-la e subjugá-la, submetê-la aos próprias desvarias. A profundidade daquele par de ônix preconizava a bela peça de arte que era aquele estudante conflituoso.
Abraçara seu desafio. As provocações eram recebidas e retrucadas na mais crua honestidade, já que parecia clamar por isso.
Todos temos muitos pecados. Alguns os assumem, outros são atormentados. Passam boa parte da vida correndo deles, alegando ser fantasmas de outrem.
A aproximação física deveria lhe causar algum receio? Era da ordem da realidade que o discente rente a si era mais corpulento, conquanto as alturas fossem análogas que uma linha invisível se formava entre as visadas. Nem o corpo, nem o semblante sofreu qualquer modificação, apenas mantinha, sem se quer piscar, o estudante sob observação, por uma curiosidade pessoal. Era isso que uma noite “sem regras” possibilitava? Tornava toda civilização em seu avesso? Ou aquele homem sempre teve os instintos aflorados e os pactos culturais subjugados aos seus prazeres exclusivos? De todas literaturas que conjeturavam sobre o pior ou o melhor da natureza humana, a vivência dos conflitos refletidos naqueles orbes era, indubitavelmente, a melhor produção. Via-me, destarte, impelido a explorá-los, por isso tardei a proferir.
Estou a caminho do chalé dos professores. Deverias retornar para o seu, não é seguro para você, nem para os outros estudantes.
De acordo com Freud, em seu ensaio Moisés, o seu povo, e a religião monoteísta, o homem primitivo vivia em pequenas tribos, centradas em uma figura masculina. As mulheres eram propriedade dessa figura central e os outros homens eram submissos a seu desejo. Eles poderiam ser mortos, castrados ou expulsos do grupo, de acordo com as ordens do líder. E esse líder, sozinho, agregaria uma família. Mas um fato mudaria o curso desse tipo de sociedade: aqueles expulsos do grupo se juntariam para roubar as mulheres de seu próprio pai (ou líder), matá-lo e comê-lo.
O canibalismo, aqui, difere as complexas relações humanas de uma mera disputa de poder social. O fato de um filho comer seu próprio pai faz a luta pela sobrevivência se tornar mais do que uma busca por posses ou poder. É uma espécie de sinal de respeito por aquele que foi derrotado. Esse sinal é a origem da teoria de Freud sobre o canibalismo: filhos odeiam e temem seus pais e desejam tomar seu poder, apesar de honrá-lo como um modelo a ser seguido.
(...) Ainda em termos freudianos, é sabido que a quebra do tabu destrói o totem, por isso o autor modernista, Oswald de Andrade, conclama a transfiguração do tabu em totem: tudo deve ser recriado, migrado para outras ideias éticas e estéticas. Deve haver a “fuga dos estados tediosos”, recomenda Oswald. Porque a Antropofagia é, antes de tudo, a criação – e a criação fecundada de alegria
Freud e a Antropofagia Modernista, por Alexandre Amorim, 22 de janeiro de 2013.
Sabes que não sei situar devidamente?
O chiste veio extirpar a inquisição, abundantemente sóbria, que se propunha a redarguir a questão posta por Lily. O riso fraco e fugaz denunciava o grancejo da situação: coisa nenhuma deveria sair do nada, não era mesmo? Para mim, sem embargo, aquilo não era anômalo. Uma lástima. Os acontecimentos, bem como suas causalidades, furtavam-se de minha consciência. Quiçá essas eventualidades justificassem eu, por ventura, ser impelido a produzir. Pintar, desenhar ou desfrutar dos significantes, palavras. Como se conteúdos ocultos em mim buscassem vazão, objetivassem serem materializados em uma forma ou contorno que não saberia jamais a priori, que somente me ocorria a posteriori, no fim da produção.
Atentei aos pertences, um a um, sendo repousados em adjacência a minha pessoa. O comentário fizera a mirada esquivar do corpo esguio e sinuoso da italiana para o oceano. As ondas se apresentavam generosas e convidativas. Acaso qualquer excitação marítima fosse pela ânsia de Poseidon em a receber em seus “braços”.
Brincar? Er... Creio que não.
Meu cenho vincou passageiramente ao conferir aquela resposta deveras duradoura. Vascilava em razão das memórias que se apossavam de minha mente, expondo-se em flashes. Quando petiz assiduamente aspirava ir ao mar. Desejo este sempre vetado, restando-me, unicamente, satisfazer-me pelas produções deste para lidar com minha angústia pessoal. Com um bater vagaroso das pálpebras, o passado voltara para o seu devido recinto e pontuei resoluto.
Não te preocupes, eu estou aqui. Só não vá muito para o fundo se não souberes nadar.
Wonsan’s event: Blackout [Expurgation’s day] Route II
{_wsxguk_}
Não iria atrás de Yongnam assim tão rápido… Porque queria que ele fugisse. Parte do noturno sentia um pouco de compaixão por aterrorizar aquele que dizia amar, mas quanto mais apaixonado ficava, pior se tornava. Não apenas se dono do amar, mas de todo e qualquer sentimento que envolvesse aquela pessoa. Deveria ser responsável pelo sorrir, pelo chorar, até o desesperar. Lá se enchia excertos com infinitivos. Eles sempre pareciam imperativos e dessa forma verbal Zero gostava. De mandar. Fuga de mim! Corra! Tente escapar. Estou andando até você. Uma mão ajeitava a luva de couro na outra, num preparativo de quem iria colocar a mão “na massa”, embora isso faltasse no corpo ossudo do Elemental. Ele passou pela Capela, tomando do peito do noturno certo alívio por não alcançar. Ele ficaria bem, com Jungshin. O corpo retesou no meio do caminho, notando aquela disparidade na calmaria do ambiente. Algo… Se moveu… No escuro. Alguém saía do lugar onde No e Kim estavam. Só caçadores saiam, então parecia que alguém mais havia saído para brincar. Não neste terreno, amigo. Não tentou se esconder ou emboscar aquela pessoa, queria vê-lo de frente, embora ainda estivesse envolvido com aquela máscara. Ah, claro. Aqueles cabelos nunca passariam despercebidos. Os olhos acompanharam Tae In-Guk saindo pela Capela naquela hora da noite com uma amálgama entre o curioso e o reflexivo. Não importasse sobre que ângulo visse aquilo, era errado. E ele era estranho. Zero não era um homem estúpido, muito menos demoraria muito para ligar os pontos e fazer uma linha. Ele não era um cordeiro, era o lobo. Em pele de carneiro. Por baixo da máscara o rosto sorriu, imerso na própria descoberta. Não era a única coisa perigosa que andava sobre aquele solo. Apreciava em demasia… Ao mesmo tempo em que não tirava os olhos da porta da pequena igreja. Ali fodia. Com força e sem cuspe. No centro do universo Wonsan regido por Zero, somente ele poderia aterrorizar. Não havia lugar para outro. Não naquele terreno. O sorriso descaiu, fazendo as pálpebras pintadas de negro seguirem o mesmo ritmo. Tac…tac…tac… Cada falange se estalava vagarosamente. Os dedos, ao acabar, empulharam a faca estacionada no coldre e mirou na figura que andava, não para que acertasse nele, mas próximo o bastante para que o professor entendesse que se quisesse teria feito um belo corte de cabelo. Puto assanhado. O facão passou ralhando contra a face do mais velho, talvez tirando “tinta” dele por ir tão rente ao rosto. Ótimo, fazia a barba sem precisar de gilete. Esperou, queria que ele lhe visse….Para saber que era visto. |
Perpetuamente me fora uma incógnita o porquê de minha audiência notável. Amoldava justificativas pautadas na afinidade com o ar, elemento imprescindível a minha estrutura evolutiva. Ao longe já escutava as passadas, quiçá uma bufada de desgosto ou cólera. Um touro selvático, presumi. Consecutivamente, um ruído ininterrupto de fissura do ar. Por sorte, mais verossímil por um cálculo desalmado, o objeto cortante passou adjacente a mim. Se ansiava terrificar ou, ainda, assombrar, nenhuma das duas sensações advira. Em razão de um hábito, unicamente transpassei os braços, cruzando-os na estatura de meu peitoral, durante o tempo que expectava a aparição do autor daquela puerilidade. O agente encobria sua deshonra com uma máscara. Uma artista jamais deixava de assinar suas obras, a não ser que fosse um perrengue.
Não sabes que o evento de máscaras foi há meses?
Locucionei penetrante, alto o suficiente para tornar a distância de alguns metros desimportante, tornando a comunicação efetiva. Devido o contínuo avanço de sua marcha morosa, autorizei-me a pronunciar em tom corriqueiro, grave, sossegado e cavo.
A direção instruiu que todos discentes e docentes permaneçam em seus devidos chalés para sua própria segurança e dos demais. Transgredir ocultando sua identificação, não crees que é exacerbadamente covarde?
Tae In-Guk
Desde jovem possui restrições na alimentação, conferindo árduo trabalho aos profissionais contratados para zelar pelo crescimento saudável, bem como o conduziu a abundantes visitas aos nutricionistas. Os médicos apostaram em Transtorno Alimentar Restritivo Evitativo (TARE), também conhecido como alimentação seletiva ou transtorno alimentar seletivo. Descreve-se uma perturbação alimentar que engloba movimentos de esquiva e restrição na ingestão alimentar. O TARE pode vir a culminar em deficiência nutricional grave, dependência de suplementos alimentares e interferência na vida psíquica e social. Por conta disto a introspecção de In-Guk jamais se tornara uma questão para aqueles em seu entorno.
( + mais )
wsxzero:
Wonsan’s event: Blackout [Expurgation’s day] Route II
{_wsxyongnam_}
Medo /ê/ /substantivo masculino/
1. psic. estado afetivo suscitado pela consciência do perigo ou que, ao contrário, suscita essa consciência. “m. ao se sentir ameaçado”
2. temor, ansiedade irracional ou fundamentada; receio. “m. de tomar injeções”
3. apreensão em relação a (algo desagradável). “m. de decepcionar”
Pensava no quão frio deveria estar naquela sala com toda aquela água resfriando a saleta hospitalar. As roupas escuras não aparentavam estarem molhadas, mas era apenas uma mera ilusão de ótica; por baixo do terno e camisa estava sentindo o tecido empapar, úmido e frio. Não se importava, afinal convivia constantemente com um calor que provinha das entranhas e se assemelhava ao inferno. Queimava sempre. Contudo, vendo a falta de tecido adiposo do Elemental, pensava que Yongnam deveria estar passando por maus bocados. Se estava, não estava demonstrando. Tremia por outra coisa. E Zero adorava. O corpo deslizou por cima da mesa, empurrando o que estava por cima até ir ao outro lado. Assim que os pés pisaram para dentro da sala, percebeu que não estava tão molhado como a parte de fora, talvez os canos aqui fossem menores. Estacionou o machado sobre a mesa para que ambas as mãos estivessem bem livres e saiu arrastando as coisas do lugar, jogando as gavetas da mesa no chão, os materiais hospitalares e, por fim, voltou o olhar para a figura embaixo da maca. Ah, sim… Sabia bem onde os ratinhos gostavam de se esconder, pelos cantos. Encolhidos e assustados. O corpo se abaixou para que ficasse exatamente na mesma linha de visão alheia e fez questão de molhar que o estava vendo. Não precisava sorrir, pois sua máscara já tinha impressa uma arcada risonha. Sorria ainda mais por baixo dela, pois adorava aterrorizar o outro. Ainda não havia acabado, Yongnam. O corpo se ergueu lentamente, ao que caminhou até os armários de curativos e buscou os álcoois que estavam ali. Gostava de coisas inflamáveis. Saiu abrindo a tapa de todos eles, deixando bem enfileirado para que o enfermeiro pudesse ver tudo de camarote. Belo camarote embaixo da maca. Só então passou a despejar de um por um por toda a sala, inclusive fazendo um círculo por onde o mais novo estava. Jogou em cima da maca também, ficando bem próximo ao rapaz. Ele só veria suas pernas, mas era exatamente assim que queria. Como tinha água por todo o lugar não achava que aquilo viria a se espalhar, talvez só amedrontar ainda mais aquele que estava escondido. A caminhada se encerrou ao sentar em uma cadeira, bem no canto do quarto, ficando no campo de visão de Yongnam. Ajeitou o capuz, ocultando qualquer princípio de revelação e puxou o isqueiro de dentro do bolso. Aquele isqueiro havia presenciado muitas coisas. Aquela seria outra. Ralhou o dedo no ferro, vendo a chama acender. O dedo segurou e os olhos foram para o Elemental. Meio segundo seria o bastante para ele entender? Jogou o isqueiro sobre a maca, vendo a chama agarrar no tecido e começar a pegar fogo. Esperou, queria ver se ele não sairia dali quando o calor começasse a comer suas orelhas. Nunca mais sairia sozinho pela noite; Nunca mais sairia sem Jiho perto. Era isso que queria. Dependência total. Era isso ou ele iria queimar no inferno. As chamas caíram para o chão úmido, apagando-se em algumas partes e se inflamando pelo álcool em outras. Ao menos não sufocaria tão cedo com aquela porta aberta, já Yongnam….|
Embaixo da maca tinha o esconderijo perfeito para a água que caia, mas não tardou muito para aquele moço lhe achar….. queria gritar para ele ir embora, mas tinha certeza que se abrisse os lábios nada sairia de tanto que o garoto tremia - e não pelo frio, ainda que estivesse bem forte. O aquecimento provido pelo outro não fora nada bom… por mais que acabasse com o frio, logo fizera o estudante de enfermagem começar a tossir consecutivamente.
A mão foi aos lábios e nariz, em um ato inútil No procurava inspirar menos fumaça. Mal conseguia ver direito até perceber boa parte dela saindo por uma janela. JANELA! Como não havia pensado antes? Era mesmo muito burro… ou o mais novo se encontrava excessivamente cansado de correr aquela noite toda… não fazia ideia de quantos minutos se passara desde que fizera contato com Jungshin. Queria vê-lo mais uma vez…
Sem pensar duas vezes e mais por reflexo do que premeditado o elemental pulou pela janela, aterrizando de muito mau jeito e vendo seu celular ir ao chão e escorregar para longe, à esquerda. Se não havia quebrado, seria sorte… Queria conferir. A decisão viera numa fração de segundo e, naquele momento, Yongnam não sabia o que doía mais: os machucados da queda ou ver o último objeto seu hyung lhe dera ir para longe de si…. simplesmente não acreditava. Queria correr para pegar, mas com sua performance certamente seria alcançado e picotado por aquele machado afiado.
O futuro enfermeiro fechou os olhos ao começar a correr, como se fosse difícil demais ver aquele único presente ficar para trás. Logo abriu os olhos e correu com tudo para a capela. Não olhava para trás. Só a ideia de ser seguido por aquele monstro fazia Yongnam correr como se não houvesse amanhã - e, obviamente, poderia não haver. Os minutos passaram rápido demais e assim que vira aquela pequena estrutura familiar, um sorriso brotou nos lábios. Logo ele foi substituído por uma careta, No estranhou chegar e deparar-se com a porta aberta. Ele poderia estar lhe esperando… Devia ser isso. Sem refletir No já entrando e trancando tudo,gritando alto e desesperado- SOCORROOOO! AHHH~, SHINNIE, SE ESCONDE!
Chapter 41
Wonsan’s event: The Blackout.
A humilhação era grande. A covardia andava em pé de igualdade com a mesma. Jungshin escutou a porta bater, mas mesmo assim continuou enclausurado dentro dos próprios medos, dentre eles o do escuro, algo que havia o diácono continuar mesmo estando em cima daquela poça feita por ele mesmo. Lá estava uma criança com o tamanho de um adulto. Fora somente ao ouvir a voz de Yongnam que os olhos se abriram e se inflou de coragem, atendendo o pedido de socorro e esgueirou o corpo magro por baixo da cama até pegar o pé da cadeira, arrastando-se para fora. Se o diabo estava lá fora iria levar uma cadeirada caso tentasse pegar o amigo. Tateando no escuro acabou por erguer o objeto e saiu pela porta do quartinho, tremendo mais que capim no vento e assim que visualizou Yongnam, correu até ele, jogando a cadeira em quem estivesse atrás dele. A mão foi até o amigo, puxando-o para dentro do quarto na maior rapidez possível e fechou a porta, encostando-se nela momentaneamente até arrastar a mesa para segurar o que estivesse do lado de fora. Só então saiu deslizando até o chão, colocando as mãos no rosto para que resmungasse amuado o fato de estar todo molhado. Como havia dito, lá estava a humilhação. Rastejou para dentro do banheiro semme nem olhar o amigo, derrotado, indo tomar banho pela fé de misericórdia antes que Yongnam percebesse o quão medíocre era. * - Um minutinho, Nammie…* E desapareceu dentro do banheiro. Água fria no inverno, para aprender a ser homem. Saiu de lá fungando de frio e procurou um casaco, indo para junto do amigo, também molhado. Tirou a toalha dos ombros para enxugar os fios dele, só então indo buscar um pijaminha de bicho feito o seu. * - Deve ser passado por momentos difíceis, não foi? Vamos dormir….Aigo. Te protejo*
(…) Finalizado.
A visada malgrava. Minhas pálpebras assemelhavam exorbitantemente corpulentas. Dispare do corriqueiro. Longe da sensação de ser abraçado por Morfeu. O tempo entre cada piscadela não perdurava meramente segundos. Aparentavam minutos. Entre um bater da pálpebra e outro, o cenário mudava plenamente. Os contornos, no mínimo, visto que apreciar telas me era aprazível, ainda que quando composta por borrões. Pela visão turva cria me aproximar do que admitia ser um quarto. A minha boca despertava a salivar descontroladamente, como se houvesse algo saboroso que meu olfato pudesse captar. O cheiro de uma formosa refeição. Ou um objeto outro que aguçasse Meus sentidos instintivos. Pisquei mais firme, tentando tomar as rédeas, o controle da situação. As cena se tornou mais nítida, deparei-me, então, com minha mão na maçaneta do quarto do discente. Automaticamente o cenho franziu, intrigado. Por que entraria ali? Onde estava Kim Jungshin? Como estava marchando sem ansiar ou se quer rememorar? Via-me refém de mais um dos meus apagões, lastimavelmente. Todavia de ordem ínfima e lépida. As questões cessaram com as exclamações, dessa vez de outro estudante, um que conhecia apenas de vista devido à festa de Kim Jungshin. O grito por socorro me fizera correr à porta, prontamente articulando minha saída da capela após assegurar aos petizes que tudo ficaria em paz. Era meu dever, enquanto docente, endossar o bem estar dos estudantes em momentos como aquele, em que as regras da instituição pareciam frágeis. Eu seria seu alicerce. Convicto disto, observava o campus. A rua estava deserta, escura e fria. Nada, até então. Após alguns minutos de patrulha, retornaria ao dormitório, era o mais sensato.
Chapter 41
Wonsan’s event: The Blackout.
Os olhos engatinhados foram até a abóboda celeste, vendo que a lua já estava começando a ficar mais alta no céu. Era hora de se recolher. Silver, sua companheira de viagem chegou na Capela em poucos minutos, tempo o suficiente para que deixasse alguns pirulitos na sacola agora vazia e entrasse na pequena igreja, fechando os portões atrás de si. Não fazia ideia de quem gostaria de ficar lá fora depois daquela solicitação absurda de um dia como aqueles, contudo iria se recolher até o bater dos tambores se findar. Fechou todas as janelas do local, checando a do quarto e a porta dos fundos, ao qual fora a última a ser fechada. Assim que o trinco desceu, ouviu aquela sirene soar - o que fez com que os pelos albinos ficassem de pé e o padre se benzer - indo se recolher no interior do quartinho em que geralmente dormia. Iria aproveitar a solidão para poder rezar um pouco. Ou ler.
A batina foi guardada para um próximo dia, quem sabe para uma missa de sétimo dia, e trocou a farda negra por seu pijama de bichinhos. A mão se fechou em punho para coçar os olhos vagarosamente, ao que pegou os últimos pirulitos para levar até perto da cama. Tinha coisa melhor que ler comendo? As formigas sempre agradeciam. Fechou as cortinas da janela, só então sendo surpreendido por um apagão. Odiava escuridão… Saiu tateando no escuro o celular, indo buscar velas para acender os candelabros e clarear o quarto. E então a velha lareira. Pelo menos não sentiria frio de noite. Apesar que não sentia nada ficando sozinho… O nefilin se recolheu na cama, achando melhor ir rezar antes de ler alguma coisa, já que não conseguiria dormir enquanto aquele dia estranho não passasse. Expurgo… Já não bastava tudo o que sofriam do lado de fora? Uniu as mãos, pedindo ao Pai que nada de ruim acontecesse até o amanhecer aos que ficaram do lado de fora.*
(…)
Quinze: la panne complète ( @wsxjungshin )
Olhos oclusos, cada esfera deslizando, paulatinamente, por entre a extremidade dos dedos. Os carnudos movimentavam-se pronunciando as palavra silenciosamente, mentalmente, conquanto os lábios silabassem tudo. Chronos aparentava compensar certo atraso. O tempo passava lesto, do entardecer a noite se fez. Nem se quer os tinidos fruto das ações de Kim Jungshin, selando janelas e portas, me atentaram para o que se passava no ambiente. Quiçá fosse, primeiramente, por estar imerso na prática, secundariamente, por estar no confessionário, ainda que no absentismo de um padre para confessar os pecados. O estudante não se quedava ali, ao menos quando eu chegara. Abrira a pequena porta quando me atentei à sirene deveras atordoante, deparando-me com tudo desvanecido e trancado.
As passadas se efetuaram na serenidade usual, a escuridão não me exasperava. Por vezes replicava, ativamente, aquele cenário. Imprescindívelmente quando buscava inspiração ou a ‘companhia’ da solitude dos meus pensamentos. Por que temer a ausência de luz? Os demônios não se acobertavam na escuridão, faziam morada em cada um de nós. Recear lugares obscuros era desnecessário, mas sim as pessoas. A linha de pensamento se desfez ao constatar uma luz ao longe. A porta estava aberta e o néfilin, pouco a pouco, iluminava o lugar com velas. Por fim a lareira. Continuei parado na escuridão, pouco atrás dele. Temia falar e assustá-lo. Quiçá permanecer daquela forma fosse pior. Optei por tocar-lhe no ombro de forma cortês. Só o discente poderia abrir para que saísse da capela e retornasse ao chalé dos docentes.
HOMO HOMINI LUPUS
“… os homens não são criaturas gentis que desejam ser amadas e que, no máximo, podem defender-se quando atacadas; pelo contrário, são criaturas entre cujos dotes instintivos deve-se levar em conta uma poderosa quota de agressividade. Em resultado disso, o seu próximo é, para eles, não apenas um ajudante potencial ou um objeto sexual, mas também alguém que os tenta a satisfazer sobre ele a sua agressividade, a explorar sua capacidade de trabalho sem compensação, utilizá-lo sexualmente sem o seu consentimento, apoderar-se de suas posses, humilhá-lo, causar-lhe sofrimento, torturá-lo e matá-lo. Homo homini lupus.” ( Mal Estar na Civilização, 1930, p. 133)
Bonne nuit¹, Petiz. Er, não formalmente. Espairecer, creio eu. Junto a algumas tradições.
A nostalgia dos costumes franceses me fizera reverenciar o discente em outra língua, o francês, o que era deveras desacertado. Todavia, desatentei-me disto, prontamente, passei a justificar-me, visando contemplar o que fora demandado por Jeon. Findei a sentença levantando a taça que tinha na posse dos dedos esguios e longos. Secundariamente, conduzia-a aos carnudos, reclinando sutilmente, sorvendo o líquido, compondo um transitório gole.
Jamais, nem inquieta-te. Dar-te-ia um pouco, todavia, és de menor, não és?
Acomodei-me diminutamente para a esquerda, dedicando certo espaço para o néfilin se quedar ao meu lado, se desta forma ansiasse. Por zelo, coloquei garrafa da champanhe junto a mim, oposto a Jungkook, projetando que quiçá caísse ou fosse acidentalmente derrubada em sua posição anterior.
Não irás passar o ano novo com teus amigos?
¹Boa noite
Venice Voyeur.
O ruído emitido pela garganta do japonês transpôs som da ambiência que, naquele instante, advinha da máquina de secar as mãos pela emissão de ar quente. Minha concentração imposta em cada ação era tamanha que, até então, o barulho não fora satisfatório em capturar a atenção ansiada pelo estudante com aquele ato. Tão somente deduzi a presença de mais alguém quando o elogio se fez presente naquele cômodo. O rosto, bem como o tronco, curvou-se na direção do tinido. Sem se quer dar-me conta que, naquela transição de postura, possibilitava-o de se certificar que, além das costas e braços todos fechados em tatuagens, o mesmo acontecia na parte da frente do tronco. As expressões artísticas corporais, majoritariamente, delineadas pelas linhas pretas, em seus desenhos peculiares, ‘fechavam’ toda área desde o pescoço até os pulsos. Bem como até a altura do abdômen magro, definido pelo corpo excessivamente esguio. Elas não findavam, a continuidade era aplacada pelas vestes, mais especificamente pela calça social.
In-Guk.
A correção veio de pronto, como um tiro agido e inadvertido. Reação automática àquele apelido que quase ninguém proferia, tanto por não ter proximidade com muitas pessoas, quanto por não me ser aprazível. Lembrava-me daquela pessoa que um dia me chamaria de tal forma. O tom, todavia, não fora ríspido, não obstante, não tardei para dar seguimento, quiçá para disfarçar a primeira conduta imprevista.
Eu não tenho revés contra a quebra de regras de etiqueta.
A frase fizera um chiste ser emitido, um riso tênue. Flashbacks rápidos de minha infância correndo soltas. Costumava dar trabalho abundante a diversos funcionários pagos para me ensinarem a fazer tudo devidamente. Principalmente comer, o que mais abominava. Destarte, eu, na verdade, não me perturbava com a limpeza da roupa. Unicamente o fiz pelo olhar peculiar do elemental sobre a coloração que tingira a blusa. Agora Ishihara Kou não mais se atormentaria.
Sim, saiu. Parcamente.
O olhar foi à mão dele no tecido, sem decifrar o porquê dele a colocar ali. Não era plausível ele cogitar ser capaz de auxiliar naquela situação, posto que todo ócio era ministrado pela máquina que não hábil para avinhar que tinha pressa, obviamente para não continuar com aquela pseudonudez inadequada para a hierarquia que possuía com o outro. Qualquer funcionário que entrasse poderia ler indevidamente as ‘cartas’ daquela situação.
Você veio ao banheiro?
A questão foi simplória, querendo cortar o silêncio insólito durante a espera da secagem da blusa. Optei pela desistência e coloquei a peça ainda parcialmente molhada. Cada botão voltando às suas respectivas casas, como um filho pródigo retorna ao lar. Os passos, portanto, deram-se em direção à saída do banheiro, a calmaria abundando cada passada. Os dedos longos se esconderam por entre os fios encaracolados, remexendo-as enquanto titubeava.
Creio que a festa acabou para mim. Ficarás até a madrugada? De qualquer maneira, desejo-te um boa celebração, petiz.
Tae In-Guk
Uma de suas trívias é possuir o corpo quase plenamente tatuado. O Sul Coreano até hoje não sabe justificar o motivo de tais desenhos corporais, nem se quer sua emergência. Por vezes, In-Guk acordava, fosse de um de seus “apagões“ da memória ou de um sonho tranquilo, e se deparava com uma nova aquisição em sua pele. O processo continuou até não haver mais espaço. Ou, quiçá, sua segunda personalidade, autora de cada tatuagem, parara por aguardar a ocorrência de momentos especiais inéditos para adquirir novas memórias a serem fincadas na pele.
( + mais )
Quatorze: Nouvel An
Os discentes reuniam-se para a contagem da virada de ano no anfiteatro do instituto. Cada vez que o ponteiro das horas se aproximava do doze, o campus expunha-se mais inabito. Não era como se não estimasse aquela peculiar forma de celebração, somente encontrava-me impelido a outros caminhos por conta de hábitos de quase meia década. As festas na França sempre foram tradicionalmente concebidas como uma reunião de amigos. Na falta destes, eu continuamente passava com meu melhor amigo. O que não era o caso da presente ocasião. Agora, essa possibilidade era uma carta fora da mesa. O assassinato, ainda sem desfeche, de meu mordomo abalara partes de mim, tão quanto das tradições que me compunha. Assim, apenas restava-me honrar o que sobrara, recorrendo ao que estava a meu alcance e fosse da tradição francesa: as taças de champanhe e o ramo de visco. Destarte, conduzi-me a uma das praças do instituto e pendurei o ramo numa árvore, repousando-me sentado sob suas copas. Recostado no tronco, assistia o líquido amarelado girar na taça. Em poucos minutos os fogos começariam, seria um novo ano.