— Lady and The Tramp; Wonsan’s event
Era cedo ainda em demasia, mas os olhos astutos já procuravam entre as árvores, edifícios, bancos e tudo mais da paisagem cuja visão pudesse atingir. Não era em vão, porém; estava à procura de um rosto familiar.
Descontraído estava, como sempre. A única coisa que lhe preocupava era a rotina da moça cujos cabelos escuros procurava pelo campus. Se não lhe falhava a memória, era horário de aulas, e ter de visitá-la em seu curso para fazer uma extração poderia acarretar má aceitação dos colegas de classe. “Digo, não que me importe com isso…”, pensou consigo mesmo. Mas para ela, seria ruim. Portanto, nada divertido, como estava em seus planos.
O andar confiante e descontraído chegava a ser cômico. Fora daquela [tentativa de] atuação, todos sabiam o quão tímido o rapaz de nariz avantajado poderia ser, em qualquer ação, em qualquer fala.
As mãos nos bolsos de um moletom que, normalmente, usaria para passar uma noite fria, sozinho no chalé, cabelos despenteados e um sorriso arteiro ao capturar a imagem que queria. Não disfarçou a empolgação ao se aproximar, quase que numa dança despojada, e passar o braço por cima do ombro da mulher de cabelos castanhos que caminhava ao que parecia um destino, talvez, desconhecido. Olhar distante, e um amontoado de livros entre os braços, não pode evitar de pensar: “pobrezinha”.
— Princesa…! — Evitou de levar a mão livre à boca, e acabou por conter a risada envergonhada pressionando os próprios dentes sobre o lábio, como uma ordem para manter-se calado. Não demorou muito para recompor a postura relaxada e voltar a falar: — Poderia saber o que faz por aqui, em uma hora como essa, hm? Não, espere… Deixe-me adivinhar!
Fechou um dos olhos e aproximou a face, como se inspecionasse-lhe o humor, diretamente pelas íris escuras. Logo estalou a língua no céu da boca, e uma expressão de lamento fez-se surgir nas feições do vagabundo, enquanto balançava a cabeça em desaprovação.
— Vai me dizer que aqueles professores te expulsaram da sala de uma vez? Ora, pois eu bem que te avisei… Essa espécie não presta, princesa. — Uma risadinha baixa escapou após as palavras, instintivamente. Não tinha nada contra os docentes, gostava muito de todos eles, mas foi a melhor substituição que havia encontrado de última hora. — Mas olha, não fique triste… Eu sei bem como ajudar. Me permite?