Tenho me sentido tao cansada
Three Goblin Art
No title available

oozey mess
Monterey Bay Aquarium
Cosimo Galluzzi
Peter Solarz

titsay

★
Stranger Things
tumblr dot com

Origami Around

tannertan36
$LAYYYTER

No title available

roma★
"I'm Dorothy Gale from Kansas"
noise dept.
PUT YOUR BEARD IN MY MOUTH
Not today Justin
DEAR READER

seen from United States

seen from United States
seen from Canada

seen from Germany

seen from United States
seen from Australia
seen from United States
seen from United States

seen from United States
seen from United States
seen from Argentina

seen from Germany
seen from United States

seen from United States

seen from United States
seen from Malaysia

seen from United Kingdom
seen from Malaysia

seen from United States
seen from Lithuania
@wtfkmanuu23
Tenho me sentido tao cansada
Emma Goldman e o Anarcofeminismo: Liberdade como Recusa Ontológica da Dominação
A figura de Emma Goldman (1869–1940) ocupa um lugar absolutamente singular na constelação do pensamento político moderno, não apenas por sua inserção proeminente nos círculos anarquistas da virada do século XIX para o XX, mas sobretudo por sua contribuição decisiva à formulação de uma crítica radical às estruturas de gênero, poder e moralidade sexual a partir de uma perspectiva libertária. O anarcofeminismo, enquanto expressão teórica e prática de uma insubordinação integral ao poder patriarcal e estatal, encontra em Goldman não uma sistematizadora no sentido tradicional, mas uma catalisadora de um ethos insurgente que recusa qualquer modalidade de autoridade imposta — seja ela jurídica, eclesiástica, econômica ou afetiva.
No âmago de sua crítica está a percepção de que as formas de dominação não se distribuem segundo compartimentalizações estanques — política, economia, cultura, subjetividade —, mas antes se entrelaçam numa rede complexa e capilar de opressões que naturalizam a obediência e mascaram a violência constitutiva das instituições. O Estado, a Igreja, a moral sexual burguesa, o casamento monogâmico, o trabalho assalariado, a propriedade privada e o binarismo de gênero são, para Goldman, expressões múltiplas de uma mesma lógica de sujeição: a negação da autonomia individual sob o pretexto da ordem, da tradição ou da utilidade social.
Sua recusa do sufragismo liberal é emblemática nesse sentido. Ao contrário das feministas institucionalistas de sua época, que demandavam o voto como um instrumento de inclusão das mulheres na esfera cívica burguesa, Goldman via nesse gesto uma capitulação ao paradigma da representação estatal e uma ilusão trágica de emancipação por dentro da maquinaria da dominação. Sua crítica radical à democracia representativa, portanto, não é apenas política, mas antropológica: ela diagnostica que a cidadania, longe de ser a realização da liberdade, é sua paródia, pois pressupõe um sujeito moldado para o consentimento, domesticado pelas formas jurídicas e disciplinado pelas promessas da ascensão social.
É no campo da sexualidade que sua contribuição se torna ainda mais disruptiva. Emma Goldman recusa a dicotomia puritana entre desejo e dignidade, reivindicando o amor livre como prática de desobediência ontológica. O erotismo, em sua visão, não é um luxo moral ou um apêndice da subjetividade, mas a manifestação mais autêntica da vida que não se deixa capturar pelos códigos morais ou pelos dispositivos de controle social. Ao defender o direito irrestrito à maternidade voluntária, ao prazer, à recusa do casamento compulsório e ao aborto, Goldman antecipa — por quase um século — debates centrais do feminismo contemporâneo, articulando uma crítica simultaneamente estrutural e existencial à heteronormatividade e à moral sexual capitalista.
Importa frisar que seu anarcofeminismo não se reduz à luta por “direitos das mulheres”, pois essa gramática já está contaminada pela lógica jurídica e estatal que ela recusa. O que está em jogo é a reconstrução integral das condições de possibilidade da vida livre — uma vida que não se funde com o produtivismo do capital, nem com o legalismo da democracia liberal, tampouco com os sentimentalismos que reduzem a questão feminina à esfera da carência. A mulher, para Goldman, não é um ente vulnerável a ser protegido, mas um sujeito insurgente a ser desatado das amarras da tutela moral, econômica e simbólica.
Sua praxis anarquista, marcada por falas públicas incendiárias, prisões, exílios e pela recusa de qualquer compromisso com a moderação política, exemplifica aquilo que Giorgio Agamben chamaria, décadas depois, de “vida nua” que resiste à captura pela máquina biopolítica. Ao fazer do próprio corpo — e de sua liberdade erótica, política e afetiva — um campo de batalha contra a normatividade imposta, Goldman realiza o gesto mais profundo do anarquismo: a suspensão de todas as ficções legitimadoras da autoridade. É por isso que, para ela, a revolução não é um evento, mas um modo de viver — um processo permanente de destruição das formas de sujeição e de invenção de novas possibilidades de convivência fundadas na reciprocidade, na solidariedade e na liberdade irrestrita.
Por fim, convém assinalar que o anarcofeminismo de Emma Goldman não se inscreve numa tradição meramente doutrinária, mas numa ética do risco e da integridade. Sua vida é, por assim dizer, sua obra: uma recusa constante à separação entre teoria e existência, entre política e corpo, entre pensamento e ação. Nesse sentido, ela não apenas “fala” contra o poder — ela o atravessa, o subverte, o ridiculariza, o desestabiliza. Sua voz permanece incômoda porque recusa as soluções fáceis, os pactos de conveniência e os consensos de superfície. Goldman nos lembra, com a força dos que viveram no limite, que a liberdade só começa quando deixamos de pedir por ela.
O identitarismo não é de esquerda. É o figurino colorido do neoliberalismo.
Tem gente que ainda acredita que política identitária é sinônimo de esquerda.
Mas, me desculpa, isso só mostra o quanto o marketing venceu.
Historicamente, a esquerda — especialmente a tradição marxista — nunca se organizou em torno da celebração de identidades fragmentadas. Ao contrário: buscava superá-las em nome de uma luta comum. Para Marx, o que unia os trabalhadores não era a cor da pele, o gênero ou a sexualidade, mas o fato de serem todos explorados dentro da lógica do capital.
A ideia era clara: as diferenças existem, mas não são suficientes para nos dividir politicamente. O objetivo era organizar coletivamente quem vive do próprio trabalho contra quem lucra com o trabalho alheio.
O identitarismo como fenômeno político não nasceu disso. Ele vem de outro lugar — de um giro liberal e pós-moderno, especialmente nos EUA dos anos 80 pra frente. Com o colapso das grandes utopias e o avanço do neoliberalismo, muitos movimentos abandonaram o horizonte da transformação coletiva e passaram a se organizar em torno da autoexpressão. Linguagem, afetos, visibilidade, representatividade. A opressão virou um tipo de capital simbólico — e, muitas vezes, literal.
E adivinha quem percebeu isso primeiro?
O mercado.
Hoje você pode trabalhar numa empresa que destrói sindicatos, terceiriza tudo, precariza geral… e ainda ver a mesma empresa postar uma campanha com uma mulher negra trans dizendo que “diversidade é o nosso valor”.
Não é revolução. É branding.
Não é justiça. É tokenismo bem pago.
O identitarismo foi perfeitamente absorvido pela lógica neoliberal. Em muitos casos, é exatamente o verniz ideológico que permite ao capitalismo parecer progressista sem mudar absolutamente nada nas suas estruturas.
A luta virou uma disputa por visibilidade — e não por transformação material.
Por isso, quando alguém critica o identitarismo, geralmente não está dizendo que “pessoas negras não devem lutar” ou que “feminismo é besteira”.
Está dizendo: não reduzam a política à identidade. Porque isso é tudo o que o sistema quer — que a gente fique ocupado com símbolos, enquanto ele mantém o lucro intacto.
Se quiser sair do simulacro, tem muita gente pensando isso com profundidade. Autores como:
– Nancy Fraser, com sua crítica ao “neoliberalismo progressista”;
– Adolph Reed Jr., que denuncia como elites negras usam a linguagem da opressão racial para proteger interesses de classe média;
– Mark Fisher, que desmascara o castelo vampírico do moralismo identitário online;
– Žižek, que mostra como a política das diferenças vira um álibi para não enfrentar o capital;
– Angela Nagle, que explica como o identitarismo liberal ajudou a fabricar a alt-right;
– Walter Benn Michaels, que escancara como a diversidade virou desculpa pra manter a desigualdade;
– e até franceses como Michéa, criticando o abandono da luta universal em nome de pautas fragmentadas.
O resumo é simples:
🎭 Identidade importa.
⚒️ Mas política não é performance.
💥 Sem luta de classes, a “inclusão” só reorganiza o privilégio.
🌈 O sistema adora pintar a prisão de arco-íris.
Não seja só mais um personagem na peça do capital.
Agathario AU | office mockumentary | Rio and Agatha exchange a glance.
three of swords (heartbreak, sorrow, grief)
plus the lines because i still prefer the clean look of it