Apesar de os relógios em Novum Heredes contarem aproximadamente três horas da tarde, o céu sobre os telhados do vilarejo poderia facilmente confundir-se com o cair da noite. Uma cúpula de nuvens negras erguia-se sobre as cabeças dos bruxos que perambulavam pela cidade como um aviso de que logo uma pesada chuva lavaria as calçadas de Nova York.
No meio da multidão, Adam Graves caminhava alheio a tudo. Uma enorme lua cheia coroaria o final daquele dia e isso era suficiente para deixa-lo inquieto como um cão. Foi quase um milagre ele ter percebido uma estranha movimentação a alguns metros de distância.
Suas pupilas dilatadas identificaram uma mulher de cabelos negros e elegantes vestimentas. Como um vaso que Ă© empurrado de uma mesa, ela caĂa de costas em direção ao asfalto.
Adam ergueu a mĂŁo. NĂŁo precisou da varinha para que uma lufada de ar saĂsse de seus dedos e empurrasse a mulher para a posição vertical novamente, uma das várias estranhas habilidades que desenvolvera em suas aulas de prontos socorros. Com uma agilidade quase lupina, o homem aproximou-se dela e segurou-a pelos ombros com o tato firme caracterĂstico dos mĂ©dicos. Viu que estava pálida como a prĂłpria lua.
— Mais um segundo e você poderia ter tido uma concussão. — Não era muito delicado nas palavras, mas ao menos se propusera a fazer o que ninguém mais na rua teria feito. — Precisa de ajuda?
@wxhouse
Uma noite mal dormida resultado de um pesadelo, tal recordou uns dos momentos mais difĂceis de Emily ocorrera na noite que antecedeu a maratona de trabalho que Waterhouse embarcou com sua equipe em busca de deixar tudo perfeito na data de entrega da meta do mĂŞs para o gerente geral.
Emily nĂŁo poderia segurar todos os funcionários atĂ© a hora que a mesma julgava necessário, todos tinham horários, famĂlia e compromissos. Mas a mulher sĂł pensava em ser eficiente, tanto que nĂŁo percebeu a sala esvaziando aos poucos, o dia virando noite e a madrugada chegando. SĂł notou que estava sozinha quando o seu corpo suplicava que ela parasse.Â
Quando estava focada em algo nĂŁo percebia nada em sua volta, executava as suas funções como uma máquina, com os olhos atentos e em sintonia. Adaptou-se a concentrar-se em tarefas que exigem atenção mesmo em locais muito conturbados. Ă“bvio, dom adquirido por conta das brigas que rolavam entre os pais em momentos que ela precisava estudar para provas ou coisas do tipo.Â
Preciso de cafĂ©! – Disse a si mesma. Acordou do transe em que estava de produzir, sacudiu a varinha e em sua mesa foi servido o cafĂ© na caneca que encontrava-se já na sua mesa. Esta garrafa sempre estava cheia e a caneca sempre preparada, os seus funcionários já a conheciam e sabiam bem que em momentos como esses Emily precisaria de cafĂ©.Â
A madrugada foi curta, logo amanheceu e os funcionários voltaram. “Ela do mesmo jeito desde que saĂmos!” Seus funcionários estavam preocupados. A deixaram trabalhar por mais um tempo, em hora e hora perguntavam se ela estava bem e se precisava de algo. Ela sĂł fazia gestos alegando que estava tudo ok, mas ela era humana, uma hora seu corpo chegaria a extrema exaustĂŁo, e talvez, nĂŁo conseguisse nem ao menos levantar da cadeira. Assim, apĂłs sĂşplicas de sua secretária resolveu almoçar. Ajeitou-se, passou coordenadas para todos e foi para rua a procura de almoço, o fez porque sentia necessidade de andar um pouco, mesmo fraca. Antes que pudesse chegar a qualquer lugar, no meio do caminho, sua visĂŁo começou a ficar turva, nĂŁo sentia-se nada bem, logo perdera as rĂ©deas do controle do seu corpo. Caiu...
Forçando para estabeler-se no comando, segurou forte o rapaz as quais as palavras pouco fazia sentido, mas que em um reflexo a resgatou da queda. Apoiada no homem Emily processava o que estava acontecendo. – Eu estou bem! – Mentiu. Tentou afastar-se um pouco rĂspida, nĂŁo era de sua natureza aceitar suas fraquezas, mas seu corpo nĂŁo respondia mais aos seus comandos desesperados de tentar manter a postura. Apesar de ter sido palavras rĂspidas, seus olhos elucidavam sua sĂşplica por ajuda e era notĂłrio que ela nĂŁo estava suportando ficar de pĂ©, atĂ© a respiração já nĂŁo era mais a mesma coisa. Contudo sua mente sĂł voltava no trabalho e a morena sĂł pensava que tudo precisava estar perfeito, mesmo adiantando todo o trabalho ela precisava garantir. – Eu...–Sua voz falhou.– Eu preciso...– Olhou dentro dos olhos do rapaz e aos poucos foi perdendo os sentidos.
@adxmgrvs










