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@xbanobody
❝ blue moonlight @ karen & taylor
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@xbanobody
Nem toda a farra durante todo o dia na companhia das melhores amigas fora o suficiente para que a japonesa tivesse sono. Dividia o quarto com Taylor durante a viagem para Jeju e aquela seria a última noite do grupo na ilha antes de retornarem para a cidade e a rotina do dia a dia. A Rogers encarava o teto acima de si, com a fraca luz da lua iluminando-o. A falta de sono e inquietude para o dia que estava chegando lhe deixaria acessa ainda por algum tempo. Com um suspiro, virou o corpo mais uma vez sobre a cama, buscando uma posição que lhe ajudasse.
A mulher não sabia ao certo por quanto tempo ficou rolando pela cama, até decidir-se levantar e começar a organizar a sua pequena bagunça pelo quarto. Não era hora para tal e poderia acordar a sua companheira, mas precisava ocupar a sua mente e quem sabe cansando o corpo conseguisse enfim pegar no sono. Com o dia agitado que tiveram, havia roupas, sapatos, bolsas e compras pelo quarto, a preguiça se fazia presente naqueles dias de folga.
Fora quando viu sobre mesa as câmeras fotográficas tanto dela quanto a de Taylor que uma ideia surgiu em sua mente. Uma ideia meio louca em consideração à hora da madrugada, mas nenhuma ali poderia ser considerada sã. Sem pensar duas vezes, deixou a arrumação pela metade de lado e se arrastou até a outra cama que havia ali no quarto. Sentou-se na ponta da cama cuidadosamente, encarando a coreana por alguns instantes, pensativa se deveria acorda-la ou não. “ – Tay? Está acordada? – ” chamou baixo, balançando de leve os ombros alheios na esperança de que não estivesse em sono profundo. “ – Acorda! Eu tive uma ideia, vamos pra praia! Acorda. – ” repetira algumas vezes, na tentativa de acorda-la, chegando a sentar em cima da mesma enquanto chamava-a.
Aquela era a última noite que o grupo de amigas passaria em Jeju e com certeza guardaria lembranças sensacionais, inesquecíveis, mesmo que naquele momento não se lembrasse de absolutamente nada, ou talvez não quisesse pensar em nada. O corpo estava cansado, assim como a mente, tinha ingerido álcool demais para um único final de semana, mas não se arrependeria, principalmente que ele era um fator importante para que conseguisse pegar no sono, e que sono. O corpo parecia afundar cada vez mais no colchão macio, a luz fraca da Lua ajudava ainda mais.
Porém, não conseguia dormir de verdade. Os olhos estavam fechados, a expressão era serena como de um bebê adormecido, e ainda assim não conseguia apagar. A audição ficou mais aguçada, pois não tinha forças para abrir os olhos, ou pelo menos não tinha uma razão boa o suficiente, mas uma movimentação no quarto lhe chamou a atenção. Karen não está dormindo? Tinha a deixado deitada na última vez que estava de olhos abertos, mas pelo jeito ela também não conseguiu dormir.
A certeza veio quase que no mesmo instante quando começou a ser balançada pela garota, mas pensou que poderia fingir um pouco que estava desmaiada em sono profundo, mas o plano não deu certo por ter sido pega de surpresa ao senti-la sentar em cima de si, fazendo a coreana ser obrigada a abrir os olhos. - Yah, o que foi?! O mundo está acabando?! Qual a emergência? - Perguntou tudo rapidamente enquanto segurava os punhos alheios para que parasse de cutucar e balançar, agora Karen tinha sua atenção e os olhos bem abertos.
not so sure❜ \ @taylor
makezugirai:
O que eu fiz para merecer essa punição?
Annabel cogitava simplesmente desistir no meio do caminho, ou até mesmo usar as mãos pra ajudar a subir, só que uma olhada para o chão pouquíssimo iluminado foi o bastante para que a loira se lembrasse de estar num prédio desconhecido, highkey shady, e numa escada onde milhares de pés desconhecidos devem ter pisado – é óbvio que as suas mãos com níveis creepy de hidratação não iam tocar aquilo ali, né.
Foi só quando chegaram ao topo que ela se deu conta que a única pessoa que poderia matá-la àquela altura era sua unnie e Taylor não faria isso, certo? Certo? Com o olhar atento, se acostumou às diferenças de luz e então conseguiu ver o que estava acontecendo. De repente, qualquer sinal de grumpiness dentro de si derreteu e a coreana-nascida-canadense escondeu os lábios com as palmas das mãos, parada à distância, com os olhos brilhando mais do que as estrelas logo acima.
– Yah… – Empurrou a mais alta com a destra e começou a rir, como uma criança, se aproximando aos pulos de todo aquele cenário preparado pela outra. – I can’t believe you did this! – O sorriso nos seus lábios era tão largo que já começava a doer as bochechas. – And I was being such a jerk! – Trocava olhares entre as comidas e a amiga, vez ou outra rindo entre as palavras e sem saber como reagir. – 고마워 언니 – Agradeceu com a voz baixa, e as mãos entrelaçadas na frente do corpo e os ombros demonstrando um segundo só de arrependimento antes de voltar ao normal. – Quem diria que você sabe ser fofa, hein?!
A todo instante, a cada segundo que passava, os olhos castanhos se mantinham fixos no rosto de Annabel, querendo ter certeza de cada detalhe de reação que ela tivesse ao perceber o que realmente estava acontecendo ali, e não se arrependeu disso. A risada tomou conta de si, os olhos quase se fecharam, formando um eyesmile, e aproveitou o empurrão que recebeu para ir até onde estava a comida separada especialmente para as duas. - Yah... Não estou sendo fofa, só estou te recompensando por todas as vezes que você esteve comigo nas minhas loucuras.
Era a mais pura e honesta verdade que Taylor podia dizer na vida. Era grata pela amizade que tinha com canadense mesmo que não demonstrasse muito, era bom ter alguém como ela ao seu lado sempre que precisasse, assim como estaria sempre ao lado dela. - Você gostou mesmo? É uma surpresa boa ou ainda está com medo de ser pega? - Tornou a rir enquanto implicava com ela e se sentava no chão, pronta para atacar uma das caixinhas, brancas com escritos em chinês na cor vermelha, que continha frango agridoce, um de seus preferidos.
Falo ou não falo?
O pensamento veio rapidamente, assim como a duvida, a incerteza, a insegurança. Confiava em Bel, mas quanto confiava nela? Realmente não via nela uma ameaça ou perigo iminente, então pensou que talvez valesse a pena arriscar mesmo que pudesse, no final, parecer algo tão bobo para a amiga. - Bel... Sabe, eu queria te contar uma coisa. - O tom de voz foi totalmente diferente do de segundos, onde a voz se misturava com as risadas. Era mais baixo e mais sério, mas a boca estava suja de molho agridoce e o olhar perdido nos pontos brilhantes ao horizonte, seria cômico se não estivesse séria.
not so sure❜ \ @taylor
makezugirai:
É uma coisa que ela não consegue ignorar: seu próprio cabelo. É impossível. Por exemplo, enquanto carregada para o local da sua morte, contra sua vontade, Annabel podia sentir os fios luxuosos balançando ao redor do seu rosto, dos seus ombros, até cobrindo seus olhos de vez em quando por ela não parar de chacoalhar a cabeça. E de repente o pensamento veio… E se, ao me matarem, eles cortam meu cabelo para vender? – I don’t wanna be buried bold. Please don’t let me b- – Mas calou a boca por causa da ameaça da mais velha, os lábios formando um bico choroso enquanto ela fazia a única coisa que podia fazer, fungava exageradamente como se fosse começar a chorar a qualquer segundo. A mera imagem de ser enterrada sem cabelos arrepiou até a sua alma.
Annabel olhou ao redor da caixa metálica onde se encontravam, de alguma forma mais confortável do que no beco escuro e ventilado. Ela também fez uma careta, mas de dor, ao ter sua bochecha apertada. – Yeah, right. – Bufou e cruzou os braços, olhando para as madeixas douradas que quase conseguiam tocar seu pulso de tão longas. Eram seu bem mais precioso, ainda mais agora que não tem dinheiro algum. Annabel suspirou e permaneceu em silêncio, pensando nos cabelos, enquanto o elevador chegava ao seu destino. Com cautela, piso fora do mesmo e olhou para os lados, novamente procurando pelo assailant que esperava pular de alguma porta, mas ele nunca apareceu. – Você pode, por favor, me dizer o que estamos fazendo aqui?
Devido ao horário, era muito improvável que alguém aparecesse e pegasse as duas invadindo o prédio, afinal, Taylor levava para vida uma simples frase: “Se quer fazer merda, faça bem feito”. Claro que a técnica de nunca ser pega, ou talvez quase nunca, foi sendo aprimorada de acordo com o passar dos anos e essa era a sorte de Annabel.
Quando enfim chegaram no último andar que o elevador podia ir e as portas de ferro se abriram, Taylor já nem se importava mais com o drama que a amiga fazia, apenas continuou conduzindo-a para o destino final. - Espero que não se importe de subir um lance de escada. - Proferiu a frase com certo sarcasmo, acompanhado de um sorriso curto no canto dos lábios avermelhados.
Sem nem ao menos esperar para ver a cena que ela faria, tratou de puxa-la mais uma vez para as escadas, mal iluminadas e sem nenhuma ventilação, o ambiente perfeito para alguém claustrofóbico ter uma crise. Mas graças as pernas longas, chegou rapidamente sem fazer muito esforço em uma porta de ferro. - Agora você vai saber o que viemos fazer aqui. - Quebrou a continuação por um instante apenas para abrir a tal porta e revelar que estavam no terraço do prédio. Dali podiam ver a cidade do alto, brilhando com suas luzes artificiais. - Bem vinda ao seu descanso de beleza. - E revelou em algum ponto algumas caixas de comida chinesa esperando para serem comidas pelas duas mulheres. Taylor não costumava fazer coisas fofas ou atenciosas como essa, principalmente na presença de Annabel, mas sabia como a amiga sempre reclamava das ideias loucas, então tratou de preparar algo mais tranquilo para que ela percebesse que nem tudo era uma loucura para Hwang.
“You’ve been pouting ever since I went out on that date, what’s up?” (will)
A expressão estava mais séria que o normal, na verdade, Taylor quase nunca ficava séria, então algo muito errado estava acontecendo ou estava a incomodando, e naquele caso era o pequeno date de Will. - Bom, por onde eu começo?! Talvez seja porque eu não gosto delx? - A expressão corporal dizia muito sobre como a coreana estava se sentindo naquele momento, tendo que falar sobre aquele assunto específico, e os braços cruzados deixavam isso bem claro.
O sexto sentido de Taylor sempre foi certeiro, e não seria dessa vez que ele erraria e a faria passar por uma idiota supersticiosa. - Você não vê, mas tem algo nelx que me deixa em alerta... Estou te avisando! É melhor você ficar atenta com elx, viu? Depois não vem choramingar. - Bufando, virou-se de costas e foi se afastando aos poucos em passos largos e decididos.
Send ✉ for an 2 AM text
✉ → good night. sleep tight. don’t let the bed bugs bite.
✉ → tonight. imma fight. till we see the sunlight. tik tok. on the clock. but the party don’t stop-
× what does your muse smell like? what perfume/cologne are they using?; ♠ any ‘weird’ characteristics on their body? one leg/arm longer than the other?; ❅ what do they usually wear when they’re not working?
× what does your muse smell like? what perfume/cologne are they using?
Um cheiro suave e adocicado, mas intenso. Her Secret Temptation do Antonio Banderas, kinda fancy.
♠ any ‘weird’ characteristics on their body? one leg/arm longer than the other?
As pernas parecem ser mais compridas do que deveriam ser, mas acho que é só uma impressão mesmo.
❅ what do they usually wear when they’re not working?
Cropped ou body com pantalonas, ou uma blusa bem larga e comprida com um short curto e tênis. Raramente vestidos e saias.
party night // @maya
E então mais uma noite se iniciava e com ela a vontade de Taylor de fazer qualquer coisa que não fosse não fazer nada, e enquanto caminhava sem rumo pelas ruas da cidade, pensando no que poderia fazer, parou abruptamente, chegando a atrapalhar o caminho de quem passava por ali, e enfim exclamou. - Maya! - Lembrou-se do amigo e de onde ele trabalhava, então não poderia perder mais tempo ou o que acabaria perdendo mesmo seria a apresentação dele.
Entrou no primeiro taxi que viu, largando-se no banco de trás e pedindo um tanto ansiosa para que fosse levada até a boate indicada, felizmente não demorando muito para chegar lá. O ambiente na boate era exatamente o que estava procurando naquela noite. Música alta, muita gente dançando e bebidas. O semblante antes ansioso agora era de puro êxtase, aquele tipo de ambiente deixava a coreana em estado de euforia que só terminaria na manhã do dia seguinte. Foi rapidamente ao bar e pediu uma cerveja, podendo assim, aos trancos e barrancos, empurrando um ou outro, chegar perto o suficiente do palco para ter uma visão privilegiada de Maya, já pensando no que poderia gritar quando ele aparecesse.
Enquanto esperava, não poupou esforços para beber o que tinha em mãos e dançar com quem estava a sua volta, balançando as madeixas escuras junto com os braços, seguindo o ritmo agitado da música e se deixando levar pelas luzes neon do local.
not so sure❜ \ @taylor
makezugirai:
A imitação barata daquela que é a sua mistura única de sotaques britânico e americano que cultivou durante seus anos formativos no Reino Unido e nos Estados Unidos fez Annabel cerrar os pulsos. Sabe muito bem que Taylor faz aquilo para lhe irritar, e sabe melhor ainda que não consegue esconder o sucesso dela, por isso só respirou fundo e revirou os olhos.
Por Hwang ser mais alta, quando ela faz isso de colocar o braço em volta dos ombros de Lee, a pobre coitada de 1 metro e sessenta de altura tem que aguentar o peso alheio. E não importa o quão magra Taylor seja, osso também pesa. Com uma careta que não ajudava em nada os cremes noturnos que usava para evitar rugas, ela deu outro suspiro. – Sabe uma boa forma de descansar a minha beleza? Dormindo. – Resmungou, tirando o braço da mais alta que envolvia seus ombros. Parecia estar irritada, mas era só seu jeito de fingir que não precisava desesperadamente dos planos de Taylor para manter a sanidade depois do seu turno na boate.
Annabel parou como mula empacada quando viu que estavam prestes a escolher o lado escuro do prédio ao invés do bonito e iluminado, balançando a cabeça com força e bagunçando os cabelos mesmo enquanto Taylor lhe puxava pelo punho. - OI. Será que não dá pra, só uma vez, a gente seguir a luz? – Esticou o braço na direção mais clara, tão dramática como se se despedisse do amor da sua vida que deslizava para longe num túnel em direção ao céu. – 언니!!! – Choramingou, quase sendo arrastada por conta dos pés que não queriam se mover. – I’m too pretty to die in the dark!
Teve que usar um pouco de força para conseguir arrastar, literalmente, Annabel para dentro do beco e enfim, para dentro do prédio, mas ainda assim tinha que controlar para que não acabasse rindo, afinal, o drama que a canadense fazia era tanto que chegava a ser engraçado, não era como se fossem morrer ou levadas para um presídio... A menos que fossem pegas invadindo um prédio. Aquele pensamento fez Taylor deixar uma risada nervosa escapar pelos lábios. - Shh... Você quer ser pega pelos seguranças? Eu vou dizer que foi você quem me obrigou. - O tom de voz era bem mais baixo que o normal, sussurrava para a Lee enquanto a puxava pelas escadas, ainda segurando seu punho.
O objetivo era pegar um elevador de serviço que ninguém usava naquele prédio, logo, não tinha câmeras de segurança, mas andar com alguém se tremendo de medo de morrer por motivos inexistentes deixava a missão um pouco, ou talvez muito, complicada. Porém, sagaz do jeito que Hwang era, conseguiram chegar no elevador, e assim que empurrou a amiga para dentro do mesmo, tratou de apertar o botão que levava ao último andar. - Está mais calma? Ninguém vai nos ver, hm? - Olhava para ela com certa preocupação enquanto levava a mão até a lateral do rosto alheio e lhe apertava a bochecha antes de fazer uma careta. - Don’t worry, we’ll be fine. - E por fim voltava a imitar o sotaque da amiga apenas para tentar descontrair um pouco o clima.
How about get more drunk? 📸: @pxeachs with @makezugirai & @melliflows
jeju adventures❜ \ @pingasquad
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– Você alguma vez tentou tirar uma placa daqueles postes? – Yuwen perguntou retoricamente, sabendo que a japonesa não deveria ter tentado porque, se tivesse, saberia que é quase impossível a não ser que com as ferramentas certas. E onde arrumariam ferramentas em Jeju, com a noite já lá fora e embriagadas? Seria engraçado. Enquanto Karen pedia um refill, ela já estava de volta à ação e aceitando sugestões. Tocou o ombro de Sarah enquanto ela tentava se lembrar de como era uma interrogação, apenas acenando que não com a cabeça. Com um grupo desses, elas certamente iriam muito longe pintando placas de pare.
Abrira os lábios para procurar aquela que ainda não tinha se pronunciado, rindo de como queria testar se Sarah cabia dentro da própria bolsa, e só então viu que Taylor estava longe. – Aiya… – Tirou o corpo das mãos de Karen, deixando-o sobre o balcão, e cutucou Sarah, apontando para a ovelha perdida já quase desaparecendo pela porta. – Se a gente não for atrás, ela vai bater Jeju inteira sozinha e ainda vai pensar que estamos logo atrás. – Com olhares desconfiados para todo mundo que não fazia a menor ideia de quem ela era ou de quem eram suas amigas, Yuwen saiu do bar para sentir a brisa confortável do lado de fora.
– Se eu soubesse que ia beber tanto quando chegasse na Coreia, tinha vindo pra cá antes. – Soluçou ao fim da sua frase, acenando para um casal de estranhos que passava na calçada e desviou dela sem nem esconder que tinham sentido medo. Passou despercebido à chinesa, no entanto. Tomou a frente, mesmo que sem ideia alguma de para aonde estavam indo. – Alguém tá com fome?
A pergunta da chinesa teria uma resposta obvia: não, Karen nunca tentou arrancar uma placa de sinalização antes em sua vida. Por ter um pai policial, era difícil para a garota aproveitar os anos de adolescente como uma rebelde sem causa. Lógico tivera seus momentos de bebedeiras e besteiras, mas nada a tanto. E agora em idade adulta e com as companhias certas ela sentia-se como uma adolescente prestes à fazer besteira. A sensação era ainda melhor. A resposta sobre a placa viera silenciosa, apenas olhando para a chinesa como se entregasse a si mesma e seu passado nada descolado.
Agradeceu a agilidade do barman e focou a sua atenção na bebida doce de morango, se balançando ao som da música eletrônica que fazia seus ouvidos zumbirem. Percebeu a movimentação das amigas ao seu lado, mas não se importou muito com tal, apenas quando a chinesa ameaçou arrancar a bebida de suas mãos e tivera de lutar contra a tontura. “ – Não! Deixa eu terminar! – ” exclamou conseguindo vencer a luta e sugar o resto da bebida com agilidade, fazendo seu cérebro doer e a explosão de álcool correr por suas veias, deixando-a ainda mais desnorteada. “ – Se eu perdesse a minha bebida você iria me pagar outra. – ” resmungou para a maior, empurrando-a ao se levantar cambaleando.
De longe ela conseguia enxergar a figura animada e escandalosa que era Taylor, sem conter os risos enquanto a seguia de longe. “ – Você encontrou as melhores pessoas pra isso. – ” gabou-se ao encontrar o ar gélido do lado de fora do bar, abraçando os próprios braços devido ao vestido curto e sem manga que usava. “ – Que pessoa não fica com fome depois de encher a cara? Vamos assaltar um mercadinho. – ” dissera as primeiras coisas que viera em sua mente, rindo com a ideia que tivera. Já passava da meia noite e o único lugar aberto para encontrarem comida era alguns poucos restaurantes e a loja de conveniência que ficava na quadra ao lado. Dera alguns passos na direção das demais, tropeçando no salto fazendo-a quase cair. Os xingamentos em japonês eram audíveis, até parar e resolver tirar os sapatos para sentar-se na calçada.
Sarah havia levantado os olhos da bolsa, se dando por vencida. Infelizmente não tinha esmalte branco, então não seria possível pintar as placas sem antes repor o estoque daquele objeto tão importante. Talvez devesse visitar a farmácia antes. Suspirou derrotada e se levantou, sem dar uma palavra, apenas seguindo Taylor e seus passos trôpegos pelo salão, sabe-se lá aonde ela estava indo, já que perdera metade da conversa.
O vento gelado acertou o rosto da mestiça de uma forma que suas bochechas ficaram rosadas e suas madeixas voaram para todos os lados, tampando momentaneamente sua visão. - Eeeish, que porra… - Resmungou, usando a mão esquerda para se livrar daquele obstáculo e tentar prender o cabelo usando o próprio, de forma que continuara bagunçado, mas ao menos podia usar seus olhos.
- Não quero mercadinho… - Disse enquanto fitava sonhadora a rua deserta, apenas com as luzes comerciais brilhando. - Eu quero comer ham bur guerrrrr! - A última palavra foi dita com todo o seu sotaque britânico, acompanhada de um sorriso daqueles, característico de Sarah. Esse falhou um pouco ao ouvir a enxurrada de xingamentos em japonês, mas deu de ombros e se virou para Taylor e Yuwen. - Why don’t we eat some burgers, I want two with some fries and all that shit - Mal terminou de falar e já estava andando sem rumo pela rua, na esperança de encontrar algum vendedor de rua àquela hora da noite.
Enfim Taylor se encontrava no meio da rua com as outras três mulheres que a acompanhavam seja lá para onde estivessem indo, mas estavam indo para algum lugar. Pintar placas? Roubar um mercadinho? Comer hamburguer? Sinceramente ela nem sabia mais, mas o hamburguer pareceu uma ideia muito boa para aquele momento onde o estômago gritava mais que o próprio Lucifer no filme Constantine, mas sabia muito bem que não estava no Inferno porque o vento gelado do mar vinha constante contra a cabeleira escura da coreana, deixando-a cada vez mais descabelada.
Yuwen parecia mais sóbria para si, ou talvez fosse só a cabeça embaralhando as coisas por causa do excesso de álcool. - Ei! Agora eu também quero hamburguer! - Enquanto falava, alto e estridente, de um jeito totalmente desengonçado, conseguiu arrancar as botas de cano curto e segurou as duas juntas com uma única mão, sem nem mesmo saber como estava conseguindo fazer aquilo tudo. - Sarah, let’s get some burguers! - Tentou imitar o sotaque da outra e foi até ela e passou o braço livre em volta do braço dela, criando uma cena cômica de duas bêbadas andando sem muito rumo atrás de algum vendedor. - Vocês duas! Se vocês não vierem logo vocês vão acabar de perdendo! - Gritou enquanto virava-se para trás de forma bruta e rápida para poder olhar as outras duas mulheres restantes.
not so sure❜ \ @taylor
makezugirai:
– Eu tenho fé de sobra. – Afirmou. – Na sua capacidade de me colocar em apuros. – Piscou um dos olhos enquanto quase forçava para que a mais velha saísse do caminho, podendo assim terminar uma das que era da lista de atividades que mais detesta fazer. Bel sabia, é claro, que sua noite estava selada desde o momento em que viu os longos cabelos de Taylor na sua frente. Por algum motivo, tem muita dificuldade em dizer não para ela. Falha em descobrir quando foi que se tornou tão maleável quanto às sugestões alheias, porém desconfia que tenha a ver com a influência da falta de dinheiro fácil. Embora, se fosse realmente pensar sobre isso, não ter dinheiro e se arriscar tanto pode dar muito errado muito rápido se um dia parar num hospital.
Sacudiu a cabeça enquanto lavava as mãos com cuidado, distraída, suspirando de forma exagerada ao ser comandada com um simples sinal. – I hate you. – Disse no seu idioma materno, tirando a Louis Vuitton debaixo do balcão e, logo em seguida, um creme para as mãos saiu do bolso principal. Suas roupas pareciam ser simples, mas a handbag contava outra história. – Eu posso pelo menos saber o que vamos fazer dessa vez? – Sentiu o perfume adocicado da pele com um sorriso quase de alívio, se não fosse a pontada de medo sempre que olhava para a presença mais alta que caminhava ao seu lado. – A gente não vai pegar um barco de novo, né? – Questionou enquanto o vento frio da madrugada de sexta-feira sacudia seus cabelos longos e com perfume frutal. – Se formos, eu vou precisar comprar antiácido antes.
Taylor era impaciente com as manias vaidosas da amiga e não escondia, nem ao menos tentava. Os braços cruzados e um dos pés batendo freneticamente no chão, fazendo a calça pantalona verde balançar, eram sinais claros de que não gostava de esperar por aquilo. - I hate you more, darling. - E apenas para irritar um pouco Annabel, tratou de responde-la em inglês, imitando o sotaque que ela tinha quando falava no idioma materno.
Enquanto caminhavam pelas ruas iluminadas, aproximou-se da outra e passou um braço em volta dos ombros dela, sentindo-se animada com as ideias que tinha em mente, mas dessa vez, diferente das muitas outras vezes, não era nada tão absurdo para que Bel ficasse com tanto medo. - Falando assim até parece que já te coloquei em perigo real, tsk... - Fingiu estar resmungando por um instante, realmente não conseguia entender a angústia que ela sentia sempre que estavam juntas, afinal, nunca recebeu um não vindo da mais baixa, então não sabia o que pensar sobre essa dualidade. - Barco... Ah! - Riu alto ao se lembrar do fato mencionado. - Não é nada tão intenso, eu disse que você vai ter seu descanso de beleza, não disse?
Enfim chegaram em um prédio comercial que aparentava ser um daqueles que tinham dinheiro demais envolvido a ponto de não ter como as duas amigas frequentarem, mas era exatamente nele que Taylor iria levar a outra. Contudo, a entrada delas não seria pela porta principal, mas por uma porta pequena nos fundo em um beco escuro onde normalmente as pessoas não entrariam. - Você vai gostar. - Piscou um dos olhos em sinal de diversão e puxou a canadense pelo punho para dentro do prédio, esperando sinceramente que não acabassem sendo pegas por nenhum segurança.
not so sure❜ \ @taylor
makezugirai:
– Cada dia que essa nossa amizade floresce eu fico mais certa de uma coisa fixa sobre você, Hwang. – Era o final do seu turno e Annabel tinha, dentre as unhas bem cuidadas, cintilantes, e dedos de pele tão macia que deixariam um bebê com inveja, um pano úmido que limpava o balcão sujo de bebida por causa de um ou outro idiota que ficava balançando o copo ou a garrafa ali e deixava cair gotas adocicadas na superfície acinzentada, ou da eventual mulher que jogava seu pedido no rosto de um (ou uma) escroto. – Você é maluca. – Balançou o pano na direção do rosto da mais alta, com uma risada advinda da última história que a mesma contava.
Ela tem um ou outro conto sobre seus dias no internato britânico, incluindo até uma vez em que fora erroneamente presa (piores duas horas da sua vida, seus pesadelos às vezes incluem a cela provisória e o cheiro de xixi e suor da mesma, causando arrepios horrendos na canadense), mas nada parecia ser perto do que ouvia Taylor confessar, ou até mesmo do que acabava fazendo com a amiga. – Mas não adianta, eu preciso do meu descanso de beleza hoje! – Choramingou. – Vê essas olheiras? – Apontou para absolutamente nada embaixo dos seus olhos. – Elas não vão sumir sem uma boa dose de oito horas de sono. E creme noturno. | @xbanobody )
A risada era certa sempre que se encontrava com Annabel, principalmente se fosse no final do turno de seu trabalho, e era exatamente ali onde Taylor se encontrava. Sentada em uma das cadeiras, apoiada no balcão o suficiente para atrapalhar a limpeza da canadense. - Eu? Maluca?! - Teve de se afastar um pouco, saindo do conforto de estar praticamente jogada em cima daquela balcão, por causa do pano úmido (e agora sujo) que se aproximava perigosamente do rosto bem maquiado da coreana. - Sinceramente, eu achava que você tinha mais fé em mim. - Soou um tanto sarcástica, com um sorriso nos lábios pintados de vermelho e os olhos quase fechados em um eyesmile.
Taylor não conseguia pensar em uma lógica para como as duas realmente acabaram se tornando amigas, mesmo sabendo o quanto forçou para que aquilo acontecesse. Quando conheceu a outra, não gostou dela, ou de sua personalidade ou seu jeito de se achar superior, mas por algum motivo sentiu que talvez, só talvez, conseguisse mudar um pouco aquela garota, e enfim tinha conseguido uma amizade com ela, coisa que depois descobriu que era algo difícil. - Certo, você terá seu descanso hoje... - Deixou o ar sair em um suspiro cansado, parecendo ter perdido uma luta árdua contra algo bem maior que sua própria existência, mas não passava de puro fingimento da morena. - Mas eu não vim aqui atoa, Annabel Lee. - Chamar a canadense pelo seu nome completo significava apenas uma coisa: Taylor tinha ideias em mente. Apoiou o cotovelo no balcão e com o indicador, fez um movimento para indicar que ela saísse logo dali. - Você vem comigo, e pra agora de preferência. - Apesar do tom sério que usava, o sorriso se mantinha na expressão de alguém que não tinha planos para terminar a noite sem não ter feito pelo menos alguma coisa animada.