☾⋆ 𝐌𝐎𝐎𝐍𝐋𝐈𝐆𝐇𝐓 ⸻ we all try but we lose emotion, getting used to the feeling of losing, getting paralyzed in shackled freedom, a small fantasy within me. the little blue bird that lost its voice, i can hear the whispers, the beginnings of a deep echo, the voice that will overturn the world.
* / é uma honra lecionar em hexwood e kael jin young sabe bem disso! aos trinta e quatro anos, é professor de história de aldanrae e política imperial, e hospedeiro de hachiman. falam pelos corredores que ele é criativo, mas também malicioso. sua reputação é conhecida além das fronteiras, e dizem que se parece com hwang inyeop.
* / kael é uma alma criativa e sonhadora, presa naquilo que ele é e o que gostaria de ser. discreto, leal e com um instinto natural para a mediação, carrega em silêncio, desejos profundos e emoções turvas que raramente se permitem ir à superfície. à primeira vista, parece bastante contido, respeitoso e até mesmo frio, mas basta um pouco mais de intimidade para mostrar que, sob a fachada, mora um espírito inflamado por sonhos intensos, frustrações mal resolvidas e uma malícia sutil, nascida do ressentimento por uma natureza que não escolheu. a sua criação no meio de montanhas e acostumado a escalar penhascos, e enfrentar perigos da natureza, desenvolveu nele um olhar atento e uma percepção aguçada. é uma vivência que forjou nele a habilidade de ler ambientes e pessoas com precisão, no entanto, a criação isolada somada ao foco intenso em seus próprios objetivos, o tornou bastante reservado. é educado, pouco dado a laços profundos, se expressa com economia de palavras, é direto e, as vezes, ríspido. pensa como um guerreiro, analítico, determinado e em constante aprendizado, busca sempre a melhor forma de superar obstáculos com inteligência e estratégia, ainda assim, luta com um conflito interno persistente: o dom mágico que herdou de sua família, mas que nunca desejou. tem fé em hachiman e no ideal de domar um dragão, que se tornou o seu alicerce, mesmo que a jornada seja solitária e tortuosa.
biografia.
* / em meio a pigmentos e temperos, nas montanhas nevadas, ergue-se a dinastia young, uma família nobre que prefere viver no isolamento, não apenas por conforto, mas também pela segurança. foi nesse universo gelado que nasceu jin, um rapaz sonhador com hábitos nada adequados para um herdeiro da família mais poderosa da região. era uma criança obediente, mas curiosa demais, as suas ações impulsivas já indicavam que traria problemas para os young. como todos da família, jin nasceu khajol, com um seno fraco — não em poder, mas em brilho — que os mais velhos diziam que era apenas “introspectivo”, embora alguns enxergassem nisso um presságio de espírito indeciso. era uma criança que brincava sozinho, espiava conversas e imitava os gestos de seu irmão mais velho, a quem admirava profundamente. ainda na infância, começou a desenhar dragões em pergaminhos, mesmo antes de aprender a escrever o seu próprio nome, um fascínio que crescia cada vez mais, ainda que nunca tivesse visto um.
entre os seus hábitos perigosos e inaceitáveis aos olhos de seus pais, o pior de todos era a escalada nas montanhas nevadas com o irmão, uma atividade que gostava de fazer só por ser com a pessoa que mais amava no mundo. e foi em uma dessas subidas que jin viu, pela primeira vez, um dragão de perto. voltou para a casa com os olhos famintos e o coração inquieto, foi naquele momento que começou o seu desejo de domar um dragão só pra ele. quando atingiu a idade de ir à academia, a ida até hexwood só reforçou a recusa em aceitar a sua condição. tornou-se um aluno relutante, não lhe faltava talento, mas seu desinteresse o impedia de crescer, via a magia como uma prisão, e enquanto outros usavam seus dons com paixão, jin não percebia que era a sua própria resistência que impedia sua magia de florescer.
tornou-se dissimulado, escondendo a sua força, os seus objetivos ou até mesmo a dor que carrega, preferindo deixar que os outros achem que ele é apenas alguém desleixado, frio ou egoísta, mas na verdade, tem muito mais dentro de si que poucos tem acesso. possui um charme sutil e um humor afiado, irônico e muitas vezes ácido, que faz piadas com coisas em forma de crítica ou sarcasmo, podendo até cutucar as pessoas ou situações com uma certa malícia ou provocação, mas de forma inteligente. introvertido, distante e fixado apenas em seus próprios desejos, levou anos para nomear o seu seon e o fez apenas em um gesto de revolta, ainda que sentisse o seon sempre presente, ainda que apagado, quase invisível.
quando se formou, rejeitou as tradições da família e deixou que o irmão mais velho assumisse o peso da herança dos young, e voltou às montanhas apenas para manter um fio de ligação com os seus, isso junto com o pincel que sempre carrega no bolso, embora nunca tenha usado. passa a maior parte do tempo viajando com grupos de exploradores, não vive mais o isolamento de sua família, e por isso sempre foi malvisto por lá. ainda que a sua magia queime em seu peito, jamais foi vista em evidência, pois para jin, ela só tem valor se puder ajudá-lo a domar um dragão.
e foi essa obsessão por dragões selvagens que o levou até aldanrae, onde sentiu que seu propósito possa, enfim, encontrar espaço, tudo o que deseja é apenas ter um dragão sob o seu comando. se engana quem pensa que ele mantém laços fortes com a família, o seu círculo se resume aos pais e ao irmão mais velho, pois a maioria dos parentes acreditam que jin quer “desonrar os dons divinos da linhagem young” ao seguir esse sonho insano. mas ele nunca se importou com comparações, e menos ainda com expectativas, jin só se importa com os seus próprios desejos, e acredita, todos os dias, que hachiman sussurra em seu ouvido que, sim, ele pode ser um changeling e é só por isso que ainda não desistiu.
nome do seon.
* / o seon de kael se chama noeul, porque carrega uma tristeza melancólica que combina com kael, e representa tanto a beleza quanto o fim do dia — como ele se sente com sua conexão mágica. é uma esfera flutuante de luz âmbar profunda que parece sempre envolta por uma névoa tênue. ao contrário de outros seons, que brilham vivamente, noeul raramente alcança seu fulgor pleno — sua luz vacila, contida, como se refletisse o conflito do próprio kael com sua natureza mágica, é um orbe imperfeito, ligeiramente alongado ou com rachaduras suaves na superfície, como se não fosse completo. nos raros momentos em que kael se permite coragem ou vulnerabilidade, noeul responde com um brilho intenso e abrasador, como se o deus guerreiro em seu peito finalmente despertasse. entre eles, existe uma ligação forte, porém abafada, pois é o vínculo de dois seres que pertencem um ao outro, mas ainda não aprenderam a se olhar nos olhos.
NIAMH ESPERAVA o auxílio de suas damas de companhia para que pudesse comportar o vestido dentro da roda gigante. Seria bom que a vissem conversando não só com os nobres do altíssimo escalão, como também... Outros. Mas aquele não era o único motivo que a fazia se aproximar de Jin. Amizades eram dificilmente construídas pela mais velha Essaex, mais por sua falta de interesse e desconfiança em mantê-las. As pessoas sempre a procuravam buscando por favores. "E por que eu me arrependeria, Sr. Jin?" Uma vez sentada, a sobrancelha finamente tracejada se ergueu em inquérito seco. "Se eu não confiasse em sua presença e amizade, poderia incumbir o significado de ameaça às suas palavras? Ou, talvez, apenas a um aviso amistoso?" Ela não acreditava naquilo, mas também não deixaria pontas soltas em qualquer história--- queria, não, demandava saber o tom por detrás daqueles dizeres. Qualquer relacionamento que fosse próximo o suficiente veria aquele lado da Princesa, assertivo e talvez rígido demais. "Bom, e o que há para me entreter hoje? Alguma novidade entre os professores de Hexwood---ou consenso à respeito da ausência de Seamus? É de meu interesse saber o que pensa a população do Império."
A família Young era pertencente da nobreza, mas era um tipo de nobreza que não era exatamente bem-vinda entre os grandes poderes imperiais, ainda assim, detinham de um domínio de mercado influente o bastante para despertar o interesse dos verdadeiros donos do mundo. Em seu pequeno universo, não havia vestidos espalhafatosos como nos bailes da capital, o excesso de tecido vinha, na verdade, dos tradicionais hanboks femininos, muitas vezes enfeitados com muito ouro que eram usados não só como símbolo de status, mas também como um chamariz para bons casamentos. Os homens, por sua vez, adornavam-se com pedras preciosas extraídas das montanhas geladas, quanto mais minerais cintilantes costurados à roupa, mais desejável o pretendente era naquela parte do mundo.
“Por Hwanin, eu não seria tão burro a ponto de ameaçá-la, ainda mais sabendo que a sua amizade me é muito mais valiosa” Brincou Kael, certo de que ela não queria, de fato, instaurar um clima hostil entre os dois. “É só um aviso amistoso” Acrescentou em um tom mais calmo. “Sou conhecido por ser uma péssima companhia, só isso” Sabia que sua fama não era das melhores, e a última coisa que queria era que uma princesa confirmasse, ou pior, reforçasse a má impressão que muitos já tinham dele. Ainda assim, compreendia o tom defensivo, teria reagido da mesma forma, especialmente se visse em alguém o mesmo tipo de desconfiança que habitava nele próprio.
“Vou te decepcionar se espera novidades entre os professores de Hexwood” Disse, com um meio sorriso, cruzando as pernas para ficar um pouco mais confortável naquele ambiente minúsculo que dividiam. “A maior novidade, até o momento, sou eu” Fez um gesto discreto de respeito ao nome que estava prestes a mencionar. “Depois que Auberon nos deixou, ninguém esperava que o pior aluno da classe um dia virasse professor” Deu uma risada breve enquanto esperava que o brinquedo começar a se mover. Cruzou as pernas elegantemente, em busca de um pouco de conforto naquele ambiente desconfortável. “Mas se quiser saber o que o povo anda pensando… talvez devesse conversar com mais gente. Eu só posso te contar o que o povo das montanhas pensa”
O sentimento de liberdade em estar como Florian era revigorante, Joahnna não poderia comentar e nem aproveitar aquelas atrações como bem entendesse. "Parecem bem verdadeiros para mim." Respondeu com um sorriso solto, quase que brincalhão. "Afinal, podemos mesmo diferenciar a realidade da ilusão? Certamente para aqueles que se assustaram estas imagens serão bem reais por um bom tempo." Com diziam sobre os poetas, falavam apenas apenas um punhado de metáforas que em nada agregavam para um diálogo e Florian não seria diferente. Ainda que Joahnna estivesse no controle, ela gostava de brincar com as possibilidades de seu alter-ego. "Ou deveríamos dizer que a realidade deles está deturpada? De toda forma..." Virou-se para o outro ao seu lado, tomando alguns segundos para o observar bem, apenas o direcionando um sorriso despreocupado. "Por certo o senhor parece entender bem desses assuntos."
O arquear das sobrancelhas denunciava o interesse genuíno no ponto de vista de quem o acompanhava. Vindo de alguém que passava mais tempo entre árvores e animais selvagens do que entre humanos, Jin sabia bem reconhecer uma ilusão e, aquilo, definitivamente é uma. “Para quem nunca viu de perto, faz sentido” Deu de ombros, concordado com um leve assentir de cabeça. Deixou escapar o ar pelos lábios, tipo um suspiro contido pelo peso da reflexão, o comentário do outro tocava em algo que, de certa forma, o incomodava, sendo a realidade que ele mesmo havia alimentado por tantos anos, agora posta em xeque. Sentiu o olhar do outro repousar sobre si, pesado e atento, seguido por um comentário que o fez erguer uma sobrancelha, devolvendo um sorriso que brincava no canto dos lábios. “Eu pareço? Engraçado… não é algo que costumo ouvir com frequência. Não sou tão interessante quanto possa parecer”
* / O museu foi um dos poucos lugares que despertaram algum interesse em Jin, embora fosse professor de história, isso não significava, necessariamente, que fosse apaixonado pela área. Ainda assim, para alguém que buscava escapar do caos que aquele circo estava se tornando, o museu parecia a escolha mais sensata naquele momento. A propaganda grandiosa em torno do lugar só serviu para afastá-lo ainda mais, por sorte, Jin cresceu distante da imagem idealizada que o império tentava vender. Como um Young, seu interesse por aquela parte do mundo sempre foi o mínimo possível. É natural que haja poucas pessoas por ali, já que os mais jovens buscavam diversão e os mais velhos por distração… e ali não havia nem uma coisa, nem outra. Mesmo assim, Jin acabou lado a lado com alguém que, por algum motivo, também escolheu atravessar aquele ambiente tedioso. “Você consegue imaginar o nível de narcisismo foi necessário para montar um museu histórico de Aldanrae no meio de um circo?”
* / Apesar de seu antecessor já ter batido as botas, Jin conseguiu recuperar algumas informações, não só o conteúdo que ele vinha passando aos alunos, mas também anotações pessoais sobre cada um. E, ao lado do nome de Eirik, havia um comentário levemente ácido que lhe chamou a atenção. — moleque prepotente, metido a sabe tudo. Foi justamente isso que mais lhe agradou ao ler sobre o garoto. Mais tarde, ao decidir comer um doce, acabou na fila ao lado do tal aluno especial do antigo professor, coincidência que ele achou, no mínimo, curiosa. "Então você é o aluno metido a sabe tudo que Auberon odiava?" Disse ao mencionar o falecido professor de História. "Tem alguma coisa a dizer para se defender? Ou vai querer que o seu novo professor pense dessa maneira?"
Os ombros erguidos combinavam com a indiferença do queixo apontando adiante. Turquoise sentiu o canto erguer utilmente, colocando aquele mínimo de divertido no rosto que não respondia corretamente (ou com a velocidade que outrora tivera). O ar saindo pelo nariz num bufo falsamente aborrecido. — Não posso fazer muito se minhas vitórias seguidas geram intimidação. — Tamanho, cicatrizes, porte, aura. Ele já tinha sido avisado do efeito visual que causava, ainda mais depois do ataque. Changeling, como diziam por aí; mau encarado, outros falavam na frente. A língua estalou dentro da boca ao descer o rosto, inclinando em resposta do interesse. Olhos fixos nos de outrem, o sorrindo caindo para a linha reta onipresente. — Não vejo vantagem alguma para mim. — Era uma questão além da habilidade, sua modéstia segurando as palavras que a habilidade anunciaria sob o falso pretexto de soberba. — Por que você não fala logo o que q-q-quer de mim? Alguém está pegando no seu pé ou é puramente interesse carnal?
A provocação do garoto arrancou de Kael uma risada soprada, um leve escape de ar pelas narinas que indicavam a sua irritação, foi o suficiente para conter o palavra nada elegante que quase deixou escapar. “O mundo vai mudar porque o bonitão aqui conseguiu pegar todas as pelúcias da barraca de tiro ao alvo” Debochou, os olhos correndo pela figura ao seu lado. Ao contrário do que se poderia esperar, nenhuma característica minimamente selvagem no rapaz foi o suficiente para intimidar Jin. Talvez fosse o fato de ter crescido em um lugar isolado, onde o desconhecido lhe despertava mais curiosidade do que medo. Ou talvez fosse porque a personalidade do outro, do tipo barulhenta e provocadora, acabava ofuscando qualquer aparência ameaçadora.
Revirou os olhos ao ouvir a última frase dele. “Céus, você é mesmo do tipo que se acha o centro do universo, né, garoto?” Então, sem cerimônia, tomou a varinha da mão dele com firmeza, sentia a magia percorrendo as veias de imediato, acedendo-se como faísca, um reflexo direto da sua irritação, já que paciência nunca fora exatamente o seu ponto forte. “Eu lá ia querer foder um cara irritante como você?” Empurrou-o com o ombro para o lado, com força o bastante para afasta-lo da barraca. Era sua vez de mostrar como se fazia, e bastou os olhos mirarem cada patinho com precisão e alguns movimentos rápidos para que, um a um, todos caíssem. “Pronto. Sem esforço nenhum. Agora pode pegar essa tralha toda e, sei lá… sumir?”
O fato de os professores em Hexwood não conhecerem sua fama, era a única parte que agradava a loira naquela escola. A maioria era descuidado e isso facilitava e muito a vida da loira quando queria algo 'emprestado'. No instituto militar já estavam prevenidos, armários com trancas e em alguns casos vigias. Claro que quando tudo começava a sumir ela era a única suspeita em uma escola de nobres, mas nunca conseguiram provar. A maioria dos professores apesar de desconfiados, parecia não tomar as devidas precauções, o que era diferente de Kael Jin. Por isso se aproximou, gostava de desafios e gostava ainda mais de atormentar pessoas. Ela sorriu notando que sua simples presença o fez ficar alerta. "Você não pode provar nada." Respondeu, os lábios se curvando em um sorriso travesso como se planejasse algo grande. O que não estava fazendo, mas gostava da tensão no ar, a possibilidade de um desastre eminente. Mesmo que agora fosse acompanhada do Seon não queria que pensassem que se moldou ao estilo de vida recatado dos Khajols. "Você não duraria um minuto contra mim." O tom provocativo e cheio de desafio era já característico de Melian. Ela gostava de testar o limite das pessoas, ascender o pavio e ver a bomba explodir. Apesar de ser boa, estava longe de ser imbatível, o que não impedia que enfrentasse qualquer ser que estivesse disposto. "Sairia chorando certamente."
De fato, Kael não fazia a menor ideia da fama daquela mulher, mas algo nela acendeu um alerta silencioso. Talvez fosse por pura intuição ou, talvez, fosse Noeul tentando lhe dizer alguma coisa. Apesar de sua relação com o seon fosse, no mínimo, conflituosa, vez ou outra Jin conseguia captar os sinais. Era uma conexão instável, de amor e ódio, mas funcional o bastante para reconhecer os avisos quando eles vinham. “Ah, essa é exatamente o tipo de resposta que uma pessoa suspeita daria” Comentou com um sorriso de canto, carregado de malícia. Havia diversão em seu olhar, como se a tensão do momento fosse, na verdade, um convite. Um desafio, era assim que ele definiria aquilo, e ele adorava desafios, especialmente os que faziam o coração bater naquele ritmo gostoso de antecipação. Por isso, não se afastou, ao contrário, se aproximou um pouco mais. “Você tá mesmo me atraindo para uma armadilha, não é, loirinha?” O brilho que surgiu em seus olhos era claro: Melian havia conseguido acender uma faísca, um jogo perigoso… e delicioso. Razão essa de ter envolvido o braço dela para puxa-la delicadamente até que pudessem estar em um lugar mais calmo. “Quer apostar pra ver? Quero ver até onde você vai com esse joguinho”
* / A balada a dois foi uma atração que fez com que Jin se sentisse deslocado, não só pelo fato de ser alguém acostumado às montanhas, onde o silêncio fala mais do que as palavras, um lugar que seja vibrante e ruidoso ainda o deixa um pouco confuso. Quando as luzes diminuem, o pano sobe e a música começa, os dois dançarinos lhe desperta uma atenção especial, entrelaçados em passos que misturam paixão e dor, a história é contada com corpos em movimentos sobre um amor proibido, uma tragédia anunciada, que por alguns segundos prendeu a respiração por reconhecer esse sentimento. Não por algum amor vivido em sua vida curta, ainda que tenha tanta experiência na vida, nunca viveu um relacionamento tão intenso a ponto de saber como é a separação entre amantes, o lance é o sentimento de não pertencimento.
Jin soltou um suspiro, a dança desperta nele uma pontada de culpa por ter se afastado da família por um desejo tão egoísta e a solidão que lhe trouxe com essa escolha. Após a cena do ápice, com os dois dançarinos se separando, Kael sente o aperto no peito, a divisão entre mundos, com um pincel mágico que nunca foi usado e um dragão que nunca montou. Jin entende o preconceito e o amor deles sendo um reflexo de todas as barreiras invisíveis que os envolvem. Quando o público aplaude o fim do espetáculo, Jin desvia o olhar, se levanta e deixa o espaço, encontrando um lugar onde apenas deixou-se pensar no que tinha assistido e no que sentiu afinal, só então percebeu a presença do garoto, um jovem que sempre lhe deixou levemente intrigado, massageando o seu ego como nunca tinha sido antes, mas também lhe trazendo a realidade amarga do quão errado era tudo aquilo. Sorriu e negou com a cabeça. “Que belo momento pra me encontrar, não acha? Gostou do que assistiu lá dentro?”
* / Entrou na tenda do zoológico de ilusões por curiosidade, a magia podia ser manifestada de diversas formas, mas ilusionismo sempre lhe despertou essa curiosidade de como conseguiam enganar tantas pessoas com truques de níveis tão baixos. Sendo alguém que não conseguia colocar em prática as suas ações mágicas, qualquer coisa era qualquer coisa, se fosse uma pessoa que conseguisse um mínimo que fosse próximo daquilo, já era alguma coisa. O lance é que não se importava, não tinha desejo de fazer o mínimo que fosse ou talvez tivesse, mas o seu desejo por um dragão fosse um pouco maior que isso, enfim, um eterno conflito que ele nunca conseguiria explicar ao certo. Os animais holográficas eram incríveis, mas em nada se comparava aos reais, com as viagens que fez com diversos grupos de exploradores, teve a oportunidade de conhecer alguns dos diversos animais incríveis que existiam naquele mundo vasto. “É incrível, mas um tanto frustrante” Comentou para a pessoa ao seu lado e suspirou. “É bem mais intrigante ver animais reais” Virou o rosto na direção dele e continuou. “Seria ainda mais legal ter dragões de verdade aqui, não acha?”
* / A atração dos guerreiros da odisseia parece bastante atraente para alguém com um olhar ambicioso como Kael Jin, assistia a atração com os olhos carregando aquele brilho de quem entende o que está sendo apresentado, enquanto as pessoas se sentiam atraídas pelas referências aos deuses, ainda que Hachiman esteja presente entre eles, Jin só se interessa pela referência aos dragões, um desejo que fervia cada vez mais em seu peito e a frustração de ainda não ter tido a oportunidade de domar um dragão selvagem. Suspirou, ao perceber quem estava ao seu lado, rapidamente passou a mão sobre os seus bolsos e, também, em seus cabelos, já que elementos de sua família estavam sendo representados com pedra jade e prata. “Está gostando do espetáculo?” Iniciou a conversa assim que percebeu que tudo estava no lugar e curvou-se um pouco para dizer em voz baixa. “Espero que esteja com as mãos bem escondidas em seus bolsos e não tente bancar a espertinha…” Sorriu e voltou o olhar para o que faziam ali. “A gente podia tentar um treinamento de espadas, o que acha? Gastar a energia e mostrar que podemos fazer algo mais espetacular que isso”
* / "Aissh!" Praguejou quando viu que não tinha conseguido uma nota boa naquele maldito brinquedo do martelo. Se tornou a sua grande obsessão, o martelo em suas mãos aguardava mais um momento de maus tratos quando decidisse jogar toda a sua frustração sobre aquele peso que aguardava o grande campeão daquele desafio. E então a vontade veio mais uma vez, visivelmente cansado e com todos os sinais disso visíveis na camada de suor em seu rosto e nas roupas desalinhadas, dando mais uma martelada sobre o peso, que viu subir até o último traço desenhado ali e então retornando, não conseguiu mais uma vez fazer aquele peso extrapolar o limite, ainda que estivesse no primeiro da lista sobre as notas que tirou com o aparelho.
"Ah, jinjja! Jjajeungna!*" Reclamou quando finalmente desistiu, jogando o martelo longe e suspirando, praticamente dando uma birra por não ter conseguido o prêmio em dinheiro que viria para quem conseguisse atingir o dragão. Foi nesse momento que percebeu a presença de Sylas e rapidamente mudou a sua postura, ajeitou as roupas e pigarreou, para tentar voltar a naturalidade da sua voz. "Vai tentar também? Achei bem tedioso" Revirou os olhos naquela tentativa de desdenhar da atração.
O VESTIDO da Princesa Niamh não permitia grandes movimentações. Era perfeito para apenas uma coisa: visualmente agradar o público enquanto ela cumprimentava plebeus com acenos e sorrisos ensaiados. Por dentro, a Essaex mais velha não queria estar ali. Cansada de inventar diálogos e vasculhar o cérebro em busca de nomes e rostos, evitando gafes e amenizando conversas, Niamh alegrou-se genuinamente ao ver o Professor de História caminhar em sua direção. Como mandava a etiqueta, estendeu a mão para que ele a tomasse, cumprimentando-lhe conforme normativas Imperiais. Kael era alguém que burlava minimamente os sensores de Niamh. Era um bom ouvinte, e capaz de fazê-la baixar a guarda por alguns instantes. "Sr. Young. É um prazer revê-lo. Espero que esteja aproveitando as amenidades." Não esperou que ele a convidasse para fazer alguma atividade, e tomou a iniciativa ao transpassar seu braço ao dele, iniciando o curto trajeto até a roda gigante. "Estou ávida por saber sobre seus feitos recentes... E por me ausentar por alguns instantes, confesso." Havia algo de refrescante no humor sempre maquinado, algo que Niamh guardava para amizades verdadeiras. "Creio que ficaria feliz em me acompanhar naquela atração."
* / Jin não era uma pessoa que gostava muito de socializar, o lance é que ele não gostava muito de pessoas, ao menos não as que não viviam nas montanhas com a família ou os poucos amigos que conquistou na vida. E são poucos que conseguem fazer com que ele se sinta mais a vontade ou tenha interesse de conhecer melhor. A Princesa Niamh foi uma dessas poucas pessoas, talvez porque a mulher não se incomodava com o seu silêncio e nem com os comentários que fazia, que no caso, deveriam ser vistos como conselhos ou coisa parecida. E apesar da roupa que ocupava alguns espaços extras além da mulher, sabia que existia um outra mulher pro trás que fazia ele sentir vontade de ficar pra ouvir mais.
“Ah, até alguém como eu consegue ver prazer nessas amenidades, princesa” Sorriu e apenas a acompanhou até a roda gigante sem se importar muito com isso. “Bem, teremos muito o que dividir durante o tempo que passarmos juntos, não acha?” Brincou, até porque ele tinha muita história para contar e acreditava que ela também. E então ela indicou a atração no qual estavam indo, assentindo de leve. “Eu confesso que estou curioso para saber como funciona aquela tecnologia, deve ser empolgante… só espero que não se arrependa depois”
Desde o retorno a Hexwood tentava voltar ao normal, deixar um pouco todas suas preocupações de lado e aproveitar o que seria seu último ano ali como aluna. Ficou feliz que permitiram o circo de permanecer e viu ali uma oportunidade de diversão, mas haviam tantas coisas que poderia ser feitas que ela se via um tanto indecisa e era ai que entrava ajuda de muse. ❝Me diz uma atração que você ainda não foi, mas está morrendo de vontade de ir.❞ Exigiu em um tom animado, enquanto lhe arrastava pelo braço pelo espaço, não ligando muito para qualquer possível objeção. ❝Mas por favor, escolha qualquer coisa que não seja leitura de cartas, não quero lhe ouvir choramingando depois por não ter ganhado a resposta que queria.❞
* / Por coincidência estava no mesmo espaço que ela, no mesmo ambiente, lado a lado, pois sequer a conhecia de fato para receber uma proposta como aquela. Deu de ombros e ficou pensativo sobre isso, não tinha ido em muitas atrações, quase nenhuma se fosse analisar, mas era notável que ela queria uma resposta. “Ah, eu tenho cara de quem choraminga por causa de uma mensagem em cartas?” Reclamou de imediato, suspirando um pouco irritado antes de soltar, literalmente, a primeira atração que ele viu. “Bora lá naquele negócio do martelo. Parece que o prêmio é dinheiro, vai que eu consigo” Sorriu de canto e voltou o olhar para a garota, curvando-se um pouco para poder dizer em voz baixa. “Ou você, quem sabe?”
Uma obra única de poucos capítulos, envolvendo roupas extremamente confortáveis e o hiper foco absurdo numa certa atração.
A única experiência de Turquoise di Medici com uma varinha se resumia às 3 horas gastas naquela atração. E que visão era! Elegantemente vestido, tecidos caros e costuras patenteadas; com o cabelo molhado empurrado para trás (e aquele pequeno rabo de cavalo rebelde). Um verdadeiro lorde... Mas curvado e concentrado, acertado pato atrás de pato com a perfeição de quem conseguia fazer aquilo dormindo. Você pode se perguntar, será que vai bem ou mal? A resposta amontoando-se ao redor das pernas. Pelúcias e outros presentinhos empilhados, separados pelas categorias de sua cabeça e das pessoas que mereciam. Uma salva de palmas a Brianna pelos trocadinhos. Turquoise limpou o suor com as costas da mão depois de mais uma vitória, a coluna estalando quando espreguiçou e... Foi adiante, reconhecendo a presença com um olhar de cima abaixo. Seus lábios tremeram com o esforço, pomo de Adão subindo e descendo antes de conseguir falar alguma coisa. — Quer? — Tão abrangente quanto possível, pegando desde a competição da cadeira vazia ao lado até o presente escolhido das pilhas. Bem verdade, ele não gostava de tanta gente assim.
TIRO AO ALVO: os patinhos nadam em sincronia e abaixam o tempo todo. Quem acertar com uma varinha mágica pelo menos três patinhos, ganha um prêmio da própria escolha dentre pelúcias, instrumentos, bijuterias e doces. Quanto mais patinhos, mais prêmios.
* / É óbvio que a figura lhe chamou a atenção, não só pelo amontoado de pelúcias envolto do jovem como também a sua postura, diante da concentração que dedicava ao brinquedo. Ficou observando a figura por um tempo, os braços cruzados na altura do peito enquanto os olhos acompanhavam os movimentos feitos por ele e sorriu de canto, era visível que não havia uma habilidade relacionado a magia, mas uma determinação que deslizavam pelo rosto através da camada de suor que se formava, ele serviria bem para um khajol e era interessante pensar nisso. Com a oferta, se aproximou e pegou um sapo de pelúcia, antes de se acomodar na cadeira vazia ao lado. “Posso tentar? Ou você vai ser o único a jogar esse jogo, uh?” A provocação vinha do fato dele ter dominado o jogo sem se preocupar com os demais que estavam aproveitando a atração junto com ele. “Se eu ganhar, você faz o que eu quiser e se eu perder, você que manda, que tal?”
* / Jin escolheu usar no evento uma interpretação um pouco mais moderna e requintada do hanbok tradicional da família, transmitindo nobreza, imponência e um toque marcial. Apresentando um tom predominante de verde pálido e branco acizentado, com detalhes em prata e cinza, evocando um ar etéreo e elegante. O jeogori é de corte longo, com sobreposição de camadas, mangas cumpridas e ajustadas, e uma gola cruzada decorada com bordados prateados que desenham padrões sinuosos das montanhas geladas onde vivem a família. Abaixo, a calça larga em verde pálido, feita de tecido leve, com um movimento mais fluido. O laço frontal (otgoreum) é largo e bordado, com fivelas ornamentais em forma de nós tradicionais, com detalhes de jade e metal prateado. O hanbok possui várias camadas longitudinais com fendas e abas que balançam ao caminhar, as mangas se ajustam nos punhos com detalhes de couro escuro, sugerindo um ar marcial, quase como uma armadura leve.
É complementado por um binyeo elaborado em metal prateado, com entalhes de padrões florais e geométricos entrelaçados que evocam símbolos tradicionais da família trazendo longevidade e prosperidade. É adornado com pequenos pendentes de jade verde esculpidos em formato de borboletas e folhas, unidos por delicados fios de seda preta, criando contraste marcante e sofisticado. Finalizando, o traje é acompanhado por botas longas de couro preto, que chegam até os joelhos, inspirados em designs de armaduras. Apresentam últimas tiras de couro e fivelas metálicas, com detalhes em rebites e ferragens prateadas que adornam as laterais, evocando movimento e proteção.
* / Fazia pouco tempo que chegou na academia, mas todas as voltas que deu, pareciam trazer uma imagem nova daquele lugar que, um dia, conheceu tão bem. Ainda que as lembranças estivessem muito vivas em cada corredor e atrás de cada porta de madeira, Jin parecia estar em um lugar totalmente novo com memórias forjadas e que não faziam sentido para o homem que se tornou. Após comer no fim da tarde, escolheu esperar pelo pôr do sol e se acomodou em um banco que lhe dava essa visão privilegiada, cruzou as pernas e repousou as mãos sobre a barriga.
Tudo poderia seguir sem grandes mudanças quando avistou alguém do seu passado, o que não era uma grande surpresa a pensar que ambos estudaram ali, consequentemente ambos eram khajols e estavam, agora, dividindo o mesmo espaço, só precisava saber se era pelo mesmo motivo. Quando Cassian passou por ele, apenas sorriu e soltou, "A sua bunda ainda fica muito bonita nessa calça" Alguns diriam que fazia tempo que não se viam ou que sentia saudades das brigas que travavam, mas Jin realmente achou que deveria falar algo que era esperado por ele e não algo tão novo, e confuso que faria o homem simplesmente ignorar.