Por breves momentos, o torneio havia se tornado uma distração. Conversou com algumas pessoas e esteve atento às competições para qualquer incidente que pudesse acontecer. Nobres eram capazes de serem extremamente competitivos e os pebleus vingativos. No entanto, nenhum acidente, premeditado ou não, até o dado momento havia acontecido. Por breves momentos as imagens e as sensações haviam ido para um lugar escuro e distante de sua mente. Ocasionalmente, Lorcan tive maus sonhos. Ele sempre temia quando eles vinham. Eram sonhos singulares, imagens pictórias que aparentemente não faziam sentido, outros vinham uma sensação tão real, que parecia que ele havia acabado de viver o que havia sonhado, embora claramente soubesse diferenciar a realidade da imaginação. Os pesadelos eram somente pesadelos até o dia que eles fizeram sentido. Era quase como uma premonição. Era uma prevenção divina para o homem, poderia ser para o bem ou para o mal. Mas a falta de interpretação que os envolvia poderia lhe provocar os mais diversos pensamentos sombrios. Não era certo como, quando, onde aconteceria. Poderia ocorrer dali cinco anos ou cinco minutos. Mas as imagens eram tão vívidas e as sensações eram tão reais que cada um de seus pesadelos era marcado na mente dele como ferro quente marcava a pele. Suas mãos permaneciam trêmulas e os círculos arroxeados debaixos de seus olhos não haviam diminuído. Lorcan desejava apenas passar despercebido pela corte e que aquele dia acabasse rápido, embora ainda houvesse horas à frente de Torneio para acontecer. Estava entre as arvores, num canto mais afastado, aproveitando o intervalo entre as competições para colocar sua cabeça no lugar quando escutou a voz de Yessica. Era quase engraçado que ela o encontrasse em seu momento de fraqueza, ela que havia o ajudado diversas vezes. Era mais admirável que estivesse se aproximando dele pelo segundo dia consecutivo. “ — Eu ficarei bem, não te preocupes.” Respondeu a mulher prontamente e cruzando os braços em suas costas, escondendo parte do seu tremor. “ — Não é mais sua obrigação se certificar ao meu respeito. Não deverias ser vista em público comigo.”
Aquele torneio era uma situação com a qual Yessica não queria lidar no momento, era mais um momento no qual precisava manter a compostura sem demonstrar a tempestade que havia se instalado dentro de si, aquele dia sentia-se aliviada por não precisar trazer Dúil para aquela barbaridade, a menina havia ficado com sua mãe e era melhor assim, lá poderia brincar com crianças da sua idade e não veria nada que pudesse acabar em violência, afinal, ninguém morreria ali, mas era bem capaz que alguém acabasse se ferindo. Os olhos claros da professora de etiqueta vagavam pelo local desejosos por encontrar aquele que era dono de sua afeiçãom, mesmo com todos os problemas e assuntos mal resolvidos que haviam entre eles. Foi assim que o achou e assim que o viu, teve certeza que algo estava errado, Lorcan era um ser transparente para ela, conhecia-o bem demais para ignorar aquele fato e por isso pela segunda vez acabou por aproximar-se, desejosa de ajudar o médico. - Estás tremendo e sabes que te conheço bem o suficiente para saber que algo não está bem. - Ela falou sincera, o seu coração batendo acelerado enquanto falava aquelas palavras, podia parecer fria em alguns momentos, mas quando se tratava do outro, era como se ele fosse fogo, chama que derretia o gelo que ela tentava fazer seu coração ser. - Pode não ser minha obrigação, mas tu sabes que eu me importo Lorcan, talvez não tenha obrigação, mas eu quero. - Suspirou longamente e deu um suspiro cansado, negando com a cabeça. - Se pensas que eu me importo com essas baboseiras, tu não me conheces. - Yessica negou levemente com a cabeça e deu um longo suspiro. - Sabes que eu tenho carinho por ti, por favor não me afaste, deixa eu ajudar, tu me ajudaste no outro dia. - Olhou para ele com esperança, os olhos claros geralmente inexpressivos estavam estampados com o pedido de que ele desse uma chance para Lorcan.