Um sorriso nem um pouco inocente surgiu no rosto de Dongki ao ouvir Won dizer aquelas palavras, daquele jeito, naquela situação. Umedeceu os lábios e afastou-se de modo a encarar o outro de frente. Ah, aquilo era tudo o que o mais velho precisava. Tinha acabado de ganhar um passe livre para dar o próximo passo e sanar sua curiosidade de uma vez por todas. E não só mais a curiosidade. “Então é melhor começarmos logo, não acha?” Aproximou-se dele e inclinou levemente o rosto, sendo possível sentir a respiração alheia. Mal sabia ele que Won podia ser tão direto assim e sinceramente, aquilo só serviu para animá-lo ainda mais. Assim perderiam menos tempo e poderiam focar no que realmente interessava.
Ficou alguns segundos assim, apenas aproveitando aquela tensão sexual e pensando em como o destino podia ser engraçado às vezes. Gostava de fazer pequenos jogos com suas “presas” antes de atacá-las. De observá-las de perto, de decorar cada reação: os lábios entreabertos, as pupilas dilatas e atenção toda voltada para qual seria seu próximo movimento. E claro: o desejo. Era possível vê-lo queimando nos olhos de Yoo. Não fazia ideia de como as coisas ficariam depois que aquilo tudo terminasse, mas como gostava de pensar: que tudo fosse para o inferno. “Não vá se arrepender depois, Won.” Sua mão esquerda foi parar em meio ao cabelos negros do outro, segurando firme. Colou sua bochecha à alheia, fazendo com que seus lábios estivessem próximos o suficiente para sussurrar em seu ouvido: “Então aproveite o momento.” Mordeu o lóbulo da orelha do mais novo para em seguida começar a deixar uma trilha de beijos ao longo da linha do maxilar, até chegar aos lábios. Antes de selá-los, Dong deu um último sorriso sacana ao olhar nas íris castanhas dele e pensar em como era sortudo por estar com um cara tão bonito como Wontak.
Logo seus lábios estavam contra os do amigo, beijando-o sem nenhuma vergonha na cara. Dong nunca fez a linha delicado ou apaixonado: sua motivação era mais física do que emocional. Entretanto, a sensação que estava tendo agora só o fazia buscar em sua mente a razão pela qual não tinha beijado o outro antes, porque cara, que maravilha! Logo Dong pediu permissão para usar a língua e aumentar o nível de envolvimento e prazer que poderia sentir e proporcionar a ele. A mão no cabelo alheio ainda permanecia firme e a outra segurava na barra da camiseta que Yoo usava, puxando-a para baixo às vezes, por instinto.
A posição estava começando a incomodá-lo, por isso, Dong separou-se de Won e o empurrou contra o encosto do sofá de modo que ele ficasse sentado. Olhando-o sem vergonha e posicionou-se em cima de seu corpo, uma perna de cada lado das coxas alheias. Não tinha fama de ser controlador à toa. Dong adorava estar no comando e ver a outra pessoa se arrepiando, se contorcendo, suspirando, perdendo completamente o controle e acabando como uma verdadeira bagunça. Tudo por causa dele. Mas a verdade nua e crua é que sentia prazer ao causar prazer em outra pessoa. Afinal, não teria tanta gente nova atrás dele se não tivesse deixado as antigas satisfeitas.
Grudou seu torso ao do outro e voltou a beijá-lo, mordendo seu lábio inferior e puxando-o entre seus dentes antes de se separar. Sem pensar duas vezes, começou a beijar o pescoço de Won e vira e mexe, o lambia ou mordia, deixando pequena manchinhas roxas nos lugares em que seus dentes encontravam a pele do outro. Se ele continuasse a ser um bom garoto, aquele seria o máximo de indícios que seriam deixados. Caso contrário, bem, Dong adorava marcar quem havia pertencido a si, mesmo que fosse só por uma noite.
A sentença revelara uma dúvida alimentada há anos de amizade. O posto de melhor amigo sempre pertencera a Dongki, de fato, mas isso não impedia os seus pensamentos de irem um pouco mais além. Não sabia exatamente em que época começara a ter dúvidas em relação ao outro, mas estava certo de uma coisa: era real. Precisava daquilo mais do que fosse possível medir. E estava pronto para pedir, provocar, implorar caso necessário. Faria qualquer coisa, como se estivesse sendo controlado por forças externas, em estado hipinótico. Era exatamente essa sensação que o sorriso sacana do mais velho causava em seu psicológico. Forte o suficiente para que não pronunciasse uma palavra sequer, respondendo apenas aos comandos dos toques alheios sobre seu rosto.
Não só os músculos de suas bochechas como grande parte dos músculos encontravam-se rígidos. Era a presa, um pequeno animal capturado pelas garras do predador que atacaria a qualquer instante sem qualquer aviso prévio e por isso precisava estar mais atento do que nunca. O predador o tinha em mãos, literalmente. Won podia negar, mas seu corpo era responsável por desmentir e provar o contrário. Caia nos joguinhos do amigo com facilidade, mas ah, esse tipo de jogo era covardia. Um tipo de jogo que o fazia se sentir tolo por cair tão facilmente, mas que nesse caso, não que se arrependia nem um pouco. ‘’Jamais.’’ Respondeu com precisão, logo rendendo-se a um suspiro. A pele alheia era quente e tão macia quanto os fios negros que embaçava sua visão, provocando a necessidade de tocá-los imediatamente. Respirou fundo, recebendo uma energia diferente de qualquer uma ao ouvir aquelas palavras ecoarem em seus ouvidos enquanto massageava as madeixas. A mordida funcionara como um estalo para que reagisse e no mesmo instante posicionou sua mão livre sobre o dorso do moreno, de maneira que o trouxesse para mais próximo de si. Era a única ação que poderia cometer em meio as carícias. Fitou-o novamente e agradeceu aos céus por desfrutar de uma de suas mais belas criações antes de se entregar por completo.
O único pensamento que teve ao encontrar os lábios do outro, foi o quanto queria beijá-los a ponto de sangrarem. Meio agressivo, mas na verdade a relação deles nunca fora serena. Agora com os desejos carnais à flor da pele, a tendência era só piorar. Contudo, não era apenas isso. Ao mesmo tempo que a motivação física se sobressaía, Wontak podia sentir um tipo de conexão entre os dois. Era impossível distinguir se a causa era por conta de ser a primeira vez ou se realmente havia uma química entre os dois. O atrito entre os lábios não era o suficiente, precisava de algo a mais e logo seu pedido fora concedido. A mão sobre o dorso subia e descia, ora se pressionando contra o tecido, ora percorrendo todas as curvas daquele belo corpo enquanto a outra se encarregava de conduzi-lo pela nuca.
Quando acreditava que não teria como melhorar, Yoo fora pego de surpresa ao ser jogado como uma marionete no sofá. Mais bagunçado que o lugar, só ele mesmo. Logo começariam a suar por conta da temperatura que subia rápido e a imagem de um Dongki com a camiseta grudada lhe deu um certo ânimo. Gostava daquela personalidade apática do melhor amigo, de quem não se abalava por nada e possuía um coração frio e indiferente por quebrar outros. Gostava daquele tipo de atitude controladora, admitia, tornava tudo mais interessante. Observou-o de cima a baixo, pronto para embarcar em mais uma aventura cheia de descobertas.
A posição de agora era perfeita e permitia que mantivessem seu os corpos colados outra vez, se unindo como se fossem um só. Conforme dito antes, sua vontade era de fazê-los os lábios alheios sangrarem. Por isso, aproveitou o embalo e retribuiu as mordidas no lábio inferior, acabando por intercalar com ele. Sabia que poderia pagar caro por querer se vingar, mas não queria saber. Apertava as coxas de Dong com força e quando sentiu seus dentes cravarem sua pele, um gemido baixinho escapou de sua boca. Estava de pirando, delirando de prazer e não há nada que pudesse controlar. Cravou suas unhas pequenas, que não perfuravam, mas deixava vários vergões na região do antebraço. O problema não era nem agora, mas como lidariam com isso mais tarde. Só que tal pensamento percorreu a mente de Wontak? Bom, até que sim. Mas ele não se importava.
Porém, ainda não era o máximo que poderiam alcançar. A atmosfera parecia pesar cada vez que ouvia o barulho dos beijos contra a sua pele. A fricção entre os corpos se tornava mais potente, mais feroz. Aquele misto de sensações parecia se expandir em outra dimensão onde só existiam os dois. ‘’Dong...’’ Era inevitável, mas Wontak não queria se entregar daquela forma e deixar que seu corpo saísse fora de seu controle, mas era tarde demais quando notara o volume de sua calça aumentar ligeiramente de tamanho.