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adelxn.
Ela escuta com atenção os avisos da outra. Raramente Charlie é do tipo de pessoa que não dá ouvidos aos seus acompanhantes. “Na verdade..” Ela desliza as mãos pequenas pela calça de escura que vestia. “Eu já meio que gosto.” Admitiu. Ainda que não fosse lá muito exemplar, um dos sonhos recentes era um dia publicar um livro de feitiços feitos por ela, provavelmente demoraria um bocado e ela ainda tinha prioridades na frente. Realmente está longe de estar desconfortável, mas ela se sente um pouco incompleta por conta de sentir saudades da irmã. Era a parte mais difícil.
Presenciou bruxaria desde bem jovem e nunca foi algo estranho ou assustador, ela tinha um catálogo de bolso de criaturas mágicas e sempre tomava cuidado, já que aparentemente, algumas delas gostavam de segui-la. “É mesmo?” Parece interessada de verdade no assunto, estica o pescoço para frente, inclinando o tronco. “Que tipo de indivíduos?” Quis saber. Tinha recém conhecido o felino falante e já era algo bem extraordinário para ela.
por algum motivo, makoto se mostra relativamente satisfeita ao ouvi-la dizer que, na verdade, já tem algum apreço pela própria situação ; e se pergunta o porquê disso acontecer, porquê de genuinamente se importar. ambas são muito diferentes, apesar da ligeira timidez, manifestada de forma distinta, e praticamente mal se conhecem. mesmo assim, há algo em charlie que faz com que a mais velha veja a si mesma na aparente inocência, na conexão com o sobrenatural 〔 𝑐𝑢𝑗𝑎 𝑐𝑎𝑙𝑚𝑎 𝑒 𝑠𝑒𝑟𝑒𝑛𝑖𝑑𝑎𝑑𝑒 𝑒𝑙𝑎 𝑔𝑜𝑠𝑡𝑎𝑟𝑖𝑎 𝑑𝑒 𝑡𝑒𝑟 𝑡𝑖𝑑𝑜, 𝑞𝑢𝑎𝑛𝑑𝑜 𝑐𝑟𝑖𝑎𝑛𝑐̧𝑎 〕 , até mesmo naquela curiosidade inerente que ela demonstra ter.
diferente de charlie, que provavelmente deve ter sido introduzida para habituar-se ao sobrenatural, com algum suporte das pessoas ao seu redor, makoto passou por maus bocados na infância. naturalmente ninguém nunca acreditou nela, e isso lhe rendeu muitos problemas e traumas durante a vida toda.
“ yōkais. ” é estranho como, pela primeira vez em muito tempo, ela finalmente se vê confiante para jogar a ideia assim, na lata, sem precisar ganhar a confiança alheia ou tentar domar um ceticismo naturalmente pré-estabelecido. “ ... yōkais, ayakashis, bakemonos, as pessoas usam muitos nomes. eu... já encontrei alguns deles, interagi com alguns deles. ” ela se mostra um pouco receosa ao falar, de repente tudo isso parece muito improvável quando falado em voz alta, mas makoto continua: “ aomaru, o gato que você conheceu há pouco, é um deles. ”
adelxn.
“É mesmo?” Ficou até surpresa, afinal, achava que aquela garota estava relativamente acostumada com situações fora de um cotidiano humano comum. Talvez tivesse sido precipitada com suas conclusões. Se senta de frente a ela e pendura a mochila nas costas da cadeira.
Charlie sorri para o atendente, porque ela sorri para todo mundo e passa a folhear o cardápio pensando em uma resposta coerente. “É meio normal… Sempre soube dela, mas não estava decidido se queria seguir por esse caminho.” Explicou. “Acabou que circunstâncias me levaram pra’ isso e até que tá’ legal.” Deu de ombros. Talvez o seu espírito fosse o que atrapalhasse o seu real desempenho.
“Eu gosto de bebidas frias, quentes… E muito chocolate.” Riu de si mesma. Fechou o cardápio decidida. Ergueu os olhos verdes e redondos em direção a sua acompanhante. Makoto, parecia tão agradável, tinha muitas amigas para descrever daquele modo. As vezes, se pegava paparicando os cabelos longos das amigas. Caía muito bem. “Eu vou querer um frappé de morango e um brownie.” Anunciou. “O que você vai pedir?”
makoto fica em silêncio enquanto a garota fala, ouvindo com atenção o que ela tem a dizer. para ser honesta, a personalidade alheia lhe parece um tanto contraditória em alguns momentos ; enquanto, por vezes, charlie parece não ter muito comprometimento com a área acadêmica 〔 seus estudos de bruxaria 〕 , em outras ela se comporta de forma totalmente firme quando se trata de tomar decisões de âmbito pessoal. ela não é efusiva, mas não é morna. é o que chamam de ‘fofa’, mas não demais. essas nuances mantém a médica entretida em descobrir mais detalhes.
“ entendi. bom, talvez você acabe descobrindo que gosta mesmo disso, que têm interesse. muitas pessoas não têm ideia do que fazer da vida até o último momento, ou até que circunstâncias os pegue de surpresa... ” não é o caso dela╼╼╼sua decisão de seguir a área médica veio da infância, quando ela tinha apenas quatro anos. ela queria tratar da doença da mãe e esse desejo não só nunca mudou, como amadureceu ao longo dos anos. “ de todo modo, o importante é que você estar confortável com o que está fazendo. ”
depois que charlie faz o seu pedido, makoto se dirige à garçonete e diz que gostaria de um expresso e um mochi. depois que a funcionária se distancia, a médica se volta para a mais nova: “ como eu disse antes, eu tenho... pouca experiência com bruxaria. mas eu conheci alguns... ” uma pausa reflexiva. “ ... indivíduos com poderes sobrehumanos. ”
ADELXN.
As vezes, era tão distraída que se esquecia verdadeiramente de contar detalhes importantes, era só que as vezes era difícil falar sobre magia com qualquer um, mas por deus, ela tinha acabado de conversar com um gato. “É um colégio.. Para estudantes de magia.” Explicou. “Minha mãe era uma bruxa… Estou uma situação meio complicada e daí achei que seria uma boa ideia aprender a lidar com isso de verdade.” Mas, os seus planos acabaram se tornando mais difíceis do que esperava de todo modo, talvez aulas particulares fossem boa ideia.
Carregou os olhos verdes pela abertura da suposta cafeteria. Nunca tinha ido até aquele lugar, o que era mais empolgante ainda, já que adorava descobrir lugares novos para comer. Entrou acompanhada da nova conhecida e já considerada amiga, não conseguia deixar de examinar a decoração e as vitrines, mas também não demorou a escolher uma mesa, sentando-se em uma que ficasse confortável para ambas conversarem. “Aqui está bom?” Perguntou já puxando uma das cadeiras para ocupa-la.
quando ela diz que estuda num colégio para bruxas, makoto franze o cenho ; ligeiramente espantada, mas não desconfiada. é impossível se chocar completamente com uma informação daquelas quando você tem um gato falante cleptomaníaco e descobriu que parte da sua essência lhe permite ver e conversar com criaturas inumanas cuja existência é desconhecida para a maioria das pessoas, que vivem suas vidas da forma mais comum possível. a médica nunca teve experiências com bruxas 〔 𝑒𝑥𝑐𝑒𝑡𝑜 𝑢𝑚𝑎 𝑜𝑢 𝑜𝑢𝑡𝑟𝑎 𝑠𝑎𝑐𝑒𝑟𝑑𝑜𝑡𝑖𝑠𝑎, 𝑜 𝑞𝑢𝑒 𝑡𝑎𝑙𝑣𝑒𝑧 𝑛𝑒𝑚 𝑒𝑛𝑐𝑎𝑖𝑥𝑒 𝑛𝑜 𝑐𝑎𝑠𝑜 〕 , então é daí que vem a surpresa e a curiosidade.
“ isso é╼╼╼inusitado. ” responde, com sinceridade, enquanto entra na cafeteria logo atrás da outra e balança a cabeça positivamente quando perguntada se a mesa era adequada. charlie parece jovem, e ainda assim tão calma e ciente de uma coisa que para muita gente soaria assustador. “ eu não sabia que existiam instituições assim, de bruxaria, mas parece interessante. ” um garçom educado se aproxima das duas e entrega o cardápio, um para cada uma.
depois que ele se afasta, deixando-as à vontade para decidir o que pedir, makoto continua : “ o que você gosta de comer? tem algo em mente? ”
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ADELXN.
Sorriu um pouco mais amena. Ela não era do tipo que recusava convites, na verdade, sua simpatia e extroversão eram algo que a acompanhavam muito bem, até porque ela amava companhia. Ficar sozinha a deixava particularmente mal, consequentemente, evitava pensar no assunto. “É mesmo? Acho que talvez cê’ esteja meio errada, em.” Aquele gato aparentava ser difícil, não sabia quão o nível de proximidade entre eles e aquela jovem parecia ser uma boa pessoa, talvez, ela mante-se as coisas mais estáveis
“Eh.. É mesmo?” Não se lembrava de nada daquele tipo e mesmo assim, ela estava sempre por aqueles lados dentro de todas as mercearias possíveis. Imagina que algo daquele tipo vai ser agradável e pode aproveitar para conhecer melhor a outra garota, só… Não tem certeza se pode ser invasiva a que ponto, já que quando começa a falar e questionar tende a ultrapassar os pontos. “Certo, então, vamos lá!” Sorriu empolgada juntando as mãos. Passa a alça da bolsa com firmeza por baixo do braço e espera que na suposta cafeteria tenha muita coisa boa.
Makoto fica satisfeita por ela ter aceito seu convite 〔 𝑒𝑚𝑏𝑜𝑟𝑎 𝑛𝑎̃𝑜 𝑑𝑒𝑚𝑜𝑛𝑠𝑡𝑟𝑒 𝑖𝑠𝑠𝑜 𝑑𝑒 𝑓𝑜𝑟𝑚𝑎 𝑒𝑓𝑢𝑠𝑖𝑣𝑎 〕 , e em seguida aponta, em silêncio, a direção da cafeteria mencionada. Não fica muito longe, uma quadra no máximo. Enquanto a médica começa a caminhar, supondo que a mais nova a esteja seguindo, finalmente se atém a alguns detalhes que outrora podem ter passado despercebidos. “ ... Você disse que estava indo para a aula. Está no colégio? Na faculdade? Digo, se você não se importa que eu pergunte. ”
Há poucos 𝑐𝑎𝑟𝑟𝑜𝑠 na rua, ou pedestres transitando pela área, mas alguns estabelecimentos exibem letreiros coloridos indicando que estão abertos : desde lojas de conveniência às de material de construção, farmácias e óticas. Em poucos segundos a cafeteria salta aos olhos╼╼╼tem uma 𝑓𝑎𝑐𝘩𝑎𝑑𝑎 𝑚𝑜𝑑𝑒𝑠𝑡𝑎, mas por dentro é pequeno, aconchegante e quentinho. Makoto instrui Charlie a entrar primeiro e escolher uma mesa.
kagxra. 〘 studying 〜 ??? 〙
Discretamente os olhares analisaram as vestimentas da jovem, ignorando a curiosidade da urna presente; uma vez que os aromas naturais e diversificados invadiam as narinas frágeis e já lhe entregavam indícios do que se tratava. Ao trazer mais perto de si a bebida e os típicos copos, observou por alguns segundos o mapa apresentado, arqueando levemente as sobrancelhas claras. – “Entendo. Vamos nos acomodar então, assim, olharei com mais atenção. Já adianto que este mapa é realmente familiar.” – De fato, não estava mentindo, porém, fora um tanto previsível demais. Não se deu ao trabalho de recolher o papel desenhado, apenas o que era mais importante para si naquele momento.
O vilarejo mais próximo era um atrativo para as mais variadas criaturas, e um dos motivos pelo qual fazia tanto sucesso entre o mundo espiritual, era a herança da terra afortunada. Algumas pessoas também se diferenciavam demonstrando habilidades espirituais competentes. – “Também recomendarei uma hospedagem agradável.” – Proferiu enquanto se direcionava para uma das mesas mais confortáveis, não verificando se a humana o seguia devidamente. Depositou a bebida e os copos pela mesa baixa, sentando-se tradicionalmente em uma das almofadas disponíveis.
– “Como é que a senhorita veio parar aqui? Aparenta vir de longe, acertei?” – Sorriu de maneira simpática, mesmo que o semblante ainda remetesse a timidez. Abriu a garrafa com facilidade, servindo ambos os copos massu pacientemente. Convenhamos que não era a primeira bebida que sua garganta esperava receber após a apresentação de quase trinta minutos… Bom, os cuidados apropriados ficariam para mais tarde.
Embora ela pareça perdida 〔 e não é que não esteja 〕 , a mulher de cabelos negros, ao mesmo tempo, tem planos muito bem traçados na cabeça. Ela não é facilmente dissuadida, não toma as afirmações de terceiros com inocência até que tenha evidências o suficiente para dar o crédito necessário. Desfrutar de uma bebida e conversar num local público não parece lhe oferecer nenhum perigo, entretanto, pois, caso contrário, jamais teria concordado em prosseguir. Ela sabe que ele é um yōkai ; ela agora consegue sentir isso com muito mais clareza, com mais solidez. E se ela sabe disso, ele também deve conhecer a natureza dela, o que a faz questionar, então, quais são suas reais intenções. Makoto o segue, mediante principalmente, mas não somente, a possibilidade de conseguir algumas informações e um lugar para ficar——o cansaço da viagem, inevitavelmente, está afetando os seus sentidos.
Seguindo-o através do estabelecimento, a médica silenciosamente se acomoda na almofada do outro lado da mesa. Os copos de madeira são depositados sobre a superfície aveludada, assim como a garrafa, que posteriormente os serve. Makoto concorda quanto à hospedagem, e faz questão de mostrar um semblante agradecido, porém sério. “ ... Na verdade, eu estou viajando já há algum tempo. ” responde, de forma franca. “ Eu passei os últimos meses em um outro vilarejo aqui perto, aquele no sopé da montanha Shiroyama. ” É um lugar pequeno, então não se surpreenderia se não conhecesse. Sequer aparece nos mapas, apesar de não ficar muito longe dali. “ Mas eu nasci em Tóquio——é de lá que eu vim, respondendo a sua pergunta. ”
Comedidamente, ela toca as laterais do Massu e o leva aos lábios para umidecê-los com o líquido em seu interior. Ora desvia o olhar, olha o fixa sobre o outro, sempre com muita calma, parcimônia, isenta de qualquer sinal de intimidação. Makoto evita olhar para a máscara, mas, ao mesmo tempo, não esconde sua curiosidade a esse respeito. “ ... Você ainda não me disse o seu nome. Eu ficaria mais confortável sabendo a quem prestar o devido agradecimento pelas gentilezas. Meu nome é Makoto... Makoto Kikui. ”
𝐅𝐑𝐀𝐍 𝐁𝐎𝐖 𝐒𝐄𝐍𝐓𝐄𝐍𝐂𝐄 𝐒𝐓𝐀𝐑𝐓𝐄𝐑𝐒 ( 𝟏 / ? ) ❥ 𝑖𝑛𝑠𝑝𝑖𝑟𝑒𝑑 𝑜𝑛 𝑡𝘩𝑒 𝑔𝑎𝑚𝑒. 𝑓𝑒𝑒𝑙 𝑓𝑟𝑒𝑒 𝑡𝑜 𝑐𝘩𝑎𝑛𝑔𝑒 𝑝𝑟𝑜𝑛𝑜𝑢𝑛𝑠.
‘ it feels like heaven. ’
‘ sadness is something everybody has within. ’
‘ i’ll hunt you down. ’
‘ i’ll be waiting for you in the forest. ’
‘ i love you. ’
‘ good reason to get curious. ’
‘ i’m having a hard time laughing again. ’
‘ i’ll guard this with my life. ’
‘ everybody says that i’m sick. ’
‘ i will, if you help me. ’
‘ leave me alone. ’
‘ if i sit down i will eventually get up, so what’s the point? ’
‘ i don’t think i need any of this. ’
‘ how long was i asleep? ’
‘ you shouldn’t say things about anyone you don’t know. ’
‘ oh, sorry for being realistic. ’
‘ i’m not sure what to do with this. ’
‘ of course… what was i thinking? ’
‘ you are nothing but trouble. ’
‘ oh my goodness! this is terrible. ’
‘ why are you looking at me like that? ’
‘ it was not me. ’
‘ watch your step. ’
‘ you got a little blood on your mouth, are you okay? ’
‘ tonight the fog is pretty thick. ’
‘ i wish i could get lost in there. ’
‘ i won’t listen to any of your excuses. ’
‘ you have to learn how to listen to those in charge. ’
‘ even the purest of things die in this place. ’
‘ tiny, tiny hands all over you, eating your soul. ’
‘ what a bastard! you can kiss your butt! ’
‘ what is that supposed to mean? ’
‘ i just wanted to know if you feel okay. ’
‘ he ate all of my thoughts. ’
‘ are you new here? i haven’t seen you before. ’
‘ i can’t talk now, i’m dead. ’
‘ i will laugh at you. ’
‘ hide your pain. ’
‘ i didn’t know it was yours. ’
‘ what is the purpose of your visit? ’
‘ what would you give me in exchange? ’
‘ that’s beautiful. exactly what i dreamt of. ’
‘ aren’t you afraid of me? ’
‘ i’m not interested in taking anything that comes from you. ’
‘ i don’t care about making my life sweeter. ’
given-mafuyu. 〘 studying 〜 mafuyu. 〙
O ruivo estava tranquilo com aquela conversa, poderia responder qualquer coisa que fosse perguntada. O destino estava chegando ao fim, logo chegaria em casa, provavelmente deitaria em sua cama e o choque do acidente bateria em seus sonhos, mais um pesadelo para atormentar suas noites…. pelo menos esse terminou melhor que o outro.
- Sério? - ele sorriu, talvez o garoto realmente combinasse com cachorros, mas nunca parou paa pensar nisso - Eu nunca tive um gato, acho que seria legal, são fofos!
Assim que o carro parou o garoto arrumou suas coisas para descer, era triste ter que desperdir dela, havia gostando tanto dela e ela havia o ajudo muito para quem acabou de conhece-lo. Mafuyu pegou o cartao com carinho e olhou as informações contidas nele.
- Nos veremos de novo então?
Antes de sair, tirou a carteira de seu bolso e a entregou uma quantia de dinheiro para ela, a sua parte pelo taxi.
- Mais uma vez, muito obrigado Makoto.
Há muito Makoto não conversava assim com alguém╼╼quer dizer, levando em conta que ele é consideravelmente mais novo. Normalmente ela foge de situações assim, sai pela tangente, conversar e socializar demais nunca foi o seu forte. Em algum momento da conversa as palavras sempre acabam, e aí se instala aquele silêncio constrangedor que, para ela, é quase uma tortura. Alguém assim, que sempre se sentiu mais confortável na presença de animais, e, porque não, de yōkais, cuja natureza é tido como monstruosa para as pessoas com senso comum, aquele momento, aquele recorte de noite, é extremamente raro.
Mafuyu é um garoto doce, meigo, um pouco infantil, se lhe é permitido dizer, mas no melhor sentido da palavra ; e ela não está habituada a lidar com indivíduos assim. No hospital, a maioria das pessoas com quem ela interage são colegas de profissão, tão sisudos quanto ela. É mais fácil, ela tem pra si, lidar com pessoas semelhantes. A personalidade cálida do garoto a fez se sentir estranhamente aquecida naquela fria noite de julho, entretanto.
“ Fique à vontade para me procurar se precisar de alguma coisa. E... bom... eu gosto muito de chá. ” ela deixa escapar, como uma indireta, dica, sob um sorriso discreto, enquanto ele sai do carro e a entrega um punhado de dinheiro. A intenção não era aceitar, mas ele rapidamente sai do veículo e ela entende que o ruivo quer cobrir a sua parte. De forma honrosa, ela aceita, e depois de um aceno, o motorista dá a partida novamente e eles desaparecem na esquina seguinte.
☘ given-mafuyu. 〘 studying… mafuyu. 〙
- Já tivemos nossos momentos difícieis, mas hoje em dia ta tudo bem - falou pensativo, se lembrando de tudo que já aconteceu, desde que era uma criança.
Mafuyu já havia passado por coisas bem difícieis e sua mãe foi uma das pessoas que sempre esteve ao seu lado. Havia acabado de conhecer Makoto, mas já tinha um enorme carinho por ela, não sabia dizer se voltaria a vê-la, mas adoraria muito manter contato. Estava extremamente confortável para desabafar sobre qualquer coisa que ela perguntasse e isso era algo raro vindo do garoto ruivo.
Focando no assunto sobre o gato, Mafuyu soltou um pequeno riso. Seu cachorrinho também era um animal de personalidade, uma personalidade bem agitada inclusive.
- Meu cachorrinho Tama é bem agitado, não pode ver gente nova em casa - Sorriu amigavelmente, o nome real do cachorro é Kendama, mas o garoto prefere chamá-lo de Tama.
Makoto fica tentada a perguntar mais sobre a mãe, mas ao mesmo tempo sente que isso seria ir cruzar uma linha que ela mesma estipula para si mesma. Sendo o tipo de pessoa que normalmente não fica confortável com muitas perguntas vindas de estranhos, ou com quem ela tem pouca familiaridade, é natural que a médica evite fazer isso com os outros╼╼mesmo sabendo que as pessoas são diferentes, e que isso pode nem mesmo incomodá-los da mesma forma. Na verdade, mostrar interesse no outro quase sempre é tido como uma coisa positiva. É uma aptidão, entretanto, que ela ainda está aprendendo a desenvolver.
“ Você parece mesmo ser do tipo que gosta de cachorros. ” ela se refere à doçura, para não dizer a inocência genuína, da personalidade dele. Existe uma crença de que gatos são mais perniciosos, mais astutos, e cães, por outro lado, têm uma reputação mais confiável. Normalmente ela se oporia a esse postulado, mas Aomaru, por acaso, se encaixa nessa descrição. Foi um elogio, aliás. “ ... Eu nunca tive um, agora que paro para pensar. Acho que a minha mãe gostava mais de gatos também. ” Nesse momento, o motorista anuncia educadamente que estão próximos ao destino final. Makoto concorda com a cabeça, com a mesma polidez. Segundos depois, o carro pára e ela percebe que não consegue ver muito bem o lado de fora por conta do horário e do fumê das vidraças.
“ ... Olha, eu╼╼” ela interrompe a própria fala para pôr a mochila no colo e vasculhá-la rapidamente. De dentro, tira um cartão de visita contendo seu nome, endereço, telefone e o endereço do hospital onde ela trabalha. “ É pra você. Se precisar de mim, ou dos meus serviços, fique à vontade para me procurar. ”
given-mafuyu. ❴ studying… mafuyu. ❵
Ver Makoto relaxar, mesmo que por um instante, deixou o ruivo mais tranquilo também. Afinal ele a arrastou para aquele conflito. O choque já havia passado, o ruivo se acomodou no acento do veículo, em poucos minutos estaria em casa. Por ora deveria aproveitar melhor a companhia que tinha até chegar em casa.
- Sim, sempre nos demos muito bem.
Por mais que a moça tentasse disfarçar, o ruivo notara que seus olhos perderam um pouco o brilho ao dizer que morava sozinha. O garoto não sabia os detalhes, mas sabia dizer que ela perdeu alguém, ele reconhecia esse sentimento, afinal havia perdido o ex alguns meses atrás. Obviamente não quis entrar em detalhes, mas ele a admirava por conseguir manter um sorriso, coisa que demorou muito tempo para conseguir fazer novamente.
Por sorte ela comentara do gato antes que ele falasse algo indevido.
- Sério? Acho gato fofo - Comentou com um sorriso.
Ela realmente não se incomoda de ouvi-lo falar da mãe------o fato de ela ter perdido a dela, e isso ainda ser uma coisa que a machuca muito, de maneira alguma a faz nutrir algum tipo de rancor ou mágoa em relação às pessoas que ainda podem desfrutar daquilo desse privilégio. Pelo contrário, ela fica feliz por ele... fica feliz por ele ainda ter a mãe, e se dar bem com ela. Makoto não sabe se o verá no futuro, se esse encontro será ou não o último, mas ela está estranhamente aberta à conversar mesmo sobre esses assuntos pessoais. Alguns estudos dizem que compartilhar um momento traumático cria esse tipo de conexão, esse tipo de... laço, embora ela própria não tenha uma opinião formada sobre o assunto ainda.
“ ... Que bom que se dão bem. ” O comentário sobre o gato dá continuidade ao assunto ; embora ela de repente perceba que não vai poder entrar em tantos detalhes sobre isso quanto uma pessoa normal faria. “ Eu não sei se usaria ‘fofo’ para me referir ao gato que mora comigo... ” ‘já que Aomaru definitivamente não é fofo e nem faz questão de ser’ ela pensa em completar, mas não diz nada. Repare que ela não disse ‘meu gato’, e sim ‘o gato que mora comigo’. Seria difícil explicar aos outros ( tanto quanto foi explicar para si mesma ) que ela tem um gato yōkai falante cleptomaníaco com mania de sarcasmo. “ Mas ele tem personalidade, isso não posso negar. ” O motorista do táxi continua dirigindo em silêncio, sem interferir na conversa alheia. A paisagem noturna do lado de fora continua passando rápido pelas janelas.