Riso. Isso sempre foi o que mais gostou de trazer aos lábios das pessoas, mais do que palavras ou poesia, mais do que tocar os humanos ou deuses auxiliando-os em discussões, aquilo que Hermes sempre mais amou foi trazer riso aos lábios de quem quer que fosse. Fosse a diversão nos olhos de Zeus ou o revirar de olhos com o sorriso lateral que podia arrancar de Ares, divertir aqueles que amava, que ama, sempre foi sua maior fonte de alegria tanto quanto simplesmente ser útil.
Muito diferente dos irmãos e pais, o desenvolvimento dos homens conforme o tempo passava nunca o preocupou. Os meandros dos anos apenas lhe trouxeram visão mais vasta do quanto à criação do deus era incrível e de como, no fim, não podia ser limitada. Não eram seres que existiam apenas para amar aos deuses, nunca foram. Eram tão vastos de sentimentos e inteligência quanto qualquer ser divino e vê-los crescer, em sua visão, sempre fora privilégio dos maiores; mas então, Hermes sempre foi um dos deuses mais próximos dos humanos. O esquecimento doeu, é claro. A ideia de que era mero mito aos olhos mortais e que muitos desconheciam seu nome ou suas façanhas trouxe sim um pingo de cólera, mas está dissipou-se rapidamente; o que eram alguns poucos anos, afinal, quando se tinha a eternidade?
Preocupou-lhe, porém, que os irmãos enfraqueciam, sendo essa a principal razão de seu despertar para a necessidade de adaptação. Palavra difícil para seres de inteligência infinita e poderes inimagináveis, mas então, a cada dia passado esses diminuíam justamente por essa falta. Não era ele o Deus da sabedoria, mas sabia que concordariam eventualmente consigo e, por essa razão, foi que tomou forma humana pela primeira vez.
O que de inicio causou certa repulsa em alguns dos irmãos, para si, no fim, foi meramente natural. E Hermes logo notou que haviam outras formas de ser adorado que não a de rezarem por seu nome. Correu o mundo e teve diversos nomes ao longo dos anos, encontrando alento no fato dos outros deuses fazerem o mesmo. No fim, os deuses viram séculos se dissiparem e se tornarem milênios, alguns mais tristes e aparentemente mais longos do que os outros, mas a raça humana nunca parou e, assim, nem pararam os deuses.
O mundo atual é para ele o paraíso. A despreocupação humana e evolução tecnológica fontes de sua diversão, e por acaso há forma melhor de garantir o amor mortal do que lhes levando alimento e afeição em forma de flores? Para ele não, mas é claro, como deus das traquinagens ele ainda prossegue as fazendo, sendo dono de piadas por vezes imorais e por outras simplesmente tolas.
Verdade seja dita, por dentro, Hermes continua o mesmo bebê levado do dia de seu nascimento no monte Peloponeso e pra ele está tudo muito bem assim.
Hermes é o Deus da velocidade, da eloquência, das viagens, da diplomacia e dos ladrões. É o arauto de Zeus e dos Deus Olimpianos, responsável por guiar as almas para Hades.
É um mentiroso habilidoso, mas nunca o faz com maldade ou sem real boa intenção - ao menos, é o que diz para si mesmo. Dono de grande inteligência, apenas Hefesto é mais habilidoso que ele em capacidade de invenções; por sinal, não se cansa de lembrar aos irmãos e outros deuses que foi ele quem inventou a lira e o fogo, não Apolo. Sua velocidade decaiu com o tempo, conquanto, isso não é algo que o preocupa particularmente. Ainda conserva a capacidade de voar, mas não pode fazê-lo por tempo ilimitado como antes.
Atualmente, usa seu caduceu como cabide, quando recebe visitas em sua casa humana. O objeto ainda é capaz de transformar algumas coisas em ouro e controlar não-deuses, embora seu poder também tenha diminuído (funciona mais como uma sugestão).
É extremamente traquinas e por demais brincalhão, sendo dono de postura das mias relaxadas. Não gosta nada de cobras e assusta-se facilmente.