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weakbadgirl:
Um pequeno gemido de protesto escapou de seus lábios assim que ele a afastou, pois ainda estava tentando processar sua presença, a informação de sua volta e fazer a si mesma acreditar que ele estava realmente lá. Os meses tinham passado rápido e ao mesmo tempo muito devagar, contudo, estivera muito ocupada, as preocupações tomando lugar em sua mente vinte e quatro horas por dia, era difícil até mesmo dormir. Talvez não tivesse realmente notado a falta que ele tinha feito até aquele momento, onde seu coração corria acelerado e cor preenchia novamente seu rosto, acompanhando o sorriso que os músculos de seu rosto se negavam a suprimir. – Claro que fez falta, pabo. – disse com uma falsa irritação enquanto depositava um soco sem força em seu peito, onde manteve as mãos espalmadas, sentindo sua respiração já conhecida, mas parcialmente esquecida. – Mas não foi tanta assim, okay? Se você tivesse deixado um estoque de bolos de chocolate talvez eu aguentasse mais uns meses. – brincou, o sorriso vacilando em uma tentativa de manter o semblante sério, mas falhando no ato. Observou seus olhos e admirou sua beleza por alguns instantes, desacostumada devido à distância, o homem era capaz de tirar suspiros exasperados de suas alunas assim que entrava na sala e honestamente, de qualquer um. O toque a fez lembrar de momentos antes que compartilharam no terraço do condomínio, o beijo dividido debaixo de um céu inteiro de estrelas, uma partícula de sanidade e normalidade em meio ao seu mundo cinza e violento, ligeiramente pintado de tons de vermelho. Soltou um suspiro longo e deixou o tecido de sua jaqueta deslizar por seus braços, a tirando pois verdadeiramente cozinhava dentro dela. A colocou na dobra de seu cotovelo enquanto a outra mão subia para o pescoço dele, sentindo as tatuagens debaixo do tecido mesmo que não pudesse vê-las. – O que quer comer? Não vou mentir, eu mataria por um pé de frango. Sério, não tem comida decente naquele buraco, eu como um mamute inteiro aqui e agora.
Você teria durado quatro dias à mais, se não menos. Os bolos não durariam mais tempo se estivessem em maior quantidade. --- Só acabariam mais rápido, ao seu ver. Pyo, se estivesse no lugar dela, teria comido ainda mais depressa porque: tem mais na geladeira, os bolos estragam rápido. Não ajudando muito na hora de manter comida ‘estocada’ para os dias que sua melhor amiga passaria fora. Pensando bem, nem Yukwon sabia que duraria tanto tempo assim, semanas em meses para voltar para casa sem ter deixado nada para trás, nem um problema ou pendência. A mão sobre seu peito, o rosto dela em suas mãos, a sensação confortável, de uma gentil mão segurando seu coração, tudo resumindo o que carinhosamente trazia para perto de si com a caminhada. Jih ganhando um espaço grande em seu coração desde o momento em que se conheceram -- e quando foi isso mesmo? --, sem nem ao menos saber como tinha se enfiado tão depressa em seus pensamentos. --- Eu quero comer o mesmo que você: comida rápida, constante e quente. Muito quente. --- Quente do tipo apimentada, daquelas que se você não saísse do restaurante com as faces vermelhas podia dizer que tinha sido uma péssima refeição. E chegando perto daquele restaurante famoso pela comida picante, Pyo deu um passo além na relação que tinha deixado em suspenso três meses atrás. Mais um pouquinho considerando que o beijo -- o beijo -- rolara alguns dias antes da notícia de falecimento de seu pai. Estava virando a esquina, Pyo sorrindo suavemente, quando forçou mais para perto de si e baixou a cabeça, trazendo seus lábios aos dela e roubando um beijo estalado. --- Eu pago. Estou três vezes mais rico do que quando saí daqui. --- O que não era uma mentira, mas também não era de todo verdade. Sua renda tinha aumentado com a passagem de propriedade da boate e o negócio da mãe ainda não tinha deslanchado completamente. Abriu a porta, o braço tenso e retesado para golpes que porventura viessem. --- Ahjussi! Yeh, yeh, voltei de vez. O de sempre? --- Cumprimentou o dono, um grande amigo depois das milhares de vezes comendo no estabelecimento. Pegou a melhor mesa, Pyo escorregando pelo banco primeiro e indicando o lugar ao lado para Jih tomar lugar. --- Melhor comida que tem, incluindo todos os seus pézinhos.
home is where your heart is || Yukworu
shirtless-satoru:
Deu risada diante da menção de sua mãe e concordou com a cabeça – Aish! Ela sabe que é muito mais fácil eu casar com você, não sabe? – brincou, o puxando ainda mais para perto, seu sorriso sendo impossível conter. – Ah é! Eu zerei Dark Souls! Eu falei a última vez que estava quase no fim, mas aí eu decidi virar a noite tentando e… – sua fala congelou em sua garganta assim que notou que o amigo tinha parado no meio caminho. – Que fo… – novamente foi interrompido ao virar-se em sua direção e se deparar com a imagem de seu melhor amigo com o rosto entre as mãos e o corpo trêmulo devido às lágrimas derramadas. Por um longo momento não soube o que fazer, associando o choro ao acontecimento da morte do seu pai e logo culpou-se por trazer à tona algo que ele poderia ter esquecido por um momento. Ainda incerto sobre a ação mais segura, o abraçou, sentindo seu aperto reconfortante e sua própria visão embaçar. Podia não ser pelo mesmo motivo do amigo, que até o momento ele acreditava chorar por seu falecido parente, mas algo se embrulhava em seu estômago. Tê-lo ali novamente parecia surreal e aqueles três meses tinham a mesma sensação que um ano inteiro teria. Foi quando disse aquilo que notou que o verdadeiro motivo de seus prantos. Seu sorriso novamente se abriu, a preocupação se dissipando completamente para dar lugar a um aperto em seu coração. Se para ele tinha sido impossível, imagine para Pyo, que não tinha nenhum dos amigos a sua volta, nem mesmo a cidade, as ruas, tudo com que estava tão familiarizado que nem notara quanta falta o faria se estivesse sem. – Woooon. – choramingou, o apertando na mesma proporção – Eu também senti sua falta, pabo. Mais do que pode imaginar. – declarou, numa demonstração súbita de sentimentos profundos, acompanhado de mais um apertão dele contra si, massageando suas costas com as mãos enquanto a irritação em seus olhos apenas crescia, assim como seus dentes cada vez mais à mostra. Notou uma menina jovem passar e os observá-los diretamente – Yah! Tá olhando o que? É meu, tira o olho. – brincou, sem sequer fazer menção de soltá-lo.
Eu posso imaginar muito bem. --- Deu um tapa com um pouco mais de força contra as costas do outro, a gargalhada borbulhando através de seu lábios enquanto remexia-se no abraço reconfortante. Bastava equiparar as duas saudades que tiveram, mesmo que fosse errado comparar sentimentos que era específicos e particulares de cada um, juntando-as e tendo uma noção de como seria doloroso -- de novo -- se separar do amigo de infância. A internet contribuía até certo ponto, mas estragava completamente depois que se conheciam de verdade, no clássico sentido de convivência superior ao tempo passado juntos quando era mais novos. Yukwon se assustou com a demonstração de possessividade, no bom sentido, tendo se soltado do abraço da maneira mais nobre possível. E sem alimentar a criatividade de qualquer alma que ali presenciasse o reencontro de duas pessoa separadas por tempo demais. --- Você quer calar a boca? --- Sussurrou entre dentes enquanto curvava-se para frente numa mesura respeitosa, as mãos juntas na frente do rosto para aumentar a veracidade de seu pedido de desculpas. --- Eu ainda tenho uma reputação de professor de faculdade para manter. --- Ela não conseguiria ouvir as repreensões quase silenciosas, mas notaria a forma violenta com que puxara-o pelo braço e forçara para dentro do carro. Pyo entrou no banco do carona e fez da cadeira o lugar mais confortável do mundo. O pé direito sob o painel, a outra perna aberta a ponto de roça no câmbio da marcha, e os dedos das mãos bagunçando o cabelo com ânimo. O cotovelo abaixou o vidro, o sorriso brilhando sobre a pele queimada do sol da cidade natal. --- Você ganha ponto se dirigir com a mão na minha coxa. --- Revirou os olhos, rindo consigo mesmo. --- Vamos para casa logo ou eu entro em curto circuito. Preciso de um banho com urgência, uma comida maravilhosa da esquina e esticar essas pernas. --- Reclamou, dobrou um braço por trás da cabeça e o outro apoiou atrás da cabeça de Satoru. --- Confesse seus pecados, Satoru. Se não tiver um, vou saber que está mentindo.
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❝ lines have more meaning than words. ❞
vivimcrtuis:
Daeho tornou a se perder em pensamentos, talvez mais autoconsciente de si mesmo divagando do que já fora possível. Quando voltou à realidade, o sorriso tinha se desfeito apenas um pouco para que ele pudesse curvar os lábios numa espécie de aceitação. ❝Eu sei. Lembro dele ter mencionado algo relacionado à esposa? Sim, acredito que tenha sido isso.❞ Daeho murmurou distraído enquanto terminava o rascunho e o colocou no balcão, direcionando para que o outro examinasse. As palavras saídas da boca do outro fizeram Daeho rir, o tipo de risada que ele costumava comparar a címbalos. A harmonia que vez por outra encontrava em sua vida e até mesmo em si mesmo era fascinante ao ponto de fazê-lo comparar cada coisa a um som. No momento, Pyo, sua voz, seus movimentos e o pouco que tinha visto de sua personalidade poderia ser comparado a uma oitava. A sempre elevação de si mesmo para algo surpreendente. Quando ele entrou no estúdio, Daeho viu nada mais do que um homem pronto para fazer mais uma tatuagem, mas ao passo que ele começou a falar, o produtor viu que não era apenas aquilo. Havia algo… intrigante sobre ele. Era quase como se Pyo em si próprio fosse a abrangência dos componentes como altura, intensidade, duração e timbre. Para Daeho era fascinante quando alguém se mostrava completo. Ele podia ver a variável que compunha Pyo, a forma como ele se completava dentro e fora de si mesmo e bem, quem era Daeho para não apreciar aquilo? Seus ouvidos atentaram para as instruções, se mostrando ainda mais contente por tal cliente conhecedor do que queria. De saber como queria. Era isso que o fazia levantar todo dia e manter duas linhas de trabalho distintas: pessoas determinadas que conheciam e sabiam o que queriam. Sendo parte artista visual e sonoro, Daeho sabia que muitas vezes, sons tinham cores assim como cores possuíam sons. Sua mente rapidamente o recompensou com o trabalho pronto, colorido e finalizado no tom de pele alheio, e ele assentiu mais uma vez, satisfeito com tal conclusão. ❝Consigo visualizar o que disse e garanto que o resultado será melhor do que pode imaginar. Há quanto tempo tem pensado nessa tatuagem, Pyo-sshi?❞ Ele sabia que Pyo deve ter tido bastante tempo pensando naquilo, para estar tão certo sobre o que queria. ❝Watercolor é algo recente, eu entendo a resistência. Antigamente, tatuagem era apenas as linhas pretas contrastando em peles de qualquer tom. Hoje, há muito mais envolvido nessa arte.❞ Enquanto esterilizava as próprias mãos com álcool antes de colocar as luvas, Daeho passou em sua mente o processo de cada uma das tatuagens. ❝Pela sua experiência, acredito que está ciente de que não terminaremos tudo em uma sessão. Posso fazer o contorno de ambas, mas apenas uma das colorações, para não deixar sua pele muito irritada.❞ Uma das suas habilidades era ser cuidadoso demais ao tratar de alguém, ainda mais sendo a primeira vez de Pyo ali. Abriu a porta que levava ao lugar reservado e muito bem cuidado onde a mágica acontecia e chamou o homem. ❝Pode ficar a vontade, eu irei lá atrás buscar os cartuchos de cores que pretendo usar.❞ E nisso saiu até a porta que havia no final do corredor, a mesma que conectava seu estúdio de tatuagem com o estúdio de música.
Um lua nunca durava na mesma plenitude por muito tempo. Você podia recusar olhar para o céu e só levantar os olhos na fase preferida, você podia negar a existência por completo, mas ela continuava a crescer e morrer, num espetáculo lindo em negror do infinito. Qualquer outra arte com começo meio e fim teriam colocado uma dúvida na escolha de Yukwon, receado em continuar com a ideia de continuar a querer tais desenhos em seu corpo. Mas era a lua. O começo, meio e fim não tinham término, num ciclo infinito e gracioso, enchendo os olhos de lágrimas de algum e coragem sem tamanho em outros. A relação com o aluno preferido era assim, dias bons e dias ruins -- não necessariamente brigando --, ajudando-se com o pouco de minutos ou horas trocados todos os dias (com as mensagens inclusas). Seus dedos queriam acariciar o desenho agora, naquele instante, de tão convencido estava de que o tinha nos braços já, marcados pela eternidade. --- Se você conseguir colocar o que eu estou pensando, eu vou ser um dos homens mais felizes do mundo. --- A concepção de casamente, originados de sua mãe, não pesavam tanto quanto para seus irmãos. Pyo encontrava felicidade em tudo, no mero ‘ato’ de viver e se deixar viver. Seja em cima da canoa, cortando o lado ao meio, seja com o pé bem de leve no acelerador, percorrendo as ruas sem destino definido. O vento nos cabelos, as tatuagens brilhando na luz do sol e a sensação de liberdade corroendo as veias até explodirem, serem desimportantes. E as pessoas, aquelas pessoas. Uma tatuagem para ela sairiam, com certeza, depois que aquela primeira fosse eternalizada. --- Por volta de um ano. --- Tinha muita história por trás de cada um desses dias e não iria despejá-la fora do horário sagrado de contagem: durante as agulhadas na pele. Escutou as instruções e se firmou nos pés novamente, encaminhando-se para o lugar indicado. --- Aye, sir. --- O inglês com o forte sotaque estrangeiro, mas impecável. Pyo foi para a pia, lavando ambos os braços até além do cotovelo. Fazia-o mais por si do que pelo artista, visto que passaria por outro tratamento de limpeza na pele. Estava sujo, se sentia sujo pelo dia que tinha passado, e assim conseguiria manter-se na cadeira pelo tempo que demoraria as aplicações. Cuidadosamente, para não se encostar tanto, colocou celular e chave da caminhonete para fora, acessível às mãos caso precisasse. Dias ou final de semana, feriado ou dia útil, o celular tocava pelo menos uma vez por dia com assuntos da faculdade pública que tinha um cargo de honra. Droga, o cabelo. Puxou o elástico do pulso -- coisa que também tinha esquecido -- e juntou os fios crescidos num pequeno coque bem perto de onde começava os cabelos raspados das laterais. --- E um lugar bacana, Daeho-ssi. Meus parabéns. --- Ansiava o momento de falar novamente, de engatar na conversa que tinha fica em suspenso quando precisou preparar os materiais -- estes que ele conhecia tão bem e que sabia identificar só com o olhar.
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weakbadgirl:
A hora do encontro se aproximava com uma rapidez maior que sua administração de tempo poderia calcular, de forma que tinha chego em casa e apenas conseguiu lavar-se e limpar os indícios de pólvora preso em suas mãos de um dia inteiro recarregando armas. Conseguir a confiança do líder estava se provando cada vez mais difícil e cada fibra em seu corpo ansiava e pedia por vingança. A notícia da volta de Pyo tinha sido a única coisa capaz de tirá-la daquela escuridão na qual se envolvia cada vez mais, trazendo uma sensação quente em seu peito. Calçava as botas quando a hora marcada piscava no relógio. – Merda… – xingou, pegando a carteira e enfiando nos bolsos do casaco de couro usual. Caçou o delineador pela casa e correu para o elevador, o passando em frente ao espelho, como apenas anos de prática podiam proporcionar e arrumou seu cabelo na pressa assim que já se encontrava no térreo. Suas calças pretas rasgadas faziam ventilar algum ar por seu corpo quente. Normalmente não se importaria ou sequer apertaria o passo para chegar ao local, mas a verdade é que seu coração batia forte e adrenalina corria em suas veias na expectativa e saudade de vê-lo novamente. Com seu leve grau de miopia, o viu ao longe, uma forma esguia e embaçada parada em baixo de uma árvore antiga. Um sorriso involuntário se alastrou por seu rosto como uma luz se acendendo. Apertou ainda mais o passo e quando se encontrava próxima o suficiente apenas o abraçou. Sem dizer uma única palavra o apertou contra seu corpo, fechando os olhos. Há quanto tempo precisava de um abraço? Há quanto tempo precisava daquele abraço? Chaerin novamente atingiu sua mente e uma vontade de chorar acompanhou, sentindo-se vulnerável naquele abraço, apenas como ele conseguia fazer, percebendo o quão sozinha esteve. Era bom ter o amigo finalmente de volta ao alcance de suas mãos.
Guardou o celular novamente no bolso, algo dentro de si -- um sexto sentido -- indicando que algo vinha daquela direção. O rosto levantado e a visão se fez nítida, causando uma mudança completa em sua postura descontraída. De ficar de frente e se preparar para o impacto mais do que bem-vindo. Braços fechando ao redor do corpo feminino e não fazendo muito esforço para levantá-la alguns centímetros do chão. De esconder o rosto em seus cabelos e aspirar o perfume que tinha se feito mais presente em seus últimos dias em Gwangju. Quem diria que a tomada de uma passo tão incerto entre os dois teria sido interrompido por um problema com a família? Pyo não se sentia confuso porque a saudade era maior, de ver novamente suplantando qualquer outro desejo no telhado do bloco, mas se perguntava se devia ou não. Se devia diminuir a distância e cumprimentar com um breve beijo em seus lábios. Se afastou, uma das mão acariciando o cabelo para longe do rosto e prendendo atrás das orelhas. Das mão ficando um pouco mais sobre a pele macia das bochechas e os olhos a analisando com mais atenção. A maquiagem impecável -- para Jih era, do jeito que ele lembrava --, da curvatura de seu sorriso e do brilho em seus olhos. Yukwon franziu o cenho, captando algo além do que acharia que o reencontro iria dar um fim. --- Eu fiz tanta falta assim, jagiya? --- A preocupação sendo desestabilizada pelo apelido carinhoso, de casal que ainda não o eram. Passou a mão por seus cabelos, jogando tudo para trás e repousando o braço sobre seus ombros, um só movimento muito fluido e eficiente.
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shirtless-satoru:
A espera parecia queimar seu estômago e trazer um gosto amargo à sua boca. Ficar parado era quase impossível, sua vontade sendo a de começar a dançar ali mesmo nem que fosse para liberar toda a energia que se acumulava em seu corpo diante da espera. Minutos pareciam horas inteiras e já tinha provavelmente comentado com todos a sua volta sobre a chegada de seu amigo, recebendo olhares assustados e até mesmo muitas pessoas se afastando ao ler a placa e observar sua expressão animada. Virou-se para uma senhora e com um sorriso brilhante como um sol disse – Meu amigo tá voltando! Você acredita nisso? Quero tanto voltar a dormir do lado dele. Pyo Yukwon, conhece? Não? Que pena! Eu conheço. – o homem nem mesmo tentava esconder sua afeição, essa não sendo nenhum tipo de segredo. Pyo era muito mais que um amigo para ele, era praticamente um irmão, que sempre tivera ao seu lado mesmo quando eram apenas crianças e estavam longe demais. Tinham passado muitos momentos da vida juntos e ao mesmo tempo separados. Quando os acidentes aconteceram e os momentos ruins chegaram ele apenas manteve o ajudando, mesmo com informações precárias. Seria impossível, totalmente impossível explicar o que ele era para ele. Era sua família, sim, toda sua família, já que a sua nem mesmo se lembrava de sua existência. Talvez nunca tinha dito realmente para Pyo o quão importante ele era, mas talvez isso fosse claro demais em cada ato seu.
Os cabelos laranja eram impossíveis de não se notar e assim que os viu, um grande e largo sorriso se formou em seu rosto, transformando-se em uma risada assim que ele simulou dar uma meia volta. Soltou a placa no chão e o envolveu com seus braços musculosos, o apertando com toda força de sua saudade. – Woooooooooon. Eu senti sua faaaaalta. – declarou num tom manhoso, esfregando sua cabeça nele durante o abraço, dando pequenos pulos, devido a toda energia acumulada. O deixou se afastar e o viu pegar o presente, tentando se recompor. – Wah! Que demais! Valeu, Won! – disse abrindo o pacote com animação. – Wow, that’s so nice maaaaan! – sorriu olhando para a camisa – Eu tenho camisa! Mas qual a graça das fotos com ela?! Eu já uso calça, assim você exige muito de mim. – observou agora a estampa da caneca e imediatamente começou a cantar a música, mexendo seu quadril involuntariamente – Aish! Tão legal. Vamos para casa, cara. – sorriu colocando as coisas de volta no pacote e passando o braço em volta de seus ombros, pegando a mala de suas mãos, a levando enquanto o conduzia na direção do estacionamento – Tanta coisa mudou. Você não sabe nem metade das coisas. Como está sua mãe? – perguntou se lembrando do motivo inicial da viagem – Como você tá, cara? Eu sinto muito pelo que aconteceu. Eu sei que já falei isso, mas…
Pyo poderia pegar uma cadeira, sentar e ficar olhando Satoru soltar suas frases e exibir aquela animação contagiante pelo resto do dia. A admiração tão forte quando carregada de saudade, fazendo o professor ficar calado por alguns instantes. Sorriso diminuído num arco discreto. E o bolo na garganta aumentado e pressionando as cordas vocais, enchendo os olhos daquela coceira quente de lágrimas não derramadas. --- Você não mudou nada, pabo. Nada. --- O tom de quem ralhava quando agradecia aos céus por Satoru continuar do mesmo jeito, do animado e sedutor que trazia um sorriso imediato ao rosto. E quem não podia ser recusado altas horas da noite, enfiando-se em seus cobertores, clamando por um carinho pelos pesadelos. Ele tinha todas as cartas brancas para agir como quisesse consigo e Pyo tinha certeza que a recíproca era verdade, se não, ainda maior. --- Omma está bem, tocando o novo negócio da família em terra. Não mudou muito desde nosso último Skype. Quer dizer, ela ainda pede para você acelerar o pedido de casamento comigo ou me largar para casar com uma mulher direita enfim! --- Cada passo para longe da esteira de bagagem e entrada do aeroporto, mais o peso em seus ombros escorregava e caía por terra. Mais seus dedos amassavam a camisa de Satoru (o braço envolvendo seu peito) e menos preocupação sentia. Contudo, não era suficiente para impedir da próxima rodada de emoção explosiva. Parou, no meio do caminho, aguardando uns segundos para o melhor amigo notar que tinha estancado. As lágrimas aumentavam mais, o soluço envergonhado e coberto pela mão ocultando o rosto. Yukwon chorou quando seu pai morreu, chorou quando sua mãe caiu em prantos, chorou todas as lágrimas de dor e tristeza que existiam. Aquelas? Elas tinham outro significado, e não eram nada salgadas. Eram lágrimas de alívio, de aceitar que tinha voltado para o lugar certo e com as pessoas certas. E que um abraço só não era suficiente. Um urso tinha dominado suas forças, esmagando o outro num abraço mais parecido com sua parceiragem, e outra cachoeira se fazia descer pelas bochechas doloridas pelo sorriso enorme e estúpido em seu rosto. --- Eu estou de volta. Eu realmente estou de volta, Satoru. Senti uma puta saudade de tu, idiota. --- Os xingamentos mais parecendo elogios.
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Graças aos deuses que seus amigos compreendiam a prioridade e a necessidade de colocar Satoru em primeiro lugar. O amigo de infância era o mais perto de irmão que tinha ali em Gwangju, superando os outros num nível que nunca seria alcançada. Era uma questão de idade semelhantes e gostos contraditórios em sua similaridade. De querer ficar ao lado e provocar que o outro estava mais grudento do que a última vez que se viram. Pyo foi com essas memórias do dia anterior quando entrou no banheiro e começou a se arrumar. Trinta minutos depois, e elegantemente esperando no lugar combinado um pouco adiantado, Pyo estava arrumado e vistoso, enchendo-se das palavras rebuscadas que as avó gostavam de usar para elogiar o filho indo para o primeiro baile de formatura. Na realidade, o professor estava de camiseta branca e calças pretas, os coturnos subindo pelo tornozelo e o cabelo claro como neve agitando ao sabor do vento. Abriu o aplicativo de mensagens, mas não conseguia achar uma mensagem boa o suficiente para mandar. Cheguei e estou aqui não traduziam a realidade de nunca mais vou te deixar. De colocar uma barreira no aeroporto e pegar o caminho percorrido onde tinha parado pela metade. Ou no início. Ele sorria, em ansiedade, olhando dos dois lados da rua para visualizá-la antes de qualquer coisa.
@weakbadgirl
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❝ lines have more meaning than words. ❞
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Seu comportamento em local de trabalho chegava a ser egrégio de tão impecável que se tornava. Mas isso não significava que ele não se descontraía ao atender a clientela. A forma natural e comum com que o homem entrou em seu estúdio fez com que Daeho relaxasse e assim pegasse seu bloco de notas que parcialmente servia como rabiscos. Era seu bem mais precioso depois do caderno que usava para compor. Ninguém antes havia visto tal objeto, muito menos lido seu conteúdo exceto ele. E mesmo em momentos tais, Daeho não se sentia Daeho e sim um estrangeiro, lendo sobre os sentimentos de outra pessoa que não si mesmo. O lápis 3B ficava logo atrás de sua orelha, preso entre o espaço que parecia perfeito para si, quase como se lhe fosse perficiente. Assumiu uma expressão cortês, vendo o panfleto e seus olhos rapidamente adquiriram uma aprazabilidade quase tenra. O panfleto tinha sido coisa de última hora, um ato impensado que resultara em grande positividade para seu negócio. Daeho tinha conseguido meia dúzia de clientes que, contentes com seu trabalho, decidiram espalhar a boa palavra e assim deram ao homem um mês cheio de atividade. ❝Ah, vejo que Mr. Kim está me ajudando com os negócios, deveria eu dar-lhe uma porcentagem do lucros? O que acha?❞ Estendeu a mão por cima do balcão, em direção ao homem que parecia tão descontraído em estar ali, e só então Daeho se permitiu desviar o olhar para analisá-lo. As linhas que cobriam seu corpo eram um grande indicativo do motivo de estar lá, e o produtor mentalmente agradeceu por ele não ser mais um dos novatos a quem Daeho teria que acalentar e segurar-lhe a mão caso não conseguisse aguentar o desconforto da agulha. Daeho ouviu com atenção integral à explicação dada pelo homem até agora intitulado Pyo e abriu seu bloco de notas já começando seu esboço do que viria a ser desenhado na pele do homem. ❝Eu agradeço que tenha decidido dar uma chance. Ser novo na cidade é quase tão raro de se conseguir clientes já que a maioria deles trabalha com relatos e não valores. Presumo que queira em watercolor?❞ Ergueu o olhar do desenho que traçava enquanto aguardava a resposta, mas antes mesmo de a obter, retornou a falar. ❝Se sim, farei um esquema de cores que poderá escolher para usarmos na coloração. Por sinal, me chamo Daeho, Song Daeho.❞
Trabalhar numa boate ia bem além do controle de estoque e ter dinheiro para o salário dos funcionários. Eram bem mais do que cotas à bater e clientes à satisfazer. Nenhum estabelecimento vivia sem seus clientes e os clientes nunca viriam se não soubessem o que estava sendo oferecido ali perto. Foi consigo próprio, ajudando a amiga num plano de divulgação, que Tartarus cresceu e evoluiu para o tamanho de agora, com uma clientela tão fiel quanto seus funcionários. --- Dê. E... converse com ele mais um pouco. Num desses dias me pareceu que ele tinha uma vontade de tatuar alguma coisa também. O pague com uma bela tatuagem, seguindo o gosto dele, e ganhará bem mais do que propaganda. Vai ganhar um cliente satisfeito e confiável entre as pessoas do condomínio. --- Quem mais confiaria do que o responsável pela entrada e saída de pessoas? Da segurança? E tudo mais? Era um respeito à todas as profissões, porque nunca se sabe quando ela vai ser fundamental para salvar a sua vida. Yukwon observava as linhas, mas distraía-se com a cicatriz embaixo da regata. Os dedos acariciando a pele protuberante por cima do tecido e sofrendo com a incerteza de cobrir sua existência ou evidenciar ainda mais sua anormalidade com o resto da pele intacta. Foque. Ela não está mais aqui e não precisa se preocupar com o próximo bêbado a mexer com suas dançarinas. --- Ser velho em uma cidade pequena também podem trazer dificuldades, sabia? Se é novo, todo mundo desconfia porque não conhece o passado e o caráter. Se é velho, qualquer mudança é considerada sacrilégio e anormalidade. Juro, amanhã é meu primeiro dia de voltas as aulas e sinto que vou receber olhares espantados e bocas escancaradas. --- O motivo do choque ele logo mostrou ao assoprar a franja crescida e branca para fora do rosto. As tatuagens não gerariam comoção, mas os cabelos... O tom preto piche seria ultraje para seus alunos acostumados às cores não encontradas na palheta do ser humano. --- A das fases da lua, sim. Watercolor... Confesso que tinha resistência a esse tipo de tatuagem, meio ‘delicado’ em comparação. --- Seu corpo gritava old school, nos traços pesados e letras enormes. --- Mas agora acho ideal para o que eu quero. A outra, dos planetas, pode seguir o que já dizem por aí? Da cor que a ciência diz? Marte, vermelho e amarelo; plutão, um bem escuro; a Terra... Não fugir tanto da realidade como a da lua. --- Porque era assim com Siwon, um parte bem presa no chão e a outra flutuando, rindo juntos depois da aula com sua inteligência única. --- Yukwon, meu nome é Yukwon, mas me chame de Pyo. Todo mundo me chama assim. --- O que via surgindo das mãos de Daeho ultrapassava sua imaginação e, na simplicidade, era mais bonito do que jamais teria desenhado.
home is where your heart is || Yukworu
Já era tarde da noite quando a mensagem chegou em seu celular. O barulho característico do toque personalizado que havia dado somente a Pyo Yukwon, seu melhor amigo e maior alvo de suas saudades. Estava na sala, dando um tempo da vida boêmia, diante de um programa de variedades onde descobriam talentos musicais, pessoalmente um de seus favoritos. Jiwoo dormia cedo naquele dia, pois havia dito que tinha algum tipo de exame ou algo parecido pela manhã. Apenas a luz da tv iluminava as latinhas de cerveja que jaziam no chão e em sua mão. – Aish, você não dorme não, pabo? – perguntou ao ter sua atenção desviada, tentando esticar sua mão para pegar o celular. Deu um grande gole na bebida e abriu a mensagem. O seu conteúdo entretanto, estava muito longe daquilo que esperava. – Weeeh?! – disse num tom um tanto quanto alto, levantando-se do sofá. – Ele vai voltar amanhã?! Pyo…? O que?! – um sorriso de pura alegria se formou em seu rosto numa expressão infantil de uma criança que acaba de receber um doce antes do jantar. Rapidamente abriu um aplicativo de aluguel de carros e reservou um para de manhã bem cedo.
Voltou a se sentar, mas já não podia mais se concentrar nas imagens que passavam a sua frente. Pequenas risadas e grunhidos de excitação borbulhavam de sua boca de tempos em tempos e seu corpo já não podia mais ficar parado. Até o ponto que não aguentou mais e explodiu, procurando pela casa uma caneta e um papel. Jiwoo apareceu na porta sonolenta perguntando o que estava acontecendo, mas ao não entender nada preferiu ignorar a maluquice e voltar a dormir. Como um cachorrinho que espera seu dono voltar para casa abandno o rabo, Satoru mal pode dormir e quando o despertador tocou ele já estava acordado fazia muito tempo. Pulou da cama e correu até a agência de aluguel, dirigindo cautelosamente apenas o suficiente para não causar um acidente. Ao chegar no aeroporto, abriu um grande sorriso e ergueu a plaquinha que tinha feito na noite anterior. Eram grandes palavras em cores diversificadas e corações em volta. “Senhor Pyo Yukwon, meu namorado e sugar daddy <3″. Ficou parado com olhos de águia atentos ao portão de desembarque e uma animação fluindo por todo o corpo.
@yukwon-who
A primeira trégua do corre corre na cidade natal, estranhamente, acontecia num único lugar que não podia dormir no ponto. Para economizar na passagem e deixar o máximo de dinheiro possível para a família, Pyo optara por aqueles vôo quebrados e horários estranhos, pegando conexões em cima da hora e esperando, ao lado das malas, o próximo vôo chegar três horas depois que tinha desembarcado. Contudo, o que deveria cansar, enchia seu corpo de uma animação elétrica e eufórica, o sorriso crescendo tanto que as bochechas logo reclamariam. Amava a família, amava ainda mais sua mãe viúva, mas não podia negar a irresistibilidade daquela cidade bem menor e cheia de charme. Suas montanhas, porque não se via mar a distância como sua casa, eram uma visão calmante e cheia de lembranças. De amigos e lar, de passeios e hobbies. Um lugar pequeno, mas que tinha o equivalente de seu tamanho real no coração inchado de saudade do professor da universidade. Tanto tempo... Pegava-se pensando nos três meses, revendo as respostas dos poucos que sabiam de sua volta, e voltava a sorrir meio dolorido. Chega, não era hora nem lugar para começar a derrubar algumas lágrimas.
Não quando ainda procurava Satoru no meio daquelas pessoas esperando por seus parentes e funcionários. Yukwon deixou os cabelos laranjas radioativos só para facilitar, e para trazer a nostalgia de nunca ter saído ao aparecer com as mesmas cores nos cabelos. Reconheceu o melhor amigo nos olhos, praticamente correndo nos passos rápidos, o sorriso mostrando todos os dentes. E congelando. A placa. A maldita placa. Sentiu as bochechas ficarem quentes, os olhos revirando ao que fingia dar meia volta e seguir no caminho contrário. A verdade era... Não se importava, nem tinha o que sentir vergonha porque essa era a relação deles. Numa brotheragem tão absoluta que nada era posto em questão, ou era levado no mal sentido. --- Satoru, seu filho de uma- --- Cortou a frase com a força que o abraçou, perdendo voluntariamente o ar de seus pulmões, e o apertando com tanta força quanto carinho. E a saudade... A saudade explodindo no peito para dar lugar a algo bem melhor, de ter a melhor fonte de animação e apoio de volta a alguns passos de distância. Pyo queria soltar, ver seu rosto, e ficar ali, sentindo o lar rodear mais uma vez. --- Eu estou tão duro que só trouxe isso para você. --- Puxou a embalagem de ursinhos na bolsa que carregava consigo, a de rodinhas encostada na perna. Dentro dela, duas coisas se completavam. A camisa enrolada na caneca. --- Tava faltando roupa nas suas fotos, trouxe uma que você gosta. E essa caneca que é a sua cara. Só faltou um hentai do lado, mas era uma longe de família.
❝ lines have more meaning than words. ❞
Limpar era um dos piores castigos que Daeho tinha que enfrentar. Motivo esse era que seu nariz congestionava da forma mais horrenda que cria ser possível. Mas era algo necessário, devido à sua linha de trabalho e ele era um perfeccionista que exigia de si mesmo sempre ter suas coisas em ordem e a mais leve das poeiras o deixava inquieto. Não que fosse maníaco por limpeza, apenas gostava das coisas em seu lugar e seu estúdio não era lugar de sujeira. A limpeza feita pela parte da manhã, o deixava com a parte da tarde completamente livre e o produtor aproveitou para revisar algumas músicas que tinha conseguido montar, retirando e adicionando pedaços de melodias que criava ali mesmo, com o auxílio de seus instrumentos. Não achava ruim estar por si só, e se fosse o único homem na terra, Daeho tinha certeza que era mais fácil que morresse de fome do que de tédio. Tendo café e podendo dormir, sua vida estava mais do que completa. Quando se deu por vencido na edição de uma música em particular, que lhe fazia passar a noite acordado tentando descobrir o que havia de errado com ela, Daeho se levantou, esboçando uma careta ao ouvir os estalos de seus ossos ao se movimentarem. Havia passado muito tempo parado. E confirmou aquilo quando saiu para a frente do estúdio, celular em mãos e viu que a tarde havia se dissolvido em noite, a rua ganhando vida e cores brilhantes que faziam seu estúdio parecer sem graça em comparação. Aquela era a hora que as coisas começavam a ganhar vida ali dentro também, já que não tinha clientes que gostavam de fazer tatuagens à luz do dia, raros um ou dois que vinham em dias específicos. Sentado detrás do balcão, Daeho se empenhou em riscar seu caderno de ideias, ocupando sua mente e coração enquanto seus dedos se moviam sobre o papel. Não foi até terminar o quinto que ouviu o sino da porta anunciar um cliente e ele ergueu o rosto com o sorriso tranquilizador no rosto. ❝Boa noite, bem vindo ao Vivere Estúdio. Como eu poderia ajudá-lo?❞
( @yukwon-who )
O couro cabeludo ainda pinicava do produto descolorante quando saiu de casa com as chaves da caminhonete numa mão e a carteira na outra. A cor alaranjada de seu tempo na praia tendo que desaparecer rapidamente antes de voltar a assumir suas classes na Universidade ali instalada. O reitor tinha sido bem claro em pedir para Pyo manter a normalidade nos primeiros dias, cobrindo as tatuagens e sendo totalmente sério. E, com sorte, adiantar a semana que poderia voltar a ensinar normalmente, com suas roupas simples e o jeito divertido de ensinar cálculo e física. O motor do automóvel ronronou em saudade, guardado pelos 3 meses na garagem quando estava fora, e não trouxe problema algum ao percorrer as ruas de Gwangju. Conhecia a cidade como a palma de sua mão, tinha pesquisado o trajeto anteriormente, mas lançou um último olhar para o panfleto no banco do carona, confirmando com a placa indicativa do número na rua certa. Pulou para fora da cabine, as calças justas e rasgadas tão confortáveis quando a regata aberta demais nas laterias, o controle apertado para trancar o carro (e que já sentia falta de dirigir). Deveria ter dito as ideias antes? Provavelmente. Contudo, não era o jeito certo de lidar consigo nesses casos. Yukwon gostava do desconhecido, de criar e rabiscar suas fantasias com o responsável de marcar a pele com tinta permanente. --- Salvando minha vida, para começar... --- Empurrou o panfleto para o outro. O porteiro tinha dado bem mais informações do que a propaganda básica do estúdio de tatuagem. --- Assumindo louvadamente a posição de tatuador oficial do seu vizinho de condomínio, Pyo 703B. --- Porque era ter a vontade de fazer uma tatuagem e o corpo inteiro entrava num frenesi de agonia; de fazer logo antes que acabasse por ser obrigação ter que fazer uma. --- Aqui tem alguns marca-páginas. Luas, constelações e planetas basicamente. E aqui... o espaço para trabalhar. --- A pausa realizada para levantar os braços, dobrar e mostra o local imaculado.
my ot5 (◡‿◡✿)
@shirtless-satoru
imbarbieboy:
Não pôde esconder um sorriso que tomou seus lábios quando o mais velho confirmou as suas expectativas. - Qual é o problema de querer a sobremesa antes da janta? - Provocou Pyo enquanto se acomodava no chão de sua sala. - Eu moro sozinho, então aqui não tem essa de ‘honras da casa’, meu amor. - Ficou rindo e logo já partiu pra cima dos bibimbap, afinal, aquele era um de seus pratos favoritos, junto com vários de tipos de carne. Pensou em como responder a última pergunta que lhe fizera. “Dia de ficar em casa?” SeokJin não tinha um dia de ficar em casa, na verdade, ele odiava ficar em casa, pois se entediava facilmente. - Gatinho, eu não tenho o dia de ficar em casa. Eu até poderia abrir uma exceção pra você, mas eu prefiro que venha cozinhar pra mim. Assim eu te vejo com mais frequência. - Soltou uma piscadela para o outro.
Estraga o apetite. --- Responde de maneira direta, um pura reflexo de seus tempos como professor infantil. Pyo ri, sem graça, os olhos voltando par ao mais novo com um quê de divertimento. --- Precisamos de um jantar inteiro para aguentar a sobremesa. --- E continuou no mesmo ritmo de antes, sem se apressar em colocar toda a comida para dentro. O professor sentia onde queria chegar na pele e comer mais rápido do que isso daria uma indigestão não muito adequada para o cenário. Como era de se esperar, o que ele tinha de vontade de ficar em casa era o completo oposto do outro. Passava tanto tempo correndo de um lado para o outro e administrando a boate que qualquer menção de casa o deixava ansioso. --- Mais frequência você só me vê se for na boate e, mesmo assim, não peço para que o faça. Meio que posso estar enjoando da cor das paredes e da disposição das luzes. Acho que vou fazer mais uma reforma. --- Mordeu o lábio inferior, pensativo, ao mesmo tempo que esticava as pernas por baixo da mesa e encostava em Seokjin. --- Quem sabe permitir outros tipos de entretenimento.
look at the stars ✩ yuji
weakbadgirl:
Sorriu com o rosto completamente envolto pela pele quente dele, sua pulsação suave contra seu nariz. – Claro que é possível eu reclamar mais. Sempre é possível. Se vamos terminar, aquele copo bonito edição especial é meu. E o seu bolo. – riu e se levantou, lamentando ao sentir o frio se contrapondo ao abraço dele. – Onde tá? – perguntou revirando todos os potes até finalmente achar o bolo. Pegou um dos garfos e o levou à boca com certa ansiedade. Nunca tinha sido uma grande fã de doces, mas o bolo de Yukwon era um caso especial. Revirou os olhos e soltou um suspiro – Você é mágico, Pyo. – continuou comendo de pernas cruzadas, sem se importar se chocolate sujava sua boca, comer outro pedaço era irresistível. – Porra isso é muito bom. – falou se deliciando sem qualquer culpa. Assim que acabou, jogou o potinho de lado com um sorriso satisfeito. – O que acontece se eu te sequestrar e te obrigar a cozinhar pra mim? E quer saber? Estou melhor mesmo. – encarou o céu enquanto esticava as pernas.
Pyo revirou os olhos teatralmente, a mão quase indo por vontade própria ao rosto dá mulher e empurrando para longe. --- Copos não entram nesse acordo. É um término de relação, não um divórcio. O máximo que você pode pegar é um dos meus moletons. --- que era praticamente dela, assim como todos os outros. Bastava ele usar uma vez, talvez duas, para ele desaparecer por uns dias e só voltar na hora dá próxima lavagem. O professor se pôs sentado, aos braços abraçando frouxo os joelhos erguidos e afastados. Havia um não sei o quê em observar a melhor amiga comendo com tanto gosto o que tinha preparado; de maneira tão alegre como gratificante. Ele olhou distraído, sorrindo consigo mesmo, e desviando o olhar para o céu no primeiro segundo do flagrante. Os elogios ainda ressoavam em seus ouvidos, aqueciam o peito como só o reconhecimento era capaz de fazer. --- O mesmo de sempre só que não preciso mais sair de casa? Eu cozinho pra você por prazer então... Posso ficar fora da coleira? --- Pediu com jeitinho, os lábios formando um bico. --- Não as viagens assim a muito tempo. Esse deve ser o céu mais limpo de Gwangju a muito tempo. --- Buscou os pés dela, puxando pernas e ela para perto, e os colocou sobre as pernas cruzadas em índio. Tirou seus sapatos, os dedos envolvendo-os numa massagem. --- Que horas é seu turno amanhã? Quer dizer, não isso, qual... Aigo, não lembro mais a pergunta.
take my hand trought the flames ♦ yukworu
shirtless-satoru:
Virou-se na cama e deitou-se por inteiro ao lado do amigo, encarando o teto com ambas as mãos em baixo de sua própria cabeça. – Eu ouvi a voz da… da… – até mesmo dizer seu nome era difícil para ele e Pyo sabia disso, era um dos únicos assuntos que Satoru tinha dificuldade de falar. Poderia conversar sobre qualquer coisa considerada “tabu”, para ele não era problema algum, mas aquilo… – Sook. – respirou fundo e cobriu o rosto com as mãos trêmulas, tinha que se controlar. – Eu ouvi ela claramente… Você acha que ela… ela… – “morreu”? Mas não ousou completar. O sono tinha ido embora, apenas de se lembrar daquelas coisas, elas pareciam ainda mais vívidas que as regatava de sua memória recente. Sentou-se na cama e passou a mão pelos cabelos, soltando um longo suspiro enquanto jogava a cabeça para trás. – E aí não era mais ela falando era… – sua voz vacilou, o tom se desequilibrando e morrendo em sua garganta. – Merda. – fechou o punho apertando os lençóis com força, piscando tentando enxergar com seus olhos marejados – Ele tava sangrando, sangrando muito. E ele disse que era minha culpa, que eu deixei ele morrer, que tinha sido eu, que… – Satoru pensava que ele estava certo, sim, tinha sido sua culpa. Mas era difícil ouvir tal fato da boca de seu próprio irmão. – Eu nunca te contei essa parte, porque sabia que iria me odiar, mas… – engoliu seco, com muita dificuldade. – Ele não morreu simplesmente num acidente isolado. – falar nunca tinha sido tão complicado. – Eu tava dirigindo, era eu. E… Eu tava bêbado. Fui eu quem… – colocou as mãos novamente no rosto. A força para segurar as lágrimas chegava a ser insuportável – Desculpa te acordar por causa disso, acho que vou voltar…
O nome feminino, a mera menção numa conversa com cunho tão negativo, deveria tê-lo tirado do sono de imediato. Pulado da cama e sentado desperto de uma vez só. Mas não foi o caso. Era só um pesadelo. Um momento ruim com protagonistas sensíveis. Pyo levantou a mão para encostar a palma entre as omoplatas do melhor amigo, os dedos subindo para os ombros e os apertando numa massagem meio vai dar tudo certo. --- Foi um pesadelo... Um pesadelo... Você está aqui agora, ela não está aqui. --- A única voz feminina que poderia soar aqui era se um deles imitasse, ou o colega de quarto tivesse um momento feminino e libertador. Agora, com sangue no meio, os olhos de Yukwon abriram. Tinha enrodilhado para cima, no lugar vago, então encaravas as costas nuas de Satoru. Deixar morrer? Aquele estava longe de ser um pesadelo normal, tanto que se içou para cima e sentou ao lado, o braço agora repousando sobre os ombros alheios com a familiaridade de uma vida inteira juntos. --- Você acabou de falar que pegou a direção bêbado? --- Foi mais pela surpresa do que pela indignação. Satoru era tão cheio de peculiaridades, e o sono era tão forte, que ele demorou para processar. Acidente. Direção. Bebida. Sangue. Morte. Satoru. Satoru cometeu um crime. Satoru matou alguém. Satoru... Arregalou os olhos, assustado, o braço o puxando contra si com força e o impedindo de ir embora. --- Aigo, Satoru-yah, eu sinto muito. Não estou mais com sono. Satoru... o que aconteceu? Por que você estava dirigindo?
DOWN THE RABBIT HOLE – sangkwon;
changingrxles:
Murmurou, concordando com seu comentário e reconhecendo a ideia. Só um murmúrio provavelmente não vai expressar muita coisa, pensou. “Hm, boa ideia.” Ficou surpreso ao ouvir sobre a bandeja, cesta, o que quer que fosse. Também se sentiu grato. Era como uma publicidade silenciosa, um incentivo para que as pessoas se conscientizassem. Este completo estranho estava fazendo mais pelas organizações do que muitos, muitos membros e ele não podia agradecer o suficiente. Deve ter passado uns bons segundos parado, sem reação, com a boca entreaberta e em um silêncio estonteado. Aparentemente, lembrou-se de como falar e apressou-se para não passar a impressão errada. “Eu não – não sei nem o que falar, cara, de verdade. Muito obrigado, mesmo. Você não sabe como isso ajuda.” Curvou o tronco em agradecimento, não sabendo o que mais fazer naquele momento.
“Ooh, cálculo.” Expressou. Tinha um grande respeito pelas pessoas de exatas, porque não podia se imaginar no lugar delas. Ouvia atentamente à explicação, mas estava ao mesmo tempo perdido por não lembrar basicamente nada. Quer dizer, de massa e velocidade lembrava, porém não tinha como opinar com aquela conversa de ‘exceção’. Era algo que estava no currículo escolar? Sorriu de lado com os barulhos de aprovação, principalmente porque a maioria das reações às suas tatuagens eram de clientes mais velhas, que visivelmente desaprovavam. “Ah, bem… Quase todos são diferentes. Foram quatro artistas no total mas, se quiser, posso te passar o número. Ainda tenho todos.” A das Flores fora feita por um homem com o qual Sangbae completara seu serviço militar. Ele ainda estava por aí, mas esses dias era mais difícil conseguir se tatuar com ele, principalmente novas pessoas. O que tatuou a da Balança e a de Perspective era amigo de uma colega de trabalho. Sangbae havia frequentado a mesma beauty school da tatuadora que fizera a do Rosto e de Saturno, mas ela já não estava mais em Gwangju. Tinha ido para capital e usava o dialeto oficial e tudo mais. E a das Mãos, provavelmente a que mais gostava, tinha sido feita por um colega de trabalho, por assim dizer. O antigo salão em que trabalhava tinha um estúdio de tatuagem em cima. O cara estava dentro da legislação, pelo menos. Havia feito faculdade de medicina, então podia tatuar à vontade. “Só a tatuadora dessa que não está mais aqui. Ela está em Seul.” Apontou para a Mãos. “Ah, você não é de Gwangju?” Perguntou, sem nem perceber. Puro costume de sair perguntando para manter a conversa fluindo. “Sinto muito pelo seu tatuador, de verdade.” Perguntava-se e ele era novo. Nesse caso seria ainda pior.
Não era necessariamente por inconsciência que Pyo fazia o que fazia, mas não tinha total atenção nos efeitos que poderia trazer. A matemática dava o início, equações que podiam seguir eternamente se quisesse descobrir o significado de cada coisa, mas, nesse caso, foi puro ato reflexo. Seus irmãos não pediam ajuda com os deveres de casa ou no manuseio da grande rede de pesca, e Yukwon sabia quando interferir no momento certo. O professor riu, agradecido, dando tapinhas sobre o ombro do outro de maneira desajeitada. Sentar lado a lado tinha suas vantagens e esta não era uma delas. “Não precisa falar nada. Prepare-se para o clichê dos clichês, só de ver você sem reação já é o suficiente. A última vez que eu vi uma reação dessas foi numa defesa de mestrado de um aluno meu. Não acreditou quando ganhou nota máxima no fim da apresentação.” Pyo sabia desde o início, afinal, tinha passado por aquilo em seu tempo de universidade e sabia bem como era se encher do assunto depois de meses só o estudando. “Se quiser falar sobre suas causas preferidas, quais você tem um apreço maior, fique à vontade.” O garoto era ainda mais interessante do que as entregas de panfletos na rua, e a fascinação ia além das tatuagens que exibia pelo corpo. Yukwon se animou, a possibilidade se tornando real de ter mais uma enfeitando seu corpo cada vez mais presente. “Me passe daquele que tem mais... Quer dizer. Eu quero uma colorida que nem essa daí, como se fosse uma mancha de tinta dentro de um planeta.” O complemento, a escolha da forma, veio fácil. O livro dentro da pasta tinha um exemplar da inspiração bem aconchegado entre as páginas, marcando sua leitura. “Eu sou do litoral. Mãos de pescador, alma de sal.” As cicatrizes e os calos da infância e adolescência trabalhando no barco perderam um pouco da dramaticidade, sendo suplantadas pelas do serviço militar e esmaecendo quando o máximo que carregava eram giz. “Era a hora dele e ele merecia.” Assentiu com um sorriso entristecido. “As mãos começaram a tremer e ele não conseguia mais tatuar. Explicando antes que tenha ideias diferentes.” agora não se incomodava mais com a escuridão do elevador ou o silêncio que os envolviam. Pyo desligou a lanterna do celular, para economizar bateria, e deixou o corpo escorregar pela parede numa posição mais confortável. O braço encostado no do outro continuava, para ter uma espécie de noção do ambiente.