eu coloquei a mão sobre meu ombro porque no fim do dia eu me conforto
existe uma teoria que eu inventei agora que diz que quando a gente compreende a necessidade de auto gentileza, o peso do mundo meio que afrouxa e aperta pouco já que existe alguma porcentagem a menos de culpa porque nós, já conscientes de que não podemos resolver tudo, sussurramos pra dentro: tu vai descansar nesse fim de semana e depois segue a vida
eu me disse enquanto esperava que o próximo brt chegasse na estação
ontem eu disse pra uma amiga que na minha última relação, antes do que poderia ou não poderia acontecer, eu fiz uma lista
coloquei os meus limites, estipulei o que eu não faria nunca mais por ninguém
e quando as coisas ficaram complicadas, eu reli
quando conversar sobre o que eu estava sentindo foi insuficiente, eu reli
e aí me lembrei dos acordos
porque eu disse a minha amiga que
palavras sem mudanças são só promessas
e promessas até as linguagens frias da tua programação fazem
na lista eu tinha me dito:
eu nunca mais vou entrar em crise por alguém porque o amor, esse que eu acredito ainda existir, não nos coloca em crise
talvez bravos talvez um pouco tristes talvez totalmente preguiçosos
porque amor não é colapso, mesmo caótico
então me dei dois tapinhas, respirei fundo, a vida segue
melhor agora que eu sei do que não vou abrir mão
muito melhor agora que eu sei do que ir embora