Eu falhei com kübler-ross
Quando você decidiu sair da minha vida sem olhar para trás, confesso ter pensando que o afastamento não duraria e que você retornaria esbravejando o quanto eu consigo ser terrível e desatenta quando quero.
Mas os dias viraram semanas e a cada página virada do calendário uma parte de mim morria com a tua ausência.
Isso me fez sentir raiva.
De você, da tua impulsividade, da vida, de mim. Senti raiva por ter acreditado, senti raiva por ter te amado.
E então eu percebi que não poderia te culpar, muito menos te odiar.
Deixei a porta aberta com a possibilidade de você retornar, deixei a possibilidade de você se explicar e de eu me desculpar.
Só que os teus passos te levaram para cada vez mais longe de mim. O vazio não se preencheu e a tristeza tomou conta do meu coração.
Um coração que aprendeu a sorrir por ti e que morria lentamente pelas mesmas mãos.
E então eu aceitei.
Que talvez a gente nem fosse tão bom negócio assim, que você tinha todo o direito de optar por uma vida sem mim e eu de reconstruir novas histórias sem você.
Ainda que eu tenha vivido o nosso luto e ainda que a vida possa ser incrível sem você, o vazio da tua partida não se preenche.
É que entre portões, músicas, confidências e sorrisos, a amizade que construímos transcende as barreiras do tempo, as explicações da ciência e a lógica da vida.
Não éramos somente melhores amigas, éramos um encontro de almas disfuncionais que funcionavam.
E, do auge do meu egoísmo, acho injusto te ver partir sem poder dizer ao menos o último adeus.
Sem poder dizer o quanto sou grata por ter te conhecido, por todos os momentos que passamos e o quanto aprendi com você.
Tua presença me ensinou a por para fora o que tenho de mais bonito, tua ausência me mostrou o quão importante é deixar a beleza evidente.
Não espero que volte e, se voltar, não espero que fique. Somente espero que saiba o que representa pra mim.
E o quanto que, se hoje eu sou melhor, a maior parte disso tudo, começou em ti.












