Machismo, Bukowski, Beirut e um monte de bagulho
Muito provavelmente esse texto não vai fazer sentido nenhum.
É só um monte de bagulho aleatório…
Eu só escrevo em duas ocasiões: quando eu tô puto da vida ou quando eu tô cheio de coisa na cabeça.
Eu tava pensando… Como a vida se torna mais fácil quando a gente simplesmente pensa: por que eu deveria me meter nisso? Qual é a minha relevância nesse assunto?
Há tempos atrás, por exemplo, eu era um desses caras que tinha birrinha com a Pablo Vittar querer ser chamada de “ela”. Por quê? Quanto tempo eu perdi sendo um dos que tentam negar uma coisa que é tão insignificante pra mim, mas que provavelmente significa tudo pra ela. É a identidade dela. E eu neguei por que? Só por ela ter um pênis?
Ela se sente ela, se reconhece e se ama como ela, e por que eu vou ser um dos babacas que tenta impedir ela de ter a liberdade de ter a identidade que ela quer? É ela! Pronto!
A vida é mais simples quando a gente entende que tem coisas que não são da nossa conta, e que a gente vira um puta de um cuzão idiota lutando uma batalha inócua quando teima em ser o “do contra”.
Ok. Isso foi um dos bagulhos que eu gostaria de escrever pra você.
Um dos drops da minha insanidade em dose - bem - homeopática.
Aí, eu comecei a rever uns conceitos em mim e percebi por quantas vezes eu fui cuzão e machista. Mesmo tentando não ser.
Fui machista com minha ex. Várias vezes. Fui machista com minhas irmãs. Ate com minha mãe, véi… A mulher que mais amo nesse mundo, eu já fui um machista babaca.
E hoje eu vejo machistas babacas por aí. E me reconheço neles. Com muita vergonha, me reconheço neles.
Parece que as vezes a gente precisa parar e olhar pra gente sem aquele filtro de auto piedade que trata nós mesmos como criancinhas mimadas que tem o direito de cometer todo o tipo de atrocidades sem nunca ser corrigidas ou reeducadas. Não sei se é viagem minha, mas acho que sim, sou um ser humano bem melhor depois que me encarei e me percebi como um homem adulto. Um marmanjo que fez um monte de burrada e parou pra se encarar e se corrigir.
E eu fiz isso aos VINTE E OITO ANOS. Então, pra você, amiguinho ou amiguinha que vive fazendo merda e passando a mão na própria cabeça: ainda dá tempo.
O passado pode ser usado pra fazer uma auto crítica no presente e ser melhor no futuro. Mais nada. Não dá pra voltar atrás e ser melhor no passado.
Mas dá pra mudar de atitude e fazer melhor no futuro.
As vezes eu acho que a vida é tipo uma música do Radiohead. Toda cheia de melancolia, mas bonita e emocionante ao mesmo tempo. As vezes a tristeza tem cara de uma “alegria-triste”. Parece viagem? Escuta “No surprises” Ou “Fake plastic trees” que você vai me entender.
Noutras, penso que a vida é tipo um livro do Bukowski. Cheia de sujeira, escrutínio, escatologia, taras sexuais e… Bem, e dor. Muita dor.
N'algumas, mais raras, a vida vira uma musiquinha bem fofinha do Beirut. Ouço Beirut quando estou apaixonado. Ou muito depressivo. Ou os dois. “Nantes” é minha favorita.
Não importa se eu enxergo Radiohead, Bukowski, Beirut ou um montão de bagulhos.
O que importa é que, quanto mais o tempo passa, mais a vida fica um pouquinho melhor - ou, no mínimo, mais interessante - pra mim.
E era esse texto sem sentido algum que eu fui capaz de escrever hoje.
Mas talvez faça sentido pra você.
Tá bom… Eu só disse que não fazia sentido pensando em você. Mas faz pra mim. E se fizer pra você, faz pra nós dois. Ou três. Ou quatro. Ou quantos forem ler.
Pertinência é questão de semântica.
Vai saber o que toca o teu coração…