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Kiana Khansmith
"I'm Dorothy Gale from Kansas"
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@1-nterstellar
não é coragem.
é a dor ficando alta demais
dentro de um peito
que já tentou suportar tudo em silêncio.
porque quem realmente quer ferir o outro
não hesita diante do abismo.
mas você hesita.
e nessa hesitação existe humanidade.
talvez você não queira partir.
talvez só esteja cansado
de carregar um mundo inteiro
sozinho dentro da cabeça.
a tristeza, às vezes, escolhe o próprio corpo
como destino da raiva,
como se o coração aprendesse
a apontar a arma para si.
mas ainda existe algo em você
que recusa transformar dor em violência.
algo que treme.
algo que sente.
algo que permanece.
e talvez seja isso
o pedaço mais vivo da sua alma.
eu me vejo prolongando o fim,
esticando os segundos,
segurando o instante
como quem sabe
que soltar dói mais do que deveria.
if someday
your heart feels strangely warm,
perhaps someone, somewhere,
is loving you in silence.
if the rain
whispers softly against your glass,
it is only the sky
trying to speak your name.
if one morning
the sun lingers on your window,
don’t wonder why,
even light likes to stay near beauty.
if the wind
touches your face at midnight,
know that somewhere
the night is thinking of you.
if someday
the stars seem closer than before,
it’s only because
they lean in whenever you smile.
if someday
the moon calls you by your name,
don't be surprised,
because every night i tell her about you.
Hoje, mais uma vez, a noite me acolheu como se fosse a única parte do mundo capaz de me compreender.
Existe uma paz estranha quando todos dormem. O silêncio da casa parece respirar comigo. As vozes cessam, as exigências se dissolvem, o peso do dia finalmente solta meus ombros. À noite, eu existo sem a pressa dos relógios, sem a violência da luz, sem a sensação de que preciso ser alguma coisa para alguém. É como se, no escuro, eu pudesse enfim pertencer a mim mesma.
A madrugada tem sido o meu refúgio mais sincero.
É nesse horário que meus pensamentos deixam de gritar e começam a sussurrar. As ideias florescem, as palavras chegam com mais delicadeza, e eu consigo sentir a beleza triste de estar viva. Há algo de profundamente poético em ver o mundo adormecido enquanto eu permaneço desperta, quase como uma guardiã do silêncio, uma testemunha secreta das horas que ninguém vê.
Mas a manhã sempre vem.
E com ela, o preço.
Dormir quando o sol já tomou conta do céu me dá a falsa sensação de vitória, como se eu tivesse escapado de alguma batalha invisível. No entanto, ao acordar tarde, sinto que perdi pedaços do dia, compromissos, ritmos, oportunidades. O corpo pesa, a mente se embaralha, e uma culpa silenciosa se instala em mim. É bom à noite, quase perfeito, mas o depois me fere.
Porque, por mais que a madrugada me cure, ela também me isola.
Enquanto o mundo vive, eu descanso.
Enquanto o mundo descansa, eu vivo.
E assim sigo, presa entre o conforto da noite e os danos que ela me causa. É bonito, mas dói. É acolhedor, mas cobra caro. Como quase tudo que é intenso dentro de mim.
Talvez eu ame a noite porque ela se parece comigo:
profunda, silenciosa, incompreendida e um pouco triste.
você não precisa se reduzir para caber na compreensão limitada de alguém.
quem tem repertório emocional te reconhece.
quem não tem, te simplifica.
e simplificar é uma forma de não precisar sentir.
𝔰𝔬𝔪𝔢𝔱𝔥𝔦𝔫𝔤 𝔣𝔯𝔬𝔪 𝔫𝔬𝔱𝔥𝔦𝔫𝔤
não me deixe entrar profundamente na tua vida, se tu não está disposta a cultivar o que eu estou oferecendo
𝔯𝔞𝔦𝔫𝔶 𝔴𝔢𝔞𝔱𝔥𝔢𝔯 𝔰𝔱𝔲𝔡𝔶
“but how could you live and have no story to tell?”- Fyodor Dostoevsky