Não é possível viver em sociedade sem compartilhar. Aqui teríamos um bom argumento para tornar essa proposta inútil. Mas a nossa intenção não é falar do ato em si, e sim de sua qualidade.
Neste ano, eu conheci o livro Punk Science, escrito pela Dr. Samantha-Laughton. Ela defende a reaproximação entre a ciência e a religião, duas formas de ver o mundo separadas há tempos. Entre diversas ideias (muitas das quais eu admito não entender), ela apresenta um conceito muito valioso sobre consciência usando como referência a física quântica. Vou tentar explicar, como ela faz, com o exemplo do átomo.
Um átomo é composto de um núcleo, no qual estão prótons e por elétrons ao seu redor. Mas um elétron é, antes de tudo, a possibilidade de ser elétron. Podemos pensar que ele, veloz como é, forma uma nuvem ao redor do núcleo do átomo. Ele só deixa de ser possibilidade quando é identificado como elétron por nós. É como se ele só se materializasse a partir da consciência de que ele é. Um pouco complicado, mas dá pra entender, né?
A partir desse exemplo, ciência e religião não estariam mais tão distantes, na medida em que podemos, por exemplo, pensar que Deus (ou o nome que se quiser dar) é a maior das consciências, que materializa a realidade que conhecemos. Ao mesmo tempo, podemos levar esse raciocínio para nossas próprias vidas: a partir da nossa consciência, construímos a realidade ao nosso redor.
Deixando um pouco a explicação de lado, podemos trazer essa mesma lógica para nossas vidas. Uma amiga, a partir desse raciocínio, disse-nos algo que marcou bastante nosso ano de 2015: tudo que acontece conosco é neutro; somos nós que conferimos valores positivos ou negativos a partir do acontecimento. Nós temos o poder de dizer se nossas vidas são boas ou ruins. Isso não impede que problemas, como demissão, perda de alguém querido, uma batida de carro ou uma derrota humilhante no futebol de domingo aconteçam. Mas o que fazemos a partir de cada uma dessas coisas é nossa responsabilidade.
O mundo todo melhora na medida em que o seu mundo melhora. Se você identifica que o mundo é ruim, invariavelmente, ele será. Entretanto, se você entende a maravilha que é viver, mesmo que aconteçam coisas ruins com você, o mundo seguirá melhorando.
O mundo não é justo ou injusto, bom ou mau. Nós é que colocamos esses valores nele. E fazemos isso individualmente, construindo nossas próprias realidades. E esse conjunto no qual vivemos é a soma de cada um de nós. Compartilhar é a possibilidade de construir uma realidade melhor.
(O botão) compartilhar é uma oportunidade. Mais do que uma fonte de notícias negativas (muitas vezes inventadas), revolta pelo mundo ser como é, espaço de conflitos pouco eficazes; é a chance de aprender, ensinar, dividir.
Antes de enxergar o mundo (ou a internet) como uma grande sala de terapia na qual você pode descarregar suas frustrações, entenda que ele é um lugar maravilhoso com pessoas dispostas a crescer junto com você. Compartilhe o que você tem de bom e o que há de melhor no mundo voltará para você.