p>A gente combinou de ter vários filhos. De fazer várias tatuagens. De visitar cantos que a gente nunca tinha ido antes. De ir para vários shows, conhecer vários países. Adotar um filho. Nossos filhos já tinham nomes, nossas viagens já tinham sido planejadas. Nosso casamento foi refeito pelo menos umas 10 vezes na minha cabeça. A gente tinha vontade de conhecer Londres, de ir pra um show do The Strokes. Eu compartilhava músicas e a vida contigo e amava quando você chegava em casa e me contava do seu dia. Eu te apresentei as bandas que eu mais gostava e te apresentei também a minha família inteira, e todos eles te amaram, era impossível não gostar de você, com seu jeito brincalhão, prestativo e incrível. Você me contava piadas sem graça e mesmo depois de tanto tempo, eu ainda ria de todas elas. Eu te ensinei a pensar antes de fazer alguma coisa e você me ensinou a pensar mais em mim, e a nunca me machucar. Você segurou minha mão por tanto tempo que quando soltou, eu fiquei perdida e parada no mesmo lugar. Por dias. Até ver que você não queria segurar mais a minha mão, e sim a de outras. Foi difícil ver você se tornando a coisa que eu mais temia, a coisa que eu nunca queria que você se tornasse: igual a todos os outros. Você que não foi meu primeiro amor, mas foi o que eu mais amei, algumas vezes até mais que eu. Você cuidava de mim, me mostrava coisas legais e novas, me fazia eu me sentir a menina mais especial do mundo. Com você eu sentia que poderia fazer tudo, sentia coragem de pular com olhos fechados de um avião se você estivesse lá embaixo pra me salvar. Você me ensinou a ter um bom coração, a acreditar mais nas pessoas, porque o mundo não está perdido. Você me explicou sobre a quarta dimensão e o quanto foi bom ter uma segunda família, que é a sua. Me ensinou a amar um pouco mais, e me fez descobrir que dentro de mim eu poderia sentir um amor tão absurdo. Você me apresentou a nossa série favorita e até hoje quando eu assisto ela sozinha sem você pra falar comigo e dizer que a gente vai ser igual o Marshall e a Lily, eu choro baixinho pra ninguém ouvir. Você me mostrou tantas bandas e músicas, que quando eu escuto, sinto um vazio em não poder compartilhar contigo. Quando a tpm chega, eu choro sem explicação, mas no fundo sei que tudo é vontade de deitar no teu ombro e te ouvir falar “vai passar, amor.” acontece que nem sempre passa e eu não sou mais seu amor. Quando sinto vontade de te ligar, e falar que nunca na minha vida eu vou ser capaz de te esquecer, eu saio, beijo outras bocas que não tem nada a ver com você e sinto sua falta novamente e volto sempre ao mesmo ponto: você. Você, que sempre me prometeu o amor pra sempre e nunca me trocar. Você, que sempre disse que eu era suficiente e nunca ia querer acordar com outro olhar sem ser o meu. Você me deixou e deixou um vazio imenso no meu coração e na minha vida. Eu não guardo rancor, guardo todas as nossas memórias no meu coração, e sinto que tudo que a gente viveu foi incrível e eu não troco isso por nada no mundo. Mas você me deixou e eu preciso encarar isso da pior maneira possível.













