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@2fingersup
Você estava sentado naquele sofá, sério, olhando pro infinito. Talvez pensando em alguma coisa, perdido no teu mundo interno, talvez só muito bêbado. Nem lembro o que estava acontecendo ao redor quando te vi dessa forma e sentei do teu lado. E assim, te dei um primeiro beijo. Sei lá, sem expectativa, sem preparação, só dei. E foi aí que começou.
Você sempre foi essa pessoa carismática, que faz amizade fácil, que se doa sem maiores preocupações, que é fiel aos seus impulsos e se mostra da forma que realmente é. Já eu, sou bicho do mato, mistério, fechadura... possuía várias barreiras, fortemente construídas a base de orgulho e medo.
Mas você não parecia se importar, chegou como uma avalanche de luz, abrindo todas as janelas da casa, deixando o sol entrar, trazendo segurança pra quem, um dia, acreditou que sua essência era solidão. Porém, diferente do que a gente vê nos filmes, você não era alguém perfeito, sem qualquer problema, que só me salvaria. De outra forma, você me permitiu adentrar no teu universo, me mostrou seus traumas, suas dores, seus ressentimentos. E assim, mais do que qualquer coisa, eu aprendi sobre a verdade. Sobre mim. Sobre você. Sobre confiança. Sobre o mundo e sobre a vida. Nada tenho nada mais dentro de mim do que gratidão.
from weheartit
via weheartit
Um homem próximo de mim, durante um momento de raiva, em que tentava arrumar um aparelho eletrônico depois de um pedido meu, falou: "É, você não sabe fazer nada. Sempre precisa de mim. Mulheres só servem para o fogão mesmo." Eu sei que é mentira. Mas dentro de mim, essas palavras me bagunçaram de uma forma diferente. Eu entendo o motivo pelo qual isso está errado, mas me machucou. Muito. Se eu estivesse realmente certa do que sou, do que faço, do meu esforço, não questionaria meu trabalho, meus hábitos, minha potencialidade e inteligência. Fiz yoga e meditei. Era fácil culpá-lo por ser rude. Era fácil dizer que nem no momento em que eu estivesse mais raivosa, poderia proferir essas palavras e ofensas. Mas eu poderia dizer sim. Podemos ser muito ruins, às vezes. O que não quer dizer que somos de todo ruins. O que me restou foi pensar: O que eu sinto diante dessas palavras? O que eu penso delas? E, bom, me incomodaram porque ainda tinha - tenho e estou tentando deixar ter - uma crença na escassez. De que a inteligência exata é a única inteligência. De que eu sou burra e inútil. De que eu preciso ganhar meu próprio dinheiro logo e de qualquer forma. Mas para quê? Não estou explorando ninguém, não quero nada além do que já tenho e está tudo bem para quem me ajuda. Me subordinar a fazer coisas sem amor e sem precisar seria afirmar a crença duas vezes: O mundo é sofrimento. Mas não é bem assim. O mundo está doente, dentre tantos outros fatores, também pela falta de pessoas que trabalhem em suas empolgações. Que vivam com seus corações. Que olhem o outro não como concorrente, mas como um irmão, como uma parte do próprio Deus encarnado. O auto conhecimento e o trabalho interno são um dom do amor, da compreensão do outro. Por que o amor não é valorizado? Se estamos aqui com um propósito, ganhar dinheiro para depois morrermos certamente não é um deles. E por que então isso é mais valorizado e visto como certo? Porque somos cegos. A racionalidade é falha. Pensei então no que já tenho como opção para trabalho, o que é, de fato, baseado no cuidado, baseado no amor, coisa que eu faço e faço bem. Por que deixei de lado? Porque esse mundo gosta do que é ruim, mas rápido, mas certo. O risco de ser quem você é pode doer, mas não tanto quanto o suicídio subjetivo do seu próprio ser. E assim eu vou: Com calma, com fé, fazendo o que acredito e sendo o que acredito. O que já me trouxe a lugares antes sonhados: ao meu curso, à minha cidade, ao meu trabalho, aos meus amigos. Talvez essas palavras mexeram tanto comigo porque essas minhas raízes não estavam bem estabelecidas. Pretendo "trabalhar" internamente para que estejam.
Eu te amo. Eu te aceito. Eu te agradeço.
Eu sou amor. Eu sou luz. Eu sou sabedoria.
E nesse momento, o mundo precisa disso. Cada um tem sua habilidade para o bem coletivo, que é diferente, que é importante e que é unica. Então, vamos todos juntos e de mãos dadas, ser quem viemos para ser neste pequeno planeta azul.