CROSSOVER: A MEDIADORA (MEG CABOT) + ESPÍRITOS NA ESCOLA (PARAMOUNT+)
characters:
Suze Simon, Jesse de Silva, Maddie Nears, Wally Clark
warnings:
sobrenatural, fantasmas, luto não resolvido, conflitos familiares, paralelos emocionais, A Mediadora (Meg Cabot) & Espíritos na Escola crossover, POV em primeira pessoa (Suze)&(Maddie), angst leve, humor ácido.
A/N:
Essa fic nasceu de um surto emocional + carinho eterno por A Mediadora e uma nova obsessão chamada Espíritos na Escola. A ideia era só uma cena… e virou isso aqui. Tudo é escrito com muito respeito aos cânones, mas também com a liberdade caótica que só fanfic permite. Coescrita com apoio de IA, sem fins lucrativos — apenas por amor aos personagens e porque fantasmas com pendências emocionais claramente são um padrão na minha vida.
fanfic sem fins lucrativos
🚨 spoilers diretos 🚨
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>> UM <<
Berkeley, Califórnia — 2026
Suze
— Ele não merece estar aqui.
A frase veio carregada de raiva, ecoando mais do que deveria num corredor universitário vazio. O fantasma estava encostado na parede oposta, braços cruzados, postura defensiva demais pra alguém que já tinha morrido.
Parecia ter uns dezenove anos. Vinte, no máximo. Jovem demais pra tanto ressentimento.
— Você já disse isso. — respondi, sem levantar a voz. — Várias vezes. Em tons diferentes. Nenhum deles ajudou.
— Berkeley era o meu sonho. — ele rebateu. — Meu. Eu estudei pra isso. Planejei isso. Ele não.
— E mesmo assim entrou. — falei. — A vida tem esse péssimo hábito de continuar. Quando você está vivo.
Ele riu, mas não havia humor nenhum ali.
— Ele sempre foi medíocre. Sempre precisou que alguém dissesse o que fazer. Agora anda por aí achando que pertence a este lugar.
— Você morreu. — lembrei. — Ele não. Essa é a única explicação que importa.
O rosto dele se contraiu.
— Eu só estou tentando ajudar.
— Não. — rebati. — Você está tentando destruir a confiança dele porque não suporta vê-lo ocupando um lugar que você acha que ainda é seu. Você está o punindo.
Ele se afastou da parede, aproximando-se de mim.
— Se eu não estivesse morto, estaria aqui. — insistiu. — No lugar dele.
— Mas você está. — respondi. — E agora fica rondando seu irmão, sussurrando no ouvido dele que ele não é bom o bastante. Que vai fracassar. Que enganou todo mundo. Matando-o aos poucos.
— Ele precisa ouvir isso.
— Ele precisa de paz. — rebati. — Porque do jeito que está, você está empurrando ele pra um buraco que ele não vai conseguir sair depois.
O ar ficou pesado. Aquela pressão conhecida, como se o prédio inteiro estivesse segurando a respiração. Eu o tinha irritado de verdade agora. Ótimo. Espíritos ressentidos sempre se revelam quando são pressionados.
— Eu só quero que ele desista. — ele murmurou, o ódio espelhado em sua voz.
— Se ele for embora… — um silêncio pesado tomou conta do lugar, enquanto ele engolia em seco, antes de continuar… — talvez isso pare de doer.
— Não vai. — falei, mais baixo. — Só vai mudar de lugar.
Foi então que ouvi passos atrás de mim.
— Ele não vai embora só porque você mandou.
Virei rápido.
A garota estava parada a poucos metros, mochila pendurada em um ombro, crachá de visita escolar torto na blusa, o cabelo loiro curto na altura do queixo bagunçado pelo vento. Ela manteve os olhos fixos na direção do fantasma.
Não em mim.
Nele.
O fantasma arregalou os olhos.
— Ela também consegue me ver? — sussurrou, alarmado.
Meu estômago afundou.
Claro.
Óbvio.
Porque a vida nunca perde a chance de complicar tudo.
— Parece que sim. — respondi, seca.
A garota pigarreou, desconfortável.
— Quero dizer… — ela falou, apontando vagamente para o espaço ao meu lado. — Pessoas assim geralmente não vão embora enquanto acham que ainda têm algo a provar.
O fantasma virou-se totalmente pra ela.
— Viu? — disse, exaltado. — Diz pra ela! Diz que ele é um impostor! Que não merece estar aqui!
— Chega. — falei, avançando um passo. — Você não manda mais em nada.
— Você não entende! — ele gritou. — Essa era a minha vida!
— Não era. — respondi. — Era uma possibilidade. E possibilidades acabam quando a gente morre. — rebati. — Você acha que se ele falhar, a morte vai fazer mais sentido. Mas não vai.
Ele hesitou.
Por um instante, pareceu mais cansado do que furioso. Como alguém que brigou tanto com o mundo que esqueceu por que começou.
— Eu só queria que alguém se lembrasse que eu era o melhor. — confessou.
A garota continuava ali, atenta demais pra alguém que supostamente só estava “ouvindo uma conversa de uma estranha falando sozinha”. Observando. Pesando cada palavra.
— Eu sei. — falei. — Mas isso não é responsabilidade do seu irmão.
O peso no ar começou a ceder. Não de uma vez — nunca é. A pressão se dissolveu devagar, como uma dor de cabeça que insiste em ir embora aos poucos.
O fantasma recuou um passo. Depois outro. O ressentimento ainda estava ali, grudado nele como uma sombra mal resolvida.
Então ele desapareceu.
— Droga. — resmunguei.
Aquilo definitivamente não tinha acabado. Espíritos assim não somem por vontade própria. Eu ainda teria que lidar com ele. De novo. Antes que resolvesse transformar aquela inveja em algo realmente perigoso.
Mas, no momento, havia um problema mais imediato.
Quando virei, a garota ainda estava ali.
— Você não gritou. E nem saiu correndo — observei.
— Não parecia produtivo. — ela respondeu.
Definitivamente, ela não era normal.
— Qual é o seu nome? — perguntei.
— Maddie.
— Então, Maddie. Suspeito que você tenha algumas perguntas para mim.
— Não, não tenho — ela respondeu, com desleixo. Então me deu as costas e saiu andando.
Eu fiquei ali, plantada. Com cara de besta.
— Maddie — repeti para mim mesma.
Pessoas assim nunca aparecem na nossa vida por acaso.
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Liguei para o Jesse assim que tive certeza de que ninguém estava por perto.
— Pediatria, Jesse falando.
— Eu acho que encontrei uma versão mais nova e mais deprimida de mim mesma. — falei.
— Em Berkeley ou no mundo em geral?
— Em Berkeley. Ensino médio. Me viu com o fantasma, e reagiu como quem entende exatamente o que está acontecendo. Mas depois simplesmente foi embora.
— Isso é bom ou ruim?
— Ela viu o fantasma. — respondi. — Reagiu como se fosse a coisa mais normal do mundo. E não tinha perguntas.
— E você não tentou falar com ela?
— Ainda não direito.
Houve uma pausa do outro lado da linha.
— Suze… — ele disse, com aquela calma que sempre me desarmava. — Pessoas assim geralmente acham que estão sozinhas.
Fechei os olhos.
— Eu sei.
— Tenta falar com ela. Devagar. Sem assustar.
— Eu sei. — repeti. — Eu sei.
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Encontrei a Maddie sentada num banco do lado de fora, observando o grupo escolar como se estivesse separado dela por um vidro invisível.
Ela claramente não era popular entre eles. Não do jeito tradicional. Mas havia algo ali — uma distância escolhida, não imposta.
— Maddie. — chamei.
Ela me olhou, avaliou… e decidiu ficar.
— Eu me chamo Suze. — disse, sentando ao lado dela. — O que você fez lá dentro… não é algo que pessoas normais fazem.
Ela desviou o olhar.
— Eu não fiz nada.
— Você respondeu sobre alguém que não estava lá. — observei. — E não me chamou de louca. Isso exige… prática.
Silêncio.
— Desde quando você os vê? — perguntei, direta.
Ela me encarou, surpresa.
— Ver?
— Os fantasmas. — completei.
A Maddie balançou a cabeça.
— Eu não vi nada.
Pisquei.
— Como assim?
— Eu só… sabia. — ela explicou, baixinho. — Eu já vi isso milhares de vezes. Mas fora da escola, é diferente. Não dá pra ver. Eu não os vejo. Mas eu reconheci bem o que você estava fazendo.
Aquilo não era o que eu esperava. Anotei mentalmente: limites geográficos. Interessante.
— Então você não o viu. — murmurei.
— Não. — ela confirmou. — Mas eu sabia exatamente o que estava acontecendo. E sabe, Suze… — hesitou. — Eu acho que sua forma de tratar eles é um pouco… caótica. Eles ainda são pessoas, percebe? Com sentimentos, com medos e sonhos…
Aquilo bateu mais forte do que eu gostaria de admitir.
Porque eu sabia disso. Sempre soube. Mas saber e lidar são coisas bem diferentes quando você passa a vida inteira sendo a pessoa que limpa a bagunça dos mortos.
Engoli em seco, ignorando o comentário e seguindo em frente.
— Então… dentro da escola? Você os vê? — arrisquei. Eu queria, pelo menos, uma resposta direta.
Ela me encarou. Por um segundo, achei que fosse levantar e ir embora.
— Maddie — falei, com cuidado — eu não vou te forçar a dizer nada agora. Mas se um dia você precisar conversar com alguém…
Ela se levantou.
— Eu tenho que ir. — disse. — Obrigada por… me ouvir.
Observei enquanto ela se afastava. Não se misturou ao grupo. Apenas caminhou ao lado deles, como se estivesse ali sem realmente estar.
Curioso.
Fiquei sentada mais um tempo.
Pensando.
Algumas pessoas não veem fantasmas.
Mas ainda assim… são assombradas do mesmo jeito.
A Maddie, porém, não parecia assombrada por eles.
Parecia tocada.
Como alguém que não apenas percebeu o mundo invisível — mas aprendeu a criar vínculos com ele.
E pessoas assim…
são as que mais me preocupam.
Porque eu também já fui uma delas.
E sabia exatamente o quanto isso podia custar.
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Próximo Capítulo:















