POV parte II ♠ Are you ready? {hiatus}
“I found something. Pack your bags and meet me at the airport”, said Eric. I followed his order, now I’m here. In Paris, the perfect city for a photographer.
Eu já tinha entrado no aeroporto, carregando minha mala logo atrás de mim, andando pelo local sem sequer saber para onde ir para me encontrar com meu irmão. O lugar era enorme e eu me lembro de só ter estado lá uma vez antes, para me despedir de parentes que tinham vindo para o enterro da minha mãe. Expulsei o pensamento assim que ele apareceu. O que diabos eu estou fazendo aqui? Quero minha cama.
Fiquei olhando em volta, com o que eu poderia apostar ser uma cara de poucos amigos, pessoas passavam por mim e me encaravam. Tudo o que me faltava era que o desligado do meu irmão me ligasse novamente para dizer onde ir agora. Mal pensei nisso e ouvi o toque do meu celular. -- Porra, Eric, cadê você, meu? -- reclamei, claramente irritada. Era sono e confusão demais pra uma Angelina só.
-- Calma, anjinho, só liguei pra conferir se é você mesmo que eu estou vendo. Estou chegando em você. -- ele explicou-se e eu tive que olhar para os lados, para ver que conseguia encontrá-lo.
-- E aí, sou eu ou não? -- perguntei, começando a fazer bico, se ele não aparecesse, se ele estivesse me zoando, acho que eu choraria ali mesmo na frente de todo mundo.
-- Angel, você está de pijamas no meio do aeroporto, por quê? -- ouvi a voz forte do meu irmão mais velho duplicada. Tanto pelo celular, quando vindo de detrás de mim. Arqueei as sobrancelhas e, antes de virar para ele, olhei para baixo e dei de cara com meu pijama branco de dinossauros pretos. Franzi meu cenho automaticamente, eu havia esquecido de trocar a roupa. Dei um tapa na minha própria testa com a parte detrás da mão que segurava o celular. -- Tsc, tsc, Angel. E ainda chegou cedo, podia ter demorado mais um pouco pra trocar de roupa. -- ele zombou, com aquele tom de deboche que só ele tinha. Virei-me para ele, semicerrando os olhos e encarando aquela cara de pau branca na minha frente, e então levei o celular de volta para a orelha.
-- Você é um idiota. -- falei pelo celular, encarando meu irmão nos olhos.
-- Jerk. -- ele falou rindo, me respondendo também pelo celular.
-- Vou desligar na sua cara, bitch.
-- Pode fazer, asshole, à vontade.
Um sorriso brotou no meu rosto quando desliguei o celular e guardei no bolso da minha calça do pijama. Apesar de todo o contexto e de ele ter me deixado tão atordoada que eu sequer tinha lembrado de me trocar, eu estava feliz de ver meu irmão. A faculdade não era tão longe de casa ou do hospital que ele trabalhava, eu poderia ir visitá-lo a qualquer momento, ou ele poderia me visitar a qualquer momento, mas não era comum que a gente fizesse isso. Eu queria abraçá-lo, mas nós dois sabíamos que eu não conseguia fazer isso, que eu nunca tinha sido boa com contatos físico que não se tratassem de agressões. Ele me entendia, mais que qualquer outra pessoa no mundo. A gente se entendia. Vi ele guardar o celular e depois franzir as sobrancelhas, os olhos verdes me encarando com aquela carinha de cachorro sem dono. Dei uma risada. Era incrível como a gente estava calado desde que desligamos o celular e parecia que a gente conversava só de olhar um para o outro. Ele socou levemente meu ombro e eu baguncei o cabelo dele. Ambos rimos novamente. Tão logo ele pegou minha mala e me fez um gesto com a cabeça, me convidando a segui-lo.
Obedeci, seguindo o irmão mais velho como fazia quando era criança e saíamos para aprontar, só faltava Oliver ali atrás, reclamando e falando pra gente não fazer nada tão errado. Ri comigo, era tão bom ter lembranças da nossa infância.
Quando estávamos dentro do avião, nas poltronas lado a lado, finalmente quebrei o silêncio que tinha se feito entre nós.
-- Eric, você pode, finalmente, me dizer o que tá acontecendo? -- perguntei esperando que ele me olhasse e me respondesse, sendo sincero comigo. Ele o fez, abrindo um sorriso maior que o que eu imaginava.
-- Eu achei isso. -- ele começou, puxando uma das partes do casaco e retirando algo de algum bolso interno. Algo parecido com um livro pequeno, um... Caderno pequeno e com uma capa de couro. Tombei a cabeça para o lado, encarando aquilo sem entender nada.
-- Um... Caderno? Caramba, Eric, estamos viajando por causa de um caderno?! -- perguntei descrente, não, meu irmão não poderia ter surtado por causa de um caderno. Uma risada gostosa soou de entre os lábios dele e então ele virou a frente do caderno para mim. Arqueei as sobrancelhas, deixando meu queixo cair. Era o nome da nossa mãe bem ali na capa, Alexandra Berkley, bordado ou sei lá como chamava aquilo. O mais engraçado é que tinha Campbell, o sobrenome do nosso pai, na capa, porém era como se tivesse sido bordado bem depois e no cantinho que sobrara da capa.
-- Exatamente isso. Era um caderno da nossa mãe. Mais especificamente: um diário. E é muito antigo, Angel, de antes da mamãe casar com o papai até.
Meus olhos curiosos se dividiram entre o caderno e o rosto do meu irmão. Eu estava, visivelmente, esperando uma explicação mais profunda sobre aquilo. Ele percebeu e riu baixo.
-- Olha, não sei como ele aguentou tantos anos, mas também demanda muito cuidado pra folhear. Tem a caligrafia impecável da nossa mãe, magnífica, igual ela era. -- ele falava animado e com um sorriso que distribuía alegria e admiração. -- Está pronta? Ouça. -- pediu enquanto folheava cautelosamente o pequeno diário. -- “Conheci um rapaz hoje, quer dizer, eu já o conhecia, mas hoje tivemos a chance de conversar melhor e... Uau... Ele é perfeito e encantador.” -- deu uma pausa, rindo um pouco e me encarando. -- Me sinto meio gay lendo isso, mas vou continuar. -- ele tinha que fazer suas piadinhas, era claro. -- “É um bom rapaz, parece ter uma família ótima e princípios perfeitos, não é o rapaz mais bonito do campus da Bridges, admito, mas isso não o faz menos perfeito. Os olhos cor de mel dele são tão profundos que acredito que eu posso me perder a qualquer momento. O nome dele? Ah, diário, um nome incrível para um homem incrível, Eliott. Pode não parecer tão bonito assim, mas você, meu amigo, mais do que ninguém sabe meu encanto por nomes começados com vogais.” -- Eric parou quase dramaticamente, encarando as palavras por algum tempo, os olhos dele estavam molhados, mas não era de tristeza, eu sabia que não, porque os meus estavam do mesmo jeito. Aquele era um relato do possível começo da relação entre nossos pais, Alexandra Berkley e Eliott Campbell. E aquele amor já conhecido da mãe por nomes começados com vogais, presentes nos filhos, Eric, Oliver, Angelina, demonstrava que não poderia existir relato mais autêntico.
Ficamos em silêncio durante um bom tempo. Só imaginando como tinha sido os primeiros encontros de seus pais. Quando nossos olhares se encontraram, um sorriso brotou nos lábios de ambos. Eu sabia que tinha algo mais que ele queria ler para mim, então esperei, observei enquanto ele passava algumas outras folhas e parava em uma, quase no fim do diário. Pigarreando para voltar a ler.
-- “A pequena Angelina já dormiu. Meu pequeno anjo de olhos azuis e cabelos castanhos. Finalmente, achei que ela nunca iria pegar no sono, ela é, sem dúvidas, o foguetinho mais cheio de combustível que eu tive. (risos)” -- ele deu uma olhada para mim, quase rindo. Me perguntei por um segundo se ela realmente tinha escrito aquilo, mas não precisei de muito tempo para lembrar que ela realmente me tratava assim. Encolhi os ombros, quase corando.
-- Volte a ler, Eric, por favor. -- reclamei, desviando a atenção de mim antes que eu ficasse vermelha.
-- “Fico imaginando... Quando cada um dos meus pequeninos tiverem crescido...” -- ele me obedeceu. -- “Quando cada um deles tiverem se ajeitando na vida, estudando naquilo que escolherem, vamos fazer uma viagem por ano, nem que tenhamos que improvisar. Vamos conhecer cada lugar dos nossos lugares sonhos, nem que tenhamos que fazer duas viagens por ano em vez de apenas uma. É um sonho meu e eu tenho certeza que eles iriam adorar a ideia.” -- ele pausou novamente, respirando fundo e voltando a ler em seguida. -- “Apesar de ser plano para o futuro, não consigo não imaginar meu pequeno Eric querendo conhecer a Irlanda, vestido todo de verde e fingindo ser um duende, como ele fez nos últimos dois halloweens. Meu pequeno Oliver conhecendo o Louvre Museum que tanto gosta de ficar procurando nos livros da biblioteca. E minha pequena Angelina explorando o Coliseum. Tenho que admitir que compartilho da ideia de meu segundo filho, Oliver, eu não pensaria duas vezes em fazer nossa primeira viagem juntos para Paris. Depois pensaríamos na ordem de todas as outras e faríamos viagens felizes e cheias de felicidade.” -- ele terminou ali. -- Entendeu? -- Eric me encarou novamente, os olhos encontrando os meus. Tentei entender o que ele estava tentando falar. Nunca tinha sido boa em estudar outras pessoas, mas a conexão que eu tinha com Eric, chegava a ser assustadora.
-- Estamos indo para Paris?! -- perguntei, maravilhada, assim que entendi o que ele queria dizer. -- Paris, Eric? Jura?! -- eu podia jurar que meus olhos estavam brilhando. Havia lugar melhor que Paris para uma fotógrafa? Dei um largo sorriso para o meu irmão e, pela primeira vez em muitos anos, abracei ele do jeito que dava naquelas poltronas do avião. Avião que, pela mensagem das aeromoças, estava prestes a decolar.