h
🪼
let's talk about Bridgerton tea, my ask is open
d e v o n
KIROKAZE
The Stonewall Inn

if i look back, i am lost
Cosimo Galluzzi
🩵 avery cochrane 🩵

Game Changer & Make Some Noise
One Nice Bug Per Day

Product Placement
cherry valley forever
Keni
macklin celebrini has autism
tumblr dot com
noise dept.

shark vs the universe
Sweet Seals For You, Always
art blog(derogatory)

seen from United States
seen from United States

seen from Malaysia

seen from United Kingdom
seen from Venezuela
seen from Vietnam
seen from United States
seen from Saudi Arabia

seen from Germany
seen from United States
seen from India
seen from Indonesia
seen from Philippines

seen from Colombia
seen from Argentina
seen from Bulgaria

seen from Malaysia

seen from United States

seen from Argentina

seen from Germany
@a-venusmoderna
Prometo! ✨️
Os últimos três meses pareceram uma travessia, não no sentido dramático, mas naquele ritmo silencioso em que a vida vai te puxando para frente mesmo quando você ainda está tentando entender o que deixou para trás. Eu lembro exatamente de como tudo começou: com uma sensação estranha de que algo dentro de mim estava mudando antes mesmo de eu admitir. Era como se o mundo estivesse sussurrando que eu precisava me mover, escolher, encerrar ciclos, abrir frestas. E eu, mesmo com medo, comecei a ouvir.
As escolhas vieram primeiro, batendo na minha porta com uma insistência que eu não pude ignorar. Não foram escolhas fáceis, nem óbvias, e muito menos confortáveis. Algumas tinham gosto de liberdade, outras de perda. Mas eu fiz. Fiz porque alguma coisa em mim finalmente entendeu que permanecer no lugar errado dói mais do que partir. E foi assim que comecei a desmontar, peça por peça, tudo aquilo que já não fazia sentido, mesmo que tivesse feito um dia.
Depois vieram as despedidas. E, por mais que eu tente explicar, ninguém entende exatamente o que é se despedir de uma história que um dia você acreditou que seria para sempre. Há um luto silencioso nisso, um tipo de vazio que não grita, mas pesa. Eu precisei olhar para o que eu sentia, aceitar o que ainda existia, permitir que a dor passasse sem pedir desculpas por existir. Doeu. Muito. Mas doeu do jeito que cura. Doeu do jeito que liberta.
E enquanto eu estava ali, lidando com tudo isso, a vida decidiu não esperar. Ela trouxe mudanças sem pedir licença, novas rotinas, novas responsabilidades, novos medos, novos começos. Eu me vi rodeada de coisas que eu não esperava enfrentar tão cedo, e ainda assim, de alguma forma, eu dei conta. Não com perfeição, mas com honestidade. Fazendo o possível, caindo algumas vezes, levantando outras, respirando fundo quando parecia que o mundo estava rápido demais para mim.
Mas o mais curioso é que, no meio desse caos organizado, algo suave aconteceu. Eu comecei a olhar para mim com mais gentileza. A entender que eu não precisava saber tudo, nem acertar tudo, nem carregar tudo sozinha. Eu comecei a perceber que existe força até no meu cansaço, que existe coragem até nas minhas dúvidas, que existe beleza até nas partes que eu ainda estou construindo. Essa descoberta me acompanhou como uma nova pele, estranha no começo, necessária depois.
E então, de repente, algo novo entrou na minha vida. Não por acaso, não por distração, mas por abertura. Eu finalmente tinha espaço. E esse novo começou tímido, quase sem pedir permissão, mas cresceu de um jeito tão verdadeiro que hoje eu agradeço por ter deixado entrar. É estranho pensar que, enquanto eu chorava o fim de uma história, outra estava nascendo sem que eu percebesse. Não para substituir, mas para me lembrar que a vida continua criando caminhos mesmo quando a gente só enxerga o chão vazio.
Os últimos três meses também me ensinaram sobre presença. Sobre estar inteira nos dias bons e nos dias ruins. Sobre não abandonar a mim mesma quando tudo parece demais. Sobre reconhecer que eu não controlo o ritmo da vida, só o meu. Aprendi que transformar-se dói, mas ficar estagnada machuca muito mais. E que eu sou capaz de me refazer quantas vezes forem necessárias, mesmo cansada, mesmo com medo.
E quando eu olho para trás agora, vejo que nada foi aleatório. Cada escolha me empurrou para um lugar mais inteiro. Cada despedida abriu espaço para algo que eu não teria encontrado se tivesse ficado. Cada mudança que me assustou no começo acabou revelando uma versão minha que eu sempre quis conhecer: mais honesta, mais forte, mais consciente do que merece e do que quer.
Agora, três meses depois, eu sinto que me transformei. E essa transformação tem o rosto de tudo o que eu deixei ir e de tudo o que eu permiti chegar. Tem o peso do que doeu e a leveza do que curou. Tem a marca de quem eu fui e o brilho sútil de quem eu estou me tornando.
E talvez essa seja a maior descoberta de todas: perceber que a vida não me pediu para ser perfeita, só para continuar. E eu continuei. Como pude. Como dava. E, no fim das contas, isso foi mais do que suficiente para me trazer até aqui, inteira o bastante para começar de novo.
Sempre achei que a vida morava nas entrelinhas, nesses espaços estreitos onde as palavras muitas vezes não alcançam, mas onde o silêncio grita. Foi ali, no não dito, que me escondi por tanto tempo, como quem teme a luz e se apega ao consolo de uma sombra familiar. As escolhas vinham como flechas: certeiras, mas nunca em minha direção. Eu observava de longe os instantes sendo eternizados em poemas, pessoas virando canções, olhares ganhando o brilho de um motivo. E eu? Eu sempre sou só mais um ponto final esquecido. Não vou mentir, eu queria ser a inspiração de alguém. Estar presente nas linhas e com um pouco de sorte, nas entrelinhas também. Queria ser aquele nome escondido no meio de um verso, aquele detalhe sutil que só quem ama percebe. Queria ser lembrança boa, rascunho de saudade, razão de suspiro. Eu queria ser escolhido para ganhar um poema, mas acho que isso nunca vai acontecer. Porque eu não sou o mais amável, nem o mais doce, tampouco o mais bonito. E, mesmo que o amor não precise dessas coisas, eu nunca pareço ser digno dele. Vivo tropeçando em meus próprios defeitos, colecionando silêncios onde deveriam haver abraços e me perdendo em pensamentos que nunca têm coragem de sair da boca. A verdade é que quase ninguém escolhe o que é difícil de amar, quase ninguém vê beleza no desalinho, poesia no caos e flores nas ruínas. Eu aprendi isso cedo demais e por mais que doa, eu entendo. Entendo que algumas pessoas nasceram para ser o sol e outras, como eu, para viver à sombra, observando o brilho dos outros e fingindo que isso basta. Às vezes eu tenho certeza de que ninguém nunca leu minha ausência e sentiu falta. Nem viu em mim um verso engasgado, uma possibilidade que não floresceu. Mas logo deixo para lá, porque muitas certezas são que nem algumas pessoas, só existem apenas para causarem dor. E no fim me restam as entrelinhas, esse lugar silencioso onde me escrevo todos os dias, mesmo que ninguém leia.
— Diego em Relicário dos poetas.
roll up for us boo
when i ask you how you're doing i always want the long version
source: unknown
this line delivery has lived in my head for 10 years