Bem-vindos ao caos tranquilo da minha alma. Aqui, cada sentimento encontra sua forma em palavras que às vezes gritam, às vezes sussurram. Sirva-se de um café e acomode-se: a desordem pode assustar, mas é nela que mora a minha verdade.
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Peter Solarz
he wasn't even looking at me and he found me
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Bem-vindos ao caos tranquilo da minha alma. Aqui, cada sentimento encontra sua forma em palavras que às vezes gritam, às vezes sussurram. Sirva-se de um café e acomode-se: a desordem pode assustar, mas é nela que mora a minha verdade.
•abismodaalma
Sempre fui melhor em sentir as coisas do que em explicá-las.
As coisas finalmente estão se encaixando. Talvez não do jeito que você imaginou, nem no tempo que você queria, mas estão. Antes disso, porém, muita coisa vai parecer fora do lugar. Você vai confiar em pessoas que não mereciam sua confiança. Vai se esforçar ao máximo e, mesmo assim, sentir que não foi suficiente. Vai discutir com quem ama. Vai olhar no espelho em alguns dias e não gostar do que vê. Vai perder planos que tinha certeza que dariam certo. Vai ouvir despedidas que não estava pronta para ouvir. Vai ver pessoas partindo da sua vida sem explicação. Vai sentir falta de quem um dia foi importante. E vai doer. Vai doer perceber que nem tudo dura para sempre. Vai doer quando algumas expectativas não se realizarem. Vai doer entender que certas histórias terminam antes do que deveriam. E, por um tempo, você vai achar que algumas feridas nunca vão fechar. Mas fecham. Não porque tudo se resolveu de repente. Não porque a vida ficou perfeita da noite para o dia. Fecham porque, aos poucos, você aprende a continuar. Aprende a sobreviver aos dias difíceis. Aprende que existe vida depois das despedidas. E descobre uma força dentro de você que nem sabia que tinha. Então, quando olhar para trás, vai perceber que todas aquelas quedas não te destruíram. Elas te ensinaram a levantar sozinha. E é aí que tudo começa a dar certo. Não porque alguém apareceu para mudar a sua vida. Não porque finalmente aconteceu aquilo que você esperava. Mas porque, em algum momento do caminho, você encontrou paz dentro de si. E quando isso acontece, você entende que nem sempre a felicidade chega através de alguém. Às vezes, ela chega quando você percebe que a sua própria companhia já é um lugar bom para estar. 🤍
Acho que o que me mudou foi perceber como era fácil para as pessoas me deixarem ir quando eu estava me agarrando com tanta força.
O tumblr é mesmo o sitio onde enfiamos todas as coisas que queremos que estranhos leiam, mas não quem nos é próximo. Isso não dá uma certa sensação de liberdade?
“Porque pensar demais faz a gente desistir.”
— Paulo Coelho.
É um negócio estranho, esse de querer o que já se tem. É passar o dia inteiro ali, pele com pele, e no primeiro segundo de distância, o corpo sentir um deserto. Uma fome de presença que não faz sentido, mas que manda em tudo. É o cheiro que fica na roupa e o jeito que o olhar me caça no meio da sala. Eu pergunto: "No que você está pensando?", só porque aquele silêncio me desconcerta, me deixa nua. E vem a risada gostosa que ela dá, logo depois da pergunta. A resposta vem com uma convicção que eu nem sabia que existia, olhando bem dentro de mim, naquela parte que eu mesma desconheço. Tem as implicâncias bobas, as risadas de perder o fôlego, os olhares que dizem o que a boca não tem coragem. E tem o depois, que é sempre mais quente, mais vivo. Eu sou um pouco dela, mas sou muito mais minha quando estou com ela. É um mistério que me ocupa. É sentir tudo — o cansaço, o arrepio, o cuidado — e, ao mesmo tempo, não saber explicar nada. Talvez seja justamente isso: esse não saber que a gente não quer que acabe nunca. É a vida acontecendo nos detalhes, entre um suspiro e outro.
— How I met your mother.
Eu nasci para ser uma pessoa apaixonada por tudo e, ao mesmo tempo, com um medo incrível de tudo.
“A mas eu te conheço.”
Conhece mesmo? Porque me conhecer não é só saber o que eu mostro… é entender o que eu quase nunca digo. Você sabia que eu amo aniversários, mas quase nunca tenho coragem de planejar um pra mim? Que, mesmo em silêncio, eu preciso ouvir que alguém tá ali quando tudo dentro de mim ameaça desabar? Eu sou dessas que observa… que para pra ver o pôr do sol, mas é na lua que realmente se encontra. Sou dessas que ama ficando. Ficando mesmo quando é difícil, mesmo quando ninguém percebe. Eu reparo nas pequenas coisas. Nas paisagens, nos detalhes, no jeito que o vento muda de direção… porque, pra mim, é ali que tudo faz sentido. O meu amor mora no tempo. No tempo que eu dou, no tempo que eu fico, no tempo que eu escolho dividir… e, às vezes, um presente é só a forma mais simples de dizer “eu pensei em você”. Gentileza me desmonta fácil. E eu faço de tudo pra ajudar, mesmo quando ninguém pede. Que eu escrevo. Escrevo muito… principalmente pra quem eu amo, pra quem realmente importa. Eu escuto de verdade… mas quase nunca sei como falar de mim. Sinto saudade… mas dificilmente admito. E sinto tudo — absolutamente tudo — com uma intensidade que às vezes dói. E é aqui que talvez você não conheça. Porque me conhecer de verdade não é só estar quando é fácil… é escolher ficar quando eu me fecho, quando eu me perco, quando eu nem sei por onde começar a me explicar. É ter paciência com os meus silêncios… e não só com as minhas partes bonitas. Então me diz… você me conhece mesmo… ou só conhece a versão de mim que você escolheu enxergar?
Eu sempre vou estar aqui, você só não vai me ver.
“Me desculpe pelos dias nos quais eu não consigo te fazer sorrir.”
— Lucas Martins.
A saudade me visita sem aviso, senta ao meu lado e fica. Eu, que antes tentava expulsá-la, hoje só abro espaço, porque aprendi que deixá-la sair é a única forma de não me perder dentro dela.
Eu não sei viver pela metade. A vida, quando me acontece, vem inteira, me invade, me desorganiza, me refaz. Eu a enxergo nos detalhes que ferem e salvam ao mesmo tempo, sinto como quem não tem escolha de não sentir, e existo assim: entre o caos e uma estranha lucidez de estar viva.
_abismodaalma
Ser instável. É como tentar segurar água com as mãos: quanto mais firme você tenta, mais escapa. E talvez seja isso que mais dói — não o erro em si, mas a sensação de que ele revela algo essencial, algo que sempre esteve ali, silencioso, esperando sua vez de aparecer. A gente passa tanto tempo tentando construir uma coerência, uma linha reta que nos explique. Mas viver não é linear. É feito de contradições que respiram. Hoje você acerta com convicção, amanhã duvida do mesmo gesto. E, de repente, aquele único erro ganha um peso desproporcional, como se fosse capaz de apagar tudo o que houve antes. Mas o que nos fere não é o erro. É o significado que damos a ele. É esse impulso quase cruel de transformar um instante em sentença. Como se fôssemos obrigados a ser inteiros o tempo todo — quando, na verdade, somos fragmentos tentando se entender. Há uma tristeza muito específica nesse momento: a de achar que nada valeu. Que todo o cuidado foi inútil. Que tudo o que você foi não resiste ao que você fez. E então surge um vazio estranho, uma espécie de desistência silenciosa. Mas talvez — e isso é difícil de aceitar — nada tenha deixado de valer. Talvez o erro não apague, apenas revele a complexidade de existir. Talvez ser humano seja justamente isso: carregar acertos que não nos salvam completamente e erros que não nos definem por inteiro. E no meio disso tudo, a gente fica. Suspenso entre o que foi e o que não se sustenta mais, sem saber ao certo se ainda é.