Rescue Dog Rescue with Chris Evans

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Rescue Dog Rescue with Chris Evans
johannaisstillscottish:
Sorriu com as palavras do mais velho, se permitindo sonhar com um futuro onde eles poderiam passar o tempo que quisessem juntos, sem julgamento ou até mesmo receio. Ela odiava rótulos, mas nunca ansiou tanto por um antes. – Eu não fiz nada, sou inocente. – disse brincando, fazendo uma carícia despretensiosa no rosto masculino. Poderia ignorar qualquer compromisso para se perder no corpo de Adam. Trocando palavras suaves e carícias e cada vez que sua mente ia para aquelas memórias, tinha mais certeza de que não era só ela quem sentia. Não era possível ser só ela naquele barco. – Muito frio… Eu concordo. Eu vou ser sua companhia em qualquer um dos quartos, então é só escolher. – falou um pouco ofegante, concentrando-se nos beijos no seu pescoço, se deleitando com as sensações que despertavam em seu corpo. – Ah, acredito que vai ser necessário muitos beijos para eu falar sobre isso. – apesar da inocência em sua voz e nas suas feições, ela iria aproveitar da sua posição de superioridade sobre o segredo.
A ideia de andar com Adam pela sua cidade natal acendia uma chama no peito de Ann. Como ele iria a apresentar se visse algum amigo antigo? Apenas como mais uma amiga ou algo à mais? Céus, toda aquela sensação de pertencer sem realmente ser dele era uma loucura. Riu baixo com a imposição dele, levantando os ombros como se não fosse culpada. Os ares de Manchester não mexia apenas com sua beleza, aparentemente, ela também sentia uma necessidade imensa de gritar aos quatros ventos o quanto estava fascinada por aquele homem. – Espera… Espera… Você indiretamente me chamou pra morar com você aqui? – brincou, mesmo ciente de que o seu coração estava acelerado. – Depois eu quem sou a maliciosa. Se alguém te pega falando algo assim. – riu sem graça, esperando que os pais de Adam não percebessem esse jogo de empurra e puxa que eles tanto gostavam de fazer.
Era tão satisfatório poder conversar sobre coisas que ela e Adam fizeram, e ver como a família dele, especialmente a mãe reagia as suas palavras trazia conforto para a loira. Pelo menos não era só ela quem via algo ali. – Adam é um cozinheiro de mão cheia, sra. Collins. Ele vai ter que fazer algum prato para o Natal. Esse talento não pode ser apenas para Chicago. – implicou com Adam mas de certa forma, ansiosa para poder cozinhar algo com ele na cozinha da sua infância. Riu com a reclamação por parte do mais velho, o fitando com mais carinho do que gostaria de demonstrar. Ficou surpresa pelo elogio por parte da mãe do outro, assim como também sua perspicácia. O que mais ela havia notado? – Ele exagerou um pouco. E sim, eu não sou de Chicago. Sou escocesa, mas moro lá há alguns anos. Sinto um pouco de falta de casa, mas tento visitar o máximo possível. – o seu tom era cheio de amor, pois mesmo com toda a confusão que vinha junto da sua família, ela os amava. Suspirou em alívio ao sentir o abraço de Adam, sorrindo tímida, então entrelaçava uma das suas mãos as dele. Gargalhou com o modo que a mãe falou sobre Adam ser levado, imaginando as cenas antes e depois dos momentos fotografados. Estava prestes a brincar com o mais velho quando ouviu a mãe dele se despedir, sorrindo com carinho para a mais velha enquanto via ela sumir escada acima. Arfou com os arrepios em sua nuca, virando-se para fitar os olhos azuis do mais velho. – Bom, eu vou fazer um ótimo uso então, Collins. – se ergueu para selar os lábios aos dele. O beijo foi lento, e cheio de significado, como estava sendo as carícias trocadas por eles desde que chegaram. Se afastou com relutância, sabendo que eles deveriam continuar aquilo sobre 4 paredes. – Está convidado para aproveitar da lareira comigo, e quem sabe, algo mais…
Daria tudo para saber o que percorria os pensamentos de Ann quando ele, implicitamente, se declarava daquela forma. Por mais que já estivesse óbvio que o sentimento era recíproco, a insegurança e o medo de Adam em se entregar a um novo relacionamento mais sério eram maiores. Sua sorte era que ela não aparentava, ao menos, querer apressar as coisas. No entanto, havia alguma sua que a cada dia lhe incomodava mais, que o fazia se sentia sufocado, afinal Johanna merecia saber como ele se sentia. Assentia na medida em que continuava com os beijos em seu pescoço, sorrindo com a entrega da mais nova. – Ah, é? O quão valioso é esse segredo? – riu decidido a provocá-la ao máximo a fim de vencer aquela disputa que tinham criado. Diminuiu o ritmo dos beijos, apenas suspirando no local enquanto adentrava as mãos novamente por sua blusa, fazendo desenhos invisíveis em sua pele lentamente. Direcionou-se até seus lábios ficando apenas a alguns centímetros distante, passando sua língua demoradamente pelo lábio inferior da mais nova, sem, contudo, beijá-la.
Sim, era exatamente isso que queria ter dito. Era esse o convite que queria um dia poder fazer, já que, ultimamente, estavam quase morando juntos, no fim das contas. – Acha que eu tô te dizendo pra pedir demissão da revista, largar sua casa em Chicago e vir pra cá? Não sei, talvez… – gargalhou, tentando deixar claro em seu tom de voz que se tratava de uma brincadeira, mas apenas para não assustá-la. Pedir para ela largar apenas a própria casa e ir morar de vez com ele talvez fosse um convite mais razoável, pensou ainda de bom humor. – Mas você não deixar de ser, garota. Se alguém me ouvisse, perceberia em que condições você me deixa. Você sabe que eu não consigo resistir. – sorriu empurrando-a levemente pelo ombro.
Sua mãe reagiu imediatamente à fala de Ann sobre ele ser um bom cozinheiro, sorrindo largo e levando as duas mãos juntas próximas ao próprio rosto, adorando ter Johanna ali para lhe revelar aqueles detalhes sobre o filho. Tem razão, Ann. Adam, você fica responsável pela sobremesa do Natal, quero ver esse talento de perto. A sra. Collins piscou para a loira, em total cumplicidade. – Tudo bem, mas você vai ter que me ajudar. – riu levando as mãos para o alto, como em rendição, intimando Ann para que lhe auxiliasse na cozinha, já sabendo que iria fazer qualquer coisa que ela desejasse. Ah, escocesa? A Escócia é um belíssimo lugar, visitei muito Edimburgo quando era mais jovem, me apaixonei por alguns escoceses, inclusive. Você deve ter uma linda família, Johanna. Ouviu sua mãe falar em meio a uma expressão nostálgica e divertida. Adam não evitou, rindo junto e se dando conta do quão tinha sentido falta da companhia da mãe nesses últimos anos. Ela sempre conseguia deixar o local mais leve. Sua mão entrelaçada a de Ann lhe deu um conforto que não sabia que precisava naquele momento. Retribuiu o beijo assim que sua mãe os deixou sozinhos, sorrindo ao escutar o convite. – Acho que tem um lugar pra você conhecer antes. – sorriu entrelaçando novamente suas mãos e a levando escada acima em direção ao seu próprio quarto. Por mais que já tivesse deixado aquele cômodo havia algumas décadas, voltar ali era relembrar um pouco do Adam mais novo e permitir que Ann tivesse acesso àquelas memórias era algo que lhe agradava muito. Queria que ela lhe conhecesse completamente. Abriu a porta, dando espaço para que a mais nova pudesse entrar e se deparar com os objetos e as fotos antigas que continuavam intocadas. – Era aqui que o Adam mais novo sonhava com garotas que não chegavam nem aos seus pés. – sussurrou divertido para Ann.
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– E eu nem quero você você chegue a ser. Se não, todo o meu galanteio não vai servir de nada. Eu pretendo te deixar ainda mais apegado a mim. – estava adepta a confissões naquela noite, sem querer fazer rodeios ou inventar desculpas. Era tão mais difícil parecer “pouco interessada” após ter topado fazer uma viagem no Natal com o outro nas suas férias. Isso por si só, já demonstrava muito. Riu por conta do modo ultrajado que ele falou, como se ela tivesse lhe traído. Ann queria ficar grudada com ele, mas a verdade é que estar no mesmo quarto dele, é um ultimato sobre o que eles são. A confusão a acompanhou até ali, e ela não queria parecer estranha perto dele. – Eu não te abandonei, Addy. Eu estou pertinho de você, se você não quiser dormir sozinho, pode me chamar. Ainda preciso conhecer o seu quarto, certo? – disse suavemente, ansiosa para conhecer o local onde o mais velho passou sua juventude. Sabia que poderia aprender um pouco mais sobre ele dessa forma e é claro, com a família dele. A leve provocação dele era bem vinda, de certa forma, aquilo era algo deles. Ficar se atiçando, especialmente em momentos que o alívio imediato era impossível. – Eu acho que eu escolhi minha parte favorita do Adam Collins. Mas não posso falar, pelo menos não ainda. – fez mistério, apenas para deixar o outro curioso, sabia que ele iria reclamar.
Os olhos da mais nova brilharam em expectativa. Ela tinha pesquisado alguns locais na cidade, e estava ansiosa em visitar junto com Adam. Além disso, tudo estava decorado para o Natal, então com certeza a paisagem seria linda. – Eu estou super disponível para ser roubada. Inclusive agora, se quiser. – brincou um pouco, ciente de que todos os ouvidos da casa estavam atentos aos dois. Agora entendia o que Adam tinha sentido ao estar em sua casa cheia de membros da família. Gargalhou com a pergunta dele, revirando os olhos, para tentar disfarçar o rubor que insistia em aparecer em suas maçãs do rosto. – Eu acredito que seja o ar de Manchester. Eu me sinto da mesma forma sobre você. – piscou de forma maliciosa, com traços de um riso ainda nos lábios. – Você bem sabe que vou cobrar de você. – o alertou, ansiosa para as horas passarem.
Apesar do nervosismo que tinha sentido antes, agora se sentia em casa. Parecia que ela já havia visitado o local, tamanha era a normalidade que todos estavam lidando com a sua presença. – Se você tiver um tempo, vou adorar aprender. Céus, sério? Eu não posso reclamar dos dotes culinários de Adam, mas eu vou me esforçar para fazer jus a sua receita. – trocou um olhar cúmplice que o chefe, tentando reprimir o sorriso. Ouviu as palavras da irmã do outro, soltando uma risada por conta da menção do chá. – Eu sou time chá, então qualquer coisa fumegante que me seja entregada com esse nome, eu vou tomar. – acabou brincando, esperando tirar um pouco da pressão que talvez Adam pudesse estar sentindo. Estava apreciando mais um pouco do jantar quando ouviu a matriarca da família, olhando para Adam divertida. – Bom, nós trabalhamos na mesma revista. Eu já conhecia o trabalho dele, já que também sou fotógrafa. Uma coisa levou a outra e nós nos tornamos próximos. – preferiu omitir os detalhes mais “sórdidos” sobre como eles realmente se conheceram, sabendo que aquilo faria com o que loiro corresse com ela para longe da família. O restante do jantar aconteceu sem maiores incidentes, apenas perguntas gerais e algumas risadas ocasionais. Estava pronta para ajudar, quando viu Adam sair com a mãe. Ficou sem saber o que fazer, então decidiu dar uma olhada nas paredes cheias de memória. Ficou entusiasmada com o chamado da outra mulher, sorrindo afetuosa com as histórias, rindo quando alguma lembrava de um momento engraçado. – Eu nunca iria imaginar o que Adam mais novo era tão sapeca. Eu nunca imaginaria. – disse com ênfase, sendo irônica. Compartilhou um sorriso torto com o mais alto, querendo o trazer pra mais perto de si. Talvez pelo frio, ou talvez pela saudade do seu toque.
– Ah, é? Se esses forem os seus planos, melhor eu avisar pra você desistir. Eu já estou apegado, Ann. – disse com manha na voz e bastante próximo de seus lábios. – Droga, tá vendo o que você faz comigo? – sussurrou em tom de inconformidade, rindo ao mesmo tempo, sabendo que era aquela era uma batalha perdida. Não havia mais disfarces, brincadeiras e provocações a se socorrer para camuflar seus sentimentos por Ann, pois estava completamente entregue. Também não suportava mais fingir que não se importava ou que aquela relação era como outra qualquer, Adam sabia que não era já há algum tempo. No entanto, dizer em voz alta e confessar tudo era bem diferente. Tinha prometido a si mesmo que aquilo só aconteceria novamente se tivesse total certeza do que sentia. E isso estava começando a acontecer. Convivendo com ela 24 horas por dia naquela viagem talvez não fosse facilitar. – Você tem razão. Eu só tenho duas opções: dormir em um quarto com lareira ou dormir acompanhado. Mas eu não quero dormir sozinho, tá muito frio, não acha? – piscou enterrando sua cabeça no ombro da mais nova para abraçá-la, aconchegando-se e beijando levemente sua nuca. Naquele instante sentiu falta da barba para fazer as carícias que costumava fazer. – Ainda? E o que eu tenho que fazer pra você me contar? – pestanejou se afastando de imediato e propositalmente. Não segurou o riso, sabendo que seria chantageado.
Adorou perceber que não era o único empolgado com as breves férias. Não costumava criar expectativas, mas daquela vez não tinha conseguido evitar. Na realidade, sua vontade era ir para qualquer lugar, a qualquer hora que ela quisesse, não se importava. Sabia que na companhia de Johanna qualquer simples momento iria significar algo pra ele. – Você tá impossível hoje, huh? – gargalhou, correspondendo à brincadeira com a mesma excitação. – Talvez seja um sinal pra gente não sair mais daqui. – arqueou a sobrancelha rindo com a proposta. – Uhum e não vejo a hora disso acontecer. E de saber como você vai me cobrar. – piscou com a malícia de costume, mordendo o lábio inferior.
A sra. Collins praticamente sorria com os olhos, tamanha a felicidade que sentia ao ver Adam novamente bem com alguém, apesar de ainda não terem assumido estarem realmente juntos. A intuição dela nunca falhava e de nada adiantava o filho inventar desculpas ou desconversar todas as vezes que chegavam nesse assunto. Agora ela sabia que era algo mais sério e ficava realizada em perceber que se sentiam próximos ao ponto de ela estar ali para passar o Natal junto com os Collins. Sentia que Ann era especial. Claro, vou adorar lhe ensinar, querida. Ah, então ele anda preparando umas coisinhas pra você? Que orgulho, meu filho, já era tempo. Adam revirou os olhos rindo. – Mãe, por favor, sei que tirei a barba, mas não sou tão mais novo assim, daqui a pouco começam a aparecer os cabelos brancos. – gargalhou, brincando e encarando Ann. Viu Lucy fazer uma careta com a resposta dela, sabendo que era a única ali que detestava chá. Era, definitivamente, a ovelha negra da família. Sorriu ao ouvi-la contar como haviam se conhecido, sem conter um riso diante da ocultação dos detalhes sobre o relacionamento dos dois. Sim, sim. O Adam me contou que você é muito talentosa. Mas você não é de Chicago, sim? Notei algo diferente em seu sotaque. Céus, sua mãe não iria deixar Ann em paz com tantas perguntas. Estava admirado com a paciência dela, pois só o que queria era se livrar daquele papo e ir finalmente para seu quarto. De preferência com ela. Como se vibrassem na mesma sintonia, aproximou-se da agora loira, abraçando-a por trás e apoiando o queixo em seu ombro, enquanto ouvia as histórias que a mãe contava. Você nem imagina, Ann, o tanto que ele aprontava. O que tinha de lindo, tinha de levado. Sentiu suas bochechas corarem com o comentário da mãe e com o carinho que ela fez em seu rosto. Não lhe repreenderia, pois sabia que grande parte da culpa era sua por passar tanto tempo sem visitá-la. Agradeceu mentalmente quando ouviu ela despedir-se dos dois, dizendo que já estava cansada. Vamos buscar sua irmã amanhã cedo na estação, mas não se preocupem, fiquem a vontade para descansar. Avisou cumprimentando Johanna com um leve beijo no rosto e subindo para seu quarto em seguida. Adam aproveitou a posição em que estava para sussurrar para Ann. – Acho que agora eu sou todo seu.
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– Eu não sugeri nada nesse sentido, Adam! – ainda ultrajada pela implicação nas palavras deles. Riu afetada por conta das palavras dele, abraçando o seu pescoço, puxando ele para si. – Eu não posso te julgar, já que o mesmo acontece comigo. – passei a unha longa e decorada pela linha do seu maxilar, recém descoberta por ela, graças a ausência da barba. Sorriu por conta da investida do mais velho, sentindo arrepios correrem por seu corpo ao sentir o toque dele próximo ao seu busto. Ficou esperando por mais. Fitou os olhos do mais velho, o ouvindo com atenção, gargalhando com a menção de ele ser deixado. – Espero que em algum momento, a ideia simplesmente suma dos seus pensamentos. – disse como um ultimato, erguendo o torço para lhe beijar com desejo, mas também com carinho, transbordando os sentimentos que ainda não tinha coragem de falar.
– Céus, você é o pior, Collins. – ralhou, ficando afetada com a clara brincadeira. Sabia que as irmãs eram atraentes, todos deixavam isso bem claro, mas sabia também que no momento, ela era o bastante. – Realmente, você não iria aguentar mesmo. – reforçou, sem conseguir imaginar o outro vivendo como ela viveu. Era sempre tão caótico, e olhando pela casa de Adam, eles eram bem moderados. Devidamente ingleses, Ann pensou com humor. As palavras dele causaram mais reações do que ela estava preparada. Sabia que era uma colocação simples, mas ela não podia deixar de pensar que tinha algo mais por trás delas. A expressão em seu rosto era de malícia, pois por mais que ela gostasse de ser uma garota comportada, Adam fazia com que ela jogasse o livro de regras pela janela. – O seu desejo é uma ordem, sr. Collins… – deu a replica em um sussurro, arfando em prazer ao sentir os pulsos serem erguidos, louca para tirar aquela toalha tão precariamente enrolada na cintura dele. – Você seria meu prato principal. – foi rápida em responder, sedenta por mais daquilo. Estava tão absorta que a voz da mãe do outro foi apenas um ruído no fundo. Fez um bico exagerado ao ele se afastar, querendo o trazer para mais perto. – Você joga baixo, Adam… Eu quero uma compensação. – reclamou baixo, sem querer chamar atenção para eles.
Tentando ainda se recuperar de toda a áurea de prazer que compartilhara com Adam, ela escolheu um vestido de mangas e colarinho alto preto, preferindo ficar confortável. Em tempo recorde, tomou banho, grata pela lareira em seu quarto. Adicionou meias que iam até os joelhos ao look, calçando botas felpudas. Estava terminando de se perfumar quando escutou batidas em sua porta. Arrumou os cabelos ansiosa, sorrindo com a visão do outro de banho tomado, parecendo incrível. – A réplica é tão verdadeira que estou com vontade de te bater. Parece que saiu de uma capa de revista. – resmungou, fechando a porta do quarto atrás de si. Riu baixo por conta do comentário, concordando com animação. – Completamente ansiosa.
O cômodo debaixo estava cheio de um cheiro apetitoso e caseiro, comida que Ann pessoalmente adorava. Foi recebida por sorrisos e a voz doce da mãe de Adam chegou até os seus ouvidos, fazendo com que ela sorriso. – Sim, sra. Collins. Obrigada por ter me oferecido aquele quarto, a lareira é incrível. – sorriu com a menção da comida, ficando maravilhada com a maneira que a mãe parecia estar feliz por Addy estar ali. – Ele não mencionou, mas estou ansiosa para provar. E se possível, pegar a receita para o futuro. – disse em um sussurro, fingindo segredo. Provou a comida assim que ela estava em seu prato, soltando um murmúrio de aprovação, estava delicioso. Fitou a mulher, rindo contida por conta da sua última frase. Olhou para o mais velho pelo canto do olho, abrindo um sorriso mais largo. – Trabalho algum, na verdade, eu quem dou mais trabalho para ele. O Adam é uma pessoa muito atenta, já até cuidou de mim durante uma gripe. Acho mesmo é que ele vai reclamar de mim para a senhora. – disse brincando, lembrando das várias vezes que o fotógrafo estava disponível para cuidar dela.
Gargalhou ao ser puxado para perto dela. – Ainda bem que não foi nada nesse sentido, né? Eu não sou desapegado ainda de você a esse ponto. – Era a mais pura realidade. Adam deixava escapar algumas verdades propositalmente naqueles momentos de descontração e brincadeira não só para ver a reação de Ann, mas também para colocar um pouco da confusão que sentia para fora. Arrepiou-se levemente ao sentir as carícias em seu rosto e sorriu com satisfação ao perceber que tinha sido mútuo. – Se bem que você já me abandonou, né? Ainda não acredito que você preferiu ficar aqui sozinha… – sussurrou colocando um pouco de drama na voz, na medida em que iniciava uma linha de beijos em seu ombro. Não pretendia avançar naquele momento, apenas queria provocá-la e aproveitar-se daquela sensação. Retribuiu o beijo na mesma medida, com a mesma urgência, depositando o peso do seu corpo sobre o dela na cama, fazendo com que os dois corpos ficassem totalmente grudados. – Na verdade, a cada dia você me faz mudar de ideia sobre a minha parte favorita de você, Bay. – partiu o beijo para revelar quase que apaixonadamente.
Divertiu-se com sua resposta. – Sei que você gostou da minha família, mas amanhã vou roubar a senhorita para um passeio por Manchester, o que acha? – Estava ansioso por mostrar a Ann alguns dos principais lugares pelos quais passou a adolescência e início da juventude, antes de ir para os Estados Unidos. Estava igualmente animado para revisitá-los, afinal muito tempo havia passado desde então. Quando implicava com ela sobre não querer revelar seu passado, não passava de um capricho. Na verdade, queria mostrar tudo e contar tudo para Ann. Sorriu malicioso com a sua fala, encarando seus lábios com uma luxúria fora do comum. – Impressão minha ou o ar de Manchester te fez bem? Você está absurdamente desejável. – Só desejava estarem sozinhos naquela casa. – Eu prometo recompensar a espera mais tarde. – respondeu no mesmo tom de voz antes de se separarem, com um sorriso travesso.
Já era perceptível na expressão corporal de sua mãe, o quanto ela tinha simpatizado com a escocesa. Adam particularmente estava adorando a conexão entre as duas. Não precisa agradecer, querida. Ficarei muito feliz de lhe passar a receita ou até ensinar. Já tentei ensinar para o Adam, mas, sinceramente, ficou um horror. Ouviu sua mãe sussurrar a última frase, piscando para Johanna. Adam protestou com uma risada. – Mãe! Não precisa estragar minha reputação. Eu tenho lá minhas especialidades. – Essa foi a hora de Lucy se manifestar, rindo debochadamente para o irmão. Tenho certeza que o Adam já fez um daqueles chás horrorosos então pra você, né, Ann? Ele sempre fazia isso quando eu ficava gripada antigamente. Eu não aguento o complô de chás desses dois. Lucy bradou divertida, referindo-se à mãe e ao irmão, ouvindo a mãe dos dois discordar, destacando que um bom chá curava tudo. A sra. Collins sorriu satisfeita ao ouvir sobre o lado atencioso do filho, parando de comer para questioná-los, interessada. Como vocês dois se conheceram? O Adam não quis me contar muitos detalhes, na verdade. Ótimo, estavam começando a sabatina, Adam pensou, sabendo que aquele momento chegaria. Olhou para Ann, esperando que ela não se importasse com as perguntas. Assim que finalizaram o jantar, Adam ajudou a mãe a retirar e limpar tudo e seu pai logo se recolheu, assim como Lucy. Tão logo ia subir as escadas para fazer o mesmo, ouviu sua mãe chamar Ann para lhe mostrar as fotos que ficavam no corredor. Não podia deixar esse momento passar, né, Adam? Você já viu aqui, Ann? A sra. Collins apontava divertida, contando a história de cada uma das fotos de Adam, desde as que era ainda um bebê loiro, até a fase de adolescente rebelde com um cabelo um pouco maior do que o de costume. Ele acompanhava tudo, de braços cruzados, trocando olhares com Ann com um sorriso divertido nos lábios.
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Gargalhou alto com a menção de assistir um ato, tentando se controlar para não chamar atenção. – Voyeur? Você foi longe demais, Collins. Que mente pervertida. – bateu de leve no braço torneado do outro, revirando os olhos. Sequer conseguia sentir interesse por outra pessoa, dirá fazer qualquer ato próximo do sexual, ainda mais na frente dele. – Podemos tentar encenar antes, apenas pra ter certeza de que vai ficar perfeito. – a mais nova brincou, arfando em satisfação ao sentir o colchão confortável contra suas costas, piscando apaixonada ao ver Adam por cima dela. Espera que naquele momento, seus olhos não fossem a janela da sua alma, pois seria fácil de ver o quão loucamente ela estava apaixonada por ele. – Te maltrato? Desde que a gente começou a se ver com mais frequência você é um poço de bem estar. A pele brilha, o humor é sempre bom. Ela vai me agradecer por ter aprimorado o filho dela. – disse tentando ser maldosa, mas sabia que suas palavras não passaram de um suspiro por conta do hálito quente dele em seu pescoço.
– A sua família parece bem menos caótica que a minha. Que tal trocarmos? – brincou, sabendo muito bem que crescer no caos foi o que fez o que ela é hoje. Revirou os olhos mediante a menção das irmãs, infeliz em saber que ele poderia facilmente conquistar qualquer uma das que ainda estavam solteiras, mas ele ainda queria ela. – Ainda bem, Bay’s podem ser bastante possessivas. Essa é a sua chance de fugir. – o beijou de leve, mordendo o seu lábio inferior em uma provocação. – Olha, uma advertência. Qual seria ela, Collins? – ouviu com atenção, sem conseguir segurar o riso por conta da frase que veio a seguir. – Bom, se ainda for possível eu me apaixonar ainda mais, hoje vamos saber. – disse sem pensar e ao se dar conta das suas palavras, sentiu a face esquentando por conta da clareza da sua confissão.
Ela murchou com a explicação dele, ciente que havia deixado a luxúria falar mais alto. – Você tem toda razão, estamos na casa dos seus pais. Mas o problema é que eu não quero me comportar… Então vou deixar você tomar banho sozinho. – disse com manha exagerada, mas ficou animada com a promessa futura. – Vou aguardar até mais tarde então. Mas por agora… – o puxou pela toalha que cobria metade do seu torso, ficando na ponta dos pés para lhe beijar com fervor. – Você tem passe livre para meu quarto. – piscou marota, tentando não deixar seus pensamentos vagarem.
– Você quem sugeriu, poxa, eu apenas recusei o convite. – Levantou os braços rindo, como se em defesa ao que ela falava. – Juro que tento me controlar, mas é só você me olhar e minha mente acaba indo pelos piores lugares possíveis. – sorriu mordendo o lábio inferior e usando um tom carregado de drama na voz. – Olha só, tá vendo? Não tenho culpa nisso.. – pendeu a cabeça para o lado lhe encarando e continuando com a brincadeira. – … mas acho que posso te ajudar. – sussurrou as últimas palavras, enquanto suas mãos iam até os ombros de Ann, abaixando as alças de seu sutiã. Ficou imóvel em seguida, apenas respirando em sua nuca, aguardando sua reação. – Tem razão, Bay. Nesse caso, é mais provável ela te proibir de me deixar. – voltou a fitar seus olhos, deixando escapar um sorriso apaixonado. – Sabe, a cada dia você me faz mudar de ideia. – pensou em voz alta, falando perto de seus lábios sem parar de olhar em seus olhos castanhos.
– Ah, não, vou ter que recusar, prefiro continuar não sendo irmão das suas irmãs. – provocou-a sem pensar duas vezes. – Além disso, duas irmãs já bastam pra mim. Mais do que isso, eu enlouqueceria. – brincou se lembrando de Amanda e de Lucy. Os Collins eram, de fato, bastante normais se comparados às demais famílias, mas Adam não mudaria nada em nenhum deles. Exceto em seu pai, isso era certo. As suas traições nunca haviam sido perdoadas por Adam, apesar de sempre serem por sua mãe. O inglês não a julgava, apenas a confortava sempre que acontecia. Aquela era a fissura da família Collins e Adam lutava para que o comportamento do pai não se repetisse em seus relacionamentos. – Não quero fugir. Gosto de onde estou. – retribuiu o beijo lentamente, sorrindo ao fim com a mordida em seu lábio. Seu sorriso se alargou ainda mais ao perceber o rubor na mais nova. Não podia negar que aquela declaração lhe dava um certo afago em seus pensamentos a cada dia mais recorrentes. Sentiu seus pelos se eriçarem imediatamente ao ouví-la. – Droga, eu sabia que era melhor não se hospedar aqui. Por favor, não se comporte, Bay… – riu falando manhosamente da mesma forma. Retribuiu o beijo segurando-a pelo pulso e prensando-a na porta do quarto, fazendo um barulho considerável com o gesto. – Não me importaria nenhum pouco de pular o jantar… – disse enquanto juntava seu torso descoberto ao corpo vestido dela. No mesmo momento, escutou sua mãe chamar os dois da escada, avisando que o jantar estava pronto. Suspirou em derrota e afastou-se de Ann, iniciando um beijo necessitado mas logo se separando novamente. – Já volto. Vou tomar meu banho pensando na senhorita. – brincou saindo do quarto e indo até o vizinho.
Entrou no quarto com um sorriso bobo no rosto e agradeceu mentalmente por não haver ninguém ali para lhe flagrar. Fazer o convite à Ann para vir com ele para casa tinha sido a melhor decisão que tinha tomado nos últimos tempos. Se sentia um adolescente com borboletas no estômago, ansioso pela próxima vez em que ia reencontrá-la. Apressando-se para não se atrasar para o jantar, tomou uma ducha rapidamente, vestindo-se confortavelmente com uma calça de moletom e uma camisa de tecido mais grosso, já que nevava lá fora e dentro de casa ainda era possível sentir um pouco de frio. Ao ficar pronto, foi até a porta do quarto de Ann, batendo devagar para anunciar sua chegada. – É injusto você continuar linda assim depois de uma viagem exaustiva de horas. – sorriu encarando-a de cima a baixo. – Pronta pra sabatina dos Collins? – brincou sabendo que sua mãe, inevitavelmente, iria querer matar a curiosidade sobre os dois, apesar de já ter arrancado algumas informações do filho antes. Assim que desceram as escadas juntos, já estavam todos na mesa. Sentem-se, queridos, fiquem à vontade. Se acomodou bem, Ann? Se precisar de mais algo, é só me avisar. Bom, não sei se o Adam lhe contou, mas o prato de hoje é o preferido dele, espero que você também goste. Sua mãe falou trazendo o prato com o famoso assado de cordeiro, servido com alguns vegetais e batatas. Em poucos minutos, serviu a todos, sentando-se em seguida. Como estão as coisas em Chicago? Espero que o Adam não esteja lhe dando muito trabalho, Ann. Ouviu a mãe perguntar em meio a um sorriso desconfiado e encarou Ann ao seu lado, rindo cúmplice.
johannaisstillscottish:
Fingiu estar pensando mediante a pergunta dele, sorrindo em brincadeira. – Talvez eu tenha marcado um ou dois encontros com alguns caras aqui. Acho que você deveria ficar de guarda mesmo, talvez até dentro do quarto. – riu com a ideia, pensando que a noite poderia ser muito mais bem aproveitada. – Ah, ele é um ótimo partido. Estou até pensando em me esquentar sem roupa na frente da lareira, será que ele iria gostar da visão? – enterrou os dedos nos cabelos curtos do mais velho, fazendo um carinho no local, enquanto o toque dele lhe trazia calafrios, fazendo com que um sorriso inebriado surgisse em seus lábios. – Abusar de você? Da sua presença? Acho bem mais provável eu acordar com uma passagem na minha cama, com você me expulsando da sua casa. – mordeu o lábio, rindo baixo. No ponto que eles estavam, eles quase não se desgrudavam, então ela acreditava que seria muito esforço para fazer com que um deles desse as costas.
– É óbvio que ela gostou de mim. Eu sou adorável, Collins. Na verdade, acho que conquistei toda sua família. Será que eles vão querer me adotar? – deixou a voz mais fina no final, apenas para irritar o mais velho. A loira iria adorar fazer parte daquela família, e apenas aquele pensamento já lhe deixava alerta. Será que ela realmente gostava tanto de Adam daquela forma? – Sobre isso você não precisa se preocupar. Queria dizer o mesmo. – falou com um beicinho. Aproveitou para se aconchegar junto ao mais velho, se deleitando com aquele carinho. Tinha certeza de que se qualquer um visse aquela cena, não pensaria duas vezes antes de os declararem namorados. – Não seja assim, Adam. Eu sei que tem várias histórias. Quero ouvir todas elas. Inclusive, não vejo a hora da sua mãe me puxar de lado e me mostrar suas fotos de quando era criança. Eu sei que esse momento vai acontecer. – disse de forma vitoriosa, ciente de que no momento que Adam desejasse ir até sua casa, a situação seria ainda pior.
Normalmente, Johanna teria pegado um dos vários repelentes que tinha em estoque em casa e dado cabo do rato. Porém ela não estava em casa, e sua cabeça não estava funcionando bem, então sua primeira reação foi chamar por Adam. Com o choque, só conseguiu choramingar com a frase dele, se encolhendo em um canto do quarto, fechando os olhos para não acompanhar a caçada ao rato. Quando ouviu silêncio, voltou a se endireitar, finalmente olhando para Adam. O homem que já era um pecado ambulante de roupas, estava apenas de toalha na sua frente. A memória do rato foi esquecida e como um chamado de sereia, a loira se aproximou dele, umedecendo os lábios. – O único príncipe nesse quarto é você. E no momento, eu preciso de um bom motivo para não perder o decoro e ir para o banho com você. – enquanto falava, a fotógrafa demarcava os músculos do homem com a ponta do dedo, o olhando por entre os cílios.
– Ah, então além de ser seu segurança você ainda quer que eu seja voyeur? Não sabia que eu estava merecendo ser tão torturado assim. O que eu te fiz, garota? – gargalhou, tendo plena consciência de que talvez nunca fosse suportar nem imaginar aquilo em se tratando de Johanna. Havia entendido perfeitamente o que ela quis dizer, mas seu ímpeto em provocá-la falava mais alto. – Não acho que precise de uma lareira pra você se esquentar, mas sim, acho que ele iria adorar. – piscou umedecendo os lábios ao sentir os seus fios de cabelo entre os dedos da mais nova. Aproveitou a áurea de encantamento que parecia envolver os dois naquela conversa para amenizar um pouco a saudade. Levantou-se apenas o suficiente para inverter as posições, deitando-a na cama e ficando por cima, apoiado nos cotovelos. – Então pode ficar tranquila, eu não pretendo te expulsar nem tão cedo. Não posso dizer o mesmo da minha mãe, quando ela descobrir o tanto que você me maltrata. – riu subindo com os lábios para seu pescoço, em claro recado de que pretendia se vingar.
– É, eles gostaram mesmo de você. Te adotar? Quem sabe, Sra. Collins, tá querendo entrar na família? – Adam não conseguiu evitar em deixar aquelas palavras escaparem. A sintonia que Ann tinha apresentado com todos os Collins poderia facilmente fazer qualquer um pensar que o convívio entre eles já era algo de algum tempo. E se dependesse do mais velho, isso estava cada vez mais perto de se concretizar, sem dúvidas. – Relaxa, eu sei que são várias Bay’s, mas eu só quero uma delas. – sorriu com sinceridade, deleitando-se com o aconchego dos dois corpos abraçados. – Eu tenho certeza de que vai acontecer, inclusive ainda essa noite provavelmente. Como eu já perdi essa batalha, preciso ao menos te advertir de uma coisa. – mudou sua reação, fingindo um pouco de mistério por alguns segundos – É bem provável que você se apaixone ainda mais por mim depois dessas fotos. – gargalhou convencido, tentando ignorar o fato de que tinha acabado de insinuar que ela estava de fato apaixonada por ele. Não tinha certeza se aquele sentimento realmente existia da parte de Ann, apesar de tudo que vinham vivendo.
Levou alguns minutos para se livrar do animal, voltando ao quarto que agora era dela logo em seguida. Sua expressão rapidamente foi alterada a vê-la se aproximar com malícia. – Eu até tenho um bom motivo. A qualquer momento minha mãe pode aparecer aqui nos chamando para o jantar. Mas… isso não te impede de vir para o banho comigo agora, contanto que a senhorita se comporte… – riu encarando seu dedo pressionando seus próprios músculos. – Ao menos até o final da noite. Depois eu prometo recompensar. – falou diminuindo o tom da voz enquanto trazia Ann para mais perto de si, aguardando por uma resposta ao convite feito implicitamente. – Isto é, se eu não for barrado pelo segurança do seu quarto.
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Tudo ao redor de Ann lhe despertava interesse, e sabia que todos estariam mais do que dispostos a falarem um pouco sobre o passado de Adam. A loira estava se sentindo confortável mesmo que nervosa. Tudo o que queria era deixar uma boa impressão, talvez assim, o que era “casual”, pudesse se tornar mais sério. Escutou a mãe do chefe com atenção, concorda com a cabeça, deixando claro que ouvia tudo que lhe era dito. Estava animada para se esquentar perto da lareira, fazia bastante tempo que não via uma de perto, o cheiro e o calor que emanava dela sempre lhe trazia de volta para casa. – Obrigada, sra. Collins. De verdade. – sorriu largo, descansando a bolsa em cima da cama, olhando ao redor. O quarto era tão aconchegante quanto o resto da casa. Estava fitando um dos quadros na parede quando ouviu o sussurro da matriarca da família Collins, tentando esconder o sorriso. Se atentou as palavras de Adam, virando nos calcanhares para fitar a expressão manhosa do mais velho. – E quem disse que vou dormir sozinha? – ergueu as sobrancelhas, sorrindo com malícia. – Só não quero te assustar diariamente com meu mau hálito e meu rosto inchado. Acho que manter a ilusão é bom. – brincou, franzindo o nariz em brincadeira.
– Eu não me importo, Addy. Não foi nada demais, acho que seu encontro com a minha família foi bem pior. – se deixou ser puxada, feliz por poder tocar no loiro. Era louco admitir que sentirá até falta do toque dele? Ela estava tentando muito parecer apenas amiga do mais velho. – Espero que sim, já que eu os adorei. Não vejo a hora de escutar todas as histórias que eles estão loucos para contar. – a última parte foi sussurrada, enquanto ela se entregava para o beijo. Fez muxoxo quando ele se afastou, querendo passar mais tempo com ele. Mas sabia que a escolha do quarto fora dela, então não poderia reclamar. – Tudo bem, vizinho. Eu vou me arrumar para o jantar… E se eu precisar, prometo que grito. – acenou tímida vendo ele sair, suspirando. Caiu sobre a cama, com um suspiro contido. Antes mesmo de perceber, começou a rir baixo, de nervoso. Ela realmente estava ali.
Decidiu já retirar suas roupas da mala, procurando uma roupa mais confortável para a noite. Enquanto preenchia uma cômoda com suas peças, ouviu um barulho suspeito atrás de si. No primeiro momento achou que fosse Adam, mas gelou ao ver um rato. Ele parecia inofensivo, porém ela congelou. – A-Adam… Adam, vem aqui. – sua voz saiu engasgada, e ela torcia que as paredes fossem finas ao bastante para Adam a ouvir.
Mordeu o lábio inferior, segurando o riso ao vê-la se aproximar. – Não sei. A senhorita tá pretendendo convencer alguém a vir dormir aqui? Eu acho que vou ficar de segurança ali na sua porta. – arqueou a sobrancelha se fazendo de desentendido de propósito. Adorava aqueles joguinhos que sempre faziam. – Sabe, eu espero que ele seja um bom partido, o seu quarto é um dos únicos que tem lareira aqui. Com certeza a concorrência vai ser alta. – riu brincando com a barra da blusa da mais nova, segurando em sua cintura por baixo do tecido. Até parece que aquele seria o único motivo para querer dormir com Ann. – Eu não me importo, Bay. Mas vou relevar, assim você vai acabar abusando de passar o dia inteiro comigo e vai acabar voltando pra Chicago antes do tempo. – gargalhou mesmo sabendo que o contrário seria impossível. Precisava se conter para não continuar a revelar coisas demais para Ann, mas estava cada dia mais difícil.
– Ah, isso foi, com certeza. Estou pensando em fazer a Lucy pegar um pouco no seu pé para me vingar do quanto sofri com suas irmãs. Mas acho que não vai rolar, ela gostou muito de você. – fingiu estar desapontado, enquanto relembrava o dia em que foi surpreendido com toda a família Bay na casa de Ann. Os seus planos de fazer Lucy uma aliada para implicar com Ann com certeza já tinham ido por água abaixo, pois sabia que a irmã mais nova tinha adorado Johanna e seria bem mais provável que elas se unissem contra ele. – Ainda bem que eu não tenho irmãos para darem em cima de você, ainda bem. – riu afastando os fios loiros de Ann para trás da sua orelha, trazendo-a para seu colo e acariciando levemente seus lábios com os dedos, um pouco hipnotizado. Era bem óbvio que, apesar de terem passado a viagem toda um ao lado do outro, estava com saudades dela. – Que histórias? Não tem história nenhuma, garota. – não conteve o riso, temendo o momento do jantar, em que todos estariam juntos e sua família não iria medir esforços para envergonhá-lo na frente de Ann. Depositou outro rápido beijo em seus lábios antes de se levantar, rindo com a promessa feita.
Dirigiu-se até o quarto ao lado, onde tinha colocado suas malas e ao olhar ao redor foi inundado por uma nostalgia única. Não sentia necessariamente saudade, tinha vivido ao máximo sua adolescência. Mas voltar ali agora com Ann lhe trazia um sentimento estranho, apesar de reconfortante. Nunca iria imaginar alguns meses atrás que ela estaria ali agora na casa de seus pais com ele. Retirou rapidamente suas roupas da mala e, em seguida, as roupas do próprio corpo, a fim de tomar um banho, na tentativa de amenizar um pouco do cansaço da viagem. No mesmo segundo em que pegava a toalha que sua mãe havia posto em cima da cama, ouviu a voz de Ann chamar o seu nome. Enrolou-se e correu até o quarto ao lado, encontrando-a de frente para um rato. Não conseguiu evitar a risada. – Não pensei que ia precisar de mim tão cedo assim. – riu tentando pensar em algum modo de encurralar o animal que estava paralisado de medo. Pegou um pote que estava em cima da cômoda do quarto e depois de muito persegui-lo no quarto, conseguiu prendê-lo e matá-lo. – Era esse o seu pretendente? Espero que não tenha sido nenhum príncipe encantado disfarçado de rato.
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Observou com curiosidade da interação de Adam com a mãe, ciente de que seus olhos faziam “corações”. Ela estava perdida por ele e sabia que ficaria da mesma forma pela família dele, de certa forma, ansiando que eles se tornassem algo mais para ela também. Não pode deixar um abrir um largo sorriso com a menção de ser sempre bem vinda, ficando grata por não ter nenhum clima estranho entre eles. Caminhou em silêncio ao lado da mulher mais velha, um sorriso feliz permanecendo em seus lábios, como uma tatuagem. Ao entrar na casa, a fotógrafa não pode deixar de notar cada canto, curiosa para conhecer mais de Adam estando ali. Riu surpresa pela exclamação da irmã mais nova de Adam, mordendo o lábio inferior para reprimir um suspiro pela fofura da cena. Ver ele sendo envolvido pela menina até fazia com que ela sentisse falta da própria família. A loira assistia a cena admirada, piscou algumas vezes, sorrindo diretamente na direção da mais nova. Estava pronta para saudar a garota, quando a frase dela lhe pegar desprevenida. – Obrigada Lucy! Ele também omitiu o quão linda você é. – tentou sair da situação da melhor forma possível, mesmo sentindo o rosto corar de forma visível.
Assentiu com a menção da outra irmã de Adam, ela lembrava de todos os detalhes sobre a família. – Sim, contou. Não vejo a hora de os conhecer. E novamente, obrigada por me receberem. – ela juntou as palmas em agradecimento, sendo surpreendida por uma voz mais grossa, fitando o pai do mais velho. Se antes o seu rubor era sútil, com certeza era óbvio para todos sua vergonha. Riu sem graça, passando os dedos por entre os fios dourados. – Obrigada, sr. Collins. Agradeço o elogio, mas acredito que o bom gosto vem mais da minha parte. – falou sem pensar e depois das palavras saírem dos seus lábios, ficou com receio de ter entregado demais.
Suspirou em alívio, tentando ser discreta. odos eram incríveis, mas Johanna nunca tinha vivenciado nada como aquilo, e estava querendo surtar um pouco. – Claro, sra. Collins. Pode me chamar como preferir. – foi rápida para responder sobre o apelido, mas demorou sobre o quarto. Ponderou com a menção de um quarto separado ao de Adam. Apesar de eles terem dividido o quarto por algumas noites, nunca foi algo assim. Franziu os lábios, enquanto pensando. A voz de Adam não foi surpresa, e ela riu baixo, escondendo o riso. – Dessa vez, Adam, vou ter que declinar o seu pedido. – sussurrou, olhando por cima do ombro. Agora falando mais algo, ela se dirigiu para mãe do outro. – Acredito que Adam esteja um pouco cheio da minha presença depois de uma viagem inteira do meu lado. Vou ficar com outro quarto, se não houver problema.
Com algum esforço, terminou de carregar as malas escada acima após escutar a resposta de Ann ao seu pai, rindo com algum resquício de timidez. Por mais que tivesse destacado para a mãe e as irmãs que não eram namorados, estavam agindo exatamente dessa forma, o que arrancava sorrisos desconfiados, mas discretos, da irmã e da mãe. Observou Ann se atentar aos detalhes do ambiente ao seu redor. Naquele corredor que separava os quartos da casa várias fotografias estavam espalhadas pela parede e Adam sabia que, cedo ou tarde, ela iria se dedicar a explorá-las.
Não pôde esconder uma pontada de desapontamento quando viu a mais nova optar por ficar em um quarto separado do seu. Não tem problema algum, Ann. Fique à vontade. Separei algumas toalhas e cobertores para você. Seu quarto possui uma lareira, não hesite em usá-la. Manchester faz muito frio nessa época do ano. Sua mãe abriu a porta do quarto para que Ann pudesse entrar juntamente com as malas, enquanto dava algumas breves explicações. Agora vou deixar vocês descansarem um pouco. Daqui a pouco o jantar estará na mesa e aí eu chamo os dois. Falou antes de deixar o quarto e desaparecer da vista de ambos, sorrindo afavelmente para Ann e se aproximando de Adam, apertando seu braço levemente. Ela é linda, filho. Piscou falando em um tom abaixo do normal para que só ele escutasse, embora não tivesse certeza de que aquilo teria funcionado. Adam esperou a mãe descer as escadas para fechar a porta do quarto de Ann, cruzando os braços logo em seguida para lhe encarar. – A senhorita pretende dormir sozinha nessa cama e nesse frio? – Indagou com um bico e um tom manhoso na voz, apontando para a cama em frente aos dois.
– Me desculpa por aquilo lá embaixo. Eu confesso que contei da gente para elas, mas não tanto assim como parece. – Riu balançando a cabeça em descrença. Sentou-se em silêncio na cama, admirando-a longamente. Sua ficha ainda não tinha caído de que Ann estava ali, na casa em que cresceu toda a sua vida, caminhando para se tornar a pessoa favorita de sua família. Puxou a garota pelas mãos, fazendo-a ficar em pé entre suas pernas, considerando que continuava sentado. – Acho que eles gostaram de você. – Depositou um longo beijo nos lábios da escocesa, antes de voltar a ficar de pé, dirigindo-se ao seu próprio quarto. – Daqui a pouco eu volto, vizinha. E se precisar de socorro, eu tô bem aqui ao lado. – Brincou saindo do lugar e levando suas próprias malas para o quarto ao lado. Poucas coisas tinham sido mudadas na decoração do cômodo desde que saíra do país há alguns anos. Sua parede aparentava ser de um típico adolescente inglês, com algumas anotações e alguns pôsteres de bandas de rock alternativo.
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Não tinha motivos para ficar ressentida. Quando o conhecerá, sabia muito bem da reputação que o precedia e mesmo que durante os meses desde o primeiro beijo deles ela tenha sentido incertezas, não se arrependia do envolvimento. Corou com o elogio, ficando grata por ter recebido um elogio como aquele do outro. Ela gostava de ficar loira, mas sabia que era uma mudança bastante brusca. – Eu vejo inúmeras maneiras de ficar mais atraente, mas não vou trazer elas à tona no momento pois não podemos nos atrasar. – piscou com malícia, mas segurando a própria língua. Não queria começar nada que não conseguisse terminar. – Isso vai soar muito piegas e só de pensar já fico com vergonha, mas nenhum lugar é interessante sem você nele. – deu os ombros, na esperança sua confissão ser bem recebida. – Eu gostaria de verdade de discordar, mas eu estaria mentindo, e eu não sou mentirosa. – amava implicar com o outro, mas eles já haviam passado da fase de disfarces, o melhor que ela poderia fazer era admitir.
Gargalhou divertida com o modo como ele falou a frase, ficando atiçada com a ideia, mas ciente de que com o nervosismo que os envolvia, sexo não era a melhor opção. – Sem elogios com duplas intenções. E eu amei de verdade. Eu não lembro do dia, mas é um dos melhores presentes que eu já ganhei. Obrigada, Addy. Espero que o meu seja no mesmo nível. – de repente, estava um pouco incerta sobre sua escolha de presente. Esperava que fosse bem recebida por ele.
Observou Adam expressar seus sentimentos e sabia que ver a interação dele com os pais faria com que ela ficasse encantada. Ele era tão atencioso com ela, não imaginava como seria com seus familiares. – Bom, eu espero que seja uma viagem gostosa pra você. Que você consiga se divertir. – deixou seu tom leve, mas a última frase do homem lhe marcou. “Ir agora com você é diferente”, a frase ficou rodeando a cabeça de Johanna durante toda a viagem, que passou rápido demais. Ela estava ficando cada vez mais ansiosa. Sabia que não era mais uma menina, e a família dele seria no mínimo, cordial, mas não deixava se sentir um frio na boca do estômago. Era um grande passo para eles, mesmo que eles não falasse sobre aquilo. Para tentar se distrair, se fez útil, ajudando com as malas, mesmo com os protestos do mais velho. Ao saírem do aeroporto, sentiu calafrio ao perceber o clima frio. Sorriu com entusiasmo, virando para Adam. – O frio poderia ter ido junto. Mas sorte minha que vim preparada. – olhava tudo com interesse evidente, sorrindo quando Adam fazia algum comentário ou trazia à tona alguma memória. Estava ansiosa para bater pernas na cidade com ele, ou até mesmo com as irmãs dele. Conseguia sentir o carro desacelerar, fazendo com que suas mãos ficassem suadas. Viu uma figura na frente da casa antes mesmo do carro parar, imaginando que aquela era mãe de Adam. Ela era linda e lembrava o próprio filho. Desceu do carro primeiro, sem saber bem o que fazer até ser envolvida em um abraço acolhedor. Sorriu com o carinho, concordando ao perguntar o seu nome. – Obrigada por me receber, sra. Collins, especialmente no Natal. Addy, quer dizer, Adam falou muito de vocês, eu estava ansiosa para os conhecer. A viagem foi tranquila, mais rápida do que eu esperava. – seguiu a mais velha para dentro da casa, carregando consigo uma das malas, sem querer deixar Adam com todo o trabalho.
– Fico feliz em saber, até porque nos próximos dias acho que você vai abusar de mim de tanto tempo que vamos passar juntos. E aí você vai poder trazer à tona tudo que tá pensando aí. – piscou correspondendo a malícia, ao mesmo tempo em que sentia um certo conforto com a declaração de Ann. Ultimamente, Adam tinha até começado a gostar de alguns clichês e ela era a responsável por isso. Ficou satisfeito em ver que tinha acertado na escolha do presente. No início, temeu que fosse demais para um primeiro presente trocado entre os dois. Mas a razão tinha lhe abandonado em relação à mais nova.
Ver aquele abraço entre sua mãe e a mulher que não conseguia mais tirar da cabeça, de certa forma, diminuiu um pouco sua ansiedade. Sua intuição provavelmente iria acertar de novo: Ann iria se dar bem com sua família. Assim que se desvencilharam, viu sua mãe vir em sua direção para um outro abraço, igualmente apertado. Senti sua falta, meu filho. Espero que da próxima vez não demore mais dois anos para voltar. Você sabe que sempre estaremos de portas abertas, não sabe? E agora pra você também, querida. Adam respondeu assentindo com a cabeça enquanto a abraçava e ouvia a mãe se dirigir também à Ann. Sorriu para ela, tentando se desculpar com o olhar pela atitude da mãe. Sua mãe estava certa. Desde que o acidente ocorrera, há pouco mais de dois anos, que não tinha vindo mais visitar seus pais e suas irmãs. Talvez para não relembrar de tudo outra vez. Mas sentia que aquilo já havia ficado para trás completamente agora. Adam acompanhou as duas, entrando na casa enquanto carregava as demais malas. Parou assim que viu Lucy, sua irmã mais nova, descer as escadas correndo em sua direção com um sorriso enorme no rosto. Adam Collins! Reclamou irritada ao mesmo tempo em que pulava nos braços do irmão. Todas as semanas Lucy pedia que Adam fosse vê-los nas férias. Dessa vez, finalmente tinha dado certo. – Calma, loirinha. Você não é mais tão baixinha como antes. – Adam riu colocando-a no chão, reparando em como a irmã tinha crescido nos últimos anos. Seu olhar encontrou com o de Ann e ele sorriu apresentando as duas. – Lembra que eu te falei da Ann? Ela veio comigo. – Indicou com a cabeça e Lucy cumprimentou a escocesa, finalmente vendo se materializar a mulher de quem Adam tanto falava. Seja bem vinda, Ann! Você é tão linda quanto o Adam falou mesmo. Adam riu. Aquilo não ia dar certo, já não bastava a mãe, agora era a irmã revelando o quanto que ele já tinha falado de Johanna para elas. Só faltava Amanda. Sua irmã chega amanhã cedo com o Scott. – Amanda é minha irmã mais velha, não sei se já te falei. E o Scott é o meu cunhado. – Disse a Ann para que ela não se sentisse por fora do assunto. No mesmo minuto, seu pai apareceu na sala com o jornal embaixo do braço. Como foi de viagem, filho? Olá, querida, seja bem vinda. Vejo que meu filho continua tendo bom gosto para mulheres. Adam repreendeu o pai, revirando os olhos, assim que escutou o galanteio para que Ann não ficasse sem jeito. Querendo pôr fim à sessão de tortura, pegou as malas dos dois fazendo um sinal para sua mãe. Venham, vou mostrar o quarto de vocês. Ann, querida, posso lhe chamar assim? Separei um quarto pra você ao lado do quarto do Adam, caso queira, mas fique à vontade para escolher. Sua mãe ia dizendo animada enquanto subia as escadas e olhava para trás para que os dois a acompanhasse. Adam riu com a preocupação da mãe, encarando Ann para ver sua reação. Particularmente não queria ficar separado da mais nova, mas não sabia se ela ia querer mais privacidade, afinal nunca tinham dividido um quarto assim, de forma mais permanente. – Se quiser ficar comigo, não vou me importar. – sussurrou para que só Ann lhe escutasse.
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A mulher não pode evitar de revirar os olhos, pois aquela confissão era algo que a própria Johanna já havia se dado conta, apesar de não ter sido isso que lhe motivou a mudar, sabia que a atenção de Adam seria atiçada. – E esse era um segredo, chefinho? Acho que a metade da revista é loira e já passou por você. – disse sem veneno na voz, apenas apresentando fatos. Enquanto o mais velho ficava a vontade, ela tirou o lenço do cabelo, arrumando os fios, pegando alguns itens que estavam faltando na sua bolsa de mão. Sorriu com as palavras dele, cessando a distância entre eles, lhe concedendo um selinho rápido. – Eu tenho motivos para desistir? – arqueou a sobrancelha, com um vestígio de sorriso nos lábios. – Acho que estou mais animada para essa viagem do que você mesmo.
– Céus, então sou uma garota de sorte. Você está delicioso sem barba. Como é possível você ficar bem de qualquer forma? – a agora loira levantou as mãos para o alto, dando ênfase a sua colocação. Não hesitou antes de tirar o fino papel que cobria o quadro, sorrindo com a imagem. Não sabia o que mais lhe emocionava, se ver tão grande daquela forma, ou saber que Adam que havia tirado aquela foto. Abraçou a tela, sem se importar se estava idiota. Os olhos azuis da fotógrafa estava marejados quando ela virou para Adam, fazendo biquinho na esperança de segurar o choro. – Eu simplesmente adorei. Ainda bem que você não me deu isso na frente dos seus pais, eu iria ficar mortificada se chorasse perto deles. – limpou os olhos, sendo o mais discreta possível.
Gargalhou com o que o mais velho estava implicando, não deixando de criar cenários em sua mente. Seria adorável tomar chá com a mãe de Adam. – Sinceramente? Eu não iria reclamar. Ela deve ter um gosto muito bom para chá. – estava ansiosa para conhecer os pais do mais velho, esperava de verdade que todos gostassem dela. Concordou com a pergunta sobre estar pronta, desligando tudo o que precisava, pegando sua bolsa junto com um casaco pesado. Tentou ser útil, mas acabou atrapalhando, então decidiu entrar no carro, esperando por Adam. – Estou animada. Mas nervosa. E você? – estendeu a mão para pegar a dele nas suas, brincando com ela, enquanto sua atenção estava toda nele. O caminho até o aeroporto não era distante, então Ann esperava que ela conseguisse ficar mais tranquila até eles decolarem.
Foi só com a alfinetada de Ann que percebeu o que sua fala tinha dado a entender. Baixou a cabeça, sem conseguir segurar o riso, mas logo voltou a encará-la, se aproximando. – Não tenho como te desmentir, né? Mas você sempre superou todas elas, estando loira ou não. Não achei que tivesse como você ficar mais atraente, sério. – passou o indicador pelos seus fios agora loiros e livres do lenço que estava usando e depositou um beijo rápido em seus lábios, em meio a um sorriso cheio de sinceridade. Não podia apagar tudo que já tinha feito, mas, de toda forma, sentia sempre a necessidade de deixar claro pra Ann que aquilo já tinha ficado para trás. – Não sei, talvez você tenha mais interesse em ficar por aqui… Mas se eu fosse você, não perderia a oportunidade de passar mais tempo comigo. – Piscou convencido de propósito apenas para irritá-la. – É meio impossível você estar mais animada que eu, juro.
Ann tinha tirado as palavras de sua boca. As mudanças que tinham combinado para a viagem tinha surpreendido a ambos. – Não me chama de delicioso, Bay. Não quero que a gente perca o voo. – Concentrou-se no rosto da mais nova, ansioso por sua reação ao abrir o presente. Foi inevitável não sorrir junto quando viu o quanto tinha lhe agradado. Levantou-se, segurando o rosto dela em suas mãos, aproveitando para enxugar algumas das lágrimas. – Que bom que gostou. Era até uma boa ideia pra eles apreciarem a sua beleza também, mas eles podem fazer isso pessoalmente.
Agradeceu mentalmente ao ver que o trânsito estava rápido naquele dia. Em poucos minutos conseguiriam chegar no aeroporto. Seus lábios se curvaram involuntariamente em um sorriso ao sentir sua mão junto com a dela e desviou alguns segundos sua atenção para os olhos de Ann. – Estou um pouco nervoso também. Mas acho que estou mais animado do que nervoso. Já faz um tempo que não volto à Inglaterra, ir agora com você é diferente. – murmurou as últimas palavras, enquanto trazia a mão de Ann até seus próprios lábios, beijando levemente o local. Ao chegarem no aeroporto, não demoraram muito para embarcar e decolar. A viagem passou rapidamente, sem maiores incidentes e, algumas horas depois, já estavam em Manchester. – Bom, seja bem vinda. – Sorriu, olhando em volta assim que saíram da área de desembarque e do próprio aeroporto, em busca de um táxi. – Acho que a neve resolveu dar uma trégua para receber a senhorita. – Naquela época, o inverno costumava já estar bem intenso e a cidade ficava inteiramente coberta de neve. Chamou um táxi que acabara de deixar alguns passageiros no local e com a ajuda do motorista, colocou as malas dos dois no carro. Informou o endereço da casa dos seus pais ao taxista e, apesar de não ser muito distante dali, aproveitou o trajeto para mostrar alguns pontos da cidade para a mais nova, indicando o que era cada coisa. Seria interessante voltar ali agora como praticamente um turista. O carro logo estacionou em frente a uma casa de dois andares em estilo vitoriano, completamente decorada com enfeites natalinos. Sua mãe, como se tivesse sentido que os dois haviam chegado, apareceu no batente da porta, sorrindo eufórica, indo até eles e cumprimentando Ann com um abraço. – Ah, meus queridos, como foram de viagem? Você é a Johanna, certo? Seja bem vinda, querida. Estava ansiosa para conhecê-la. Me falaram muito bem de você. Vamos entrando, aqui fora está congelando. – Adam tinha certeza que estava ruborizado após o comentário e a recepção calorosa da mãe.
Daenerys and Cap.
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Talvez Johanna tivesse dormido exatas 3 horas, talvez ela estivesse alucinando pois ainda se sentia um pouco grogue por conta dos vários chás que havia tomado. Mas quando o sol entrou pela fresta da janela, a loira já estava desperta. O nervosismo da viagem estava tirando seu sono, e ela estava grata por pelo menos não ter olheiras para evidenciar aquilo. Com uma rapidez quase duvidosa, ela seguiu sua rotina diária. Han já não estava mais com ela. Ela o havia deixado em um hotel para cachorros no dia anterior e havia chorado a viagem toda até em casa com saudades dele. Mas pelo menos sabia que ele seria bem cuidado. Todas as malas estavam prontas, assim como os presentes devidamente embalas e bem escondidos entre suas roupas.
Fez questão de tomar café da manhã, mesmo com o estômago se revirando. Ela sabia que não tinha motivos para se sentir daquela forma, mas não deixava de pensar que ir passar o Natal com a família de Adam significava bastante coisa. Ainda não havia se acostumado com o novo corte, e por esse motivo tinha um lenço florido na cabeça, na esperança que manter os cachos que tinha feito com tanto cuidado mais cedo. Estava terminando o chá quando ouvir a campainha. Ficou confusa, pois Adam normalmente só entrava, já que sabia onde estava a outra chave.
Procurou sua própria chave no sofá, se atrapalhando com as almofadas antes de ir até a porta, a abrindo antes de checar. Quando seu olhar caiu sobre Adam, ela sentiu o ar sair do seu corpo. A visão do mais velho sem barba a pegou desprevenida. Se ela se sentia atraída por ele antes, pareceu que tudo ficou amplificado. A fotógrafa abriu e fechou a boca algumas vezes, sem saber o que falar, ainda tentando assimilar a visão dele a sua frente. – N-não… Eu já estou pronta. – ela falou com dificuldade, sorrindo com o beijo no rosto. O sorriso que era tímido cresceu em seu rosto ao ouvir o mais velho. – Nossa, hoje é meu dia de sorte? Primeiro chega esse desconhecido de rosto limpo na minha porta e ainda com um presente? Uau. – brincou, pois sabia que ele só podia estar nervoso tal como ela. Pegou o quadro para si, hesitando antes de abrir. – Posso abrir agora?
Apesar de lembrar da vontade dela em mudar o corte de cabelo para viajar, não esperava exatamente a Johanna que abriu a porta para lhe receber. Sorriu, completamente encantado com a mudança. – Olha, eu não tenho problemas com mulheres de cabelos curtos, mas eu tenho uma queda por loiras. Fui descoberto. – Brincou com um pouco de manha na voz enquanto entrava. Na verdade, não se tratava de loiras, mas sim de Ann. Qualquer versão dela lhe atrairia, Adam tinha certeza. Olhou ao redor, vendo suas malas e agradecendo mentalmente por ela não ter desistido de última hora. Realmente estavam saindo de férias juntos. – Até alguns minutos atrás, não tinha certeza se você ia mesmo. – confessou sincero, cruzando os braços enquanto se encostava no sofá.
Seu rosto se contraiu ao ouvir a pergunta e, sem perceber, sua mão foi até sua barba feita, tentando se acostumar com a sensação depois de tanto tempo. – O desconhecido de rosto limpo faz parte do presente também. – piscou maroto, vendo a loira pegar para si o presente com uma expressão animada. Assentiu para que ela abrisse logo, queria ver sua reação o quanto antes. – Não se você vai lembrar quando foi, mas espero que reconheça quem é. – indicou se referindo à foto do quadro. Realmente não era óbvio associar a silhueta da fotografia à Ann, mas encarando-a por alguns segundos, era impossível não reconhecer. Seria como uma espécie de segredo compartilhado por ambos.
Não pôde deixar de notar a xícara perto de onde estavam. Ela devia estar tomando antes de ele chegar. – Se eu fosse você, dava um tempo. Minha mãe provavelmente vai te fazer tomar chá o dia inteiro, se você deixar. – riu, relembrando que as duas compartilhavam o mesmo gosto pela bebida. No mesmo segundo, lembrou de checar a hora. Tinham que sair de casa logo para não se atrasarem para o voo. – Podemos ir? – indagou já pegando as malas de Ann para levar para o carro. Assim que ouviu a resposta positiva, acomodou tudo na mala, dando partida em direção ao aeroporto da cidade. – Como você tá se sentindo? – encarou a mais nova, curioso para saber se a ansiedade também era compartilhada por ela.
something has changed
Não foi preciso colocar despertador para que Adam acordasse pontualmente naquele dia. Ainda antes de se envolver com Ann, seus planos para passar o Natal em casa já estavam decididos. Depois que o convite foi feito, a expectativa pela viagem aumentou consideravelmente. Não apenas porque iria viajar com Johanna pela primeira vez, mas porque estava levando-a para passarem o Natal juntos e, mais do que isso, para conhecer seus pais. Além do mais, sabia que era inevitável que também fosse uma viagem a todo seu passado. Talvez estivesse cedo demais, mas ela tinha aceitado e uma pontinha do mais velho acreditava que aquele era o momento certo. Não queria que existissem mais barreiras entre os dois.
Suas malas já estavam todas prontas. Deu uma última olhada na casa para checar se não estava esquecendo algo e ao encarar o pacote grande em sua frente sorriu ansioso, esperançoso de que Ann gostasse do seu presente de Natal. Em um das rotineiras idas da mais nova à sua casa, Adam tinha lhe fotografado sem que ela notasse. Naquela fotografia em especial, Ann aparecia um pouco de perfil, um pouco de costas para ele, de modo que apenas sua sombra estava perceptível. Só quem a conhecesse seria capaz de saber quem estava ali naquela imagem. O pouco de luz que nela refletia era capaz de deixar à mostra um sorriso tímido que se formava em seu rosto. Tinha mando revelar alguns dias atrás e em razão do tamanho do quadro, decidiu antecipar o presente. Levar aquele pacote durante todo o voo com certeza iria levantar suspeitas. Com tudo em mãos, entrou no carro, dirigindo, em seguida, em direção ao apartamento da escocesa.
Mesmo sabendo onde ficava a chave reserva, optou por tocar a campainha. Enquanto esperava os poucos minutos que demoraram para que Ann aparecesse, Adam se lembrou de que aquela seria a primeira vez em que ela o veria sem barba, como havia prometido. Riu com a possibilidade de perder grande parte do seu charme e, em poucos segundos, Ann já estava à sua frente. – Hey... estou muito adiantado? – Tinha certeza que sua expressão transparecia empolgação. Cumprimentou a mais nova com um beijo no rosto, enquanto entrava no local, segurando apenas o quadro em mãos. – Não é o ideal, mas precisei adiantar seu presente. Espero que você goste.
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A palavra inocente e Adam junto era bastante engraçada e a jovem não deixou de rir com escárnio. – Ok, dessa vez eu levo a culpa por isso. Mas admito que não estou arrependida. Faria tudo de novo. Na verdade, até faria mais coisas. – umedeceu os lábios com luxúria nítida em seus olhos, olhando o outro de cima a baixo. Ao escutar a pergunta direcionada a si, a morena fingiu pensar, levantando o indicador até o lábios, contando nos dedos números que sequer faziam sentido. – Então… Não, pra ser bem sincera você não tem concorrentes. O caminho está aberto, porém eu preciso me valorizar, certo? Não é a técnica usada por alguns corretores? Fingir existir outros compradores para os clientes ficarem com mais desejo de comprar?
Bufou sem acreditar no drama do outro, tentando não imaginar uma cena como aquela. Ela lhe dando chicotes e algo com látex no Natal. Os pais dele iriam a banir de Londres. – Eu sei bem que não iria. E é por isso que eu mesma já tenho planos para isso. Mas só no futuro. E apenas, se você continuar se comportando. – a última parte era uma mentira deslavada, pois Johanna faria qualquer coisa que Adam pedisse, sendo comportado ou não. Percebeu o silêncio do mais velho mediante o assunto, assim como o rubor nas suas bochechas. Céus, ele só podia abominar a ideia de namorar. Decidiu ter clemência dele, deixando o assunto passar. Quando o momento chegasse, eles improvisariam.
Sentiu as bochechas corarem com a pergunta que ele fez, pois não, ninguém pediria o número dele após aquele beijo. Ela mesma estava tendo dificuldade em classificar aquilo tudo. – Não, eu tenho certeza de que ela entendeu o recado. E eu também. Se é que era essa sua intenção. – a voz dela falhou na última palavra, pois até o simples beijo no rosto lhe arrancou arrepios. – Ok, vamos lá. Nem lembro mais onde íamos. Droga, Adam. Eu te odeio. – ela choramingou, soltando o cabelo que estava preso, passando os dedos pelos fios, andando na direção do carro, entrando no mesmo sem esperar convite. – Isso vai ter volta. Não sei como ainda, mas vai ter.
Adam concordava integralmente com sua resposta. Ele também queria ter feito bem mais coisas na noite anterior. Com Johanna sua excitação parecia nunca ter fim. Aparentemente aquele sentimento também era recíproco. – Você ainda vai ter muito tempo pra isso… E eu também. – correspondeu sorrindo na medida em que pausava o olhar em seus lábios umedecidos. Observou as gesticulações com os dedos, rindo satisfeito com a revelação. Na verdade, não importava se tinha ou não outros homens interessados por ela, Adam não iria abrir mão de Johanna tão facilmente. – Hm, entendi. Sei reconhecer um bem valioso quando encontro um. E acho que não há nada que me faça te desejar ainda mais, Ann. É impossível. – disse sincero, achando graça na analogia utilizada pela mais nova.
Arqueou as sobrancelhas, soltando uma risada maliciosa com a condição imposta. Afastou devagar o cabelo de Ann, deixando seu ombro livre, aproveitando para depositar leves beijos no local. Subiu os lábios para seu pescoço, pretendendo torturá-la aos poucos, tendo total consciência que aquele era seu ponto fraco. Ao chegar em seu ouvido, mordiscou sua orelha, falando roucamente. – Sim, senhora. Prometo me comportar. – Os beijos subiram para seu rosto, parando alguns centímetros dos lábios dela, sem, contudo, beijá-la. – E se eu for um garoto muito levado? O que vai acontecer? – distanciou-se para encará-la fixa e insinuantemente, ansioso pela resposta..
Apressou o passo para alcançá-la até o carro, rindo com a reação de Ann. Sim, aquela tinha sido justamente sua intenção. Que ficasse bem claro pra todas ali e, principalmente, para ela, que os dois tinham algo a mais, que não conseguiam se desgrudar um minuto sequer a ponto de ele acompanhá-la em uma aula de yoga e que ele não se importava mais, nenhum pouco, com o que os outros iriam pensar. Entrou no carro, dando partida em direção ao lugar em que havia planejado levá-la para almoçarem. – Claro que não, eu ainda não te contei, garota. – gargalhou, percebendo o quanto ela ainda aparentava estar atrapalhada. – Se for pra você se vingar, eu vou repetir a dose várias vezes então.
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Revirou os olhos ao ouvir a massagem ser mencionada. Ann foi massageada de diversas formas, mas ela tinha certeza de que a ideia inicial era bem diferente da execução do plano. Não que ela estivesse reclamando, pois, toda a cena da noite passada a ajudou a esquecer do que aconteceu. – Isso é verdade. Será que dessa vez você vai conseguir me dar essa massagem sem minhas roupas saírem do meu corpo? – brincou com ele, mas deixando suas feições tranquilas. Ela não se importava de perder uma ou todas as peças de roupas durante uma “massagem” dele. – Eu sou realmente uma mulher incrível não sou? Sempre preocupada com o bem estar dos outros. Se eu fosse você, não bobeava hein?
Gargalhou com o tom sugestivo do outro, dando um tapa de leve em um dos braços dele. – Céus, não é sobre isso. Que tipo de pervertida eu seria se te desse algo relacionado a sexo no Natal? Eu tenho planos pra esse tipo de presente, mas em outras ocasiões. – ergueu as sobrancelhas com malícia, mordendo o lábio inferior. Sabia que a mente de Adam não focava apenas naquilo, então tinha sua consciência tranquila, pois ele poderia ter qualquer coisa relacionada a sexo em qualquer dia. O presente dela era algo mais memorável. Ficou satisfeita ao ele não negar a palavra “cunhadas”, mediando com a cabeça ao ouvir ele falar. – Tem várias formas, e eu quero explorar todas elas. Elas vão gostar muito mais de mim se puderem rir de sobre quando eu estiver por perto. Ninguém gosta de uma cunhada boazinha com o irmão, Addy. Achei que soubesse. – tinha acabado sua frase quando o mais alto começou sua confissão. O modo como ele tropeçava nas palavras surpreendeu Ann. O homem raramente ficava nervoso. Suspirou, entendendo o que ele estava sentindo. Céus, como ela gostaria de largar aquela fachada e só dizer tudo o que sentia. – Elas acham que nós namoramos… Eu entendi Adam. Bom, eu prometo não dar nenhuma ideia errada para eles. Vou tentar ser o mais amigável com você na frente da sua família. – sua frase vinha com um tom de dúvida. Ela ainda não estava certa se ele estava confortável para títulos, ou pior, para assumir o que não existia ainda para sua família.
A sua mente ainda fervilhava com imagens indesejadas do homem com a professora de Yoga, e ela a todo custo tentava ignorar aquilo. Foi pega de surpresa pelas palavras dele, sem entender o que ele significava. Mas então, estava com os lábios dele nos seus, e como se fosse automático, ela se viu entregue ao beijo, agarrando a camisa dele para suporte. Correspondeu o beijo na mesma velocidade sendo arrebatada pela sinceridade no ato. Espalmando a mão no peito do mais alto, ela separou o beijo, se dando conta que conseguia ouvir algumas risadas ao fundo, provavelmente das garotas da sua aula. Sabia que estava corada, e sinceramente, o beijo havia lhe deixado sem palavras. Engoliu em seco, olhando fundo nos olhos azuis do chefe. – Você… Olha Adam, você vai me deixar maluca qualquer dia desses. – disse ainda absorta no beijo, balançando a cabeça levemente, tentando pensar com clareza.
Mordeu o lábio, sorrindo travesso com a pergunta de Ann. – Não te garanto nada, mas eu posso tentar. Se bem que, caso não lembre, quem não se conteve ontem à noite foi a senhorita. Eu sou inocente na história, pelo menos dessa vez. – gargalhou arqueando a sobrancelha e levantando os braços, como se estivesse se esquivando da culpa. Era exatamente das provocações bobas que lembrava quando não estavam juntos. E era nesses momentos em que mais percebia o quão sintonizados ficavam a cada dia. – Disso eu não tenho dúvidas. Por quê? Tem outros pretendentes na fila, Bay? – perguntou em tom de brincadeira, tentando fazer com que passasse despercebido o fio de preocupação que sua voz também transparecia.
Esquivou-se do leve tapa que recebeu, sem conter as gargalhadas. – Nossa, eu que me senti um pervertido agora. Mas não ia reclamar de um presente desses. – Por um segundo imaginou o quão cômico seria se Ann lhe presenteasse com algo sexual na frente de sua família. De toda forma, estava ansioso em saber o que ela tinha planejado lhe presentear. Adam sempre adorou dar presentes a quem quer que fosse, enxergava isso como uma verdadeira prova do quão bem conhecia alguém. Com Johanna essa tese não se confirmava totalmente. Talvez por criar muitas expectativas em agradá-la. Já conviviam praticamente todos os dias nos últimos tempos e, por isso, sua decisão pelo presente da mais nova não tinha sido de todo difícil dessa vez. – Ah, eu sei bem disso. Eu já estou quase me arrependendo dessa viagem. Não acho mais uma boa ideia essa amizade, não. – riu brincando. Só um milagre para fazê-lo se arrepender do combinado. Estava praticamente igual a um garotinho de 5 anos contando os dias para que o Natal chegasse. Enquanto Ann falava, teve certeza que suas próprias bochechas tinham se ruborizado. Talvez nunca tivesse ficado daquela forma em sua frente, mas não era algo que pudesse controlar. De fato, não tinha o menor problema em fingir que namoravam para os demais, como já tinham feito antes. O problema era que àquela altura a linha entre o que realmente sentia e o que poderiam simular como namorados era quase inexistente. Quis dizer que ela não precisava se preocupar com aquilo, que não existia ‘ideia errada’ sobre eles. Respirou fundo tentando respondê-la, mas não conseguiu completar nenhuma palavra.
Suspirou ao fim do beijo, abrindo os olhos lentamente, tendo certeza que eles sorriam pra Ann. Sabia que tinha sua parcela de culpa em fazê-la se sentir assim. Afinal, nunca tinha se declarado com todas as letras. Também não costumava demonstrar nada em público. Sorriu com suas palavras, vendo que a garota tinha ficado desconcertada. – Você acha que ela ainda quer meu número? – sussurrou baixinho enquanto observava a professora passar perto deles. – Ou ainda não foi o suficiente? – riu beijando seu rosto demoradamente. Não esperava que aquela demonstração pública fosse lhe deixar tão satisfeito. Não havia mais motivos para que Ann sentisse ciúmes, era isso que tinha tentando dizer com o beijo e esperava que o recado tivesse sido dado. – Agora podemos ir? Te disse que você não vai se livrar tão cedo de mim.
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Segurou o riso graças as palavras que o homem proferia, satisfeita pela reação que havia arrancado dele. Era exatamente isso que estava esperando. Balançou a cabeça em descrença, deixando um riso fraco escapar. – Admito que também estou cansada de ontem a noite. Foi bem… intenso. Com mais noites como aquela, posso até desistir de qualquer outro exercício. – brincou com ele. Todo tempo que eles passavam juntos era de qualidade, mas o sexo conseguia ser o melhor que Ann já teve. Era reconfortante saber que a cada dia que passava, se tornava algo além disso.
– A sua dica é que é algo que você vai poder usar para fazer algo que ama. – tentou soar o mais misteriosa possível, mas gostaria mesmo era de falar o que seria o presente, assim já conseguiria a validação do inglês. Gargalhou com a declaração dele, levantando as mãos como se perdesse a briga. Era verdade que eles estavam passando cada vez mais tempo juntos, mas a morena não conseguia ver tal coisa como algo ruim. Na verdade, quanto mais tempo passava com ele, mais queria estar ao lado do homem. A presença dele era intoxicante. – Não é como se eu estivesse fugindo, garoto. – disse numa tentativa de zoar o outro, pois de garoto, Adam não tinha nada, ele era completamente um homem. Sorriu vitoriosa pela reação dele, pois era exatamente isso que queria. Ele adorava a chantagear sobre conseguir descobrir seus segredos pelas irmãs, então faria o mesmo. – Mas Addy, eu quero poder me conectar com as minhas cunhadas. – brincou, sorrindo de forma instigante.
Ann tinha consciência de que seu ciúme não era justificável. Adam não havia sido nada além de comportado e comprometido na aula e se a professora dela tinha uma queda por ele, quem poderia julgar? Ele era um pedaço de mau caminho. Ela mesmo não conseguia tirar os olhos dele. E eles não tinham nada, ela sequer tinha motivos para reagir daquela forma. Mas lá estava ela, com a cara amarrotada, olhando para o carro, com uma raiva totalmente desnecessária. A voz de Adam fez com que ela fechasse mais a cara, virando para o outro lado, dando as coisas para ela. – Deveria perguntar para a professora. Não pegou o número dela? – provocou, olhando por cima do ombro, chateada. Mesmo que não fosse racional, ela ainda tinha certo medo de perder a atenção do outro. Por mais que ele não demonstrasse nada, ela sempre tinha o receio de não ser o que ele estava procurando e talvez por isso ainda não tivesse oficializado nada.
Achou graça na comparação feita e não podia concordar mais. A intensidade com a qual os dois se conectavam desde que tinham se beijado pela primeira vez ainda impressionava Adam. – Uhum, foi mesmo. E eu ainda te devo uma massagem relaxante, lembra? – piscou recordando as suas intenções no início da noite anterior. – Olha só, além de tudo você ainda me incentiva a ser mais saudável. Não tenho como recusar uma oferta dessa. – continuou em tom de brincadeira. A relação dos dois não se sustentava mais apenas com sexo, ele bem sabia e, na verdade, tentava deixar escapar isso sempre que podia. Vinha percebendo que talvez aquilo tudo fosse recíproco. Por mais medo que tivesse, com Johanna não havia mais como voltar atrás. E não era isso que pretendia fazer.
– Hmm… Não estou gostando dessa sua versão misteriosa. Ainda tá muito difícil, eu amo fazer várias coisas… – não resistiu em deixar subentendidas as segundas intenções. Parecia mais uma escapatória para não revelar coisas demais, sentimentos demais pra Ann. A cada vez que ela respondia coisas como aquelas, ele se sentia ainda mais estimulado a retribuir. Que bom que não era só ele que não queria se desgrudar tão cedo. Seu verdadeiro desejo era que aquelas pendências todas em relação aos dois já tivessem sido resolvidas, pra passarem o dia inteiro juntos de verdade. Mas com tanta incerteza e insegurança ainda rondando seus pensamentos, Adam sabia que o que queria ainda iria demorar a acontecer. – Não tem outro jeito pra você se conectar às suas cunhadas, sério? Falando nisso, e eu juro que não disse nada a elas… – Mentira, ele sabia que tinha deixado escapar sem querer detalhes demais sobre os dois depois que a irmã mais velha perguntou qual o motivo para ele estar tão diferente. – Mas talvez elas pensem que a gente tenha alguma coisa. E-eu sei que temos algo, mas elas acham que.. N-não que não tenhamos nada, não foi isso que quis dizer. Enfim, você entendeu. – gaguejou rapidamente, embaralhando as palavras e rezou para que isso tivesse passado despercebido à mais nova. Fitou os olhos de Ann temendo ter falado besteira e não segurou o riso meio fascinado enquanto lhe encarava.
Com o cenho franzido, Adam demorou alguns segundos para juntar as frases que Johanna havia dito. Não acreditava que ela tinha prestado atenção à forma como a professora tinha lhe encarado durante toda a aula. E o que era pior: que tinha interpretado mal a conversa entre os dois. As investidas da loira não tinham despertado o menor interesse em Adam, o que era bem raro de acontecer. Riu baixo sem acreditar no que ouvira, enquanto via pelo canto do olho as outras alunas deixarem o prédio conversando entre si. Logo atrás sabia que era a professora quem vinha em direção aonde os dois estavam. No mesmo segundo, teve uma ideia para resolver logo a situação, esperando que ela não ficasse chateada. – Acho que depois disso aqui ela não vai querer mais pedir o meu número… – disse rapidamente sem esperar resposta, enquanto se aproximava por trás de Ann e a virava para que ficassem frente a frente um do outro. Segurou em seu rosto e iniciou um beijo intenso, apressado e com delicadeza, ao mesmo tempo, para que não restassem mais dúvidas para nenhuma ali, principalmente para a escocesa, quanto à relação dos dois.
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Não pode conter a risada por conta das palavras proferidas pelo outro. Ele tinha toda razão na colocação, mas era sabido que Johanna não gostava de inflar o ego de ninguém, especialmente e de Adam, já que aquilo sempre fazia com ele ficasse ainda mais cheio de si. – Charmoso? Eu não iria tão longe. Você é… bonitinho? – disse com deboche, brincando com o mais velho. Concordou a medida que Adam falava, tentando disfarçar suas expressões. Ann compartilhava do sentimento de liberdade, mas era ainda mais satisfatório poder fazer isso com Adam. – Sim, eu concordo com você. Essa férias vão ser muito bem vindas. E bem, admito que vai ser novo. Eu acho que nunca passei o as festas com ninguém além da minha família. Então vai ser legal ver uma nova tradição. – falou se esforçando para parecer despreocupada, quando na verdade, não conseguia parar de pensar qual impressão a família de Adam teria dela.
Revirou os olhos pelo tom do outro, rindo descrente. – Eu estava me referindo realmente a sua família. Meu presente pra voce já foi comprado e embalado há muito tempo. – tinha certo orgulho na sua fala, pois sabia que o tinha planejado como presente para ele, seria o bastante para ele ter um ótimo Natal. – Claro! Depois da aula é perfeito, assim exploro um pouco desses ombros largos e desses braços fortes. – proferiu tais palavras de modo afetado, sorrindo com malícia. Ponderou um pouco sobre as palavras dele. Será que eles teriam que fingir em Londres como haveriam fingido com os pais de Ann? Ou será que teriam quartos separados? A última ideia vez com que ela corasse, pois, conhecendo o histórico dos dois, eles não iriam conseguir passar as noites longe um do outro. – Eu a entendo. E eu vou adorar ficar na sua casa, assim consigo descobrir mais coisas sobre seu passado. – lhe tocou o ombro como forma de o tranquilizar, falando com um sorriso.
O sorriso no rosto da fotógrafa era tranquilo, sabia que teria que responder algumas perguntas na próxima hora, mas no momento, estava mais focada em guiar Adam. – Eu sou má? Você sabe que eu sou um anjinho, Addy. – piscou para o outro, deixando a bolsa no canto e se posicionando em um dos colchonetes, indicando com as sobrancelhas que ele fizesse o mesmo. A professora os saudou, pedindo que começassem com um exercício de alongamento. A julgar pelo físico do chefe, Johanna sabia que naquele aspecto ele não teria problema. Academia devia ser algo que ele frequentava regularmente. Após isso, ela começou a indicar algumas posições, como a da Árvore, postura de Gato, de lua crescente e outras. Mas mais simples o mais alto não demonstrou dificuldade, mas na posição de ponte ele não estava conseguindo se equilibrar. Ele precisou de ajuda, e não foi de Johanna, e sim da professora de era toda sorrisos e bochechas coradas. Quando a aula chegou ao fim e foi o momento de meditar, Ann só conseguia pensar em como aquilo havia incomodado ela. Talvez ela fosse insegura, mas com certeza a professora fazia mais o tipo de Adam. Pernas longas, loira e destemida. Lembrou do acontecido na boate e sentiu próprias feições mudarem. Após todos se despedirem, ela pegou suas coisas, saindo com um bico nos lábios, sem esperar por Adam.
Adam estreitou os olhos, fingindo uma expressão ofendida com direito a um bico manhoso. Sem conseguir se segurar, gargalhou logo em seguida. – ‘Bonitinho’? Eu até poderia te fazer mudar de ideia agora… – disse fazendo questão de mudar o tom da voz enquanto mordiscava levemente o pescoço da garota. – … mas eu vou me contentar por hoje. Ainda tô cansado por ontem à noite. – sorriu piscando e voltando a encará-la. Animou-se ao ouvir sua resposta. Se aquela seria as primeiras festas de Ann longe da sua família, sua responsabilidade dobrava. Parecia mais um adolescente com toda a ansiedade que vinha sentindo ao pensar na viagem dos dois.
– Você tá me deixando ainda mais ansioso assim, Johanna. Eu não mereço nenhuma dicazinha? – perguntou manhoso, deixando transparecer sua animação. Já sabia perfeitamente qual seria seu presente de Natal para a mais nova e estava contando os dias para poder entregá-la. Sua ideia tinha surgido desde as primeiras vezes que os dois saíram juntos e sabia que aquela era a oportunidade perfeita para surpreendê-la. – Você não vai se ver livre de mim nem tão cedo hoje, garota, relaxa. – respondeu satisfeito. Pra falar a verdade, o convite que havia feito a ela para saírem após a yoga era apenas mais uma tentativa de fazer com que os dois passassem mais tempo juntos. Ultimamente estava impossível passar o mínimo de tempo que fosse longe de Ann. Ir comprar os presentes de Natal em sua companhia era a desculpa perfeita. – Sabia que isso ia acontecer. A senhorita fique bem longe das minhas irmãs, tá? – riu negando com a cabeça. Lembrava que tinha implicado da mesma forma com Olívia quando se conheceram. Mas algo lhe dizia que Ann ia se dar muito bem com suas irmãs.
Não esperava que ia gostar tanto daquela aula. Estava, inclusive, se esforçando ao máximo para repetir as posições que todas ali já sabiam de cor. No início não teve a menor dificuldade, mas nas mais complicadas era praticamente impossível se sustentar em pé, o que lhe arrancava alguns risos silenciosos. Esperava que as outras alunas não estivessem prestando atenção ao fiasco do novato. Agradeceu mentalmente ao ver que a instrutora, que já estava lhe encarando há um bom tempo, se aproximou para ajudá-lo. Ela se apresentou, esbanjando simpatia e, Adam notou, algumas intenções a mais. Quando aquilo acontecia, automaticamente retribuía sem pestanejar. Mas sem nem perceber, não correspondeu, se limitando a responder e agradecê-la educadamente. Ao fim da aula, assim que procurou Ann para irem embora, não conseguiu encontrá-la em canto algum. Perguntou a algumas das mulheres se a tinham visto e seguindo as instruções delas, encontrou a garota sozinha e emburrada do lado de fora do prédio. – Hey, o que houve? – questionou preocupado, sem perceber o real motivo do porquê ela estava chateada com ele.