O Branco-Amarelado dos Tempos Reféns das Cores Quentes
Sangrei meu sangue nulo Construí tuas muralhas Rimando com consultórios médicos A paz desbotada de um silêncio Das minhas gengivas nulas Pintei a fachada da tua casa Em um terrível vermelho anêmico As sobras intermitentes de maçãs O bolsões dos meus olhos trazem a noite E com ela a libido trava uma guerra eterna Contra a minha inadequação Santo esplendido de ouro A comunhão expurga seu pus Um amarelo terra Me apresentam como janta E obrigam-me a comê-lo Seu gosto de ferro Me lembra de meus sinônimos Destratando uma apologia ao sofrer Eis outra praga deste século, em desventura Formigas subiam em meu corpo Farejando tua saliva E morriam sufocadas Ao se depararem com meus lábios Nos escombros da nossa carne recém falecida Sobem gafanhotos nos amaldiçoando Ceifando sobras de nossas virilhas ainda trêmulas Para leiloarem no mercado conspiracionista Em meu esperma, escondi todas as dúvidas Derreti demônios e embebedei freiras Que assistiam nossa transa embaixo da cama No silêncio da amargura frágil do pecado










