Me sinto bagunçada
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if i look back, i am lost
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@aforar
Me sinto bagunçada
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vcs sabem o nome dela gente? quero stalkea-la um pouquinho
Domingos noturnos, memórias passam como um flash. Café, desapego, bagunça no coração. Poesias rasuradas na mesa, e saudades esparramadas pelo chão. As canetas já não cantam boas palavras, e os papéis não tem me chamado pra dançar. Chove. Sonolentos sãos os pingos gotejando na janela de metal, dando notas ao contraste da insônia vaga. Nada parece ser real no dia seguinte. A verdade é que de madrugada, as pessoas se parecem menos com anjos. Melancolizo-me, e finda-se o riso. Lembranças repaginadas me amarguram.
Annd Yawk.
Eu acredito que tudo acontece por uma razão. As pessoas mudam para que você possa aprender a viver sem elas, as coisas dão errado para que você possa apreciá-las quando elas dão certo. Você acredita numa mentira pra você aprender a não confiar em ninguém, além de você mesmo. E às vezes, as coisas boas desmoronam para coisas melhores acontecerem. É a partir dessas coisas que sua vida toma um rumo. Você passa a ser uma pessoa saudável de si, forte, capaz de derrubar uma fortaleza, percebe que nem tudo é um “mar de rosas”, deixa a covardia de lado e parte para o enfrentamento, face a face. É preciso sofrer, sofrer bastante, tomar vários socos da vida, para aprender a não deixar que o mundo te faça de “gato e sapato”, te deixe de lado.
Ingrid Santos
Parece absurdo que alguém possa sofrer num dia de céu azul, na beira do mar, numa festa, num bar. Parece exagero dizer que alguém que leve uma pancada na cabeça sofrerá menos do que alguém que for demitido. Onde está o hematoma causado pelo desemprego, onde está a cicatriz da fome, onde está o gesso imobilizando a dor de um preconceito? Custamos a respeitar as dores invisíveis, para as quais não existem prontos-socorros. Não adianta assoprar que não passa.
Martha Medeiros
E quando ela sente dor deita no chão da sala. Os olhos brilham, o corpo vai e volta, a perna está quebrada e eu não posso fazer nada. Ela tenta andar e chora, deita novamente, os olhos brilham, o corpo padece e eu sofro mais ainda porque não consigo fazer nada para aliviar a dor, senão me lamentar. E se ela se for? O que eu faço? Eu não queria chorar, mas choro, ela sente dor e eu queria sentir no lugar dela. Ela deita, meus olhos brilham, eu lamento, um dia é tosse noutro dia é a perna quebrada. O que eu posso fazer? Não se vá…
Cirros
Aqui eu exponho no mais amargo dos versos: estou caçando os poucos de ti que guardei em mim. Não pela falta, não pela ida não por nada. Eu só careço de que as coisas se acertem enquanto eu bebo uns golinhos de uma porcaria qualquer, de santa para puta, de puta para lixo. E se acaso quiser ou lamentar da postura que não é mais tida, não reclame porque faço das suas palavras uma anedota qualquer, e gargalho e piso e ignoro sua inconstância. Porque eu estava aqui, meu caro, misturando açúcar com água, fazendo compressas, rezando o terço três vezes ao dia. Mas não foi suficiente a mentira toda de santa para santa, eu tive que foder com seus ideais, e dar todos os lados possíveis para que terminasse de bater. Não tenho em meus pés a honra da curvatura de um devotado, só tenho em meus lábios a podridão de uma saliva qualquer. E dou uns beijos mal dados por aí, rolo num lençol desarrumado faço qualquer coisa. Mas a verdade é que não te esqueço, e meu cheiro confere o que lhe digo lamentando. Ainda me arrumo pensando em seus elogios, e me provoco para chamar sua atenção. Traga o meu desconsolo, e vá com ele para uma privada qualquer. Me vomite, me cuspa, me transporta para qualquer inferno que me abrigue. Eu vou sem medo, e encarno em mim a mutação, de santa para puta, de puta para lixo. Mas eu ainda não te esqueço. Me absorve, me expeli…
Devora-te
O jardineiro conversava com as flores, e elas se habituaram ao diálogo. Passava manhãs contando coisas a uma cravina ou escutando o que lhe confiava um gerânio. O girassol não ia muito com sua cara, ou porque não fosse homem bonito, ou porque girassóis são orgulhosos de natureza. Em vão o jardineiro tentava captar-lhe as graças, pois o girassol chegava a voltar-se contra a luz para não ver o rosto que lhe sorria. Era uma situação bastante embaraçosa, que as flores não comentavam. Nunca, entretanto, o jardineiro deixou de regar o pé de girassol e de renovar-lhe a terra, na ocasião devida. O dono do jardim achou que seu empregado perdia muito tempo parado diante dos canteiros, aparentemente não fazendo coisa alguma. E mandou-o embora, depois de assinar a carteira de trabalho. Depois que o jardineiro saiu, as flores ficaram tristes e censuravam-se porque não tinham induzido o girassol a mudar de atitude. A mais triste de todas era o girassol, que não se conformava com a ausência do homem. “Você o tratava mal, agora está arrependido?” “Não, estou triste porque agora não posso tratá-lo mal. É a minha maneira de amar, ele sabia disso, e gostava”
Carlos Drummond de Andrade
E começou dezembro, o mês que poderia ser o último de nossas vidas, quando o mundo finalmente acabaria. Poderia, mas infelizmente não é. Ainda não nos tornaremos imortais.
Monossilábica
scared
A janela sem os olhos
O envelope sem as cartas As perguntas sem as respostas As mãos sem os dedos O silêncio dos vivos é maior do que a morte
Se ”morrer é deixar de ser visto” desaparecer é provocar visões sem ainda ser alma
Ehre
Madrigal melancólico
O que eu adoro em ti,
Não é a tua beleza. A beleza, é em nós que ela existe. A beleza é um conceito. E a beleza é triste. Não é triste em si. Mas pelo que há nela de fragilidade e de incerteza. O que eu adoro em ti Não é tua inteligência. Não é o teu espírito sutil, Tão ágil, tão luminoso, – Ave solta no céu matinal da montanha. Nem é a tua ciência Do coração dos homens e das coisas. O que eu adoro em ti, Não é a tua graça musical, Sucessiva e renovada a cada momento, Graça aérea como o teu próprio pensamento, Graça que perturba e satisfaz. O que eu adoro em ti, Não é a mãe que já perdi, Não é a irmã que já perdi, E meu pai. O que eu adoro em tua natureza, Não é o profundo instinto maternal Em teu flanco aberto como uma ferida. Nem a tua pureza. Nem a tua impureza. O que eu adoro em ti – lastima-me e consola-me! O que eu adoro em ti, é a vida. Manuel Bandeira