Olhar a ela
é ver as tuas mãos entrelaçadas à dela,
olhares trocando promessas mudas
como se já soubesse que é ela.
Mas preferiste a mim
E eu, que recebi a tua eleição,
Trago no peito um nó que não se desfaz
E pago o preço pela a tua escolha.
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@aggtslva
Olhar a ela
é ver as tuas mãos entrelaçadas à dela,
olhares trocando promessas mudas
como se já soubesse que é ela.
Mas preferiste a mim
E eu, que recebi a tua eleição,
Trago no peito um nó que não se desfaz
E pago o preço pela a tua escolha.
Comparo o meu reflexo ao de outras mil,
as sombras que em teu peito já moraram.
Teu riso vem, tão dócil e tão sutil,
mas penso nas que antes te tocaram.
Será que a minha boca tem sabor
que faz teu peito arder como fazia
a dela, que deixou no teu amor
marcas que o tempo em vão silenciaria?
Escrevo com os dedos trêmulos,
cada palavra pensada em seus traços.
Mas tu, tão frio, como quem nada ouve
me deixas sozinha no meu próprio poço.
Envio mensagens, e a lês? Jamais.
ignoras cada frase, cada chama.
E as cartas, que de amor falam muito,
no balcão do correio esperam por você.
Falo de amor, tu fechas os olhos.
Canto tristeza, ris do meu tom.
E eu, como tola, escrevo esperanças
para um coração que se vira a mim.
Eu não sei quanto exatamente comecei a te amar, provavelmente antes de saber teu nome. Porque nem escolha eu tive. Foi um espécie de acontecimento m Tu me aconteceste. E, desde então, nada em mim continuo igual.
A tua existência me deu um norte que eu nem sabia estar procurando. Tu viraste lar antes mesmo de eu perceber que estava cansada. Tu foste janela e horizonte.
E é estranho como as coisas são tão mais vivas desde que estás. O café tem gosto de coisa que vale a pena. As palavras se tornam insuficientes, e mesmo assim, eu tento. Tento porque amar-te me dá vontade de criar, de permanecer, de existir.
Não me abandono jamais
à visão febril de teus olhos absortos,
que faz o mundo, em bruma, se esvanecer
no instante em que me olhaste.
O nariz, traço tênue em gesto preciso,
roça o semblante que, em teus lábios, afirmas
o belo,
com a ternura que desarme o espelho.
E em tua boca, tão cárnea,
abismo plácido onde o riso fulgura,
traz consigo um cálido,
um sopro de casa.
Mãos de seda, em carícia eterna e encarnada,
santificam os espinhos ao simples toque,
qual bálsamo que a carne faz silente.
Mas tua voz...
voz que não soa, mas paira,
envolve-me num véu de certezas
e faz do amor sombra que se perpétua.