De tudo o não dito, o que eu queria mesmo, era poder tirar uma por uma das suas camadas, e paradoxalmente ouvir você dizer que está inteiro aqui, pra mim. "É só você querer, que eu desço" você diz, enquanto o arrepio percorre o corpo, contraindo tudo quanto é músculo e nos três segundos em que me faltou o ar e a gravidade, eu disse não. O que eu queria mesmo? Não ter dito isso. Nós somos calmamente desconcertantes, mutuamente, e é estranho, "mas um estranho bom" eu disse, enquanto penso, que nunca me atraí por montanhas russas, embora corriqueiramente fosse nelas parar. Percebo sua respiração se aproximar e paulatinamente suas mãos alcançarem a minha cintura, até que a sua boca chegue tão perto do meu ouvido que não precise dizer nada para que eu possa ouvi-lo, sinto o frio subir pela coluna e a sensação é parecida com quando nós esvaimos todas as forças e o equilíbrio vai dar o passeio com a alma que a esse ponto já saiu do corpo e foi dar uma voltinha. O que eu queria mesmo, explorar a quentura da tua pele, te mostrar a minha casa, deixá-lo entrar, quero mesmo ver seus olhos fecharem e mordiscares a boca sincronizado, num gesto de prazer instintivo. E quando você novamente os abre, me olha como quem sabe o que eu quero, mesmo. https://www.instagram.com/p/CC1cG10JYDw/?igshid=uxq7pl87hmad















