Forçamos o bocejo
O suspiro como
Espada a dividir o silêncio
Canídeos ansiosos olvidados do uso dos
Caninos
Olhamos o céu, mas
Baixamos os olhos defronte da
Verticalidade impossível dos prédios
O retumbar dos carris sob a
Neblina
Com cheiro a
Pedra, cobre, bronze, ferro.
Se existe ainda sal nas lágrimas
Como pudemos crescer
Tão apartados
Da idade da pele
Para quando
A extinção da cicatrização, a era das feridas abertas
Rosadas do arrasto, o fim
Do arresto da seiva bruta
Na ascensão dos impérios.
É urgente criar crostas nos joelhos prontas a
Arrancar
Rasurar os conselhos à navegação
A voz, os escritos não bastam se
Quando abrimos espaço ao nome
O verbo
É interdito.
Hirtos, dizemos estar em combate enquanto
Criamos raízes no lodo
A carne apodrece e
Promíscuos
Ignoramos a fonte da resistência.
Se empenhamos saliva
Em palavras ou beijos
É só porque
Não aprendemos
Ainda
A dançar.
13.02.2023