𝗒𝗈𝗎 𝗐𝗂𝗅𝗅 𝗅𝖾𝖺𝗋𝗇 𝗍𝗈 𝑯𝑨𝑻𝑬 𝑴𝑬 𝖺𝗇𝖽 𝗍𝗁𝖺𝗍 𝗐𝗂𝗅𝗅 𝗆𝖺𝗄𝖾 𝗆𝖾 𝗐𝖺𝗂𝗍 𝖺𝗍 𝗒𝗈𝗎𝗋 𝖽𝗈𝗈𝗋 𝑤𝑒𝑒𝑝𝑖𝑛𝑔 𝑎𝑛𝑑 𝘩𝑜𝑤𝑙𝑖𝑛𝑔 𝗎𝗇𝗍𝗂𝗅 𝗒𝗈𝗎 ˡᵒᵛᵉ ᵐᵉ 𝖺𝗀𝖺𝗂𝗇. 𝗐𝗂𝗅𝗅 𝗒𝗈𝗎 𝗅𝗈𝗏𝖾 𝗆𝖾 𝖺𝗀𝖺𝗂𝗇? 𝗂𝗍’𝗌 𝖘𝖙𝖗𝖆𝖓𝖌𝖊, 𝗂𝗌𝗇’𝗍 𝗂𝗍? ⸻ i am a 𝐃𝐈𝐑𝐓𝐘 𝐀𝐍𝐈𝐌𝐀𝐋 which is why i will 𝒔𝒄𝒓𝒆𝒂𝒎 so much about the 𝗽𝘂𝗿𝗶𝘁𝘆 that could’ve been 𝑴𝑬 ͟.
𝒮𝚃𝙰𝚁𝚅𝙴𝙳 ⠀ ⸻ ⠀ você não sabe quem eu acabei de encontrar na praça das sete famílias. isso mesmo, 𝗔𝗞𝗦𝗘𝗟 𝗧𝗛𝗢𝗥𝗦𝗘𝗡! ele é um licantropo que atua como dono de restaurante aqui em ninivae, sabia? ouvi dizer que possui 34 anos, embora aparente ter 32 anos. os ventos sopraram que esse rostinho angelical é franco, mas são os rumores sobre ser receoso que ameaçam a nossa paz. será que teremos problema em lhe estender a mão?
* 𝘁𝗮𝗴𝘀. * 𝗽𝗶𝗻𝘁𝗲𝗿𝗲𝘀𝘁. * 𝘄𝗮𝗻𝘁𝗲𝗱. * 𝗵𝗾𝗻𝗻𝘃.
ㅤ˓ ⿻ ۫ ࣭ ⠀ 𝐬𝐭𝐨𝐫𝒚𝐭𝐢𝐦𝒆 ⠀𓂃 aksel cresceu sem qualquer noção de afeto ou segurança. a infância dele foi moldada quase exclusivamente pela presença do pai, mikkel, um homem instável, violento, consumido pelo álcool e por uma frustração que precisava de um alvo. e esse alvo era o próprio filho. desde muito cedo, aksel foi condicionado a ouvir que sua existência tinha um custo, e que esse custo havia sido a vida da própria mãe, que morreu no parto. crescer sob esse tipo de discurso não significava apenas sofrer violência física, mas aprender a se enxergar como a origem de tudo que dava errado. o pequeno thorsen aprendeu que não existia forma certa de agir, porque qualquer comportamento podia se tornar motivo para punição. aksel não tinha permissão para construir qualquer tipo de vínculo fora de casa. não havia amigos, não havia visitas, não havia convivência com outras pessoas além do mínimo necessário. pequenos erros eram tratados como falhas graves de caráter. derrubar algo, esquecer uma tarefa, demorar a responder — tudo podia escalar rapidamente. em situações mais extremas, o castigo envolvia até mesmo ser trancado no freezer da casa. era colocado lá dentro e a porta era fechada, sem aviso de quanto tempo ficaria. no começo, ele reagia, batia, pedia para sair. com o tempo, aprendeu que isso só fazia durar mais.
foi na adolescência que surgiram as primeiras brechas nesse ciclo. sempre que encontrava uma oportunidade, aksel saía de casa. no início sem destino definido, apenas com o objetivo de não estar lá. depois, essas saídas deixaram de ser apenas fuga e passaram a ter propósito. ele começou a procurar qualquer tipo de ocupação que justificasse sua ausência, e foi assim que acabou entrando em cozinhas pela primeira vez. começou lavando pratos, lidando com pilhas intermináveis de louça e tarefas repetitivas. com o tempo, começaram a permitir que ajudasse em outras tarefas. preparar ingredientes, organizar bancada, observar o funcionamento da cozinha. o thorsen acabou se tornando útil, e passou a ser mantido ali com mais frequência — o que para ele era ótimo. trabalhar mais horas significava chegar mais tarde em casa, e consequentemente uma forma de reduzir o tempo sob o mesmo teto que o pai. aos poucos, a rotina de aksel passou a girar em torno disso. ele saía cedo, voltava tarde, e quando estava em casa, já estava cansado o suficiente para evitar interações prolongadas.
aksel começou a guardar dinheiro sem que aquilo parecesse um plano, mas era. guardava cada valor que recebia no restaurante, por menor que fosse, escondendo o dinheiro em lugares onde o pai não procuraria. levou tempo até juntar o suficiente, e quando finalmente percebeu que tinha o mínimo necessário para sair e não precisar voltar no dia seguinte, ele foi embora. a noruega ficou para trás e aksel estava disposto a começar do zero. nos primeiros meses, aceitou qualquer trabalho em cozinha que aparecesse, sem se importar com prestígio ou condições, desde que pagasse o suficiente para se manter. ao mesmo tempo, começou a investir em cursos de culinária sempre que conseguia pagar. alguns eram básicos, outros mais técnicos, mas todos serviam ao mesmo propósito e ele absorvia o máximo de conhecimento possível. quando conseguiu o primeiro emprego fixo em uma cozinha profissional, entrou como ajudante. ele permaneceu ali por meses, executando tudo que lhe era pedido e adquirindo experiência. a partir dali, começou a ganhar espaço e ser chamado para trabalhar fora do restaurante, participando de eventos menores, jantares privados, recepções e casamentos. esse movimento contínuo foi formando um currículo sólido. quando percebeu que já tinha repertório técnico e financeiro suficiente, começou a considerar a possibilidade de abrir o próprio espaço.
a escolha de ninivae, na escócia, foi por ser uma cidade com fluxo constante, diversidade de público e espaço para estabelecimentos que não dependiam de ostentação, mas de consistência. ele investiu o que tinha e assumiu o risco, sem margem para erro. o azure & ivore começou pequeno, com uma proposta sem excessos. nos primeiros meses, aksel assumia praticamente todas as funções. cozinhava, organizava estoque, ajustava cardápio conforme a resposta dos clientes, resolvia problemas operacionais e mantinha o funcionamento dentro do controle que considerava necessário. com o tempo, o restaurante começou a se consolidar dentro de ninivae. o fluxo aumentou gradualmente, permitindo ajustes na estrutura, ampliação da equipe e refinamento do serviço. nada foi feito com pressa. cada avanço era sustentado por consistência e repetição de resultados, até que o azure & ivore deixou de ser apenas um novo restaurante e passou a ser uma presença estabelecida na cidade.
durante seis anos, o restaurante se manteve estável. o suficiente para que aksel, pela primeira vez, não precisasse pensar no próximo passo o tempo todo. o restaurante funcionava, a rotina era previsível e a vida deixou de ser uma sequência de urgências. aos poucos, ele começou a viver experiências que nunca teve antes. passou a conviver com pessoas fora do ambiente de trabalho, construiu amizades verdadeiras e permitiu-se viver romances. essa estabilidade não apagou o passado, mas deixou de ser o centro de tudo. havia uma margem de normalidade que ele nunca teve. foi por isso que aquela noite começou como qualquer outra. o restaurante fechou mais tarde do que o habitual, a equipe saiu aos poucos, e aksel permaneceu para finalizar o que ainda precisava ser feito. quando terminou, já era madrugada. a lua estava cheia, mas não tinha qualquer significado para ele naquele momento. ele já tinha feito aquele caminho inúmeras vezes, e decidiu ir a pé como de costume. não havia motivo para pensar que seria diferente. mas foi.
não houve uma abordagem, muito menos tempo suficiente para entender o que estava acontecendo antes que a situação já estivesse fora de controle. a memória daquele momento não é linear. o que existe são fragmentos. a sensação de que algo estava errado antes mesmo de entender o quê. ele lembra de ter sido contido, de ter resistido, de ter tentado se desvencilhar, de não entender o que estava acontecendo e, ainda assim, lutar contra. não conseguiu. quando aksel acordou, já não havia continuidade entre o que ele era antes e o que existia agora. o corpo não respondia da mesma forma, a percepção era diferente, mais intensa, desordenada. e foi nesse estado que a bruxa explicou que ele não era mais humano. não totalmente. era um licantropo.
a primeira reação foi rejeição. aksel tentou se afastar, tentou ignorar, tentou encontrar alguma forma de retomar o que tinha antes. ele não aceitou de imediato, não se submeteu, não buscou ajuda nela de forma voluntária. e por isso foi punido. ele só percebeu a maldição quando tentou voltar para a própria vida. as pessoas continuavam reconhecendo o restaurante, continuavam tratando aksel como o dono, mas algo essencial havia desaparecido. quem tinha qualquer vínculo emocional com ele — amizades, relações construídas ao longo dos anos, pessoas que o conheciam de verdade — não lembrava mais do que existia entre eles. aksel lembrava de tudo. do que viveu, do que sentiu, do que construiu com cada uma daquelas pessoas. mas do outro lado, aquilo nunca tinha acontecido. foi nesse ponto que a presença dela se tornou inevitável. ele precisava de respostas e a bruxa era a única que sabia exatamente o que ele era agora. a única que entendia o funcionamento daquilo que tinha feito com ele. a única capaz de orientar, ainda que de forma limitada, como lidar com as transformações, como suportar a dor, como evitar perder completamente o controle. ela ajudava apenas o suficiente para manter ele funcional, para impedir que se destruísse, mas nunca o suficiente para que ele não precisasse voltar. agora, a única pessoa que ainda ocupava um lugar fixo na vida dele era justamente quem tinha tirado todo o resto.
ㅤ˓ ⿻ ۫ ࣭ ⠀ 𝐩𝐨𝒘𝐞𝒓 ⠀𓂃 super força ⸻ a força de aksel não é completamente estável e tende a se manifestar de forma mais intensa em momentos de estresse, medo ou ameaça. nessas situações, ele pode aplicar força muito acima do necessário sem perceber, resultando em objetos quebrados ou pessoas feridas sem intenção. fora desses picos, ele consegue manter um nível mais controlado, mas ainda superior ao humano comum. o problema está na falta de precisão quando emocionalmente desregulado. como não teve tempo de adaptação gradual à condição de licantropo, o corpo reage antes da consciência, o que torna o uso da força imprevisível. com treino, ele pode aprender a dosar melhor, mas no estado atual ainda existe risco constante de exagero.
ㅤ˓ ⿻ ۫ ࣭ ⠀ 𝐚𝒛𝐮𝐫𝒆 & 𝐢𝒗𝐨𝐫𝒆 ⠀𓂃 localizado em uma encosta com vista para o mar, o azure & ivore é um restaurante de média a alta classe. a culinária é uma fusão de pratos mediterrâneos e influências locais, destacando sabores frescos e ingredientes sazonais. oferece uma carta de vinhos selecionados e coquetéis exclusivos, com infusões de frutas tropicais e ervas da ilha. o restaurante também proporciona experiências únicas, como jantares ao pôr do sol, noites temáticas de música ao vivo e menus degustação preparados por chefs renomados.
















